quinta-feira, 12 de abril de 2012

Por que sou contra publicidade para crianças

Visualizem: um bebê de sete meses com SEIS dentes rasgando ao mesmo tempo, a gengiva na carne viva, sanguinho, noites em claro. Some-se a isso introdução de alimentos total fail, pra não perder o costume. E uma filha de 2 anos e pouco que resolveu que não quer mais comer as sopas congeladas (que toda a família come) na janta: quer arroz, feijão, tofu e cenoura. Que eu tenho de cozinhar.

Daí eu passo dois dias sem mexer na internet, e numa passada rápida pela minha bloglist vejo que está rolando uma blogagem coletiva sobre um dos meus temas preferidos: crianças, consumo e publicidade.

Estou num nível avançado de perda total, razão pela qual não argumentarei tanto nem tão bem quanto gostaria. Então vamos logo ao assunto: minha posição é totalmente a favor da proibição de toda e qualquer propaganda/publicidade direcionada ao público infantil. Pode fazer propaganda de produto pra criança, papinha, brinquedinho, porcaritos? Pode, mas em horário noturno, sem desenhinho, sem musiquinha infantil, sem cores atraentes. Para que os pais decidam. E mais: que também a publicidade de produtos para adultos não venha travestida de apenas mais um filminho alegre, quando na verdade está fazendo um apelo para a faixa etária mais vulnerável. Pra que o filhote depois venha pedir pro papai comprar aquele carro legal da propaganda legal, sabe?

O argumento de quem é contra a proibição é de que esse não é assunto do Estado. Ora, o papel do Estado é proteger o mais fraco da relação, aquele cidadão que não pode se defender sozinho. Crianças, aí estão vocês. Dizem que cabe aos pais educar e proteger as crianças. Se um pitt bull anda sem focinheira por aí, eu posso não conseguir impedi-lo de arrancar o braço do meu bebê. Está na hora de botar a focinheira nos pitt bulls.

Por falta de condições físicas pra ir mais longe, termino com um trecho de uma reflexão que escrevi tempos atrás, sobre como educar nossos filhos para o consumo consciente:

"Propaganda para crianças é covardia tanto para os pequenos quanto para os pais. Os filhos de repente descobrem que não podem ser felizes como estão, e que precisam disto ou daquilo para encher algum buraco. E os pais são bombardeados com demandas e mais demandas e, se não cedem, ganham o papel de vilões.

(...) Proteger meus filhos do consumismo é protegê-los da insegurança, de achar que eles só terão importância se forem como algum publicitário decidiu que eles devam ser. É mostrar a eles quão valiosos eles são, da maneira como são."

5 comentários:

Adriana Engelmeyer disse...

mais uma vez amoooo seu post....bjus

Fernanda disse...

Concordo 100%.
Só um adendo: aqui na Suécia é probida qualquer propaganda pra criança.
O canal infantil SVTB que a grande maioria assiste, simplesmente não tem propaganda.

Renata disse...

Só passei pra mandar muitos e muitos beijos pra essa família linda que eu já conheço ha taaaaaaaaanto tempo.
Me deu uma saudadinha dos velhos tempos de blog!!!
beijos, beijos

Cíntia Anira disse...

Lia, eu lembro da primeira vez que você escreveu sobre esse assunto e fiquei bege com a postura da sua família. Admirável! Infelizmente a maioria não é assim, mas seria muito interessante se os pais pudessem passar esses valores para os filhos. Eu, que nunca tive esses critérios e vim aprender "depois de velha" alguns princípios sobre consumismo, adoro ler relatos como seu.

beijo

Mommy Hoff disse...

Adorei. Aquele canal Discovery Kids mesmo é o fim da linha!!! Proibi na minha casa por causa das propagandas. É de enlouquecer. Enquanto o Estado não protege as crianças, a gente vai protegendo à nossa maneira...

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