sábado, 19 de março de 2011

O bolo, o pão de queijo e o primeiro estresse na creche

Sexta-feira fui buscar Emília na creche e recebi a notícia de que, depois de algumas semanas sem morder ninguém, ela havia abocanhado o nariz de um coleguinha, deixando uma marca muito feia, sangue e tal. O motivo? Ela queria o pão de queijo dele.

Há algumas semanas, havíamos sido chamados à escola para discutir os possíveis motivos de Emília estar mordendo repetidamente os amigos. Uma das hipóteses que a psicóloga colocou seriam as restrições alimentares dela, o que muitas vezes a leva a querer pegar o lanche dos outros. Depois dessa conversa, sem nenhuma intervenção, ela simplesmente parou de morder. Pode ter a ver com os molares que finalmente pararam de sair.

Então aconteceu. Uma festa de aniversário de uma das educadoras, salgadinhos que ela não podia comer, um biscoito substituto que ela receberia e que desapareceu, Emília sem nada, colegas com pães de queijo, enfim, momento selvagem. Mais uma vez, mencionaram as restrições. E parece que a solução é muito simples: eu deixo Emília comer de tudo o que oferecem na creche, e tudo se resolverá.

O problema é que nem tudo que é servido para as crianças de 1 a 2 anos é saudável. Em alguns lanches, tem bolo – que é feito lá, tem pouco açúcar, nunca leva chocolate ou cobertura e tem opção sem leite. Mas é bolo, e tem açúcar cristal, e manteiga ou margarina. Em outros lanches, o que eu acho pior, tem pão de queijo. Também é feito lá, mas o mais “saudável” dos pães de queijo ainda é cheio de gordura saturada e sódio. E, óbvio, contém leite de vaca, que não acrescenta nada para um bebê que mama no peito além de uma maior probabilidade de ela desenvolver alergias ou intolerância.

Lá eles têm dois cardápios: um para bebês até 1 ano, e outro para crianças de 1 a 6 anos. Pão de queijo e bolo caseiros podem ser boas opções para uma criança de 6 anos, mas são alimentos inapropriados pra uma de apenas um.

Conversei com a nutricionista – de quem eu gosto muito –, e ela explicou os ingredientes de cada alimento. Também explicou que em festas há várias restrições (não pode refrigerante, salgados fritos, empadas, bolos com recheio), mas os pais nem sempre respeitam. Mesmo assim, discordo do cardápio.

Minha chateação, que terminou em lágrimas na sexta à noite, é que me senti pressionada a introduzir precocemente alimentos que eu considero inadequados para a idade da minha filha. Porque somos vegetarianos, talvez possamos passar a impressão de sermos aqueles pais neuróticos, que querem isolar os filhos do mundo, que gostam de ser diferentes e tal. Olha, eu não gosto de ser diferente. Aliás, detesto. Adoro, por exemplo, o fato de que a maioria esmagadora dos pais acha errado o filho bater, xingar, roubar. Olha, que legal, eu também acho! Mas eu acharia muito mais legal se o mundo todo preferisse alimentos saudáveis, e que gostosuras adocicadas ou gordurosas fossem reservadas para ocasiões especiais, sempre com moderação. Com certeza seria muito mais fácil, e eu não “inventaria” de ser diferente, oferecendo Coca-Cola à minha filha só pra contrariar.

Nos anos 50, as propagandas de Coca-Cola eram direcionadas para bebês (vejam aqui, no Comer para Crescer). O anúncio diz que estudos científicos comprovam que pessoas que bebem Coca-Cola desde a primeira infância têm mais chance de serem bem aceitos socialmente. E todo mundo dava. E porque todo mundo dava, estava certo?

A nutricionista explicou que a maioria dos pais reclama do contrário, que as festas têm muitas restrições, e dão frituras e outras tranqueiras pros filhos numa boa. Mas só porque a maioria dá, não significa que está certo.

