terça-feira, 2 de março de 2010

Aula de etiqueta

Depois do post e dos comentários de ontem, resolvi estender o tema dos palpites e propor regras simples de etiqueta no trato de mães com bebês. Não sei se todas vão concordar, mas pra mim o mundo seria bem mais agradável se todos agissem com certa noção.

Fiquei pensando que um dia nós também, jovens mães, seremos velhas corocas e olharemos com desdém as mães da nova geração. Imagino um bebê no seu carrinho voador e nós, balançando a cabeça: "Tadinho, vai ficar enjoado nesse troço."

Mas enquanto os pequenos estão sob a nossa tutela, é a gente que manda!

1) "Não me pegue não, não, não, me deixe à vontade..."

Evite pedir pra pegar os filhos dos outros em lugares onde outras pessoas vão querer fazer o mesmo. Por exemplo: você leva seu filho pela primeira vez na igreja, um mezinho de vida. Uma (porque são sempre as mulheres) pega. Ok. Aí a outra pede. Ok. Aí a terceira. E o bebezinho começa a fazer aquela cara, meio sei entender o que está acontecendo. Na quarta, já começa a reclamar. E em poucos minutos você tem uma criança hiperestimulada, com um choro desconsolado. Só nos resta sumir com a cria.

Enfim, não participe da corrente que faz o neném passar de mão em mão. Se fizer questão de pegar, espere o momento ideal, em que mãe e bebê estejam dispostos. Também evite ficar monopolizando a criança; colo tem limite. E jamais diga: "A fulana é tão possessiva, não deixa ninguém chegar perto do bebê. Vai ficar uma criança grudenta, dessas que não saem da barra da mãe." A fulana vai querer treinar tiro ao alvo na sua cara.

2) Higiene

Ontem minha linda irmã deu um excelente exemplo de como não higienizar as mãos para pegar o bebê. Emília precisando ficar um pouco na vertical, ela se oferece para o trabalho. "Ah, mas eu preciso lavar as mãos antes", diz ela, sabiamente. Ofereço álcool gel, mais prático e rápido. Ela passa o álcool, depois sopra as palmas das mãos e esfrega na calça que usou o dia inteiro. Ainda bem que o germes dela são familiares...

E lembre-se: o PIOR lugar para você pegar num bebê são as mãos. É a mão que ele enfia na boca o dia inteiro. Aí você espirra, pega no corrimão, pega na maçaneta, pega na mão do bebê e, vupt! Toda a nojeira pra dentro da boquinha. Então, se for pegar nas mãozinhas do bebê, não deixe de lavar muito bem as suas antes. Tipo aquela lavagem dos cartazes da gripe suína, please.

3) Temperatura

Como disse a Lili nos comentários de ontem, pode te dar uma tremenda agonia vem um neném todo encapotado no calor deste verão. Mas a mãe é quem sabe. Depois que a Emília nasceu, descobri que, assim como os adultos, os bebês têm sensações térmicas diferentes. Uns são mais calorentos (como a Emília), outros mais sensíveis ao frio. Às vezes o neném que tá empacotado nasceu pré-maturo, tem asma, sei lá. Daí que é perfeitamente normal que em um mesmo ambiente alguns bebês estejam de mantinha e outros de pernas de fora, todos contentes com sua temperatura. E se não estiverem, não é problema seu. Enfim, não se meta.

4) Choro

Todos os bebês choram. Os que não choram são mongoizinhos, como diz minha irmã. Então é bem possível que um bebê chore em público. Então, lembre-se:

- Ninguém está tão incomodado com o choro do bebê quanto a mãe; ela, mais que ninguém, quer ver seu filho bem. Então não pense que ela não está fazendo nada a respeito.
- A mãe não está torturando o bebê.
- Você não sabe resolver o problema do bebê, então mantenha distância.
- Se você tentar ajudar, pode deixar a mãe tensa. O bebê sente a tensão e chora mais ainda.
- Se o bebê começar a chorar nos seus braços, entregue-o imediatamente para a mãe, a menos que ela te oriente de outra forma. Por exemplo, às vezes encorajo meus irmãos a não se desesperarem com um pequeno resmungo. Pode ser só um desconforto gástrico, então recomendo que fiquem com ela na vertical. Muitas vezes resolve, e eles se sentem mais seguros.

5) Posso..?

Sempre que for fazer qualquer coisa em relação ao bebê - tocar, pegar, oferecer um brinquedo -, peça autorização. A mãe saberá dizer se o momento é adequado. Um bom exemplo: Emília estava no carrinho e o hipopótamo dela estava pendurado pra fora. Meu irmão perguntou: "Posso colocar o hipopótamo pra dentro?" Respondi: "Não, eu justamente acabei de colocar ele pra fora porque ela estava ficando meio agitada". Depois, eu trocando a fralda, ele pergunta: "Posso ajudar?" Eu digo: "Claro, pode trocar que eu te oriento". Um gentlement esse meu irmão.

E se você pergunta se pode pegar na mãozinha antes de fazê-lo, dá tempo de a mãe dizer: "Claro, só lave as mãos antes."

6) Visitas

Todo mundo já leu no e-family, do guia do bebê da uol, no site da crescer, todas aquelas regras pra visitar bebês: só depois de um mês, só fique meia hora, blablabla. Não acho que essas regras sejam universais. Eu, por exemplo, fui abençoada com uma criança super tranquila e já na segunda semana chamei algumas pessoas mais íntimas pra visitar. Também recebi visitas um pouco longas que não incomodaram em nada. Tudo depende no momento.

