quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ele é mais, eu sou menos – sobre a incompatibilidade sanguínea

Sou O-. Ele, A+. Nunca dei bola pra isso, até engravidar. Tinha aprendido na escola sobre a eristoblastose fetal, ou doença hemolítica do recém-nascido. “Mas não se preocupe”, me diziam. “Só dá problema no segundo filho”. Legal. Só que eu queria e continuo querendo três.

No início da gestação comecei a pesquisar sobre o assunto. Não achei nada que me deixasse completamente tranquila. Apenas com o acompanhamento pré-natal e o tempo comecei a sossegar. O começo da gravidez é assim mesmo, cheio de inseguranças: será que não é um falso positivo?, será que o saco embrionário está mesmo lá?, será que o bebê está saudável? Pra mim, essas inseguranças diminuíram muito a partir do segundo trimestre, e relaxei também quanto à incompatibilidade dos fatores RH meu e do meu marido.

E qual o problema da incompatibilidade sanguínea?

Quando a mãe tem RH negativo e o pai tem RH positivo, o bebê pode herdar o fator sanguíneo do pai. No nascimento – seja de parto normal ou cesáreo –, o sangue do bebê pode entrar em contato com o sangue da mãe. O organismo da mãe então interpreta a presença do fator positivo como um estranho e desenvolve anticorpos para combatê-lo. Numa gestação seguinte, caso o próximo bebê também tenha RH positivo, esses anticorpos o atacarão ainda no útero. Normalmente não há problemas com o primeiro filho porque o sangue não atravessa a placenta. Mas os anticorpos, que a mãe desenvolveu no primeiro parto, atravessam.

O ataque dos anticorpos ao feto destrói suas hemácias e pode causar desde icterícia até uma anemia severa, que pode levar à morte do embrião. Em alguns casos, pode-se fazer uma transfusão sanguínea com o bebê ainda no útero, procedimento que também traz riscos. Em outras situações, o parto é feito antes que a gestação chegue a termo.

Prevenindo problemas

Em algumas situações excepcionais, o sangue da mãe pode entrar em contato com o sangue do bebê ainda no útero. Ela criará anticorpos que já começarão a atacar o primeiro filho. Nesses casos, é feita a transfusão ou o parto prematuro. Mas, via de regra, isso não acontece e é bem fácil prevenir problemas com os filhos seguintes.

O primeiro passo é fazer um exame pra detectar a presença desses anticorpos no sangue da mãe. Mesmo sendo a primeira gestação, ela pode já ter entrado em contato antes com um sangue de fator positivo, em uma transfusão, por exemplo. Além disso, existem esses casos raros que mencionei acima em que há contato sanguíneo dentro do útero. Esse exame se chama Coombs direto e é pedido a todas as gestantes RH negativo quando o pai é RH positivo.

Estando tudo bem, a mulher toma uma vacina (na verdade, é um soro) chamada Rhogan em torno da 29ª semana de gestação. Ela vai prevenir a criação dos anticorpos quando o sangue da mãe e do bebê se encontrarem.

Depois do parto, é feito o exame de tipagem sanguínea do bebê. Caso ele herde o sangue da mãe, nada mais precisa ser feito. Caso a criança tenha fator RH positivo, a mãe recebe mais uma dose da Rhogan. Há um prazo para essa segunda dose, 72h após o parto, se não me engano.
Com esses cuidados, a chance de ocorrerem problemas com as gestações seguintes é bastante pequena – menos de 1%, de acordo com minhas pesquisas.

Meu caso

Meu Coombs deu negativo, como esperado. Tomei a Rhogan na 29ª semana (não dói, viu pessoal?). Depois disso a médica não pede mais o Coombs, porque o resultado pode dar alterado devido à vacina.

No dia seguinte ao parto, deram o resultado da tipagem sanguínea da Emília: A+. Tomei então a segunda dose da Rhogan.

Ela não teve anemia e nem mesmo uma leve icterícia. Ficou branquinha o tempo todo.
Na próxima gestação, farei novamente os mesmo procedimentos: exame de sangue e vacinas.

E o resto é mito...

- Casais com incompatibilidade sanguínea só podem ter um filho – como eu disse, com a prevenção é muito improvável que haja problemas nas gestações seguintes.

- Se a mulher for RH positivo e o marido, negativo, também pode haver problemas – a doença hemolítica do recém-nascido só pode ocorrer se a mãe tiver fator negativo e o bebê tiver fator positivo.

