terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Amamentando: livre demanda, problemas e soluções - Parte I

Graças a Deus não tive grandes problemas na amamentação da Emília. Como disse aqui, a pegada dela foi boa desde o começo. Não tive rachaduras nem empedramento. Claro, durante a apojadura, os seios ficaram cheios e doloridos. A solução foi deixar ela mamar o máximo possível e tirar o excesso de leite com a ordenha manual antes e depois das mamadas.

Ela também ganhou um bom peso até o 10º dia, quando fomos ao pediatra, e continua só no peito até hoje. Agora a produção de leite já está estável e estamos encontramos nosso ritmo. Mas é claro que tive algumas dúvidas e dificuldades no caminho e ainda tenho até hoje. Por isso vou compartilhar meus problemas e as maneiras que encontrei para solucioná-los. Tudo sem nenhuma base científica, apenas com base no faro materno.

A livre demanda

Já tinha lido sobre o assunto e pretendia manter a Emília neste esquema: mama sempre que quiser, o quanto quiser. Cada bebê tem um ritmo de sucção, cada mãe tem um fluxo de leite, portanto ninguém melhor que o bebê para saber quando se alimentar. No hospital, os pediatras também recomendaram a livre demanda e assim ficamos.

O problema da livre demanda é: como ter certeza de que o bebê quer mamar? Claro, ele chora. Mas todas sabemos que os bebês choram por diversas outras razões (apesar de a maioria das vezes ser fome mesmo). Aí entra a nossa sensibilidade pra tentar identificar os sinais e começar a diferenciar os sons e expressões que o bebê faz para saber qual a sua necessidade. Mas nem sempre é óbvio.

Eu tinha essa dúvida antes de a Emília nascer, e acabei achando um pouco mais fácil do que imaginava. Mas outra dúvida surgiu: como saber se o bebê terminou de mamar? Ele larga o peito. Ok. Mas às vezes ele larga e depois quer pegar de novo.

Ele dorme. É bem normal o neném capotar no meio da mamada por causa da ocitocina, mas isso não significa que ele se alimentou bem.

Outro problema da livre demanda é que os períodos em que o bebê pede pra mamar muitas vezes são influenciados pelas atividades que fazemos com ele. Se ele não dorme entre as mamadas, provavelmente esse intervalo será menor. Se confundimos outro choro com fome e oferecemos o seio, provavelmente ele acabará mamando com mais frequência e por menos tempo.

No começo, foi muito fácil manter a livre demanda. A Emília mamava uns 15 minutos em intervalos de 2 a 3h, revezando sono e vigília entre as mamadas. Ela estava bem feliz, chorava pouco e dormia muito bem à noite. Então ela não apenas mamava, mas também dormia em livre demanda.

Ocorre que a moçoila foi crescendo (como um dia faz diferença nessa fase!) e resolveu que ia passar o dia acordada. Até aí tudo bem, porque ela continuou dormindo bem à noite. Mas o que a gente faz quando está acordado? Come! E passou a querer mamar quase que de hora em hora. Novamente, não reclamei. Estou à disposição. Inclusive incentivei esse comportamento depois da crise do refluxo, já que mamando em menores quantidades o estômago dela ficava menos sobrecarregado. Mas a bonequinha, que continuou anjinha, foi ficando um pouco mais irritada. Começava a chorar logo que queria mamar, sem dar os sinais de fome antes, e passou a ficar bem sensível também no fim da tarde. Um dia, ela acordou à noite pela primeira vez sem ser por fome. Não quis o peito. Segurei-a no colo e ela soltou dois arrotões e dois puns. Depois voltou a dormir. Aí decidi que precisava mudar esta rotina. Minha menina estava ficando cansada e com gases.

Amanheci o dia seguinte determinada a fazê-la dormir pelo menos um pouco entre a maioria das mamadas, passando os intervalos de 1h pra 2h. Uh, que ambição! O resultado? A mudança de rotina foi um sucesso desde o primeiro dia. Florzinha está feliz, feliz, e acredito que mais bem alimentada. Amanhã conto como fiz as mudanças, as pedras no caminho e as soluções que meu instinto me apontou. Até!

