segunda-feira, 11 de julho de 2011

A puérpera

Quem está grávida pela primeira vez já deve ter ouvido: “Aproveite os paparicos porque depois que nascer, as pessoas só vão querer saber do bebê.” E quem está grávida pela segunda, terceira, quarta vez sabe que isso é a mais pura verdade – com o agravante de que os mimos durante a gestação também são cada vez menores.

Acho muito bom que nossa cultura valorize a gestante, pois ela realmente precisa ser bem cuidada. Ela está no exercício de uma missão sagrada, e qualquer coisa que a afete também afeta o bebê. Existem estudos que indicam, inclusive, que grandes traumas acontecidos durante a gestação afetam mais a vida futura da criança que aqueles ocorridos durante o primeiro ano de vida. Assim, as gestantes devem ser poupadas de estresses desnecessários, de notícias ruins, de carregarem peso, de esperarem longas horas em filas enquanto vão criando varizes.

Nem tudo é perfeito. Creio, por exemplo, que as condições de trabalho das gestantes deveriam ser revistas, com a possibilidade de adaptação – especialmente no finzinho da gravidez. Passar o dia sentada na frente de um computador, por exemplo, é uma bomba pra coluna de alguém que já carrega 10 ou 15kg a mais. Fora que a nossa cabeça fica em outro planeta, então acho que as gestantes deveriam exercer mais atividades manuais e repetitivas e menos atividades intelectuais. Mas, em linhas gerais, acho que as gestantes são relativamente bem tratadas em nossa sociedade.

O mesmo não se pode dizer das puérperas.

Quem são as puérperas? São essas mulheres recém-paridas, com um bebê recém-nascido a tiracolo, vazando leite, transbordantes de hormônios, alegrias, dúvidas, com a vida virada de ponta-cabeça e horas de sono acumuladas. São essas mesmas mulheres às quais tanta gente bem intencionada dá as costas, invadindo suas casas para enfiarem sua cara cheia de germes no nariz do recém-nascido, comerem um lanchinho e saírem, deixando para trás um presentinho para o bebê, a mesa cheia de louças sujas, uma mãe exausta e um recém-nascido agitado.

Muita gente nem cumprimenta os pais: vai logo dizendo “oi, bebê!”, agarrando o pé ou a mão da criatura e perguntando (ou não): “Posso pegar?”. Perguntam se o bebê dorme bem ou se tem cólicas. Mas pouca gente pergunta a uma puérpera como ela está, se está conseguindo repousar, como está se recuperando do parto ou da cirurgia.

Aliás, por falar em cirurgia: já perceberam que se você foi internado pra operar um joelho ou tirar um apêndice é aquela comoção, todo mundo liga, manda flores, visita? Mas se você passou por uma cesárea – uma cirurgia de médio a grande porte –, todo mundo supõe que no dia seguinte você deveria estar saltitando por aí igual a uma gazela?

E as ajudas? Ah, as ajudas! Quantas visitas se oferecem pra segurar o bebê um pouquinho “pra mãe poder descansar”? (O que, em alguns casos, pode realmente vir em boa hora). Mas quantas se disponibilizam para lavar a louça, fazer um chá ou trazer um marmitex pra você almoçar?

A minha impressão é que, pelo menos aqui no Brasil, existe um fascínio pelos recém-nascidos que às vezes é tão grande que extrapola o saudável. Valoriza-se a grávida porque o bebê não tem como sair de dentro dela, ambos são uma coisa só. Mas a partir do momento em que a criança vem ao mundo, todo mundo se acha no direito de reivindicar um pouco (ou muito) dela para si. E o melhor jeito de fazer isso é apagando a mãe, fingindo que ela não existe. “Vai lá trocar seu modess e trazer meu bolinho que eu cuido do seu bebê, ok?”.

Parece que estou sendo radical, mas essa é uma sensação que me acompanhou desde que Emília nasceu e que observo até hoje. Em algumas tribos há lendas de monstros ou espíritos que surgem durante o parto e os primeiros dias após o parto para devorar ou roubar o recém-nascido. Nós também temos os nossos monstros, só que temos de ser educados com eles.

