segunda-feira, 5 de julho de 2010

Amamentando um bebê com dentes

Emília me mordeu de novo. Mas isso não é o fim. É apenas o começo de um aprendizado que nós duas estamos vivendo juntas.

Dói? Claro que dói. Mas dói muito mais ver seu bebê assustado, sem conseguir pegar o peito e berrando de fome.

Acredito que tenho conseguido contornar a situação, e que vamos passar ainda muitos meses ligadinhas uma à outra pelo peito. Enquanto ela quiser e precisar, eu estarei à disposição. E o que vou contar aqui é apenas um compartilhar, não para dizer como se faz, porque, como todas sabemos, cada bebê é um e cada mãe também.

Depois que escrevi aquele primeiro post sobre as mordidas, a Tathy me recomendou umas leituras sobre a psicologia dos bebês e o desmame. Por mais que o que os especialistas escrevem pareça complexo demais, algo muito importante eu consegui tirar de tudo isso, e agradeço de coração à Tathy porque isso nos ajudou demais: eles sentem.

A introdução de outros alimentos na dieta de bebês que se alimentam exclusivamente do seio materno parece exercer alguma influência emocional neles. É a primeira vez que um alimento vem de fora, e não da mãe, e isso pode gerar uma ansiedade de separação. Eu mesma venho sentindo ansiedade de separação, com o fim da minha licença se aproximando. Tudo isso gera uma certa confusão no bebê, o que pode afetar a amamentação.

Se é essa a causa das mordidas eu não posso garantir. Mas que faz sentido, isso faz. E a solução tem sido fazer Emília se sentir o mais segura possível, à base de muito carinho.

No último episódio de mordidas, eu gritei de novo, e ela se assustou muito. Ela mal tinha pegado o peito e não tinha mamado nada ainda, então ficou chorando de susto e de fome. Eu conversava com ela, dizia que não tinha sido nada, que foi um acidente, que era uma fase e que ia passar. Mas ela não conseguia por nada pegar o seio de novo, e berrava. Foi assim por uns bons minutos, até que lembrei de tirar a roupinha dela e a minha e ficarmos nesse contato de pele. Ajudou um pouco, mas o que resolveu mesmo foi eu me deitar com ela e dar de mamar na cama. Apesar das preliminares tensas, foi uma das mamadas mais gostosas até hoje. Ela colocou uma mãozinha por baixo e outra por cima do seio, como se estivesse segurando uma mamadeira. E assim, aconchegadinha no meu corpo, bebeu até a última gota de leite.

E eis algumas descobertas que tenho feito.

Gritos

Gritar é péssimo, como muitas de vocês comentaram no meu último post sobre este assunto. Emília tem muitas características de um bebê sensível, e apesar de não se assustar facilmente com barulhos externos, palmas, fogos, e cornetas da copa, fica completamente transtornada quando eu grito no meio da mamada. Aí é muito difícil fazê-la voltar a mamar, como na história que eu contei. Mas o grito nem sempre é evitável. Parece que o impulso reflexo de gritar é mais rápido que o pensamento “não grite”, e não adianta ficar se culpando. É tentar resolver com calma.

Agitação. Algo de estranho está acontecendo...

Reparei que nas vezes que Emília me mordeu, algo de diferente estava acontecendo. A primeira vez foi dia de jogo do Brasil, e eu recebi muita gente aqui em casa. Nesse último episódio, estávamos na casa da minha mãe num almoço com mais de 20 pessoas. Com sua sensibilidade aguçada, ela percebe a agitação, e isso parece ter uma influência direta sobre a forma como ela mama.

Quando estamos em público, é normal ela mamar bem rápido e deixar meio peito pra trás. Não sei se ela quer participar das novidades ou se, de alguma forma, não se sente à vontade para mamar diante de muita gente. Sempre foi assim, mesmo antes de os dentes nascerem. Fora de casa, ela às vezes larga o seio muitas vezes, chora, fica visivelmente mais nervosa. Não é sempre assim, mas é comum.

Por outro lado, quando estamos só nós duas em casa, num ambiente tranquilo, e estou completamente dedicada a ela, ela mama muito melhor.

Para Emília, o ato de mamar é sagrado. Não é apenas o momento em que ela mata a fome. É um momento, eu diria que nosso, mas que na verdade é dela. Ela é quem diz quando, quanto e em que ritmo. Me reprova quando percebe que estou tratando de outros assuntos, solta o seio num sobressalto quando ouve passos, me consulta com os olhos bem abertos e com a mãozinha sobre meu peito se está tudo bem e se ela pode continuar.

Peito inteiro na boca

Quem já foi mordida talvez tenha tido o mesmo comportamento que eu: oferecer o seio com cautela, colocando só o mamilo na boca do bebê. Assim, se ele morder, fica fácil tirar sem se machucar.

Erro federal.

Observei que ela tende muito mais a morder se eu agir dessa forma. E ainda fica nervosa com essa brincadeira sem graça de tira peito, põe peito. O negócio é enfiar o máximo possível da mama dentro da boquinha dela, de preferência com toda a auréola, bem fundo. Isso sim, ativa o reflexo de sucção e não dá nem tempo de ela pensar em morder. E, se morder, pega a auréola, e não o mamilo – o que é menos grave.