Quem acompanha meu blog sabe que procuro sempre exercer uma maternidade consciente. Tento não projetar meus desejos, minhas inseguranças, minhas neuras na minha filha (ainda que seja impossível fugir disso 100%). Busco estudos científicos, recomendações do Ministério da Saúde, da OMS, da Sociedade Brasileira de Pediatria, seleciono bons livros, tenho um blog e ouço as outras mães. Então, a decisão de não dar açúcar, leite de vaca ou gordura saturada pra minha filha até os 2 anos não é uma paranoia, um medo de que ela engorde (nunca tive problema de peso, nem pra cima, nem pra baixo, pra ter esse tipo de trauma), uma busca pela perfeição. Foi uma decisão tomada com base no que eu estudei, orientada pelo nosso pediatra. Simplesmente considero desnecessário oferecer alimentos nocivos à saúde para quem tem um paladar virgem, aberto a tudo, e que ama qualquer coisa saudável. Será que alguma criança menor que 2 anos reclamaria se no lanche da creche só tivesse frutas e pão? Duvido. Nós é que projetamos os nossos gostos neles, e por isso tanta gente se horroriza quando vê Emília comendo um rabanete (até eu, trem amargo, mas ela gosta!). Eu odeio cebola e caqui, mas amo que ela goste dessas coisas.

Minha opinião? A creche não deveria oferecer bolo e pão de queijo para crianças menores que 2 anos, nem permitir festas com alimentos fora do cardápio. Mas isso vai mudar? Provavelmente não. E o que eu faço? Esse é o motivo das lágrimas.

Procurar outra escola seria uma opção. Mas acho que a decisão de trocar um filho de escola tem de ser muito bem pensada, porque é outra adaptação, e uma grande chance de se frustrar outra vez. Nesse embalo, corremos o risco de ficar trocando repetidamente o filho de escola, e às vezes os prejuízos são maiores que os benefícios. Além disso, eu teria de achar uma instituição que oferecesse um cardápio melhor que essa. Tirando esses dois alimentos, o resto do cardápio é maravilhoso, balanceado, a comida é quase sem sal e muito gostosa (já provei). E eles dão alimentos sólidos desde o começo pros bebês, nada de sopas ou purês, o que incentiva a mastigação. Eles sempre têm uma opção alternativa para quem não come carne (o que, por incrível que pareça, não costuma gerar conflitos, porque a soja é visualmente muito parecida com a carne e Emília não percebe que a comida dela é diferente). E isso foi um dos principais motivos pelo qual coloquei minha filha lá: eles aceitam crianças com restrições alimentares. Inclusive, quando tem pão de queijo ou bolo, eles trazem um biscoito, um pão, uma tapioca, ou outra alguma coisa para ela.

O que tem me incomodado é que, apesar de aceitarem a restrição, eles parecem não conseguir lidar muito bem com os problemas que aparecem. É como se eles me dissessem: “nós podemos dar outros alimentos para sua filha, mas isso gera consequências negativas para todos”. Ou seja: pode ser diferente, mas não pode. Essa dificuldade de lidar com a diferença me fez sentir desamparada.

Sei que não deve ser simples pras educadoras, por isso tento ser flexível. Autorizei um biscoito que leva açúcar, mas mascavo, por minha conta. E prometi que conversaria com o pediatra dela sobre a possibilidade de liberar o bolo. Vou perguntar a ele qual será o prejuízo maior: a saúde dela ou esse momento de inserção social. Mesmo assim, faço contra minha vontade, porque, como eu disse, não compreendo por que oferecer açúcar a um bebê, que come de tudo. Sei que, comendo os bolos “leves” da creche, ela vai começar a pedir bolos comuns, de chocolate, com cobertura etc. e tal, porque vão ser parecidos com os que ela come na creche. Mas tudo bem, eu sei lidar com isso, sempre vou a festas, levo a comida dela e fica tudo numa boa. Quando tem fruta, pipoca ou alguma coisa que ela possa comer, dou também. Agora, o pão de queijo não tem a menor condição.

Quanto às festas, vou ter de pedir pra elas ficarem mais atentas à Emília, porque é simplesmente descabido pra mim autorizar salgadinho de padaria, com ingredientes desconhecidos (banha de porco? Gordura vegetal hidrogenada?). Minha vontade era buscá-la mais cedo toda vez que tivesse festa, pra evitar esse estresse. Infelizmente nem sempre dá pra fugir do trabalho. Mas quanto a isso, vamos ter de achar uma solução, nem que seja chamar alguém da coordenação pra tirar Emília da sala e levá-la pro parquinho.