Seria muito bom se mais pessoas olhassem de forma diferente praquela mulher que acabou de dar à luz. Que entendessem que a criança continua fundida a ela, pois nasce imatura, e que a separação total só se dará muitos meses depois. Que aquela mulher segue sendo fonte de vida praquela criança, que é dela que o bebê se nutrirá física e emocionalmente. E que ela, por mais inexperiente que seja, é quem melhor sabe cuidar daquele bebê.

Seria muito bom se as pessoas apoiassem mais os casais de recém-pais, não querendo assumir seu lugar ou agindo como um bando de curiosos (“quero ver com quem o bebê parece!”; “estou doida pra pegar!”; “quero ver se ele é gordinho!”), mas oferecendo a ajuda de que eles realmente precisam. Tomar conta de tarefas burocráticas, como ir registrar o bebê ou marcar a consulta no pediatra; realizar tarefas domésticas, como lavar louças ou esfregar uma roupinha golfada; contribuir para que a puérpera se alimente bem, cozinhando para ela. Esse tipo de ajuda é mais que benvinda.

Quem ama um bebê recém-nascido tem que amar sua mãe antes. Porque eles estão interligados, e você não pode destratar uma mãe sem ofender sua cria ao mesmo tempo. Por isso, minha dica pra quem quer ser melhor amiga (normalmente são as mulheres) dos bebês: cuide bem da mãe deles.

27 comentários:

Fátima disse...

Post maravilhoso!!! Meu Frederico tem 3 meses e eu ainda sinto isso.
Isso que eu fui bem radical no meu pós-parto: visitas só dos mais íntimos, e não fiquei fazendo sala para ninguém não, descansei bastante e me cuidei.

Beijos!!!!

Nine disse...

Ai Lia, eu estava escrevendo um post mentalmente sobre isso há poucos dias! Que tipo de visita de amigos/família pós parto eu gostaria?

E seu texto veio bem de encontro ao que eu passei a pensar depois do nascimento da minha primeira filha. Aquelas visitas protocolares são um saco, te enchem de mais trabalho ainda e vc ainda fica mais cansada de tudo. Fora essas perguntinahs bobas ela dorme bem?, ela mama bem? mas vc não dá nem um chazinho? Afe!

Nessa segunda gestação vou fazer uma carta aos meus amigos com o tipo de visita que espero e adoraria receber. Querem me visitar depois do parto? Passe na padaria e compre pão, bolo, leite, no caminho traga as fraldas, por favor, quando chegar lave a louça do almoço, prepare o café, estenda as roupinhas no varal. Pode até ficar com o bebê no colo um poquinho para eu poder descansar tb. Ah, e antes de sair deixe a louça do café limpa, ok? Que eu tenho muito mais o que fazer! Adorei sua visita, volte sempre, tchau!

Será que receberei muitas visitas pós parto???

Beijos,
Nine

Paloma, a mãe disse...

É um recado dreto para os avós, né? Devia ter um manual para avós e demais visitantes.
Aliás, o melhor do segundo filho é que pouca gente visita. E que vc já sabe o que te incomoda e já avisa antes. Segundo filho é tudo de bom, porque a experiência anterior é muito válida, não só para maternar como para não permitir que coisas (e pessoas) ruins te afetem.
Beijos

Dani Garbellini disse...

MARAVILHOSO, MARAVILHOSO, MARAVILHOSO!!!

O link para seu post deveria constar em todos os avisos de nascimento.

Ser puérpera é muito difícil. E não dura apenas 40 dias, ok?

Quando Arthur nasceu me sentia muito sozinha, queria visitas, mesmo, mas queria amizade, colo para mim e não apenas olhos para o bebê.

Desde então tenho tentado ser uma visita mais legal, porém muitas vezes não consigo transpor a barreira social das mães que negam veementemente ajuda, tão acostumadas e adaptadas ao modus operante da nossa sociedade.

Beijos!