8 comentários:

Roberta disse...

Legal seu depoimento, Lia. Aliás, todos têm sido muito interessantes. Eu desde o início não quis optar pela livre demanda, por recomendação da pediatra, e nunca me arrependi. Até porque eu acho que nós mães também precisamos de um tempo pra gente. E se você está o tempo todo ali à disposição, o tempo não é seu, é dela. E a pediatra da Luísa falava: se você espaçar mais o tempo, ela vai mamar melhor. E, se uma hora depois ela estiver chorando, você saberá que não é fome. Então eu fiz isso, dando o peito mais ou menos a cada duas horas e meia ou três (a partir do início da mamada) e funcionou muito bem tanto para a Luísa como pra mim. Isso fez com que eu a conhecesse melhor e também permitiu que eu tivesse uma horinha pra mim pelo menos a cada intervalo desses pra fazer o que fosse preciso. Às vezes eu ia a pé ao supermercado só pra dar uma espairecida. Faz bem.
Mas o importante é fazer com o coração, cada um no seu ritmo. Como você está fazendo.
Bjs

Maya disse...

Lia,
Vou te pedir um post!!!!
Gostaria que vc falasse sobre a sua experiência com as fraldas de pano!
Isso, lógico, se vc já tiver uma opinião formada, pois no último post vc disse que ainda estava testando!!
Beijosss

Paloma, a mãe disse...

Eu não entendo direito como a livre demanda pode dar certo (e ninguém nunca me recomendou oficialmente). Não fiz da primeira vez e não sei se farei na segunda, caso me recomendem, mas acho que todo mundo passa por um tempo de livre demanda empírica até entender o ritmo dos bebês. E, sim, há muitas razoes para o choro que não são fome, a maioria tem a ver com posição ruim, gases ou outro probleminha intestinal, vontade de ficar no colo, de ter a mãe por perto. Se enfiarmos o peito para tudo, acho mais difícil compreendê-los. Mas esta é a minha visão e que a gente vai vendo é no dia-a-dia mesmo.
Estou adorando ler a sua experiência!
Beijos

piscardeolhos disse...

Super elucidativo, como sempre, Lia.
Menina, eu também fui na livre demanda, sempre. Mas hoje me arrependo um pouco e gostaria de ter testado intervalos maiores. Vou te dizer que fiquei exausta, não vou mentir, não.
Mas vc é mais disciplinada e antenada, acho que já já vai achar um meio termo nisso tudo, tenho certeza. E conta pra gente, sempre!
Beijos

Marina disse...

Lia, nossa, tanta coisa pra escrever lá no blog e eu numa lentidão de dar gosto!
Maaaas, adorei seu post!!
Eu adotei a rotina + a livre demanda! hahahaha
Isso na verdade não existe, mas depois explico melhor o que aconteceu...
Bia tb tem ficado mais tempo acordada e antes dormia sozinha, agora ela luta contra o sono e eu tenho que niná-la por um tempo razoável algumas vezes!
Enche a Mila de beijo por mim!

Cíntia Anira disse...

Oi Lia. Queria saber se você a acordou alguma vez quando ela capota mamando ou se deixa ela dormir. Abraços

Lia disse...

Maya, ainda não posso falar muito das fraldas de pano porque elas ainda estão um pouco grandes na Emília. Vou ter de esperar mais pra usar. Posso adiantar que estou usando a Fralda Bonita (babyslings) tamanho RN e gostei bastante. Colocando direitinho, não vaza. Ela é meio volumosa, mas a Emília não parece se incomodar. Quanto à lavagem, já é tanta coisa que bebê suja que não acho que faz tanta diferença acrescentar mais as fraldas à máquina.

Cíntia, vou falar sobre dormir no peito no post de hoje!

Maya disse...

Obrigada pela resposta lia!!!
Perguntei pois qdo eu engravidar queremos usar a fralda de pano tb!
Mas vai falar isso pra alguém!!! Afff vira um debate!!! Ninguém acredita!!!
Mas é bom q já vou me acostumando com as reacoes!!!
bjos

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