quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sem lenço e sem documento

Esse fim de semana a avó do meu marido comemorava seus 80 anos, e lá fomos nós para o interior de Minas. Família toda contente com a visita da ilustre Marquesa de Rabicó, e nós só a bagaceira da mexerica depois de viajar 4 dias de 5.

Sexta, voo pra BH. Sábado, 300km de estrada pra Três Corações. Domingo, descanso. Segunda, volta pra BH e terça finalmente chegamos a Brasília – que, aliás, está linda linda, toda verdinha e com os flamboiants floridos.

Digno de nota é o fato de que moizinha, uma das mães mais organizadas da blogosfera, esqueci de levar a certidão de nascimento da Emília pro aeroporto. Não riam, é verdade.

A Paloma sugeriu que eu fizesse uma mini certidão, do tamanho de um RG, pra manter na carteira evitar que isso acontecesse. Ocorre que eu já tinha uma certidão dessas, e mesmo assim ela ficou em casa.

Eu tenho uma justificativa, vai. Quando eu estava de licença, mantinha todos os documentos da Emília na bolsa dela – certidão e cartão de vacina –, que eu carregava pra todo lado. Como agora ela vai à creche e leva essa bolsa, deixei tudo numa pasta. Mas lição aprendida e divulgada: mantenham as certidão dos seus filhos na bolsa de vocês, até porque – toc, toc – você pode precisar levá-lo a uma emergência ou coisa do tipo.

Resumo da ópera: liguei pra minha irmã, que atravessou a cidade pra buscar o documento na minha casa e novamente pra entregá-lo no aeroporto. Por segundos não perdemos o voo.

E a segunda nota: vocês sabiam que existem aviões sem trocador??!?! Pois existem. Na viagem de ida, Emília fez cocô e lá fui eu ao banheiro trocar. Olha, olha, cadê o trocador? Fui perguntar pro comissário. Daí ele disse que ia ver no outro banheiro e me voltou com a notícia: “Desculpe, senhora, mas esta é uma das aeronaves que não possuem trocador nos toaletes.”

Graças aos céus que era um micrococozinho, praticamente inodoro, e deu pra segurar a onda até chegar. Mas vocês já imaginaram que o desfecho poderia ser bem mais escatológico.

No mais, seria tanto pra contar que prefiro não contar nada e deixar pra vocês só essas duas dicas: não esqueçam os documentos do seu filho e pensem no cocô antes de comprar passagem na companhia mais barata. E boa viagem.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Nove meses

Viajei este feriadão e não avisei. Peço perdão aos meus fãs (ok, os fãs são da Emília, mas finge que, né?).

Muita coisa pra contar e pouquíssimo tempo, então faço um post relâmpago de mesversário pra dizer que Emília ainda não engatinha, mas faz o maior esforço.



quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Primeiro aniversário do papai

Ontem foi aniversário do Rafael e planejamos um cineminha pra depois que a Emília dormisse. Combinei com minhas irmãs pra irem lá pra casa e nos ligarem em caso de alguma emergência.

Mas como na vida de pais tudo o que se planeja pode ser desplanejado a qualquer momento, as comemorações não saíram bem como a gente pensava.

Primeiro, a Emília teve febre. Isso foi na segunda, mas teve de ficar ontem em casa em observação. Apesar de ela estar bem, ficamos com medo de ir ao cinema, que era longe, e cogitamos trocar a programação por um jantarzinho perto de casa.

Mas aí ela resolveu não dormir. Passou de 20h e nada de Emília tirar a pilha. Ok, não dava mesmo pra ir no cinema (o filme começava às 20h30). O tempo ia passando, minhas irmãs chegando e meu estômago roncando. Eu deitada com Emília na minha cama, cantando:

“Abelhinha estava tão cansada, tão cansada...” – e Emília respondia: NANANA! DADADA!!

“Parou e ficou quietinha, tão quietinha...” – e Emília chutava minha barriga, rolava de bruços e começava a se arrastar de ré até o pé da cama. Eu a colocava de volta na altura da cabeceira e ela descia, igual rolo de máquina de escrever, que vai escorregando até você dar um tabefe e ele voltar. E recomeçava...

Daí desisti. Peguei Emília e fomos todos pra sala. Daí descobri que minha irmã tinha pedido pizza. Duas pizzas, só pra ela (a outra irmã tá na dieta de lactose).

“Então, irmã, eu tava com fome e pedi uma pizza. Daí tava na promoção e ganhei outra!”

Muito conveniente! E assim passamos o aniversário, nós cinco (Emília, Rafael, eu e minhas duas irmãs), comendo pizza em casa. Ainda bem que não era aniversário de casamento...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sono

Quem foi que disse que os bebês vão dormindo cada vez melhor à noite?