Isis Coelho disse...

Lia, como sempre, incrível. Eu sofri demais com essas "ajudas". A minha pequena ficou na UTI uma semana depois que nasceu e ninguém a não ser minha mãe e meus irmãos, foram me visitar no hospital. Quando cheguei em casa, um monte de gente veio ver a Amelie, ninguém se disponibilizou para fazer NADA além de segurar a neném enquanto eu fazia um bolo, café, botava a mesa para o lanche ou lavava a louça dos comensais esfomeados por um rostinho recém-nascido.

Eu realmente sofri demais com a solidão que se apossou de mim logo após o parto e tenho calafrios só de lembrar desses momentos de pânico.

um beijo grande

Mãe do Pitoco disse...

Eu não tive problemas em dizer não. E digo não até hoje, sabe? Acho que é um grande exercício para nós, mulheres, tão receosas de impor limites às pessoas, especialmente àquelas que amamos. Temos de demonstrar nossa insatisfação, senão ninguém adivinha, e vai invadindo nosso espaço sem cerimônias, especialmente os mais íntimos, a quem amamos, mas que, justamente por isso, devemos impor limites. Por isso acho que não cabe só aos outros se mancarem e serem educados, cabe tb a nós exercermos nosso direito de espaço. Um grande abraço e parabéns pela sabedoria do post.

Tchella disse...

sabe quem fez tudo isso (de bom) para mim? quem cuidou de mim? me trouxe almoço, lavou roupa cocozada, se preocupou comigo e que foi a unica (alem do pai do nene claro) que eu entreguei meu filho no colo e realmente fechei meus olhinhos para dormir com a certeza de que ele estaria bem? minha sogra, ninguém mais. ali naqueles dias, acho que eu a admirei ainda mais como pessoa, ela foi imprescindivel, cuidou de mim muito bem, sou eternamente grata :)

Tchella disse...

o google me fez digitar "stria" para meu comentario ser validado, ninguém merece o recado, neam? hehehehe

Juliana Barros Sene disse...

Ei Lia!!! qto tempo não comento aqui no seu blog! Mas, mesmo comentando pouco eu sempre estou acompanhando tudo que vc escreve! Concordo com tudo que vc escreveu! Essa santas ajudas na hora de lavar louça, cozinhar etc.. ninguém quer né?! rsrs
Estou aqui na expectativa do meu Samuel chegar em outubro! benção de Deus! Já sabe o sexo do seu baby ou vai ser surpresa? abraços!

Ligia disse...

querida!
Seu post foi o maximo!! parabens viu!!! total apoio!!!
um bjo grande em vc e na Emilia
Ligia
www.nanamamaenana.blogspot.com

Neda disse...

Lia, PERFEITO!
A parte das visitas até que foi tranquilo, estar longe da família ajudou e eu deixei bem claro que não queria visitas no hospital. As pessoas mais próximas nos visitaram, mas era bem a conta gotas e por sorte minha mãe ainda estava por perto. Hoje, queria mesmo era poder descansar, por as pernas pra cima, e encontrar a casa arrumada, um bolo pronto, cheirinho de café, roupa limpa no varal, essas coisas. Era bom bater um papo, ver outras pessoas, mas a verdade é que eu não era o foco, ninguém prestava atenção em mim. Era bom quando a turma "de casa" chegava e dominava a área.

Agora, valerão as mesmas regras, como é inverno, vou ser ainda mais "estranha", visitas só quando eu me sentir adaptada a ser mãe de dois.

BJS

Liz disse...

Eu não gostei do post, Lia. Achei antipático, frio, sabe. Se você tivesse a chance de morar em país estrangeiro, poderia sentir a frieza com você e seu bebezinho. Ninguém te vistar e tudo tem que ser em forma de protocolos, algo muito formal.
Eu já sou do tipo que tem que ter muito afago, muito 'germe' pra o bebê ser forte, pra não ter frescuras, pois você verá com o segundo: você ficará menso neura e mais feliz, leve!
O brasileiro não tem fascínio, tem amor por crianças. Somos latinos.
Bom, de todo modo, é o seu jeito, sua casa, seu modo de viver. Desejo uma boa hora e que as vistas se restrinjam somente aos da família, para você não se estressar tanto.
Beijos

Mari Mari disse...

