quarta-feira, 21 de abril de 2010

Mamãe, papai e florzinha - continuação

Antes de continuar, só esclarecendo, antes que alguém se ofenda: os textos relativos à minha filosofia de cuidados com a casa e com a minha filha, bem como todo o material publicado neste blog, não têm nenhuma função crítica ou catequizadora. Sou absolutamente contra criticar mães e seu jeito de ser mãe (até a Katie Holmes eu deixo na dela).

Trabalhar fora, contratar babá, por a criança na creche, dar mamadeira, fazer cesariana, tudo vai das necessidades e crenças de cada uma. Errado é matar, roubar, mentir, essas coisas. No mais, ado, a-ado.

+++

Depois de toda a divagação do último post, vamos ao ponto: quem cuida do(s) seu(s) filho(s)? Eu, obviamente. Se, enquanto eu pude, eu cuidei da minha casa, os filhos, então...

Como? É só cuidar, ué. Eu digo o seguinte: não sei cuidar de bebês. Sei cuidar da minha filha. E a gente só aprende cuidando, viu?

A pergunta da Ana Paula era referente a contratar ou não uma babá. Aproveito pra ir além.
Na minha concepção, quem cuida dos filhos são o pai e a mãe. Ponto. Nem babá, nem tia da creche, nem avós, nem tios, nem amigos. Essa história de que precisa de uma tribo pra cuidar de uma criança não é pra mim. Se às vezes já é difícil o casal entrar de acordo quanto à forma de educar os filhos, quem dirá uma gentaiada metendo o bedelho? Não rola, pelo menos pra mim que sou terrivelmente individualista (e não me orgulho disso).

O que eu diria que é o primeiro passo pra você conseguir cuidar do seu filho você mesma é conhecer a criança. Passar todo o tempo que puder junto dela, observar. É justamente no momento em que você se sente mais incapaz de ser mãe – porque você nunca fez isso antes, porque o bebê é muito pequeno e frágil, porque você ainda não o conhece – que você precisa mais do que nunca ser mãe e cuidar você mesma do bebê. Tem gente que delega o cuidado pra pessoas mais experientes nessa hora, por insegurança. Pois eu penso que é assim que a gente adquire experiência, e é assim que a gente vira mãe: sendo mãe. O bebê com certeza não vai morrer na sua mão por falta de jeito. A natureza se encarrega das coisas, mesmo que antes de pegar a manha você sacuda o bebê quando ele está com refluxo, bata a cabeça dele na parede do balde, arranque um naco do dedo ao cortar as unhas ou coisa do tipo.

E aí, um belo dia, você se vê no controle da situação. Seu filho resmunga e você já sabe que ele vai golfar. Começa um chorinho irritado, você já sabe que é sono. E aí você chega à conclusão de que ninguém sabe cuidar do seu filho tão bem quanto você (ok, só o papai!).

O primeiro motivo pelo qual eu não quis ninguém pra nos ajudar com os cuidados da Emília desde o início foi este: eu e o Rafael precisávamos conhecer a nossa filha.

E falando em Rafael, ele é outra peça chave na nossa independência como pais. Eu acho que é possível, sim, uma pessoa – pai ou mãe – cuidar sozinha do seu filho. Mas é punk.

No primeiro mês da Emília, ele tirou férias pra se dedicar à paternidade. E, juntos, demos conta do recado lindamente – até tínhamos tempo de jogar baralho, tão tranquila era florzinha. Minha mãe às vezes ajudava mandando comida, porque era impossível ir a restaurantes ou fazer supermercado (apesar de que eu já tinha deixado o congelador cheio no último mês de gravidez). Mas quem cuidava dela éramos nós mesmos.

Hoje, passo o dia sozinha com a Emília. Quando ele chega do trabalho, a primeira coisa que faz é tirar a camisa e pegar ela no colo. Damos banho nela juntos. Três vezes por semana, ele fica com ela pra eu ir à academia. E nos fins de semana ele também toma conta dela sozinho enquanto eu tiro minhas sonecas. Se eu não tivesse marido, certamente eu precisaria de alguém pra me dar um refresco de vez em quando. Mas, com ele, tudo fica bem tranquilo. Se existisse licença paternidade (porque, convenhamos, 5 dias não é licença, né?), a gente ia cuidar dela com um pé nas costas.

Por último, nós temos conseguido nos virar muito bem por conta própria porque a Emília é uma santinha. Ela não teve cólicas nem gases, nunca foi de ficar acordando à noite (e tem dormido a noite toda desde os dois meses), é independente, chora pouco e brinca bastante sozinha. Só nos dias em que o refluxo aperta que eu sinto aquela dorzinha nas costas, de ficar segurando ela na vertical. Imagino que quem tem bebês com temperamento difícil ou com muitas dores tenha mais dificuldade em se virar sozinho, porque até as mães precisam dormir, né?

