quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Test drive

Como disse ontem, no último sábado fui visitar a Luíza, filha de amigos muito queridos. Ela fazia um mês naquele dia. Minha amiga, a Clarissa, está sozinha com o bebê desde que a mãe dela voltou pra sua cidade, umas duas semanas atrás. O marido está trabalhando. Como ela não curte a ideia de babá, está se virando – e muito bem – sozinha.

Eu, toda cheia de cerimônias, querendo ser fiel ao livrinho de regras: não visitar antes de um mês, não ficar mais de meia hora, não mexer no bebê. Mas a Clarissa é tão tranquila e estava tão necessitada de gente pra conversar e pra dar uma mãozinha com a Luíza que a visita foi completamente diferente do que eu imaginei.

Começou tudo conforme o protocolo: cumprimentei minha amiga, entreguei o presentinho, fui ao banheiro lavar as mãos e só depois disse oi pra Luíza, sem pegar nela e sem chegar muito perto. Fomos para o sofá, onde a Clarissa deixou o bebê enquanto fazia alguma outra coisa (ela não é um polvo, vocês entendem bem a situação).

Depois de poucos segundos, a Luíza começou a fazer uma carinha ruim, abrir a boca, espremer os olhos e franzir a testa, numa clara mensagem: “vou abrir o berreiro se ficar aqui”. Percebendo a iminência do choro (olha lá o instinto materno aflorando, minha gente!), comecei a esfregar as costas dela e dizer: “calma, calma, mamãe já vem”. Ela deu uma acalmada, mas logo se indispôs de novo como que dizendo: “legal, mas vocês não vão me enganar com esse carinho mixuruca”. Aí a Clarissa: “Pega ela, Lia!”. Meu Deus. Todas as poucas vezes em que peguei bebês na minha vida, eles começaram a chorar na mesma hora. E essa então, com um mês apenas e prestes a cair em prantos. Expliquei a ela que eu não sabia fazer aquilo, que não levava jeito. “Pega, Lia, é facinho. Vai dar tudo certo, vai lá”. Ela me passou tanta segurança – não de que ia dar certo, mas de que ela não ia me matar se desse errado – que arrisquei. Tomei cuidado para não deixar a cabecinha sem suporte e acomodei aquele pacotinho no meu braço. E não é que ela melhorou o humor instantaneamente? Pra ela ficar ainda mais feliz, levantei e comecei a sacudi-la. Dancei com ela, e quando sentava ficava tremendo as pernas pra manter o movimento. Ela cochilou gostoso, aquele soninho leve.

Ocorre que ela não estava realmente com sono, e todas as vezes em que eu parava de agitá-la, ela abria os olhos e, tcharan!, o que ela queria fazer? Mamar no meu peito!! Foi muito bonitinho. Ela raspava as unhinhas na minha blusa, tentando inutilmente achar um mamilo. Abria a boca, dava cabeçada no meu peito. O melhor que conseguiu foi abocanhar meu braço. “Clarissa, acho que ela quer mamar”. “Quer não, Lia. Ela acabou de mamar. Ela quer só sugar mesmo. Vou dar a chupeta pra ela não se irritar.” Eu, super natureba, querendo salvá-la da chupeta com funchicórea, tive a maior vontade de dar meu peito. Mas aí era perder completamente a noção, né? Daí tive outra ideia: continuar sacudindo, já que o ataque voraz só acontecia quando a gente parava. E resolveu, ela ficou bem satisfeita. Mas depois de uma meia hora que eu estava com ela no braço, minha amiga ficou com pena de mim e deu a chupetinha. E continuei com ela mais alguns minutos, quando foi a vez do meu marido fazer o test drive. E deu certinho. Ela não chorou um segundo durante a 1h30 que passamos por lá. A Clarissa até sugeriu: “Você não quer vir todos os dias?”.

Fiquei tão feliz com a visita que não parei de pensar nisso até hoje. Percebi que sou perfeitamente capaz de ser mãe. E já estou com saudades da Luíza...



E olha ela querendo mamar no meu peito...

11 comentários:

Patricia disse...

Você vai ver quando for a sua Emília, como vai ser ainda mais fácil e natural...se se saiu bem no test-drive, vai arrasar na hora do vamos ver!beijos!

Cynthia Santos disse...