O que eu acho importante para garantir uma visita agradável é:

- consulte os pais sobre o melhor horário para as visitas. Ver Emília a partir das 18h é perda de tempo. Nesse horário, ela costuma dar um mamadão. Às 19h, já começamos a diminuir o movimento e as luzes da casa, e às 20h mais ou menos é hora do banho. Tem crianças que dormem mais tarde. Enfim, pergunte.
- sinta se o bebê está bem ou não. Se ele estiver irritado e você perceber que os pais estão precisando lhe dedicar mais atenção, abrevie a visita. É muito ruim administrar um bebê nervoso e uma visita ao mesmo tempo.

7) Se conselho fosse bom...

Quando você estiver com a língua coçando pra fazer uma sugestão brilhante que garantirá a alegria do bebê, resista ao Tinhoso. Quando você tiver certeza que o bebê está sofrendo, contenha-se. Uma amiga ontem me contou que estava no shopping, segurando a filha numa posição inusitada que ela adora. Aí veio uma ilustre desconhecida e a repreendeu: "Segura essa menina direito!"

E lembre-se:

- Niguém conhece melhor o bebê e suas necessidades que a mãe e o pai. Mesmo que sejam pais de primeira viagem, eles sabem cuidar do próprio filho melhor que ninguém. E é só na prática que eles vão aprendendo.
- Mesmo que você seja experiente, mãe de vários filhos, o seu jeito de criá-los não é o único válido. Cada criança é diferente e cada pai e mãe têm valores e princípios distintos. Então não pense que você faria melhor. Se você teve seus filhos, eles cresceram e você está com saudades, segure a onda: agora é a vez da outra. E lembre-se de que um dia você também foi mãe de primeira viagem, e provavelmente também ficou incomodada com outras pessoas te dizendo como cuidar do seu filho.
- Por mais que você seja apaixonada pela criança, ninguém, nem vó, vô, tia, tio, ama mais o bebê que a mãe e o pai. E ninguém mais que eles quer ver a criança feliz.

E, se no fim das contas, você continuar achando que os pais não merecem a criança, que ela vai morrer na mão da mamãe bruxa, chama o juizado!!

16 comentários:

Mari disse...

ótimo! deu vontade de imprimir e sair colando esse texto em postes, restaurantes, portas de maternidade, salas de espera de pediatras...
beijo!

Patricia disse...

Amei esse post! Sensacional! Assino embaixo.

Letícia Volponi disse...

excelentes dicas, Lia!!!

Ro Souza disse...

Ai Lia, vc escreve de um jeito que eu adoro! essas dicas são a pura expressão da realidade de pais de primeira viagem e eu como a Mari achoq vou imprimir e espalhar por ai, afinal os palpiteiros de plantão não lêem blogs p aprender etiqueta com bbs e seus pais.

Camila Bandeira disse...

Ai, ai... realmente concordo com todas as suas observaçõe. Às vezes é cansativo e desgastante ouvir tanta sugestão, tanta gente pegando na mão e tanta gente sem noção querendo pegar, tocar, apertar, enfim, aperrear a cria da gente..

Paloma, a mãe disse...

Ótimo! E serve principalmente pros mais velhos ou os que ainda não tiveram filho. Tipo gente que chega com a gripe (a conjuntivite, o rotavírus e a mononucleose) do Carnaval para visitar seu filho recém-nascido. Como a Ciça nasceu no Carnaval, eu tentei evitar ao máximo, porque, né, totalmente sem noção.

Tati Schiavini disse...

Clap, clap, clap, palmas pra você! Já até falei sobre isso aqui http://comtdetati.blogspot.com/search/label/Pitaco
Cada criança é uma criança, e cada mãe é uma mãe. E a gente quem decide o que é melhor, tentando, experimentando, trocando essa energia gostosa com nossos filhotes.
Beijo!

Fabiola disse...

vc tá coberta de razão.. o tanto que ouvi de conselhos, chega irritava... mas as pessoas falavam e eu terminava fazendo o q eu queria... mas era uma luta!! :)
bjs

Tathyana disse...

Concordo com tudo o que vc escreveu. E me deu uma idéia: vou confeccionar uns bodies e camisetas pra bebês com "recados" para os enotrometido. Tipo assim:" Eu sei que sou irresistível, mas mantenha distância". Vou elaborar melhor essa idéia. Bjssss

piscardeolhos disse...

e que irmão mais mega fofo é esse que pergunta se pode colocar o hipopótamo pra dentro?
ah, que esse post vai virar um daqueles clássicos, dona lia.

Renata disse...

Gente, vou copiar esse post e mandar pra tooooooooooda minha lista quando chegar bem perto do nascimento da Mariana, posso?? rsrsrs!
Adoreeeeeeeeeeeeei!
beijos

Roberta disse...

Concordo plenamente!!!
A sorte é que eles vão crescendo e os "pitacos" vão diminuindo, porém (sempre tem um porém) começa ouvi coisas do tipo:"mas ele não toma nem um pouquinho de refrigerante?Tadinho"

bjs

Flavia disse...

Arrasou!

Juliana disse...

Amei o seu blog. Não tenho crianças ,mas achei o visual do blog lindo e os textos deliciosos.

Nossa! sempre me achei meio chata porque sou cheia de zelo e cuidados com os bebês alheios. fiquei feliz em saber que cumpro todas essas dicas de etiqueta.

Pris Lopes disse...

Lia,

Posso deixar aqui o telefone da minha sogra, exclusa digitalmente? Vc liga pra ela e RECITA esse post? Beijaço!

Mariana disse...

Heheheheh. Genial!
Olha, eu ainda tô grávida (38 semanas agora), mas já tô com o meu saco na lua de tanto ouvir imbecilidades... heheheh. Depois dá um pulo lá no nosso blog, se tiver um tempinho, eu sempre falo dessas bobagens que escuto:
http://www.marieguga.blogspot.com/

beijão

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