- Só bebês com fator RH diferente da mãe desenvolvem icterícia – a incompatibilidade ABO também pode causar icterícia. É bastante comum, inclusive.

- Quando o casal tem incompatibilidade sanguínea, os filhos seguintes nascem mongoloides! – nem preciso comentar, mas foi algo que ouvi durante a gestação...

18 comentários:

Beta disse...

Lia, o mesmo aconteceu comigo, eu sou O- e marido O+, Bia nasceu O+, então tomei as duas vacinas, tranquilissimas, e já estou grávida de novo sem problema nenhum. Logo logo tomo minha Rhogan de 29 semanas e vamos ver o que Leo herda, se negativo ou positivo. Beijo nos três.

Paloma, a mãe disse...

Eu tomei a vacina na 28ª semna. Doeu um pouquinho, sim. Mas nem precisou, porque a Ciça nasceu com RH negativo como eu, mas com o mesmo tipo de sangue do pai (sim, ela agradou os dois!). E teve icterícia, ah, teve mesmo.

Carol disse...

Gostei, Lia

No meu caso, complicou um pouquinho. Sempre achei que eu fosse A positivo. No primeiro exame que eu fiz quando engravidei, deu A negativo. Bom, resumindo: ao total, fiz 4 exames, e os 2 resultados deram A positivo e 2, A negativo. Fiquei meio desesperada, pois pretendo ter o segundinho. O último exame que fiz, o laboratório mandou minha amostra até pra não sei onde para análise, e o próprio médico responsável ligou dizendo que eu poderia ficar tranquila pois meu sangue é A positivo. Enfim, decidimos (eu e minha médica) que quando o Luca nascer e sair o resultado da tipagem sanguínea e Rh, se o Rh dele for positivo, faremos a Rhogan, pois, segundo ela, mal não faz caso não seja realmente necessária.

Sabe alguma coisa sobre isso, Lia:

Beijinhos em vc e na Emília

Christina Frenzel disse...

Lia,
eu sou O- e o Alê O+, a Ciça, claro puxou ao pai... eu tomeu a vacina mas juro que nem me lembro dela.
Infelizmente a Ciça teve icterícia, e das brabas, mas hoje taí uma moçinha esperta, faladeira e muito, muito saudável!

Beijos

Mãe em ação disse...

É isso mesmo, Lia! Tomando os devidos cuidados, conseguimos prevenir a eritroblastose fetal. Eu sou O- e meu marido é O+. Também fiz o Coombs e tomei a vacina na 28ª semana de gestação. Tudo correu super bem, mas, no meu caso, o meu pequeno puxou à mamãe e também nasceu O-. Bjs!

"ZZ" disse...

Muito esclarecedor seu post.
Nara também é o- e teve as mesmas precauções.
Parabéns pelo ótimo blog!
ZZ

dannah5 disse...

Lia, quanto tempo!!!!!!

Olha, aqui sou A- e o marido O+ e todas as minhas filhas, as 3 nasceram com A+, nenhuma mongoloide!ehehe Assim eh tranquilo cuidar se acontece um acompanhamento cuidadoso, o ideal eh fazer o Coombs todo mes durante a gravidez para confirmar q ta tudo bem e depois quando o bebe nasce tomar aquela vacina na barriga ate 72 horas para que a proxima gestaçao possa ser tranquila.

Em relaçao a gestaçao, quando tudo eh acompanhado direitinho pode ser revertido se nao for serio, esse eh um problema facilmente contornado, antigamente o bicho pegava mas graças a Deus a medicina evolui bastante e temos uma tranquilidade maior.

Menina, to lendo seu relato de parto, muito legal e olha, ses comentarios concordo com todos, cada um com seu cada um, acho q eh valido ate a gente respeitar as nossas proprias limitaçoes. Que bom que deu tudo certo e ja ta pensando no outro? espera chegar na idade da Hannah que faz 10 cagadas por segundo.
Me pergunta o que aconteceu com o tubo de hipolglos???? Ela ta branquinha!!!

Beijocas pra vc e pra Emilia!

Tati Schiavini disse...

Interessante, Lia. Ninguém me falou, NEM O GO, que poderia tomar uma dose da vacina ainda na gestação. Tomei a vacina logo que Ana Elisa nasceu. Graças a Deus ela não teve nadica. Valeu pelo alerta.
www.comtdetati.blogspot.com

Jussara disse...