Lindo post, Lia, me emocionou. Você pôs em palavras o que eu já tinha em mente, de quando tive meus filhos. Eu já reclamava da falta de respeito com a recém-parida (e olha que nem foi cesária, eu tava inteirona!), tanto no hospital, quanto em casa. Pouca gente veio visitar meu segundo bebê porque eu já tava morando longe, mas deixa eu te avisar: quando o bebê nascer, ninguém mais vai dar bola pra Emília. O que eu fazia quando a Niná nasceu era tacar o Caqui na frente da visita pra ele ser cumprimentado primeiro, enquanto eu ficava com o bebê no colo, até mesmo no outro cômodo. Quando Caqui tava satisfeito de chamego, botava a Niná na roda. Além de esquecer da mãe, esquecem do irmão!

Suellen disse...

ain lia, eu fui muito mais radical com esses "monstros" a gestação inteira da duda eu disse que não queria visita no hospital e pelo menos nos dias em que meu leite não descia (que foram 3) mas mesmo assim teve gente que se achou na "obrigação" de ajudar, tipo avós... mas né...
todo o tempo eu ficava me perguntando se a pessoa realmente acha que é uma ajuda (psicologica ou não) ir ver o SEU filho recém nascido, é como se mostrasse amor á mãe, quando na verdade não tem nada a ver, é bem triste pensar assim.
depois do dia do parto, em que recebemos visitas até as 2 da madrugada, nenhuma boa alma se prontificou a dar uma varrida na minha casa, ou lavar o excesso de roupa suja da bebê, ou preparar uma sopa reforçada comigo, ou seja, a "ajuda" que me deram do dia de parir já foi o bastante né? aham, senta lá..
eu até penso que foi por isso que meu blues perdurou por tantos dias, toda aquela atenção da gravidez tirada violentamente de cima da gente maltrata sim! tive domingos e mais domingos de comidinhas feitas pela sogra pra me engordar na gravidez e depois? só eventualmente.
agora com a segunda gravidez, continuo com a mesma linha de pensamento, ainda mais radical, não QUERO MESMO visitas no hospital, mesmo que a criança nascer ás 7 da manhã, acredito que qualquer um consegue segurar a "vontade de ajudar" pelo menos até o dia de chegar em casa...
um bjo

disse...

Concordo, concordo e concordo! Inclusive ja' escrevi um post sobre um assunto relacionado, do quanto eu me sinto revoltada ao ver fotos de amigas no Brasil que tiveram nenem e um monte de foto da maternidade lotada de gente visitando. Totalmente sem noção!

http://roede.blogspot.com/2010/09/invasao-de-maternidade.html

Moro na França, tive meu filho aqui e tenho que dizer que fiquei aliviada de estar longe do assédio da familia e dos amigos brasileiros (pelo menos a maioria é assim). Ainda mais que era plena época da gripe A.

Os franceses sao diferentes. Eles nao oferecem muito ajuda, nem nada, mas pelo menos eles respeitam esse momento e não fazem muitao visita em maternidade nem logo depois que vc chega em casa. Em geral eles mandam um SMS, um email para dar os parabéns, mas so' visitam mesmo alguns meses depois. So' vem antes se for muito intimo.

Tive a sorte grande de ter aqui comigo a minha mãe e em seguida a minha sogra que pensam exatamente como vc descreveu no post. Elas me ajudaram muito com a casa, com as questoes praticas, de forma que eu tivesse tempo para me dedicar plenamente ao meu filho e a descansar quando fosse possivel. Elas tinham total consciência que eramos nos, eu e meu marido, que tinhamos que aprender a cuidar do nosso filho, pq depois estariamos sozinhos aqui.

Claro que visita é bom, mas sem o exagero que é no Brasil. E se vem visitar, que pelo menos ajude um pouco!