Eu digo que ela veio boazinha assim de fábrica. A gente só tomou cuidado pra não estragar.

(continua...)

10 comentários:

Roberta disse...

Bacana, Lia, que está dando tudo certo nesse ritmo que vocês optaram.
A minha realidade, por exemplo, é um pouco diferente. Infelizmente meu marido tem um ritmo de trabalho insano e eu nunca pôde contar com ele pra dividir as coisas em casa. A vantagem, por outro lado, é que esse trabalho insano dele permite que a gente possa pagar pessoas pra suprir esse lado. No começo, a gente também temia por perder a liberdade. Mas depois achamos que os ganhos ainda eram maiores do que as perdas considerando a nossa realidade.
Porque uma coisa eu tenho que confessar: eu odeio trabalhos domésticos. Até meu casamento melhorou quando contratamos uma empregada pra vir diariamente em casa, porque assim eu não me estressava em ter que fazer tudo sozinha e também não cobrava dele por não me ajudar com isso.
Também tenho babá desde que a Luísa tem 15 dias (nas duas primeiras semanas minha mãe ficou em casa pra dar uma mão e achei que não precisaria da babá). Mas mesmo com todo esse apoio, eu nunca deleguei os cuidados com a Luísa. No início, inclusive, eu morria de ciúme que outras pessoas pegassem nela, inclusive a babá. Eu fazia absolutamente tudo o que estivesse ligado diretamente a ela: acudir quando chorava, acordar à noite 100% das vezes, dar banho, trocar fraldas. A babá fazia todo o periférico (lavava roupas, etc) e tinha um outro papel importante: ficar com a Luísa sempre que eu precisasse sair. Isso foi fundamental pra eu não abandonar a minha vida - porque eu realmente acredito que, para ser uma mãe completa, eu também preciso ter a minha própria vida e não apenas viver a da Luísa.
Esses cuidados me fizeram ter sempre o controle da situação. Eu digo o que a babá pode ou não fazer, e não o contrário. Tenho amigas que são verdadeiras escravas da babá justamente porque sempre delegaram tudo e engolem altos sapos.
Depois que a criança cresce um pouco, a babá acaba ajudando bastante, porque a demanda sobre a gente se torna absurda.
Enfim, eu admiro quem consegue dar conta de tudo sozinha. Talvez seja uma fraqueza minha. Mas conseguimos administrar e hoje estamos bem nesse ritmo, e isso é o que vale, né?
Beijocas na Emília

Martha. disse...

Lia, me idenitifiquei com muita coisa que vc disse. É engraçado como em um momento vc acha que ñ consegue dar conta e cuidar de um ser tão pequeno e no momento seguinte, quando temos nosso bb no colo, percebemos que ninguem vai cuidar, proteger e educar como vc. Senti tudo isso.. ainda sinto.. as vezes bate inseguraças mas tiro de letra quando acontece alguma coisa mais complicada, aí me acalmo.

Tbm tive sorte, Laís tbm veio boazinha de fabrica! rs! Sem colica, poucos gases, muito sono e se desenvolvendo super bem. Agora soh tomamos cuidado para manter tudo isso.

Bjs

Jacke Gense disse...

Ser mãe é um trabalho árduo.. Eu decidi parar de trabalhar para poder educar meus 3 filhos... Essa decisão só veio depois da chegada do terceiro... e tem valido muitooo a pena, pois comecei a conhecê-los muito mais!
Quantas vezes eles me chamaram de vó ou de tia... justamente por ficar mais tempo com elas do que comigo.. agora isso mudou e estou feliz em ser mãe em período integral!!!

bjs

Tathyana disse...

Concordo com vc Lia. Eu tmb cuido da Alice desde que ela nasceu. Agora, com a vinda do Rafael, por uma questão de logísctica tenho a empregada. Mas quem vai continuar cuidando dos meus filhos sou eu e o pai. Tmb não compactuo da idéia de um terceiro elemento na nossa vida com essa função. Escola não educa, apenas auxilia na educação. Os valores quem passa somos nós: pai e mãe. E vamos levando assim. O Fred é um super pai, confio nele tanto quanto confio em mim. Bjsss

Mariana disse...

Gostei. Já estou te seguindo e te linkei no meu blog.

Bjs!

Roberta disse...

