quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O outro lado

Há umas duas semanas apareceu na blogosfera materna uma discussão a respeito do que se chama de parto humanizado. Quem inaugurou o tema foi a Paloma, com este post. Depois a Roberta lançou mais lenha na fogueira, a Paloma deu sequência ao assunto, mais uma vez a Rô, e finalmente a Paloma.

Em suma, elas levantaram o problema da impossibilidade de a maioria esmagadora da população brasileira optar por um parto normal, com um mínimo de intervenções (enfim, um parto saudável, conforme preconiza a OMS), devido aos altos valores que são cobrados pelos médicos ditos humanizados. E que, portanto, não seria justo criticar muitas mulheres que são submetidas a cirurgias porque tiveram de fazer seu pré-natal com um médico que atendia pelo seu plano de saúde.

Depois a Patrícia entrou na roda e defendeu que a maternidade é muito mais que o parto.

Demorei, mas aqui estou eu pra polemizar ainda mais! E trago o relato de uma médica honesta e competente, defensora do parto humanizado, acerca do problema que está em discussão: o preço do parto normal.

Apenas reproduzo o que ela me escreveu quando lhe mostrei os posts da Paloma e da Roberta.

Infelizmente, chego à conclusão de que tanto médicos honestos quanto mulheres que desejam o parto normal estão em uma situação difícil neste país. A solução? Partos realizados por enfermeiras, com a presença do médico apenas no caso de complicações (como acontece em alguns países da Europa)? Plantonistas capacitados a fazerem parto normal, de modo que os médicos não fiquem à mercê da imprevisibilidade dos horários e da duração de um trabalho de parto?

Não sei. Sei que é um problema estrutural na saúde brasileira e que ainda estamos muito distantes de uma realidade na qual todas as mulheres terão o direito de optar pela forma de dar à luz. Hoje, se pode optar por uma cesariana. Mas, infelizmente, nem todas podem optar pelo parto normal.

+++

“Não sei quanto os médicos mencionados nos textos que você me mandou cobram, mas não tem como assistir a partos pelo pagamento efetuados pelos planos de saúde. Vou te contar minha experiência própria.

Quando comecei a atender consultório foram surgindo as pacientes.
Isso há 3 anos. E eu comecei a assistir partos de cócoras, humanizados, coisa e tal. O que eu acreditava. Então o consultório começou a encher. E eu atendendo tudo pelo convênio. Que paga 330 reais pelo parto, menos impostos, taxa de cooperativa, ISS, etc, etc., ficava com 250 no final.
Bem, Lia, meus colegas de consultório também FAZEM partos por convênio. Mas eles FAZEM. Marcam todos para a sexta de manhã (5 cesáreas), começam as 7 e às 10 já estão acabando, com todas as fotos tiradas, todos os familiares do lado de fora felizes. Então pegam o carro, vão para o Sítio e me pedem para dar alta nas operadinhas no sábado, já que eu vou estar aqui mesmo, assistindo parto no fim de semana.

POR QUE VOCÊ ACHA QUE 80% DOS PARTOS EM CONVÊNIO SÃO CESÁREAS??

Nós somos menos de 1% dos obstetras do Brasil. Somos motivo de piada. Quando fico 15 horas com uma paciente em TP, pago alguém para ir no plantão para mim, falto meu emprego público (levo retaliações...), desmarco as pacientes do consultório.... e ainda tenho que enfrentar os OLHARES ACUSADORES dos médicos e enfermeiras do hospital onde estou com a paciente. Todos ficam torcendo e fazendo TUDO para o parto dar errado. E quando vira cesárea vem aquele sorrizinho no canto do rosto...

Bem, voltando à minha história, eu surtei. Fiquei louca correndo de um lado para o outro, deixando pacientes no Posto de Saúde sentadas esperando e saía correndo pra assistir parto, ligando pra mil pessoas no meio de um plantão no SUS para elas irem ficar no plantão pra mim para eu ir assistir parto... Assisti parto com enxaqueca, vomitando, com diarréia.... Tudo porque se eu não fosse, as pacientes seriam operadas ou teriam um parto normal "anormal"... E aí eu sofria demais...

Eu surtei, fui parar no psiquiatra, estressada, fazer terapia. Após muitos meses de terapia consegui entender que meu trabalho tem valor. E que não há problema em receber para trabalhar. Sim, porque assistir partos não é diversão, é trabalho. (Eu achava que era diversão...)