Sarah disse...

Excelente post!! Verdade pura e crua. As pessoas querem visitar o bebê, até se prontificam a ajudar, mas sempre nesse sentido: segurar o bebê para a mãe "descansar". Nas coisas que pesam mesmo, poucos ajudam.
Engraçado o comentário da Paloma sobre os avós. As avós do Bento são opostas: minha mãe era daquelas que ia em casa não apenas ver o neto, mas lavava roupa e fazia comida. Já minha sogra, aparecia em casa quase 8 da noite, quando Bento já estava dormindo, e ia sem avisar. E ainda dizia que ia dar uma "acordadinha" nele para poder vê-lo...
Vamos imprimir esse texto e mandar para todos os parentes-amigos de puérperas! :P
bjos!
Sarah

Lia disse...

Nine, passei mal de rir com seu comentário.

Ju, bom te rever por aqui! Sim, o sexo do segundinho vai ser surpresa (pra mim também, tá? juro que não sei)!

Liz, se você achou meu post "frio e antipático", certamente não entendeu. Nunca disse que visitas são uma coisa ruim, ou que o ideal seria que ninguém desse bola pros bebês. O ideal seria que as pessoas considerassem também aquela figura frágil, que sustenta a criança: a mãe. Se você nunca se sentiu desse lado, das duas uma: ou teve pessoas maravilhosas e conscientes ao seu lado no seu pós-parto, ou nunca foi puérpera.
E mesmo com pessoas maravilhosas - que eu tive também -, sempre tem gente com um potencial enorme pra nos magoar nessa fase sensível.
Acredito que frio e antipático é o comportamento de quem, em vez de apoiar e participar de maneira saudável desse momento sagrado, vem profaná-lo.
Caso você esteja grávida, espero de coração que você encontre a ajuda necessária para te apoiar na sua fusão emocional com o seu bebê, e não pra te atrapalhar nessa hora.
Ah, e sobre a Europa: morei sete meses na França e fui muitíssimo bem acolhida. É hora de rever alguns preconceitos.

Anna disse...

Lia,

Adorei o post. Antes de ter meus filhos sempre achei um absurdo as protocolares visitas na maternidade e em casa com o bebê com dias de nascido (e a mãe com poucos dias de parida). Minha preocupação era tamanha que eu chegava a ter taquicardia ao pensar no assunto quando eu tava grávida. Sério! rsss

Mas, graças a Deus, com a exceção de alguns "sem noção" (que são sempre da família, porque será??), fui muito bem apoiada das duas vezes. Minha mãe e minha sogra foram sensacionais: da primeira vez se encarregaram da casa e na segunda vez se encarregaram do mais velho. Assim eu pude me dedicar totalmente ao bebê recém chegado.

O problema é que o pessoal vem fazer a famigerada visita protocolar nas primeiras semanas do nascimento e nos esquecem depois. Ficamos meses e meses sozinhas, sem companhia pra um café, um bolo e um bom papo. E com a casa apinhada de gente nos primeiros dias.

E quando temos outro filho, além de esquecerem da mãe também esquecem do mais velho. Do pai, coitado, ninguém se lembra...

Temos que conscientizar as pessoas disso.

Hoje tento ser uma visita mais amiga: gosto de levar flores ou um bolo pra mãe, ouvir o que tem a dizer ou simplesmente falar bobagem. Ou ficar em silêncio, só fazendo companhia. Visitas são uma delícia, mas tem que saber a hora de chegar (e principalmente a hora de sair) e lembrar que por trás da criança existe uma mãe que também precisa de carinho e atenção.

Espero que você tenha as pessoas que quiser ao seu lado.

Grande beijo

Camila Bandeira disse...

