quinta-feira, 29 de abril de 2010

Malhação pós-parto

Aula de Bike Indoors, também conhecida como spinning. Professor de bermudinha de ciclista, musculosão, blusa apertadinha, queixo pra frente, à lá garoto propaganda do Cepacol.

Professor diz: “Prepara pra soltar a perna!! Gira!! Vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai!!” São 30 segundos pedalando a toda velocidade.

Mamãe visualiza a roupinha de atleta do professor se transformando em um conjunto verde folgadão, e uma máscara de hospital tampando o queixo. De repente, ele é uma enfermeira. E mamãe ouve: “Prepara pra empurrar! Comprido, comprido, comprido! Só mais essa! A cabeça já apareceu! Comprido, comprido, comprido! Manda oxigênio pro bebê!”

O professor diz: “Deu!”

Mamãe diminui o ritmo da pedalada e ouve: “Unhéeeeee!”

+++

Aula de Ball Ness, a coisa mais legal e torturante do universo. Uma amiga perguntou: “É alongamento, né?” Só se for alongamento da minha dor.

O professor manda você subir numa daquelas bolas de pilates e, vejam bem, se equilibrar em cima dela. Assim, sem nenhum apoio. E a idiota lá, dois minutos subindo na bola e caindo em seguida.

Depois tem os exercícios mais impossíveis da face da terra, tipo deitar de barriga pra cima, pernas pro alto, equilibrando a bola na sola dos pés, levantar o tronco, pegar a bola, fazer uma tesoura com as pernas, dar um nó nos cotovelos, jesuis!, nem lembro mais.

Aí eu entendi exatamente como a Emília se sente quando eu a coloco de bruços e ela tenta levantar a cabeça. E entendi a dificuldade dos bebês pra se equilibrarem sentados, engatinharem... né mole não, pessoal!

E vou continuar fazendo essa aula em solidariedade à Emília, seus músculos primitivos e sua cabeça com 30% do peso do corpo. Vou fingir que a bola é minha cabeça.

+++

E ontem, pela segunda vez, o Rafael me ligou no meio da aula em virtude de choro inconsolável de Emília. A pobre estava tão mal, a cara toda vermelha, os olhos inchados, ressaca total.

Enquanto mamava (eu toda suada, só deu tempo de passar uma água no peito), contraía a barriga, como se ainda soluçasse, e me olhava com uma cara terrível de “onde você estava?”. Aí eu com o coração em prantos, pensando, “minha filha me odeia”, quando ela me abre um sorriso. “Eu te perdoo, mamãe.”

Daí fui tomar banho e deixei o Rafael com ela. E a choradeira continuou. Saí do banho com a cabeça cheia de shampoo e tive uma ideia: “Traz ela pra cá”. Aí disse a ela: “Agora você vai ver mamãe tomar banho”. O Rafael ficou com ela do lado de fora do box, enquanto eu lá dentro cantava ensaboa mulata, ensaboa. E aí ela abriu a gargalhada. Sabe assim quando a pessoa acha alguma coisa muito ridícula e fica apontando e se abrindo? Tipo assim.

13 comentários:

Marina disse...

hahahahaha
Excelente

Paloma, a mãe disse...

Lia, levá-la ao banheiro foi,s em dúvida, uma ótima ideia.
Quando a Ciça era do tamanho da Emília, ela adorava ficar no bebê-conforto ou no carrinho olhando o que a gente estava fazendo. Se estivéssemos na cozinha, ela ficava na porta e a gente só batendo-papo (com ela, é claro!). O mesmo no banheiro, ela gostava de acompanhar a movimentação da casa, não topava ficar de fora. Até hoje, aliás, eu tomo banho com ela no banheiro, quando estamos sozinhas em casa e ela fica carente. às vezes ela nem liga e vai brincar ou fazer as coisas dela, às vezes quer companhia e fica lá, conversando e observando.
Beijos

Claudia disse...

Amei a descrição da aula de spinning, rsss!
Parabéns, adoro seu blog, bjs.

Claudia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lu disse...

Ai que delicia. Podem me chamar de egoista, mas adoro quando a Mariana só quer saber dea mim...
bjs
Lu

Marina Fiuza disse...

Que medo da aula da bola... huahuaha

Ana Paula disse...

kkkkkkkkkkkk
adorei !! também já pensei que em certos momentos terei que colocar a Natalinha para dentro do banheiro comigo...mas aí com as minhas neuras de mãe de primeira viagem (sendo que a viagem ainda nem começou oficialmente, já que ela só nasce em setembro), eu pensei: mas se ela ficar sufocada com o vapor do chuveiro ?? kkkkkkkkkk

Juliana disse...

Esse grude com a mãe é absolutamente necessário no início. Depois elas vão se libertando um pouco de nós. Aí sobra mais pros papais tadinhos.

Letícia Volponi disse...

eu fiz muito isso de levá-la comigo pro banheiro... punha ali no bebe conforto e ficava falando e cantando para ela. até hoje ela pede para sentar na privada para conversar

Mãe do Pitoco disse...

Adoro quando sou tão ridícula, mas tão ridícula que meu filho gargalha da minha cara. É sinal de que estou sendo uma boa mãe! hahaha Adorei a história! Beijos nas duas.

Adriana D. disse...

Spinning é quase uma droga, heim??? rs
Brincadeiras a parte, só estou conseguindo fazer caminhadas e sempre acompanhada da pequena. Sinto-me ostentando uma pancinha pós-parto... ai ai.
bj

Desconstruindo a Mãe disse...

Adorei o teu jeito bem-humorado de descrever a tortura de uma aula de spinnig!!! - E parabéns por continuar praticando, coisa que eu não consigo!!!

Prazer em conhecer!
Ingrid

Cíntia Anira disse...

Ah Lia... As aulas são boas vai!!! hehehehe... Especialmente a da bola. Com o tempo você se acostuma e logo vai querer comprar uma bola e fazer os exercícios com a Emília em casa! Matroginástica ainda existe???

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