Inventei uma pesquisa e juro que é verdade. Tirei os dados da minha cabeça, sem nenhuma base, científica ou não, mas acredito neles. E digo que as mães que têm blog:
- têm mais chances de terem um parto conforme desejaram; - têm maior índice de sucesso na amamentação e amamentam por mais tempo; - compram menos coisas inúteis para seu primeiro bebê; - têm menos chances de desenvolverem depressão pós-parto e maiores chances de superá-la.
Isso porque, quando a gente tem um blog de mãe pra mãe, a gente tem uma rede de apoio e informação. Aprendemos com as experiências das outras e diminui muito a chance de fazermos algumas burradas totalmente evitáveis. E quando a barra pesa, sempre tem alguém pra te dar uma palavrinha de ânimo. É como um daqueles grupos de mães ou de gestantes, só que virtual.
Agora, o maior conselho que vivo lendo em blogs maternos por aí é: siga seus instintos. Melhor que livros, melhor que sites especializados e melhor que muito médico é essa mulherada. Mãe sabe das coisas.
Emília nasceu no verão. Para o desespero de todos, eu a mantinha peladinha, só de fralda, a maior parte do tempo. Talvez fosse agoniante pra algumas pessoas ver um bebê recém-nascido todo descoberto, com os membro magros de fora. Mas eu sentia que assim minha filha estava mais confortável naquele calor que foi um dos mais intensos dos últimos anos.
O inverno chegou e Emília passou a desfilar por aí de meias, calças compridas e casaco, e todos ficaram satisfeitos. Menos eu, que tinha de me desdobrar para sempre achar peças limpas que combinassem entre si. E só as mães sabem como de um dia pro outro você deixa de ter um enxoval completo pra ter só uma ou duas peças que cabem (normalmente calças, blusas e casacos, que vão ficando curtos mas continuam entrando. Bodies e macacões, nem pensar).
Mas eis que este fim de semana o calor resolveu retornar. Eu, feliz e contente, botei Emília de vestidinho e pés descalços. Em casa, depois da papinha, a roupa imunda, voltamos ao topless. E Emília passou o domingão só de fralda.
Fazia tanto tempo que eu não a via sem roupa fora do trocador ou do banho que fiquei bastante impressionada. No início do ano, era Emilinha de fraldona. Agora sobra tanta Emília pra fora da fralda! É um troncão de fora, uma mini pessoinha enorme. Pequena, mas tão crescida!
"Emília está muito bem, sempre sorridente. Está comendo cada dia melhor. Estamos muito felizes (vários corações desenhados)".
Ai, ai. É ou não é pra babar?
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E aí você percebe que seu bebê está crescendo quando:
- o cheirinho de bebê se foi, dando lugar a uma deliciosa catinga de suor azedo; - o golfo começa a ficar com cheiro de vômito, e vem com uns pedacinhos de comida; - o cocô ganha forma de minhoquinha e a cocofobia materna vira realidade; - o nariz tá sempre meio catarrentinho.
Criança é tão nojentinha, né? Ô coisa linda de mamãe!!
Meninas, agradeço enormemente os comentários ao meu último post. Foi muito bom sentir a solidariedade e saber que eu não sou a única que se sente assim.
Mas alguns comentários me chamaram particularmente a atenção e me fizeram pensar bastante. Eles falavam sobre a situação de quem acabou de voltar ao trabalho depois de uma longa licença, e mostravam uma possível relação entre meu sentimento de insatisfação e a saudade da minha filha. Foram comentários muito ponderados e sábios.
Sim, já pensei bastante sobre isso. Mas tenho plena convicção de que meu mal-estar em relação ao trabalho não é algo vinculado à distância da Emília. É algo antigo, que vem se arrastando há anos, que vai e vem como ondas (ou como contrações do parto, que vão ficando cada vez mais próximas e mais doloridas), e que meu marido tem acompanhado bem de perto. Eu mesma documentei todas essas crises por escrito, em um diário pessoal.
Mas não é exatamente sobre minha história que quero falar. É sobre essa constante necessidade que temos de duvidar de nós mesmas, da nossa intuição e do nosso coração, e confiar numa razão que nem sempre é nossa.
Lembrei do livro “A Cadeira de Prata”, de C.S. Lewis, da série Nárnia. Nele, o príncipe vive um encantamento e tem de ser amarrado todas as noites numa cadeira de prata, pois entra em transe e começa a delirar. Ele explica sua história aos visitantes (os heróis da história) e diz que, no período em que estiver amarrado, vai clamar e implorar para ser liberto, mas que eles não devem libertá-lo até que o transe passe. No meio de um desses ataques, ele clama pelo nome de Aslam, o leão que representa a figura divina. Então os heróis entendem que o que ele dizia ser o transe na verdade era seu único momento de lucidez, e que no tempo em que ele estava livre é que o feitiço operava.
Daí eu penso se os episódios de TPM, gravidez, pós-parto não são na verdade grandes oportunidades de descobrirmos verdades dentro de nós. Se essas oscilações de hormônios, em vez de nos deixarem mais fracas, na verdade não nos libertam da tirania da “razão” – não uma razão boa, mas um racionalismo medroso e inseguro. E se a loucura muitas vezes não é mais sábia que a razão.
Por via das dúvidas, escrevo tudo. E, relendo minha história contada por mim mesma, descubro muitas coisas. Assim meu passado vai me ajudando a ser melhor no futuro. Romântica? É. Mas das loucuras, escolho a que me parece mais verdadeira.