Lia, muito bom seu post! A minha mãe e sogra tentam sempre fazer esse papel, de me ajudar bastante. Quando minha sogra quis apresentar os netos, trazia a comida pronta, trazia a empregada para lavar os pratos e só saía depois de tudo arrumado. Ela chegou até a me dar banho, realmente cuidou de mim. Minha mãe, nem se fala, tratava de tudo, fazia feira, pagamento, levou a Gabi pra passear inúmeras vezes quando o Pedro nasceu. Mas praticamente nenhum amigo ou outro tipo de parente faz isso. Só as mães salvam! Bjo

Ana Paula disse...

Estou grávida pela primeira vez, e ao ler seu post fiquei com vontade de encaminhá-lo para um monte de gente, para ver se o povo se toca desde já...
No geral, convivo com pessoas que tem noção e respeito, mas vira-e-mexe sempre aparece um non-sense. E é para eles que eu estou me preparando para daqui cinco meses.

Ótimo texto!

Bjs

Val disse...

Lia, e vc nem falou das visitas na maternidade. Eu tava lá, toda inchada, sangrando muito, horrivel, tinha vomitado tudo e, quando abro os olhos, vejo duas amigas do trabalho e o marido de uma delas sentados, me olhando. QUase morri de vergonha.
QUando voltei ao trabalho, reclamei, meio como brincadeira, com todos eles. Falei que não se visita uma pessoa naquele estado.

Quanto às visitas em casa, fiquei na casa da minha mãe e não podia reclamar de nada, afinal a casa é dela. Mas depois de duas semanas, eu passei a me sentir só, querendo que alguem chegasse logo pra ver o meu filho e me fazer comanhia, já que o papai e meus pais trabalhavam o dia todo.
Bjos
Valquíria (As Peripécias do Rei)

... disse...

Lia, fantástico! Cada vez mais suas reflexões vão mais fundo! Adoro vir aqui no teu cantinho!

eu tive que lidar com todos os meus monstros, mas me dei ao luxo de seguir o conselho da minha querida doula virtual e expulsei alguns! hehehehe ficou só metade, mas mesmo assim já melhorou a minha situação.

outro dia estava mesmo me perguntando como vc fazia pra dar mamá pra emília por conta do barrigão mas as fotos do último post responderam! tão fofo vcs duas de conchinha! é incrível a maneira como ela se encaixa direitinho no seu corpo sem ficar em cima da barriga!


beijocas

Aretha,
www.oquehadeerrado.blogspot.com

Tati Schiavini disse...

Concordo em gênero, número e grau.
Um amigo meu (homem, pasme) me disse quando eu estava prestes a parir: aproveite enquanto as pessoas vêem você, porque depois que o bebê nasce ninguém mais te enxerga, com exceção do teu marido e da tua mãe. E nem sempre isso é regra.
Desses dois eu tive total apoio. Pro resto do mundo eu era um par de peitos e de braços pra cuidar da menina.
Ufa... parece que teu texto me tirou um nó da garganta...

Ana Paula - Journal de Béatrice disse...

Lia,
Acho que de um modo geral, os brasileiros são mais entrões, quer dizer, fazem mais visitas, querem ver logo o bebê e não percebem que, talvez, seja um momento para a mãe cair na real, de que é preciso um tempo para ela se adaptar a nova vida com um bebê em casa.

Deveria ser um momento de tranquilidade, não tenho duvidas.

Aqui, como a Dé ja disse, os franceses são mais cautelosos e dificilmente farão uma visita sem avisar e questionar se a visita seria oportuna.

Eu contei com a minha mãe durante o primeiro mes e depois mais um mês com a minha sogra. Foram fundamentais para manter a comida em dia e a casa em ordem.

E morar longe sempre exige um plano B. A ajuda sempre sera bem vinda e posso contar com algumas poucas pessoas que poderiam me dar uma mão, ao menos para fazer uma marmitinha ou passar uma duzia de roupas, por exemplo. Eu não me intimidaria em pedir por auxilio.

Eu tenho um livro que gosto muito que se chama "élever son enfant autrement" e que tem um trecho que fala justamente da lista de nascimento um pouco diferente da convencional com a inclusão de alguns pedidos "extras" que inclui:

* comidas congeladas;
* uma hora de limpeza na casa;
* uma hora de baby-sitting;
* passar algumas roupas;
* meia hora de brincadeiras com o filho mais velho, que tera necessidade de atenção especial;
* uma massagem na puérpera.