Pra quem teve a paciência de me ler até aqui, obrigada por ouvir meu desabafo. Não quero discutir alimentação infantil nem pregar uma dieta específica pros filhos de ninguém. A questão é: até onde bater o pé sobre nossas convicções e até onde ser mais flexível? O que buscamos é o melhor pros nossos filhos. Mas nem sempre as decisões são fáceis de tomar. Às vezes, ser adulto é uma droga.

28 comentários:

... disse...

Nossa Lia, total me identifiquei!
Aurora ainda não vai pra creche, só no semestre que vem, mas já sinto um pouco disso com relação à família do meu marido. todo mundo botando pressão e palpites não solicitados pra dar carne.
Sabe, a meu ver, se essas situações que envolvem pão de queijo forem esporádicas, eu até deixaria, mas não deixaria carne.
Pq vc não inventa uma alergia?
Aqui onde eu moro é interior, então certamente não teremos essa opção de pedir pra não darem pq eles vão dar. A saída que eu arrumei é, assim que ela entrar na creche, inventar umas alergias pq aí nego pára de enxer o saco.
tb acho descabido esse tanto de açúcar pra criança pequena, mas eles dão mesmo, e acho que não vai adiantar muito vc se rebelar... talvez se vc sugerisse/levasse uma receita sem açúcar? ou um pão de queijo vegano (costuma ter menos porcaria)?
bom, sei lá, são só ideias.
beijocas,
Aretha

Ivana (Coisa de mãe) disse...

Lia, coisa chata mesmo. Entendo você perfeitamente. Mas aqui em casa a briga é com os outros (avós, tios etc.) que já deram pão de mel e chocolate Bis pra João, que só tem 1 ano e cinco meses. Fico pirada com isso. Acho esses alimentos tb completamente desnecessários para uma criança menor de 2 anos (inclusive as minhas filhas só experimentaram chocolate depois dessa idade).

Será que não seria o caso de vc preparar as refeições dela em casa e levar para a creche, como vc faz em aniversários? Porque parece que a creche não tá ajudando muito,na verdade, ontrariando as escolhas que fez para sua filha, que devem ser respeitadas indiscutivelmente. Se Emília está bem adaptada à creche, talvez valha a pena tentar mandar as refeições dela de casa e assegurar que ela continue convivendo com as crianças as quais ela já se acostumou. É claro que se chegar a um ponto insuportável, não havera outra alternativa senão mudá-la de escola.

Que no final das contas tudo de certo e voces possam resolver tudo com serenidade!

bjo!

Lia disse...

Ivana,
O problema não é a falta de alternativas. Eles fazem outras coisas quando a criança não come o que é oferecido. O problema é que às vezes a comida é visualmente diferente (tipo uma tapioca x um pão de queijo), e óbvio que ela vai querer comer a comida dos outros.
De todo jeito, seria muito complicado eu levar comida de casa porque trabalho o dia inteiro e só tenho diarista 2x por semana. Mal consigo cozinhar pra mim... por isso pago uma creche que oferece todas as refeições.
bjos

piscardeolhos disse...

ai, cacete, escrevi um comentário semi post e se perdeu!!!

Patricia disse...