Obrigada pelos esclarecimentos sobre a eritroblastose, Lia, foram de grande valia, e tb pela resposta à minha pergunta no post anterior. E desculpe o meu comentário enorme no post onde fiz a pergunta.

Fê Franken e Adri Machado disse...

Eu sou O negativo e meu filhote AB positivo.
Meu médico me disse que só precisava me preocupar com isso em uma gestação seguinte.
A gestação seguinte aconteceu e eu perdi o bb com 10 semanas. Não acho que isso tenha tido alguma relaçào, mas imediatamente na curetagem meu médico ministrou a vacina. Só não me falou que sào 2 doses...agora fiquei cafusa...rs
bjs

Renata R. disse...

Ah! Não acredito que consegui acesso ao seu blog aqui no trabalho! Vou reproduzir, então, o email que mandei para você agora há pouco para ouvir também a opinião das meninas:


Lia, sinto até um pouco de vergonha por tomar seu tempo junto com a Emília, mas é por uma grande amiga minha.

A Vanessa, minha amiga, está no finalzinho da gestação. Segundo a obstetra, Manuela deveria nascer entre o dia 12 e 20 de fevereiro.

E minha amiga está numa ansiedade horrível... Porque a médica estará fora durante toda a semana do carnaval e deu duas opções: espera a vontade da Manuela, que, muito provavelmente, ocorrerá na semana do carnaval e o parto será feito por uma equipe de médicos diferente ou, então, parte para o parto induzido.

Minha amiga, como você, sonha com um parto natural e parece que o induzimento do parto muitas vezes termina com cesariana.

O que você acha disso tudo, Lia?

Beijos em você e na Emília.

piscardeolhos disse...

Santo pré-natal, né Lia? O que devia ser a vida da mulherado há uns anos atrás??? Imagina, minha avó pariu o terceiro filho praticamente passando roupa...Depois perdeu mais dois e assim a coisa ia lá na roça.
Hj tem pré-natal e blogs que esclarecem um bocado de coisa (não o meu, claro)
beijos nas duas!

Ninguém Importante disse...

Queria uma ajuda de vocês, por favor =(. Tenho Rh- e meu segundo filho nasceu com rh+, e no segundo dia de vida, a bilirrubina estava 16. Fizemos fototerapia e chegou em 8, quando tivemos alta do hospital. 4 dias depois, refizemos o exame e a bilirrubina subiu para 10, nos disseram que nao era motivo para preocupaçao, para fazermos banho de sol e voltarmos em um mes. Nao foi feito o coombs direto no meu bebe, e sempre leio que este eh o caso mais grave, o da incompatibilidade de rh. Queria saber se devo me preocupar, ou só voltar a ver isso em um mes mesmo. Me preocupa muito a saude do meu filho, e nao encontro ajuda em nenhum lugar. Obrigada desde já.

Julienelima Lima disse...

Lia mim tira uma dúvida , tenho 2 filhas da primeira não tomei nenhuma vacina ,mais da segunda fiz o exame de sangue e deu q sou A- e meu esposo A + tive q tomar a vacina assim que minha filha nasceu ,agora estou grávida novamente se eu não tomar a vacina agora com 32 semanas pode ter algum risco p meu BB sendo que tomei na minha segunda gestacao?

clara cau disse...

Sou a 2a.filha O+ de mãe O- e pai O+. Nasci de parto normal e em casa e sou O+, saudavel. A minha mãe nem sabia o que era pre natal.A final, todas as mulheres do povoado tinham seus bebês em casa, com parteira. Ela só foi descobrir que era O- ao final de sua vida que foi diagnosticada com CA e precisou de transfusão sanguinea. Foi quando o médico surgeriu que os filhos doassem,mas todos os seus 6 filhos eram positivos.

clara cau disse...

Sou a segunda filha do casal de mae o- e pai o-,nascida de parto normal no interior de Pacatuba, na epoca as mulheres do lugar nem sabiam o que era pre natal. Minha mãe só veio descobrir que tinha rh negativo quando precisou de uma transfusão sanguínea e nenhum de seus 6 filhos eram compativeis. Obs: todos saudáveis.

Unknown disse...

Gostaria de saber se depois da vacina o coombcooms altera para positivo ?

Estrela disse...

Olá... fiz o coombs e deu negativo, porém precisei tomar á vacina com 12 semanas é o resultado positivou ! Isso é normal ?

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