Emília recém-nascida dormia a noite toda. De 21h às 6h. Eu tinha de tirá-la do berço pra amamentar após 6h de jejum (hoje não faria isso), porque disseram no hospital que tinhaque. Pois bem.

Ali pelos 3 meses e meio, ela começou a acordar de madrugada. Até duas vezes eu achava normal. Mas de quando em quando as acordadas chegavam a 4, 5 vezes, até que fui perdendo a conta. Às vezes dava uma melhorada, e ela passava uma semana acordando só uma ou duas vezes. Depois voltava tudo ao levanta-levanta.

Consulta Dr. Pediatra especialista em sono, é dente?, é fome?, é pesadelo?, introduz alimentos pra ver se adianta. Melhora, piora, dorme, não dorme.

Toda consulta ele pergunta se ela está dormindo bem. Ela deve estar, porque acorda toda sorridente. Nós, por outro lado...

Ultimamente ainda teve as doenças, mais dentes e a ansiedade de separação, e pela primeira vez sucumbimos à cama compartilhada. Tudo isso aí que eu falei nos últimos posts.

E venho eu aqui buscar uma solução? Não, de jeito nenhum. Acho que a única solução é esperar, porque todas as possíveis causas pro dorme-acorda de Emília são meio que irremediáveis:

1 – Rotina:

Tem rotina mais rotineira que a da creche? E se a gente tem deixado as coisas rolarem meio que naturalmente, à noite é sempre aquela mesma coisa, banho, massagem (quando ela quer), peito. E desde que ela nasceu, deixamos a casa na penumbra no fim do dia e só fazemos brincadeiras suaves, nada muito estimulante. Logo, suponho que a culpa não é da rotina, ou da falta dela.

Quanto aos horários, só coloco Emília pra dormir se ela está com sono. Inútil estabelecer um horário pra começar o ritual do sono pra depois de mamar ela passar 2h rindo da minha cara. Deveras desgastante.

Desde que ela entrou na creche, costuma ficar irritadíssima de sono lá pelas 19h. Nós até acostumamos a dormir assim cedão com ela. Daí essa semana ela me apronta de ficar acesa até 21h30. Quando é assim, a gente não insiste em fazê-la dormir (embalar, cantar), porque é protesto na certa. Ficamos brincando deitados no escurinho até ela pedir a mamada fatal. No outro dia ela acorda invariavelmente às 6h30 (exceto fins de semana, quando ela chegou a esticar até 8h. É possível que essa criaturinha já saiba quando é sábado?!?!).

2 – Dentes:

É, podem ser os dentes. Mas aí é esperar nascerem os sisos, né? Porque vem um atrás do outro, sem tréguas... (A Beta sugeriu o Nene Dent, estou cogitando...)

3 – Ansiedade de separação:

Idem, é esperar passar.

4 – Fome:

Se os pratões de feijão que ela bate na creche mais as 5 mamadas que ela toma de manhã e à tarde não forem suficientes pra alimentá-la, só me resta passar a madrugada com ela grudada no peito. Nada a fazer, apenas esperar.

Então estou eu aqui, esperando.

Vira e mexe alguém que diz que eu fiquei mais bonita depois que virei mãe. Gentes, isso aqui é maquiagem, ó, pra esconder as olheiras.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ensinando

Então é mesmo a crise dos 8 meses. Meninas, obrigada demais pelos comentários. Apesar de que meu feeling já me dizia que era temporário, que tinha a ver o algum salto de desenvolvimento, ouvir as experiências de vocês deixou tudo muito mais claro e me deu a certeza de que estou no caminho certo. Dar muito amor, carinho, atenção e banhos (dica da Kah).

E de fato o salto que Emília vem dando não é apenas motor – aprender a engatinhar –, mas também cognitivo. Não me lembro quando, acho que ali pelos 3 ou 4 meses, ela começou a reparar em tudo e querer pegar tudo. Eu até brincava de cantar a música da Amélia: “tudo que você vê, você quer...”. Agora, parece que outra janela visual se abriu.

É como antes ela tivesse um campo de visão de 90º, e agora ela enxerga em 180º. Coisas que ela nunca tinha observado agora chamam a atenção, como o vapor d’água que sai do umidificador, as tomadas, o ventilador. E aqui começa o assunto deste post: Emília começou a ficar perigosa, para si e para os outros.

Chegamos a um momento em que temos de começar a ensiná-la. Antes, Emília era um bebezinho inofensivo, que tínhamos de proteger das crianças maiores. Agora ela representa um perigo enorme, porque tem força, mobilidade e acuidade visual pra fazer estragos, mas ainda não tem noção do que machuca e acha que tudo é brincadeira.