Eu queria viajar em julho, mas não vou poder, porque tenho UMA paciente que estará a termo. Meu marido não fica muito feliz com isso, sabia? Ele não gosta quando eu saio da cama de madrugada, quando eu desmarco compromissos, quando falto jantares ou saio do meio de aniversários. Meu celular fica ligado no culto, no cinema, enquanto tomo banho, enquanto faço sexo.
Toca toda hora.
Por que um cirurgião plástico pode cobrar e um obstetra não?

O que se cobra não é a HUMANIZAÇÂO, mas a disponibilidade para assistência de 37 a 41 semanas. QUEM REALMENTE ASSISTE PARTOS não tem vida normal.

No mês passado saí do meio do aniversário de 1 ano porque uma paciente da mãe do aniversariante estava em TP. E queria parto normal. De cócoras. Não podia ser assistida pelo plantonista. Então, sem comer NENHUM brigadeiro saí da festa e corri pro hospital, de bermudinha e salto alto, para ficar com ela até altas horas da noite, quando a festa acabou e sua médica foi assistir seu parto de cócoras. 12 horas de TP, indução por bolsa rota sem TP.

Enquanto o parto não for valorizado, a taxa de cesareanas não vai cair no Brasil.
Atualmente estou certa de que é abusivo e vergonhoso o que os planos de saúde fazem.
E já aprendi: se seu médico não falou em cobrança, vai operar.
Por que se ele sair de um plantão no meio do domingo para ir assistir seu parto, vai ter que pagar no mínimo 800 reais para o colega que vai ficar no lugar dele...
E quanto vale sair da própria vida para assistir partos? E quem tem filhos? E quanto eu tiver bebês e tiver que deixá-los com NAN por ter que ficar mais de 12 horas fora de casa?”

20 comentários:

Patricia disse...

Muito bom mostrar esse outro lado. Pena que poucos médicos são como ela! beijos!

Tathyana disse...

Uau!!! O outro lado da moeda mesmo. Como profissional da área de saúde (psicóloga)tmb aprendi a cobrar pelo meu trabalho. Afinal, eu trabalho lá no consultório com o paciente, mas tmb atendo aos telefonemas e chego a ficar horas com alguns deles. Só que não cobro por telefonema, o pacote já vem completo no preço da sessão. O que não concordo é quando o médico quer cobrar um adicional de 30% caso o parto seja no final de semana ou feriado como citou a Paloma. Como tmb não concordo quando o psicólogo cobra férias do paciente.
Acredito que as relações profissionais tem que ser honestas.E cabe ao profissional de saúde estabelecer esse compromisso.

FELIZ ANIVERSÁRIO!!!!! Acho que não consegui enviar os meus parabéns no post anterior, deu erro. Beijosssssssssss

Paloma, a mãe disse...

A médica está certíssima, por isso eu defendo que os plantonistas estejam aptos a assistir aos partos e troquem de turno quando necessário, como fazem as enfermeiras.
No Brasil, tudo é muito medicalizado e voltado para a doença. Acho que enfermeiras-obstetrizes poderiam, sim, fazer o parto e só chamarem o médico (plantonista) quando necessário. Também penso no lado deles e citei isso nos meus posts. Só que, como virou grife fazer parto humanizado, os obstetras perceberam este filão de mercado e cobram muito, mas muito mais que os 300 reais do plano de saúde (que realmente são uma merreca para a importância deste trabalho)! Mas, sinceramente, não vislumbro esta solução sendo posta em prática tão cedo. Infelizmente para mim e para tantas grávidas que não podem pagar pelo luxo.
Beijos

Barbara disse...

Gostei do texto, e concordo com ela. Acho que esse tipo de acompanhamento de parto precisa ser caro mesmo, para compensar a dedicacao do medico.

Soh para dar um pitaco, aqui na Inglaterra a coisa funciona assim: voce pode ter seu parto em casa ou no hospital. Em casa voce liga e chama a midwife para ficar com vc (acho que vc nao escolhe, eh a que estiver de plantao na hora). No caso de alguma complicacao voce chama a ambulancia (ou paramedicos, nao sei) e vai pro hospital ser atendida pelo medico plantonista.

Se voce vai pro hospital, eh atendida pela midwife de plantao (e elas vao mudando de acordo com o turno de cada uma). Se alguma coisa complicar, chama o medico plantonista.

