sábado, 12 de janeiro de 2013

Três anos

Ela vai à gaveta, pega dois protetores de tomada. Pega um banquinho, sobe, e enfia os protetores em duas tomadas totalmente inacessíveis.

- Eu tô pondo esse plotetor de tomada é pá Margarida não se chocar!

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Falar em como ela cresceu neste último ano é um clichê inevitável. E como meu amor continua incondicional, sem apesares, sem pesares. E como todo o cansaço vale a pena, se é que temos penado.

E para não sermos piegas, deixo que ela, com seu humor, escreva este post. São declarações feitas nos últimos 6 meses.

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- Papai, você fica feio de barba.
- Emilinha, não se diz pra uma pessoa que ela é feia. A gente fica triste.
- Tá bom. Papai, quando você tá de barba, a barba fica feia. Quando você fica sem barba, você fica bonito. Falei direitinho?

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Olhando uma capivara à beira da poluidíssima lagoa da Pampulha. Sozinha, imóvel, num sol escaldante. Eu discutindo com meus sogros se ela estava morta ou adormecida. Concluímos que estava morta. Poucos minutos depois, ela sacode a cabeça, se levanta e começa a andar. Emília soluciona o mistério:

- Ela estava morta, mas agora ela desmortou!

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Na casa da bisavó, fuçando na mesinha de canto. Vê a foto do bisavô.

- Quem é esse?
- É o bisavô, ele já morreu...
- Por que ele morreu?
- Ele já estava velhinho.

Intrigada, ela aponta para um tio-avô:

- E esse aí, por que ainda não morreu?

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Cresça, minha filha! (e continue matando a gente de vergonha...)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Liberdade, liberdade

Se tem algo que eu poderia desejar para 2013 seria liberdade. É incrível como tendemos a oscilar entre o proibido e o obrigatório, sem parar muito no meio. Se um dia as mulheres não podiam trabalhar, hoje elas têm de trabalhar. Se um dia éramos obrigadas a sentir as dores do parto, hoje não podemos mais senti-las. Se a lei não permite abortar bebês malformados, difícil achar uma mulher com um diagnóstico de malformação que não se sinta coagida a interromper a gestação. Sim, podemos fazer escolhas. Mas o preço a pagar por uma escolha não conforme ao status quo é alto, muito alto.

Quando digo liberdade, não digo liberdade para fazermos o que desejamos. Se ao menos nossos desejos fossem nossos... mas são moldados por toda uma parafernália de estímulos que muitas vezes não temos como evitar. E fica difícil saber o que sou eu que quero e o que é a publicidade que me mandou querer. Quando falo em liberdade, falo em liberdade para fazermos o que achamos certo. Bom. Justo. Liberdade para seguirmos nossas convicções mais profundas, ainda que pareçam loucura aos olhos da maioria.

Liberdade para dizermos não ao automatismo, para questionarmos as formas como as coisas sempre têm sido feitas. Cansei de ouvir que assistimos à Xuxa, comemos Fandangos, nascemos de cesárea, tomamos mamadeira, brincamos de Barbie, fomos criados por babás e está todo mundo bem. Pois eu entendo que "todo mundo" não está nada bem. Bem é o quê? Vivo? Bem, nem todos estão vivos. Alguns se suicidaram, alguns morreram em virtude de violência ou acidentes de carro envolvendo álcool e velocidade excessiva - tragédias que poderiam ter sido evitados se nossa sociedade não estivesse doente. O restante está enchendo os consultórios de psicólogos, psiquiatras, endocrinologistas, nutricionistas, cirurgiões plásticos, as academias de ginástica e as agendas dos gerentes de banco em busca de empréstimos para saldar dívidas contraídas com compras inúteis. Foi feito um péssimo trabalho com a nossa geração, que está sendo passado para nossos filhos.

Queria, para 2013, liberdade para rompermos com os ciclos de violência, de descaso, de abandono. Liberdade para dizermos não à preguiça, para suarmos em defesa dos nossos filhos. Para cuidarmos deles. Liberdade para sair da hipnose da indústria do entrenimento. Para enfrentar a dor, a morte, a doença, sem termos de nos anestesiar no shopping. Liberdade para nos satisfazermos com uma vida simples, e não precisarmos trabalhar tanto para ter coisas das quais não precisamos. Para rirmos no tempo de rir, e chorarmos no tempo de chorar. Para plantarmos no tempo de plantar, e colhermos no tempo de colher. Para abraçarmos no tempo de abraçar, e nos afastarmos no tempo de nos afastar.

E para sermos felizes.

"Liberdade não é fazer o que nós temos vontade de fazer. É fazer o que achamos certo."
Meu pai.


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