Também cuidei e cuido do meu filho sozinha ( e o meu marido, claro!) e no inicio funcionava exatamente assim, final de semana ele ficava mais tempo com Victor, essas coisas!!

Confesso, que provavelmente se eu estivesse morando no Brasil seria diferente (no Brasil eu tinha diarista, aqui não tenho ninguém mesmo), mas aqui aprendi que sou capaz de cuidar de uma casa, apesar de cansativo, não é o fim do mundo e definitivamente não quero babá para os próximos filhos!!

Aprendemos a nos virar sozinhos e sem falsa modéstia, temos feito um ótimo trabalho!

bj

Fabi disse...

Falou e disse, Lia!
Concordo com tudo sem ressalvas!

Em especial no que diz respeito a conhecermos nossos filhos como ninguém e pra isto não existe fórmula mágica, só se consegue com o dia a dia mesmo.

E também no que diz respeito ao temperamento da criança ajudar ou dificultar a vida dos pais. Mas independente de qual seja o caso, o bebê tem que ser respeitado do jeito que ele é. Não adianta a gente querer impor o nosso ritmo.

Tem dias que eu fico bem cansada, mas eu também não penso em contratar ninguém pra cuidar do Gustavo, porque além de tudo, eles são estas gostosuras de bebezinhos por muito pouco tempo, embora alguns momentos pareçam eternos.
Bjocas Lia

Paloma, a mãe disse...

Cheguei tarde na conversa, mas concordo com vc na maior parte das coisas. Entretanto, me culpo por colocar a Ciça em tempo integral na escola. Adoraria que ela tivesse meio período em casa, mas que fosse de qualidade: comigo ou com o pai. Como isso não é possível agora, vamos levando assim. E eu, após ficar um ano sem empregada, voltei a ter empregada aqui em BSB porque não temos ninguém para contar, ninguém mesmo. Se Ciça tem um resfriado ou febrinha, eu não mando para a escola (seria uma sacanagem com ela e com as outras crianças), mas também não posso faltar ao trabalho por qualquer coisinha (eu falto quando percebo que é mais sério), então preciso de alguém para estes momentos e para os feriados estendidos e férias que eu não posso tirar junto. Mas dizer que eu gosto, eu não gosto.
Eu gosto de ter quem cozinhe e passe roupa para mim, por exemplo, mas não gosto que cuide ou, pior, que crie a minha filha. Isso eu não permito, por isso prefiro a esdcola e as atividades que ela tem lá (natação, balé etc.) a ficar em casa com empregada/ babá. Como aqui o serviço é leve, a empregada é liberada assim que acaba, tipo 13h. Almoçou, vai embora. E só de segunda a sexta. Não conseguiria ter alguém dormindo aqui. Ah, e tive babá quando a Ciça era bebê, mas Bernardo passava parte do dia em casa e tinha total flexibilidade para ficar com a Ciça sempre que necessário. E eu criei um esquema (meu mesmo) de entrar mais tarde e sair mais cedo do trabalho. Quando a babá ficou sozinha com Ciça, eu não aguentei dois meses e resolvi que era melhor ir para a escola. Foi uma libertação. Passamos um ano só com diaristas para voltar a depender (em parte) deste tipo de profissional aqui.
Beijos

Adriane disse...

Adorei seu post, além de bem escrito, é inspirador. Concordo com vc em gênero e grau. Quero ser a mãe do meu filho (quando ele vier) em todos os sentidos. Também acho um exagero aqueles casais que "morrem" pro mundo quando tem filhos... não fazem mais nada (especialmente sair de casa) e reclamam de tudo. Assim sempre me pergunto porque motivos decidiram os ter.
Bjo pra ti
Adri

anapaula disse...

Oi Lia !
Estou adorando cada vez mais !! Teve uma frase que você escreveu que parece ter saído da minha boca (na verdade ela saiu da minha boca logo que eu descobri que estava grávida): o primeiro passo pra você conseguir cuidar do seu filho você mesma é conhecer a criança. Passar todo o tempo que puder junto dela, observar.
Eu e meu marido sempre acreditamos nisso e, a partir disso, decidimos juntos que seria melhor não ter mais ninguém envolvido nos cuidados da Natália quando ela nascer. Até mesmo a ajuda de familiares - mãe, sogra, etc. - deverá ser pontual e restrita às tarefas da casa, e não da Natália.
Lógico que existem outros fatores que vão influenciar esta decisão, como você mesma disse: se o bebê é tranquilo, se não dorme, etc...mas os seus posts estão me inspirando muito e me dando ainda mais confiança que tudo vai dar certo !!
Um grande beijo,
Ana Paula

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