A hora-trabalho de um medico eh mais cara que a hora-trabalho de uma midwife, eh por isso que o esquema do Brasil eh inviavel. Aqui tambem sairia uma fortuna segurar um medico por 15 horas com dedicacao exclusiva para voce!!

Quem quer acompanhamento de um profissional especifico aqui, pode contratar uma doula (paga por fora), que fica a sua disposicao e acompanha o parto inteiro. Elas costumam cobrar por um pacote que inclui, alem do parto, algumas visitas antes e depois do parto. Eh caro, mas nada do outro mundo.

O ponto principal dessa brincadeira toda, na minha opiniao, eh que parto nao precisa ser feito por medico!!! Eh bom ter um medico ali por perto, para o caso de complicacoes. Mas quando tudo corre bem isso nao eh necessario.

Minha opiniao eh que o Brasil usa medico demais. Aqui muitas coisas sao feitas pelos enfermeiros, que costumam ser muito bons (melhores que os medicos, na verdade, porque ficam com vc por mais de 5 minutos). A midwife eh uma especie de enfermeira obstetrica.

Uma amiga minha que eh medica no Brasil disse que os enfermeiros dai sao muito ruins, e por isso o medico eh necessario para tudo. Mas na boa, ne? Medico eh um profissional caro demais para ficar fazendo coisas tipo dar ponto em corte ou acompanhando 12 horas de um parto sem complicacao. Eh por isso que a conta nao fecha.

(ufa, escrevi demais!)

Barbara
www.baxt.net/blog

Carol disse...

Acho que, de forma geral, quem decide ser médico já deveria saber que a vida nao será de todo normal. É lindo a sua amiga lutar pelos ideais dela, mas se ficarmos apenas culpando o sistema nao chegaremos a lugar algum (paciente culpa o médico desumanizado, que culpa os planos, que por sua vez culpam o baixo faturamento pra justificar pagamentos irrisórios aos médicos). Acho que vira um jogo de empurra em que poucos assumem sua responsabilidade. Sua amiga assumiu e sofre as consequencias disso.

Nós devemos nos munir com a arma mais disponível: a informacao. Com ela, será mais dificil ser enrolada pelo médico cesarista, pelo plano filho da puta e pelos demais viloes dessa história.

mto bom ler o outro lado da história, parabéns!

beijos

Tathyana disse...

Ah, sobre enfermeira-obstetriz fazer parto no Brasil: impossível!!! É só dar uma olhadinha no Ato Médico e ver o que a classe médica quer com isso: centralizar quase todos os cuidados da área de saúde ao médico. Super bacana né? Bjsssssss

Cíntia Anira disse...

Ótimo post Lia. É ainda muito complicado o sistema de saúde do Brasil (assim como a educação). Existem muitas coisas a serem revisadas, pois o problema é também cultural. Enquanto muitas de vocês sonham por um parto "humanizado", eu já li muitos relatos de brasileiras aqui na Suécia - com toda a chance de realizarem esse tipo de parto - que dizem preferir um "pré-natal de verdade", assim como acontece no Brasil, com vários exames, USG todo mês e um médico "formado". Vai entender?!?

Luíza Diener disse...

simplesmente AMEI ler o outro lado da historia.
pq eh muito facil ficar criticando e falando mal de tudo que eh medico e funcionario da vida inteira q nao age do jeito q queriamos.
falamos mal da empregada que quer sair mais cedo pra cuidar do filho.
falamos do atendente que ficou mal humorado porque reclamamos do servico. reclamamos de tudos e de todos.
mas quando eh com a gente, queremos compreensao.
queremos que nos entendam quando temos q sair mais cedo do trabalho. que perdoem nossa ignorancia em um dia de mal humor. e que compreendamos que temos vida alem do emprego. assim como sua medica.

Paloma, a mãe disse...

Voltei aqui para ler os comentários e concordo com a Carol. Quem escolhe ser obstetra deveria saber que vai passar horas assistindo (ou fazendo) um parto. Senão é mais fácil ser oftalmo, que nem plantão faz. Assim como os jornalistas fazem plantão e, se são setoristas, têm de ficar horas ou dias a fio atrás de alguém (uma declaração), o ônus de ser obstetra é esse. Não curtiu? Faz outra residência!

Lia disse...