Na última reunião de pais na creche dela, surgiu o assunto mordidas. A psicóloga contou de uma criança que vinha mordendo sistematicamente os coleguinhas, e conversando com os pais descobriu que em casa eles brincavam de morder. Então a criança considerava aquilo super legal, e não entendia por que os coleguinhas e as educadoras não achavam a mesma coisa. Aquilo nos deixou em alerta e exigiu que mudássemos nossa postura pra evitar que Emília se tornasse uma mordedora, uma puxadora de cabelos ou uma “batedora”.

Olha que legal. Emília pega um brinquedinho e bate na nossa cara, repetidas vezes, com o maior sorriso e um olhar serelepe. Gente, é super engraçadinho, não dói, é lindo. Mas imagine se o brinquedo for grande, pesado, duro, e ela resolver fazer isso no rosto de um coleguinha? Então eu tenho de me segurar pra não rir, reforçando positivamente essa atitude. Mesma coisa quando ela puxa nosso cabelo (brincadeira que o Rafael incentivou muito no começo, colocando a cabeleira à disposição e declamando aiaiaiaiaiai! na maior alegria), quando aperta nosso nariz ou quando nos morde.

Daí vem uma técnica que o Rafael aprendeu naquela mesma reunião de pais e mestres. Sempre que possível, em vez de dizer “não pode” – o que torna o fruto proibido ainda mais interessante – , oferecer uma outra alternativa à criança. Por exemplo: quando ela bate no meu rosto com o mordedor, eu pego o bracinho dela e começo a fazer o mesmo movimento no braço do carrinho. “Bate aqui, meu amor.” Ela continua toda sorridente, golpeando o carrinho. Em vez de puxar o cabelo, “puxa esse paninho aqui, minha linda”. Em vez de morder nosso braço, “morde aqui essa almofada, Florzinha.”

Acho que a chave é não reforçar positivamente atitudes que possam se tornar problemáticas lá fora, por mais fofinhas que elas pareçam em casa. Minha moça cresceu...

+++

E por falar em mordidas, no último fim de semana identifiquei uma marca de dentes no braço de Emília. Conferi a forma e constatei: a mordida foi dela mesma. Pense na dor do meu coração...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Agarradinha

Emília está numa naquelas fases da chamada “ansiedade de separação”. A e a Ana escreveram sobre isso recentemente, associando esses momentos de grude a picos no desenvolvimento do bebê.

Ela está aprendendo a engatinhar, então essa pode ser uma boa razão. Também tem os dentes, que não param de sair. Ela tem 8 meses, 3 pares de dentes e mais um a caminho. Somem-se a isso a conjuntivite que ela teve há duas semanas e a febre que a manteve em casa na última sexta-feira.

O resultado é que ela anda bem dengosinha, chorosa e só quer ficar comigo. Se estivermos só nós duas em casa, ela até brinca no tapetinho feliz da vida, comigo ao lado. Mas se aparecer outra pessoa – até o pai –, ela começa a exigir colo (o meu, né?). Como se quisesse a maior privacidade possível nesse momento a duas.

Também faz dois dias que ela dorme na nossa cama. Anteontem, ela simplesmente não pegava no sono se a colocássemos no berço. Tentamos 4 vezes e, depois de muito choro, sucumbimos ao cansaço e a deixamos dormir conosco. Ontem ela dormiu fácil, no berço, mas lá pelas 23h acordou e não havia nada que a fizesse adormecer de novo. Dei o peito umas 10 vezes, andei com ela pela casa durante quase uma hora, e ela só chorava, com uma expressão horrível de dor no rosto, se contorcendo toda como se fosse um recém-nascido com cólicas, e com uma tosse seca que não parava. Deitei com ela na minha cama porque eu não agüentava mais ficar em pé, mas não imaginei que fosse adiantar alguma coisa. Aos poucos, ela foi se acalmando, adormeceu e lá ficou.

Deixá-la na creche também não tem sido fácil. Ela se agarra na gente (normalmente é o pai quem a deixa, hoje fui eu porque ela tinha natação) e chora muito. O Rafael até comentou: “Infelizmente a gente não pode ligar pro chefe e dizer: ‘hoje não vou trabalhar porque minha filha está chorando’”.

O que me dói mais é justamente não poder estar com ela quando ela está precisando. Pelo bem que conheço minha filha, sei que ela é independente, dócil e sociável, e que não preciso fazer nada pra forçá-la a ir com outras pessoas. Mas agora ela me quer, precisa da minha presença para lhe dar segurança, seja pra aprender a engatinhar, seja pra superar alguma dor física que ela esteja sentindo e a gente não vê.