Lia, veja se te ajuda.
Minhas sobrinhas tomam refrigerante e Mariana só toma suco de fruta natural, quando muito suco de uva integral. Detesto suco de caixinha, acho o fim, pior que pão de queijo pra vc...
E sempre soube que chegaria um dia que Mariana ia querer o refri das primas.
Com dois anos o dia chegou. Pediu. Eu dei. Ela tomou coca-cola como se fosse a última bebida da terra. Mas foi só aquele dia, porque em casa a gente não toma refrigerante. Uma outra vez pediu de novo e constatou: não gosto de coca-cola mamãe. Ou seja, não estimulamos o hábito, porque não é nosso costume, mas também não proibimos, o que torna TUDO mais gostoso.
Tenho fé que nossas escolhas influenciam nossos filhos mais do que tudo nessa vida. Eu me arrisquei oferecendo o refrigerante, ela podia ter adorado pra sempre. Mas deu certo.
Na escola também tem criança que come bolacha recheada, outra coisa que abomino. Mas achei que ela podia estar sentindo vontade e até sugeri à professora que oferecesse, se visse que ela havia se interessado. A professora ofereceu, ela experimentou e (graças) não gostou.
Talvez Emília coma um pão de queijo vez ou outra e pare por aí. E não adianta trocar de escola, porque eles estão aí, no mundo. Uma hora a oferta do proibido chega. E só muita base que vem de casa pra formar um convencimento legal, moral e saudável.
Boa sorte! Não sofra! beijos querida

flavia disse...

Lia, concordo com vc e ainda faço outra pergunta: por que é tão difícil as pessoas aceitarem e respeitarem nossa posição tão benéfica para a criança? bjs e boa sorte!

CAROL ROSSI disse...

Oi Lia, entendo pelo que você esta passando perfeitamente, e o meu caso é pior ainda, por que moro em uma cidade bem pequena com poucas opções de escolas. Meu filho Paulo vai fazer 3 anos em abril, sempre cuidei e cuido muito da alimentação dele, na escolinha que ele vai cada um leva seu lanche, e você acredita que várias mães mandam salgadinhos, tipo elma chips, e refrigerante!! E nos aniversários sempre tem bolo, salgadinhos fritos e refrigerante tb. Eu mando pra ele um lanche separado. E quando ele ve um refrigerante ele se refere a esta bebida como essa coisa horrívia ,sem nunca ter tomado, acho que tudo depende de como é o hábito dentro de casa, a criança se acostuma e depois mesmo que ofereçam essas coisas para ela, eles não comem.
Beijos e boa sorte!
Carol

Taiza disse...

Lia, entendo totalmente sua angústia!

Tb sou como vc e não dou pra minha filha alimentos que não são saudáveis ou que eu não acho adequado pra idade dela (e olha que ela já tem 2a3m!). Mas, como tudo na vida, temos que ser flexíveis, pois o que é proibido se torna tb o mais atraente.
Por aqui eu faço assim: em festas abro uma excessão pra coisas que julgo não tão mal assim, deixo comer pipoca, pão de queijo, algum salgado assado de queijo ou legumes e suco de caixinha, mas refri, fritura, docinhos e bolo nem pensar!!!
Por incrível que pareça minha filha nunca pediu pra provar essas coisas, pois ela já entende que tem coisas que ela não come porque não fazem bem.
Porém, para chegar até esse ponto tive que ter muito jogo de cintura e paciência (para que o tempo passasse e ela fizesse logo 2 anos) pois depois dos 2 anos o paladar da criança fica mais seletivo e menos vulnerável, por exemplo, ela já experimentou gelatina e sorvete (já com 2a) e não gostou porque achou o gosto "estranho" (muito artificial pra um paladar tão natureba!), mas essas foram as duas coisas da minha lista-negra-de-guloseimas-proibidas que eu deixei ela experimentar, justamente porque achei que ela não iria gostar (e acertei)!

Bem, minha conclusão é que acho que temos sim que abrir excessões e que isso não quer dizer que eles vão preferir esses alimentos ruins aos bons que eles já estão acostumados, mas que sua filha é muito nova ainda pra maioria das excessões. E que vc não tem que ceder à escola não, pois é a saúde da sua filha que vc está resguardando num mundo com índices cada vez mais altos de diabetes, hipertensão e obesidade infantil. Acho válido vc tentar conversar na escola sobre outras opções, de repente até lançar um desafio à nutricionista: elaborar receitas com ingredientes mais saudáveis e que agrade o paladar das crianças, e por que não pedir mais rigor no que é servido nas festas?

Ah, e se vc achar uma escolinha que sirva exclusivamente comidinhas saudáveis me avisa, tá?! Porque eu não conheço nenhuma em Bsb!

Bjão

Isis Coelho disse...