Acho que ela não quis dizer que não vale a pena ser obstetra porque é necessário abrir mão da vida pessoal. O que ela disse é que esse trabalho tem um valor, e é necessário cobrar por ele. E que o valor pago pelos planos de saúde é muito aquém da hora/trabalho devida a um médico. Eu concordo. 10h de disponibilidade, por exemplo, por R$250, é o salário de um professor de inglês. Por mais que a gente ame a profissão, não dá pra pagar pra trabalhar (e pagar R$900 pra alguém cobrir seu plantão enquanto você vai fazer um parto por R$250 é pagar pra trabalhar).
Tenho uma amiga que está cursando medicina e diz que ninguém quer ser obstetra nem pediatra, porque dizem que não vale a pena. Quando se desvaloriza uma especialidade, a tendência é que os profissionais também caiam de nível - aí acontece o que se vê hj, esse monte de cesárea.
O problema é estrutural mesmo. Médico é um profissional qualificado demais (e, portanto, caro) para fazer parto. O problema é a medicalização do parto, como se gravidez fosse doença...

Marina Guimarães disse...

acho q todo mundo q comentou é mãe ou está em vias de ser. eu não, mas deixo meu comentário como alguém que quer ser, e não sei lá muita coisa.

sobre os 30% adicionais para feriados e fim de semana
acho que em qualquer emprego normal a hora de trabalho fora dos horários comerciais é mais cara. hora extra em dia comercial - adicional de 50%. hora extra em domingo e feriado - adicional de 100%. isso é lei e é normal. acho justo.

sobre os enfermeiros serem ruins
enfermeiros ou técnicos em enfermagem?!

acho q fazem um certo drama com a gravidez, " vc precisa disso, daquilo e mais isso e isso", "se vc não fizer isso, e isso, mais aquilo e mais tudo seu bebê não vai ser saudável". e incutem muito medo nas grávidas. eu com medo tb ia querer um médico comigo o tempo todo. e uma boa parte desse medo é incutida pelos próprios médicos.

enfim, no meu ponto de vista, deveria ter as 2 opções. médico e enfermeira parteira, ai cada um escolhe o q quer ou/e pode pagar. mesmo q isso muito muito dificil, não custa sonhar.

se eu pudesse escolheria parteira em casa.

Letícia Volponi disse...

Eu entendo os dois lados da moeda e, por isso, prefiro não me meter na discussão. De maneira, geral, concordo com a Lia o problema é estrutural. É falta de vergonha na cara os planos pagarem tão pouco pelo parto se considerarmos que em grande maioria pagamos mais do que usamos os planos de saúde ao longo da vida; é perfeitamente possível uma enfermeira iniciar o trabalho e chamar o médico apenas se realmente necessário afinal, gravidez não é doença. E ao mesmo tempo que eles escolhem a profissão, nós escolhemos o profissional pelo serviço que oferece, mas o que pode ser um preço justo para nós, não necessariamente é para eles.

Patricia disse...

Lia,
vi as fotos novas da Emília. Coisa mais fofa da titia! Um arraso. Vi até a visita da Paloma. Pena que moramos tão longe, senão eu e Marianinha também iríamos conhecer pessoalmente essa boneca!
beijos!

piscardeolhos disse...

Excelente ideia trazer a opinião de uma obstetra, querida.
Fica claro que o problema transcende o óbvio ululante e exaustivo "as mulheres no Brasil só querem cesárea".
Falta a "desmedicalização" do parto. Falta conscientização, união e mobilização tanto por parte dos médicos quanto dos profissionais de enfermagem. E falta informação feito essa, de cabeça a cauda, que aponta o problema estrutural. Sem a estupidez de crucificar justamente a parte mais sensível da história toda: a gestante.
Beijo e parabéns as duas. Sorte e bom senso pra nós todas.
Roberta

Amanda disse...

Realmente, médicos são mal remunerados neste tipo de serviço, por isso a maioria vai ser cirurgião plástico, que em uma hora faz um implante de seios e ganha uns seis mil. Mas no Brasl aplica-se a mesma temática para (quase) todas as profissões(exceto políticos). Um grande exemplo são os juízes. No MT, um juiz federal teve que sair de casa, morar no fórum(sim, ele dorme, almoça, janta, tudo lá) e sair, somente escoltado, pois condenou muitos traficantes e foi jurado de morte. E o melhor(ou pior), ele não pensa em desistir da carreira e continua condenando mais gente.
Pessoas como este juiz e esta obstetra deveriam receber medalhas por correr atras de seus ideias quando seria muito mais fácil se 'render' ao sistema e fazer o que os outro fazem, o mais cômodo e mais remunerado.
O que falta no Brasil é uma mudança de mentalidade, de todos.
Beijos e parabens pelo blog,que é muito bom.