Já deu pra perceber pelo que escrevo aqui que sou absolutamente contra técnicas para ensinar o desapego à criança. Acredito, ao contrário, que a independência vem da segurança que nós, pais, passamos a ela. E nesse momento tão especial da minha filhota, quero estar com ela todo o tempo que puder, e lamber bem muito essa minha cria.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Como (não) irritar seu bebê

Quando saio com Emília da creche, sou um cabideiro ambulante. Minha bolsa, bebê-conforto, bolsa de Emília e Emília. Os procedimentos para entrar no carro não são simples. Primeiro, arremesso as bolsas no banco do passageiro. Depois, encaixo o bebê-conforto na base com Emília no colo. Por último, Emília vai pro seu assento e lá vamos nós!

Ontem tive uma brilhante idéia: pra ficar com as mãos livres pra instalar o bebê-conforto no carro, coloquei Emília em pé no banco de trás, com os bracinhos apoiados sobre a tampa do porta-malas. Ah, como ela ficou feliz!, curtindo o pára-brisas traseiro na sua posição preferida: em pé. E eu me achando a pessoa mais esperta do mundo.

Mas eis que, a cadeirinha instalada, Emília tem de sair do seu cantinho divertido e sentar, amarradinha, no bebê-conforto. Ah, mas a moça ficou braba. Depois de muito tentar distrai-la, tive de dar a partida no carro com ela berrando mesmo, senão era passar mais de meia hora esperando que ela se cansasse da brincadeira de batucar na tampa do porta-malas.

Alguém qualificaria isso como birra. Eu não. Emília tem apenas 8 meses e começa a demonstrar aborrecimento com situações que a contrariam. Normal. Mas não existe nisso maldade nem desejo de manipulação, posso perceber isso claramente pelo tanto que conheço e observo minha filha. É apenas um bebê crescendo.

E como lidar com isso? Repreender a criança, deixá-la chorando, porque o choro é bobo e ela tem de aprender a suportar frustrações? Ceder, mesmo que isso implique perigo ou um grande transtorno pra nós (na situação acima, deixá-la brincar em pé no banco do carro significaria atrasar a volta pra casa, pegar trânsito e me deixar com fome)? A primeira opção me parece inaceitável pra um bebê tão pequeno, que ainda não tem maturidade neurológica pra compreender as normas da civilização. A segunda é igualmente complicada, porque não dá pra expor a criança a certos riscos e nem parar tudo pra atender um desejo seu.

Então comecei a adotar alguns procedimentos que, se não eliminam, diminuem muito a possibilidade daquele chorinho irritado:

- Jamais entregar a Emília algo de que eu vá precisar depois. Por exemplo: oferecer a colher pra ela brincar enquanto preparo a refeição. Quando for dar a comida, vou precisar da colher, e pode ser que ela não esteja muito disposta a desistir da brincadeira.

- Evitar ao máximo deixar objetos perigosos ou frágeis ao alcance dela. Ela pode querer pegar, eu não vou deixar e alguém vai ficar brava.

- Manter longe dos olhos dela brinquedos que exijam minha supervisão, a menos que eu esteja 100% disponível pra brincar ela. Sabe aquele tapete de atividades com arcos? Pois Emília adooora ficar em pé segurando nos arcos. E não tem como deixá-la sozinha ali, é tombo na certa. Mas ela não pode ver o tapete no chão que começa a se jogar em direção a ele. Se eu não posso ficar lá por um bom tempo à disposição, não atendo seu desejo e, mais uma vez, tenho um bebê irritado nos braços. Melhor manter o tapete guardado no armário e só tirar quando eu tiver bastante tempo pra ela.

- Não colocar Emília pra brincar de uma forma que exija supervisão (como no caso do tapete) se eu não pretender ficar com ela até ela cansar. Pior do que quando ela vê o troço e eu não a deixo brincar é encerrar a brincadeira na melhor parte. Bebê MEGA irritado.

- Se for impossível evitar, e por distração ou por necessidade ela acabar pegando algo que tem de ser devolvido, a máxima é distraí-la o quanto antes com outra coisa. Ou dar outro brinquedo, ou levá-la pra janela, fazer barulhinhos com a boca, vale tudo pra acalmá-la antes de que a reclamação vire um choro desconsolado.

Com essas pequenas medidas, temos mantido Emília bem feliz a maior parte do tempo. Claro que às vezes a gente faz besteira e o conflito fica irremediável, como no caso do carro. Mas ninguém vai morrer por causa desses pequenos episódios.

As crianças têm de aprender a receber não, a lidar com decepções, a não ter sempre o que querem? Claro que sim. Mas a vida já tem frustrações suficientes, e a gente não precisa inventar mais, né?

Ficam então essas dicas pra uma casa em paz....

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