Então é assim que estamos nos virando. Procuro ficar atenta ao que atrapalha as mamadas e busco respeitar minha bezerrinha de modo que esse nosso momento seja agradável e pleno. Tenho tentado dar a ela o máximo de carinho durante essa hora, buscar um lugar sossegado, ficarmos só nós duas quietinhas. Até beber água eu tenho evitado durante a mamada, tento matar a sede antes e depois. Ela se distrai com o movimento do copo. Se toca o telefone ou ela se assusta com algum ruído lá fora, converso com ela, digo que está tudo bem e assim continuamos.

E assim continuaremos, até quando ela não quiser mais.

17 comentários:

Micheli disse...

Qto as mordidas, não posso te ajudar muito, pois como já falei, não consegui evitá-las. Porém eu reparei que depois dos quatro meses a Clara se distraía com qualquer barulho / movimento e tal em nosso redor, então eu tinha sempre que ir amamentá-la em um lugar calmo, longe de tudo ou de todos. Senão ela parava de mamar ou ficava virando de ponta cabeças para olhar o que acontecia e aí não se alimentava direito. Nem o meu marido ela "admitia" que chegasse perto. Ela parecia fitá-lo com um olhar como quem diz: "sai daqui que agora o momento é só meu". rs. Mesmo fora de casa, tinha de procurar outro lugar, senão esquece, ela não ia mamar o suficiente. Por conta disso ela passou a ganhar menos peso perto do sexto mês, mas eu não aceitei dar outro leite como complemento e só comeu aos seis meses mesmo, o que não fez ela engordar mais. A pediatra procurou alergias, anemia, nada, tudo normal. Vai ser uma criança pequena, por genética mesmo. Hj come muito melhor, mas gasta toda a energia, é muito elétrica. E louca de esperta.
Então fique tranquila, as mordidas doem sim, mas passam, o importante é achar um meio de continuar a amamentar mesmo nesse período, como vc tem feito. Eu tb observava que qdo a genviga coçava, se tinha um movimento maior em casa, mesmo que eu fosse para o quarto, a probabilidade de levar uma mordida aumentava muito.
Um beijo.
clarinhacoqueirinho.blogspot.com

Tathyana disse...

Vc pegou exatamente o que eu queria te passar. É o processo de individualização chegando e ela está tomando consciência disso. Tomando consciência de que o alimento chega por outras vias e que o seio é uma outra via. No início, o bb é tão simbiótico que percebe o corpo da mãe (seio) como extensão do seu próprio corpo. Faça massagens na Emília tocando todo o corpo dela, isso ajuda na tomada de consciência corporal dela. E estou aqui aprendendo com vcs, e torcendo para poder amamentar o meu pequeno. Bjsssss

Patricia disse...

Lia,
não tenho muito o que opinar porque Mariana nunca foi chegada na amamentação em si. Diferente da Emília, vinha, mamava e em 10 minutos largava o peito. E desmamou muito antes de ter dentes.
mas quis te escrever porque achei linda essa forma como você consegue perceber a Emília em cada mínimo detalhe, em cada reação, em cada suspiro. Lindo mesmo. Admirei!

beijos

Nutrição & Cia disse...

Uma conversa sem palavras. Umas das coisas mais lindas que só nós mães que amamentamos sabemos. É divino e único. Minha linda era muito faminta e sempre completei a mamada dela com uma mamadeira claro. Então quando chegou a hora do desmame não tivemos problemas por aqui. E também ela desmamou antes dos dentinhos não fui mordida. Mas acredito que esse ai é o caminho. Minha cara Lia se quiser indicação de iniciação de alimentação posso de dar um help.

Ana disse...

O Lucas tb só mamava bem em ambiente tranquilo.
Eu mesma não conseguia relaxar. Aí os dois ficavam nervosos.
Logo no começo um dos bico rachou um pouco.
Toda vez que a mamada era desse lado eu já sabia que a dor na hora da pega ia ser terrivel.
O que fazia então era pegar um paninho e coloca na boca. Assim conseguia abafar o grito.
Eu fico imaginando o que é ter um bebê que já nasce com dentes. Ai...
Mas a sintonia entre vcs está linda.
Um aprendizado todo dia para ambas.
Beijos

Maya disse...

Oi Lia!
Que bom que está aprendendo a lidar com a amamentação com dentinhos!
Vou guardar bem essas suas dicas para qdo meu bebe criar seus dentinhos tb!
Bjos

Kelly Resende disse...

Que dureza essa historia das mordidas, tem que ter muita calma mesmo...
A Clara tb exige minha atenção completa qdo está mamando, se eu converso com alguém ela larga o peito na hora e fica me olhando intensamente. Mas ela tem uma coisa estranha de mamar chorando as vezes, mas um pouquinho, large e chora, volta, larga e chora. Fico pensando se nessas horas estou com pouco leite...
Abraços

Renata disse...