Ai, que saudades que me deu do meu anjinho mamando... aproveita, querida, bebezinho é tudo de bom!

Renata disse...

Ai que gostoso! Certeza que vc vai tirar de letra quando for a sua pequena, mas por enquanto vai treinando com a Luisa, ainda mais que a mamy gostou da ajudinha! rs!
Eu tb fiquei sozinha de cara, desde o primeiro dia...e sempre adorei visitas pra bater papo e ficar um pouquinho com o André!!
beijinhos

Marina Guimarães disse...

ai, que inveja. tb quero visitar a luiza, eu vou.
com certeza quero ajudar nas festinha, gosto muito. ;)

Val disse...

Ei, Lia. Vai treinando, vai...
Mas é o que eu sempre digo: nunca vi nem soube de ninguém que morreu de "criar filhos". O ser humano se adapta facilmente a qualquer situação. E se é mulher-mãe, ainda mais rapidamente. Bjos, boa Sorte!

Ana disse...

Que delícia!
Olhando a foto realmente bate saudades!
Aproveita bem, é uma fase muito trabalhosa mas ao mesmo tempo muito prazerosa.
Dificil mas vc depois irá entender. Rs
Beijos!

Daniella PSF disse...

Com sua Emília vai ser melhor ainda, voCê vai ver..
abraços

Luíza Diener disse...

ooo gente eu to querendo muito visitar a luiza (é com z). vc narrou a história e eu fiquei imaginando toda a situação, tim tim por tim tim.

ai q delícia!
queria morar mais perto da clarissa (ou ter um carro. ehehehe!)

Lia disse...

uai, Lu, achei que era diferente do seu... lembrava dela dizendo "minha filha vai ser sua xará, mas o dela vai ser com S". Acho que viajei... bom, já está corrigido.

Flavia disse...

eu tinha certeza que tinha comentado nesse post.
Oh God! acho que to meio maluca.
entre outras coisas, eu lembro ter dito que o primeiro bebezinho que peguei no colo foi o João. Nos primeiros dias era um pouco estranho, eu ficava com o ombro tenso e era dificil relaxar. Mas depois de pouco tempo a gente tira de letra, varia posições, e até consegue fazer algumas coisinhas com o bebe no colo.

Aqui em Barcelona, tem mais mamães e tentantes que adoram a blogosfera, e então pode ser que quando apareça Barcelona por aqui, nem sempre seja eu.
Mas sempre que posso te visito. E me emocionei demais com a carta pra tua bebezinha. (ando sensivel!)

beijos carinhosos

Thaís Rosa disse...

menina, eu também era exatamente assim. morria de medo de pegar um neném. nem meu sobrinho eu pegava direito. até ficar grávida, e uma amiga ter neném 6 meses antes que eu. fiz um mega test drive com o filho dela, foi demais. e ela que convidava: thaís, vem aqui em casa aprender a trocar fralda, vem na hora do banho, e por aí ia. daí, depois que tive filho, virei a maior incentivadora dos medrosos que não tem coragem de segurar um bebê: já tirei o trauma de muita gente, empurrando meu filhote para o colo dos tios e tias mais receosos. e todos adoram, claro! obviamente, tem que sentir se o bebê está num momento propício, se ele vai curtir: não saía tacando meu bebê no colo de alguém se eu sentisse que ele não estava a fim. mas percebi que muitas vezes as pessoas tem medo (como nós), por pura falta de estímulo a ir mais fundo no contato com os bebês, que só depois de engravidar e ter o nosso próprio acabamos descobrindo o quanto é bom!! e aí dá vontade de estimular todo mundo a perder o medo também!!! hehehe
agora, outra coisa: eu acho esses protocolos de visita meio furados. pra falar a verdade,acho que são mais pra quem faz cesárea. eu, pelo menos, tive visita desde os primeiros dias, e adorava. além do mais, os primeiros quinze dias do caio foram tão tranquilos - ele dormia MUITO. depois é que ficou mais enrolado, então, se for ver, no meu caso o ideal teria sido visitas até os primeiros 15 dias, e depois, só a partir de 45 dias, por aí... hehehe! só pra dizer que cada caso é um caso, e às vezes a pessoa quer mais é visita, demonstração de carinho, companhia... e pode até ficar chateada se alguém próximo não visitar nos primeiros dias!!!
beijoca

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