Thaís Rosa disse...

Boa lia! fiquei pensando na minha GO, que, apesar de ser incentivadora e realizadora de partos normais, quando começou a acompanhar minha gravidez ainda se apegava a diversas intervenções, e hoje virou ativista da humanização do parto, sem precisar cobrar horrores para poder praticar a medicina da forma que acredita. E não é fácil para ela por aqui, tem a pressão da classe médica, os anestesistas, as enfermeiras... o buraco é bem mais embaixo, infelizmente. Mas eu acredito que profissionais como elas podem fazer a diferença no país. Acredito mesmo. E estes profissionais existem, mesmo que sejam poucos e se percam em meio aos que se auto intitulam "humanizados", como a Paloma contou.
Beijo grande procê, parabéns atrasado, e a Emilia sorrindo me fez ganhar o dia!!!
Thaís

Mariana disse...

Oi, Lia,
Em primeiro lugar: parabéns pela princesa!! Uma boneca, benza Deus! (como diria minha avó...).
Sobre a questão da médica, eu concordo com ela - em termos.
Acho, sim, que o trabalho dela tem um valor e que precisa ser cobrado. A questão estrutural é tentar pensar num jeito em que todos possam pagar.
Por outro lado, eu tenho uma certa crítica quando ela diz que precisa abrir mão da vida pessoal, não tem hora para nada, precisa ficar 12 horas ao lado da parturiente, etc... E pelo que percebi, ela é médica em início de carreira.
Gente, qualquer carreira precisa de muita dedicação, sobretudo aquelas que estão no começo (isso não significa pagar para trabalhar, lógico).
Eu sou jornalista e já cansei de trabalhar 18 horas por dia, não ter sábado, domingo, feriado. Já passei muito Natal, Reveillon e Carnaval de plantão, sem ganhar um tostão a mais para isso - notícia também não tem hora para acontecer, assim como partos. Tenho amigos publicitários que também trabalham non-stop, e vários outros profissionais de áreas diferentes.
Por que diabos só os médicos reclamam tanto? Porque estudaram três anos a mais? Eu sei que eles lidam com vidas e que o trabalho deles deveria ser mais valorizado, etc tal. Lógico. Mas, francamente, tenho a impressão de que eles às vezes exageram e não levam em conta que estão no mercado, como outros profissionais quaisquer. Seria bom que eles dessem uma olhada ao seu redor - perceberiam que seus vizinhos e amigos, de profissões diferentes, trabalham tanto ou mais, e ganham menos...

Beijão,

Mariana

LiLix disse...

Lia vc ia gostar a opcao q as canadenses tem aqui.....
Elas tem PARTEIRAS pagas pelo governo pra assistir as maes q querem ter parto normal. Acho q a qualificacao pra ser parteira eh de 3 anos alem do curso de enfermagem Enfim...depois dah uma olhada...eh bem legal a historia dessas parteiras pq foi uma demanda vinda das mulheres quebecoises que pressionaram o governo para ter a opcao do parto assistido por parteiras...e conseguiram.
Mas isso aqui eh outro mundo né....a gente no brasa ainda precisa garantir um sistema de saùde minimamente aceitavel que seja pago com nossos impostos, ao inves de plano de saude privado, antes de pensar em exigir esse tipo de coisa.... :(

Michelle disse...

Arrasou demais!!!
Concordo plenamente!!!

Fernanda disse...

Lia,
preciso te dizer que esse texto é um grande favor que você faz para nós obstetras...
Eu sofri muito com a cultura cesarista no Brasil.
Aqui em Portugal é muito diferente, no máximo 20% de cesareas, as pessoas vão para o hospital público e já sabem que o parto será feito pela enfermeira. Há muitas coisas erradas aqui (muita episio, mil regras no trabalho de parto como por exemplo ficar amarrada a cardiotocografia, não poder andar, tomar banho ou comer durante o trabalho de parto..) muitas coisas que sou contra, eu tive um parto quase perfeito, feito pelo meu marido, eu andei, eu comi, eu participei de tudo, mas desejo que meu próximo parto seja ainda mais humanizado...
um beijão e obrigada pela luta pelo PARTO, aos poucos as coisas mudam!

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