Você é uma mãe tão incrível, tão sensível...
Adoro não só a maneira que você escreve, mas o quanto conhece e se preocupa com cada detalhezinho dessa pequena! Já disse algumas vezes e repito, Emília é menina de muita sorte!
beijos

Andrea Bettiati disse...

ai Lia, dose ne? Luiza me mordia tb, MORRIA de medo, foi uma fase...ela começou a morder do nada, e parou do nada tb! Eu ficava apreensiva, e pecebia que ela tb. E voce falou tudo, ela costumava me morder qdo estava desatenta, ou seja, nao se concetrava e acabava me mordendo. E como dói nao amiga?....affffff.....cheguei ate a comprar aqueles bicos de silicone que protegem o seio sabe, ate que deu certo, qdo ela mordia nao doia....mas depois abandonei de vez e voltamos a nos entender de novo.....hehehhe.....Luiza parou de mamar com 1 ano e 8, quando ela decidiu!!!!! beijos, estou sempre por aqui viu???

lunaolargachupeta.blogspot.com

Letícia Volponi disse...

Lia, eu não passei por isso, mas lendo seu post com atenção, tenho certeza que suas dicas são super importantes e sensatas para colaborar com outras mães. Parabéns pelo post.

Patrícia Boudakian disse...

Faço coro com a Rê. Você é muito sensível e preocupada com sua cria, é bonito de ler. E o bacana é que escreve tudo. E com certeza daqui a muito tempo voltará para ler e mostrar pra pequena...
beijos

Journal de Béatrice disse...

QUe bom Lia que vc tem encontrado a solução. De fato é uma transição bem importante para o bebe. E cada um tem um jeitinho de se comportar, como a Emilia de querer o sossego e tranquilidade na hora da mamada e o mais legal é vc entender isso e propiciar momentos que ela possa tomar o leitinho dela numa boa. Muito legal a sua sugestao de contato pele a pele. Estamos aqui na torcida para ela se acostumar com as diferenças dos alimentos solidos e o peito da mamae!
Beijos

Luíza Diener disse...

ai que saga!

Roberta disse...

Sabe que eu também não passei por isso, porque a Luísa amamentou até os 9 meses e os primeiros dentinhos dela surgiram só depois disso. No aniversário de um ano ela tinha só dois dentinhos embaixo, acredita?
Mas estou acompanhando cada linha sua agora, porque agora com a Rafaela pode ser que eu passe por isso. E aí você, nesse caso, será uma mãe beeeem mais experiente do que eu no assunto.
Gosto tanto da sensibilidade com que você lida com isso! Espero ter o mesmo grau de paciência.
Beijos na boneca de pano preferida da tia (tenho acompanhado as fotos e fico babando).

Fernanda disse...

Oi Lia tudo bom? Cheguei no seu blog por indicação da Dani (maeperua)pois estou passando por estes problemas com meu filho... Suas dicas são preciosas e vou ficar mais atenta a todos estes detalhes nas próximas mamadas...
Amamentar é a coisa mais deliciosa e não quero mais que este momento seja um pesadelo na minha vida..
Um beijo e parabéns pelo blog

Daniela Callegario disse...

Minha pequena está com 8 meses, dois dentinhos embaixo e um apontando em cima. Realmente as mordidas são doloridas. Nunca cheguei a gritar, pq tenho medo de espantar minha pequena, mas digo: "Maria, não pode morder a mamãe porque dói, filha!" e ela parece entender.
Inevitável: rolam mordidas de sair sangue às vezes. Como ela mama de madrugada ainda e dorme comigo, é nessa hora que morde mesmo: mama, esquece o peito na boca e lasca o dente! kkkkkkkkk
Mas mãe é mãe e as mordidas são detalhes.
Amamentar e um momento mágico e único e espero dar de mamar até quando ela enjoar!
Parabéns!

Thaiana Bonfim Alvarenga disse...

Descobri recentemente seu blog. Sou mãe de segunda viagem, mas só agora venho sofrendo com os sentindo da minha bebê. Ela está com 10 meses e constantemente dá suas abocanhadas em minha mama. Aguento, mas ontem a noite foi forte. E como reflexo, dei um grito e ralei ela. Nunca tinha passado por isso, nem com minha primeira filha.
o que aconteceu depois?! Ela chorou muito e não quis mais mamar, nem pra dormir nem durante a madrugada nem pela manhã ao acordar.
Estava desesperada já, minha filha mais velha mamou até 1 ano e meio e a minha caçula pararia com apenas 10 meses?!
Ela teve que tomar uma mamadeira de leite e só há meia hora atrás mamou.
Nossa!!!! Foi como um presente de Deus! Sei que as dentadas não pararão e terei de ser controlada pra não assustar ela. O que fiz pra ela voltar a mamar foi dar-lhe tempo. Insisti várias vezes mas ela não queria, virava a cara e chorava. Então deixei ela brincar com a irmã e certo momento sentei com elas no chão e mostrei a mama. Ela veio de livre e espontânea vontade. Bo sorte para outras mãezinhas que venham a passar por esse susto.

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