Eu mesma ja fiquei duas tardes com o filho mais velho de uma amiga (o trouxe para minha casa) para que ela tivesse mais tempo com o recém nascido. Ela, naquele momento, precisava disso e foi bom para mim, pois tive a sensação de poder ajudar em algo que eu sabia ser importante para ela.

Nada como ter boas amizades por perto para dar uma mão na hora que a gente mais precisa e que é um momento delicado. Acho que não é feio ou deselegante solicitar esse tipo de ajuda, ao contrario, é absolutamente compreensivel.

Beijo grande : )

Fabiana disse...

Lia, adorei o texto! Super concordo!! Tive oportunidade de receber algumas visitas que se despuseram a ajudar com a louça (ou que o fizeram sem nem perguntar), de trazer um lanchinho e tal. Mas, confesso, tirando minha mãe... todas as visitas que se ofereciam dessa forma eu agradecia, mas "liberava". Eu ficava me sentindo desconfortável de ter minha sogra, por exemplo, lavando minha louça. A verdade é que as únicas pessoas que eu queriam perto de mim logo após o nascimento das minhas filhas eram minha mãe e o pai da criança. Mas em nenhuma das vezes consegui essa exclusividade. A gente tem que se abrir pro mundo quando o desejo maior é se transformar em ostra! Logo que tive a Júlia, aina no hospital, lembro que passei horas fingindo que estava dormindo só pra não ter que interagir com as pessoas!rs Na vez da Joana eu estava mais simpática e tranquila... não tive nenhum incômodo físico também. Mas algumas visitas me davam preguiça... Espero que vc tenha sorte na recepção do segundinho(a)!
Beijos

Mariana disse...

É isso aí, Lia. Quando Benjamin nasceu, recebi duas visitas ao mesmo tempo na maternidade: um casal com um bebê resfriado (ai...) e uma tia encharcada de perfume francês, que ainda me levou de presente um buquê de lírios exalando aquele cheiro característico. Todos estavam loucos para pegar meu filho no colo e eu não queria ninguém tocando nele naquele momento. Tem algo de instintivo nisso - tente pegar em cachorrinhos ou gatinhos recém-nascidos pra ver o que a mãe faz: ela avança, óbvio. Esta era minha vontade quando meu filho era pequeno.
Beijo grande pra vocês.

Camila (do Davi) disse...

Lia, gostei mt do seu post. Mas me deu um friozinho na barriga. Acho q senti em parte mt disso tudo, mas não cheguei a "conversar" comigo mesma e colocar nomes nos bois. Seu texto me fez refletir o q naquele bendito 1o mês me deu um gostinho amargo na alma. E foi isso: de repente, como puérpera, fiquei invisível e sem necessidades, sem voz. Antes, grávida, todo mundo dava uma atenção, passava a mão na barriga, puxava assunto. Depois que o Davi nasceu, mtas das visitas mais incomodavam q alegravam. Acho q numa próxima serei mais clara qto o q aceito e tentarei respeitar mais meus limites. De servida a serva. E dá-lhe cafezinho, bolinho e tdas aquelas coisas com as quais eu mesma nao estava acostumada a lidar, tudo de uma vez só, num baque. Dormindo mal, querendo uma certa privacidade mtas vezes. Sim, pq eu realmente não curtia ter de amamentar na frente de alguns amigos homens. Pode dizer q é exagero, mas foi td mt novo pra mim e mt súbito: durma menos, perca sua vergonha, deixe seu filho no colo até de quem vc não gosta, busque o bolinho... É isso, meu 1o mês foi ruim pq eu mesma não me ouvi e fiquei com vergonha de dar as coordenadas... Mas a gente vira safo, a gente vira safo... hehe.
Bjs, com mt carinho!!!

PS: qd eu for visitar o segundinho, pode me dar qualquer tarefa que eu topo. :)

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