Foi bem rápido. Menos de duas semanas de volta ao trabalho e me sinto péssima. Tudo o que parecia tranqüilo tomou novos rumos, e de repente me vi soterrada de funções absolutamente alheias a tudo aquilo que sei fazer ou gosto de fazer. Já disse aqui que odeio administração? Pois odeio. Dêem-me papeis, muitos papeis, e não vou reclamar. Mas me mandem trabalhar com qualquer ferramenta de gestão e estejam certos de me trazerem noites sem sono, um estômago cheio de ácido e muitas lágrimas.
Parece uma bobagem, um sentimento precipitado e influenciado pelo fim da minha licença. Mas de repentina essa sensação não tem absolutamente nada. São quase cinco anos com o mesmo sentimento de inadequação, de estar sendo mal aproveitada, de desperdício de vocação. Tenho qualificações que pouquíssima gente onde eu trabalho tem, e que seriam extremamente úteis para a instituição da qual eu faço parte, mas me é simplesmente impossível colocar isso em prática. Cansei de insistir, e me conformei depois que engravidei com a feliz ideia de que passando sete meses afastada todos aqueles sentimentos desapareceriam.
Eu não entendia por que tinha tanto medo de voltar ao trabalho. Achava que era receio de abandonar minha filha, de que ela não ficasse bem. Mas era mais. Era medo de voltar a uma realidade que muito me fez sofrer, e que me rendeu um quadro de pré-depressão no final de 2008 . Sabe gato escaldado?
E desde a noite de quinta tenho dormido muitíssimo mal, e tenho chorado regularmente. É uma dor enorme, um desânimo, uma completa falta de coragem.
Muitos poderão me perguntar por que eu simplesmente não acabo com isso, e largo tudo. Ou por que não faço uma terapia (já fiz) e aprendo a conviver com essa realidade. Afinal, que capricho todo é esse de querer fazer o que gosta, e que sabe fazer muito bem?
O problema é que toda decisão exige muita prudência. Um emprego como o meu está cada vez mais difícil de conseguir e me garantirá um futuro bastante confortável. Mas vale a pena passar 30 anos infeliz pra depois se aposentar ganhando mais do que eu preciso?
O que me faz faltar a coragem para mudar de vida – e eu sei que posso, sei que tenho o talento para construir uma outra coisa totalmente diferente – é que o sofrimento é intermitente. Se fosse uma depressão daquelas, a gente emagrece, passa meses chorando, quer morrer, eu veria claramente que uma mudança de rumo seria urgente. Mas eu fico mal, fico bem, fico mal, fico bem. E agora vejo que não dá mais pra continuar vivendo nesse pisca-pisca. Tenho uma filha pra criar, e em breve terei outros. E tenho de estar inteira pra eles.
Tenho conversado muito com meu marido e tomamos algumas decisões. Tudo muito devagar, e vejo um fio de esperança. Mas ainda choro, e tenho medo.
Passei sete meses fora e parece que voltei ao ponto em que estava quando saí de licença. A maioria dos colegas continua por aqui e meu trabalho ainda é o mesmo – o que, confesso, me deixa um pouco confortável. Sim, porque não sei se estaria preparada para grandes mudanças nesta fase da minha vida. Ainda estou muito centrada na minha família, e não sei se isso vai mudar tão cedo (nem se vai mudar um dia).
Ainda sonho com outros rumos profissionais, mas sem pressa. Brinco de escrever uma dissertação de mestrado, na esperança de em breve ter tempo pra isso. E sinto a mesma calma que sentia há pouco mais de sete meses, quando eu sentava nesta mesma cadeira com uma barriga enorme.
Mas percebi que estava andando em círculos quando me peguei usando o tempo livre que tinha para ler sobre parto. Exatamente o que eu fazia há sete, oito meses. Não sei se é porque ainda pretendo ter mais filhos, mas a gestação, o parto e a maternidade me transformaram de forma irremediável. Parece que foi ligado um botão que me tornou reprodutora por tempo indeterminado. Se eu não estiver gestante, estarei lactante. Quase como uma carreira.
Existem outras coisas importantes, é claro, como aquele poema que eu ensaio traduzir pra um futuro mestrado. Mas sabe quando você de repente encontra uma vocação, que você não precisa se esforçar nem um pouco pra exercer e que cai sobre você como uma luva, sem que você possa impedir?
E então entendi que a maternidade é irrevogável, irrenunciável e irresistível.
Uma das poucas vantagens de passar o dia inteiro longe do seu filho é que aquilo que parecia um “mau hábito”, em vez de desencorajado agora pode ser estimulado. Digo “maus hábitos”, assim com aspas, porque eles em si não têm nada de maus. Apenas são incompatíveis com nossa rotina moderna, pra infelicidade dos nossos bebês.
Mas agora que Emília está na escolinha, sobrevivendo mais que bem, comendo, tomando leite no copinho, dormindo e sorrindo, enquanto estiver comigo eu quero mais é incentivar esses lindos “maus hábitos” que ela tem:
- dormir no peito; - mamar de hora em hora; - só se alimentar do meu leite.
A conclusão a que cheguei é que carinho e aconchego não têm nada a ver com dependência. Quanto mais segura ela estiver do meu amor, e de que estarei sempre disponível pra ela, mais independente ela será.
E é assim que eu quero nossa relação: que ela me queira por perto por amor e afeto, e não porque não sabe ficar sozinha ou com outras pessoas.
P.S.: Claro, no fim de semana eu dou as comidinhas, e ela segue comendo super bem. Mas durante a semana, depois das 17h, é só peito!