terça-feira, 17 de novembro de 2009

O pai

Ele está cansado. Vai dormir comigo às 22h e demora a pegar no sono, tão agitado está. Ele anda com um livro cor-de-rosa debaixo do braço pra aprender um pouco sobre a maternidade e a paternidade. Ele gosta de passar hidratante na minha barriga e sentir o bebê. Passa gel nas minhas pernas, massageia meus pés e minhas costas.

Ele perde a hora do trabalho porque teve de receber o eletricista, o técnico do telefone, o cara do vidro. Vai pra casa na hora do almoço só pra resolver mais um problema, come mais tarde ou tem de se virar com um sanduíche do Subway. E tenta chegar em casa mais cedo no fim do dia pra jantar comigo.

Acordo às 6h e tomo café da manhã em casa excepcionalmente, e ele pergunta por que não o acordei pra tomarmos café juntos.

Ele vai comigo a todas as consultas na obstetra, lê tudo o que mando sobre trabalho de parto e me acompanha nos exercícios de preparação que faço. Perde a natação e sai pra caminhar comigo.

O chefe pede que ele participe de um evento no fim de semana, e ele não quer porque quer ficar comigo. Digo que pode ir, que tire folga no meio da semana, mas ele quer o fim de semana porque no fim de semana estamos juntos.

Sugiro que almocemos juntos de vez em quando porque o refeitório no meu trabalho está um inferno. Mas peço que ele me busque, porque depois fica impossível estacionar aqui e porque estou evitando dirigir mais que o necessário. Em vez de reclamar, ele sorri e diz: “Gosto de almoçar com você.”

Estou cansada, mas às vezes tenho a sensação de que ele está mais. Meus olhos se enchem d’água quando ligo pra ele e sinto qualquer desânimo em sua voz. Meu coração fica apertado quando o vejo revirar na cama uma e outra vez tentando pegar no sono.

Ele não carrega um bebê na barriga, mas sente o peso no corpo, como eu. O coração dele não trabalha 30% a mais, como o meu, e os órgãos vitais dele não estão esmagados. Mas ele tenta compensar toda a minha falta de energia dando no mínimo esses 30% a mais de si. Ele não vai sentir as dores do parto, mas vai estar lá comigo para me segurar e me aliviar. Ele não precisaria saber nada sobre amamentação, mas conhece todas as posições e a pega correta.

Olho pra ele e penso que ele é o Super-Homem, porque ele faz tudo o que não consigo fazer. Ele diz que não é nada. Olho para ele e quero cuidar dele. Mando tomar própolis porque no trabalho ele senta bem debaixo da saída do ar condicionado. Mando levar frutas secas pra não ficar muito tempo sem comer. Compro pra ele um pacotinho de castanha de Baru. E sexta quero fazer um jantar bem gostoso pra ele.

Essa vida de adulto é difícil. Trabalhar, cuidar da casa. E agora, trazer uma criança ao mundo. Estamos cansados, mas somos dois. Graças a Deus somos dois.

E eu não o trocaria por nada.

12 comentários:

Val disse...

Que fofo esse amor de vocês! Deus os abençoe e lhe dê muita energia, afinal, é o que vcs mais vão precisar a partir de agora.
Bjos

Rafael disse...

Que exagero! Fiquei mais cansado lendo seu post do que cuidando das coisas no dia-a-dia... :)

Camila disse...

Que linda declaração de amor. Também acho que não conseguiríamos sem eles, nossos maravilhosos maridos. Todo dia meu marido me pergunta o que pode fazer por mim, mesmo sem ter tempo, ele arranja uma brecha. E nunca falta nenhuma consulta e ultrassom.

Carol disse...

lindo demais!

sorte e descanso pro casal!!

beijao!

Marina disse...

Ai, Lia, adoro ver gente bem casada e apaixonada pelo marido (ou mulher)!
Beijos enormes pra vcs!

Kelly Resende disse...

Que lindo o post, Lia! Isso sim é companheirismo!
Abraço

Cynthia Santos disse...

Sem contar o que eles aguentam nosso mau humor e não nos criticam um único instante. Também tenho meu Super-/homem, e não saberia o que fazer sem ele!
Beijo grande!

Lu disse...

Oi Lia
Lindas as suas palavras. Vc me deu até dor na consciencia por não agradecer de forma tão linda ao meu marido pelo apoio incondicional que ele tem me dado. Vou fazer isso pessoalmente hj...
Bjs
Lu

Mãe em ação disse...

Que lindo, Lia! Poder dividir a vida com alguém é maravilhoso, né? E passer pela experiência da maternidade ao lado do maridão é bom demais mesmo! =)
Bjs

flaviamantovani disse...

Lia,
Que lindo esse post, seu blog, a Emília... Fico de longe torcendo pra vida de vcs continuar cheia de felicidade. Beijos!!
Flávia

dannah5 disse...

Que legal Lia, isso se chama companheirismo, amizade e junto com amor eh muito bom pq faz toda a diferença dentro do relacionamento da gente.
Acredita que realmente a maioria nao faz nem perto disso e a gente ja fica feliz por estarem presentes e ajudarem eventualmente!hehe

A Emilia vai ser uma menina de muita sorte!!

beijocas

PS, gravida eh estressada, nem a gente se aguenta a vezes, eles merecem!hehehe

Manu São Pedro disse...

Oi Lia, Oi Rafael,
momento abençoado este de vcs. Que coisa mais linda essa relação e a forma como estão curtindo a chegada da Emília. Neste fds estive no casamento da Flávia, reencontrei mtos dos nossos colegas de faculdade e contei pra eles as coisas lindas que tenho lido por aqui, as notícias de Emília. Todo mundo adorou saber as novidades! Agora queremos ver fotos da barrigona da Lia. Manda uma fotinho pra gente na lista da sala!
Mtos beijos
Manu

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