Nossa Lia, te entendo perfeitamente. Eu tbm sou muito criticada por não querer dar nada de açúcar para minha pequena. As avós - tanto minha mãe quanto minha sogra - sempre querem dar gelatina, pudim, sorvete para minha bebê (que tem apenas 10 meses).
tenho amigas que dão miojo e salsisha para seus bebês de 1 ano.
Eu bato o pé mesmo e não dou.

O difícil é que todos nos olham como ETs. Como assim ela ainda não toma coca-cola? - foi um dos absurdos que eu já ouvi.

Mas força aí. Ela vai querer provar de tudo. Acho até saudável. Mas tudo a seu tempo, não é mesmo?

beijos
Isis e Amelie

lolo disse...

Acho um porre ser adulta também! Mas acho o fim a creche querer impor algo a vocês, é a sua família que tem que decidir como agir e a creche seguir as orientações, e não o contrário. Estou sofrendo muito com a Larinha gripada e um pediatra que passou uma lista de remédios fortes demais para o meu gosto!! Acho que vou trocar de pediatra!

Paloma, a mãe disse...

É por estas e outras que eu acho que criança só deveria entrar na escola com 2 anos. Antes disso, ELA não tem necessidade, pode conviver com crianças nas praças, parques e aulinhas avulsas (música, natação). Daí a gente cria para elas uma necessidade que é nossa e ainda se frustra porque a escola não é - e nunca será - como nossa casa.
Enfim, licença maternidade escandinava djá!
Beijos
P.S. E digo isso por experiência própria: a Ciça foi pra escola de cardápio dito balanceado com 18 meses, comeu porcaria numa festinha e passamos a noite internadas tomando soro, de tanto que ela vomitou. Não desejo isso para ninguém.

Thaís Rosa disse...

putz lia, abraços solidários do lado de cá...
mas, olha, sinceramente, essa creche já é um oásis, pelo que você contou que eles toparam fazer em relação à alimentação da Emília... A creche do Caio, que é pública (da universidade), e oscila entre posturas incríveis e algumas ainda um pouco complicadas, na minha opinião, na primeira reunião com os pais deixou bem claro que não adotaria dietas diferenciadas com as crianças (a não ser em casos de alergia ou outra indicação médica). Não aceitariam restrições vegetarianas nem religiosas. Confesso que aquilo me chocou, mas eles argumentaram com a questão operacional da creche, a logística toda do atendimento às crianças. Acabei até entendendo o lado deles (como você também entendeu e comentou no post), mas não concordei, porque lá, no caso, não há nem a opção de mandar a comida de casa. Mas, após conversar com os pais, a alternativa foi possibilitar que os pais pudessem pegar a criança na hora do almoço, e levá-la de volta. Mas ainda teriam os lanches, o que não alivia muito o problema.
Recentemente, sofri dificuldade semelhante em relação às vacinas (caio segue um calendário de vacinação diferenciado, acordado com nossa pediatra), mas até que consegui chegar num meio termo. E com a alimentação, também ando incomodada (pois descobri recentemente que estão dando leite achocolatado praticamente todas as tardes para as crianças), e vou agendar uma reunião para tratar do assunto ainda essa semana. Ou seja, por mais que a gente não queira, ou não goste, de ser "diferente", a gente é, bastou pensar criticamente sobre o que as pessoas consideram normal para já ser "diferente". Você vai enfrentar isso em relação ao parto, pode esperar.
O fato é que temos que ir escolhendo as batalhas... eu pelo menos tenho pensado assim. Depois que Caio fez dois anos, reduzi significativamente as batalhas compradas com os avós: eu cedi um pouco, eles passaram a me respeitar ainda mais. E acho que na escola é a mesma coisa: repito que você conseguiu um lugar muito bacana pelo que eu já vi por aqui (e tenho muitos amigos vegetarianos). Eu dei a sorte de até praticamente Caio completar 2 anos ele ficar numa fazenda, que é um centro de yoga, alimentação vegetariana e natural, quase tudo produzido no próprio local. Mas, depois dos dois, foi pro mundo real, e dá-lhe bolo, achocolatado e afins... Mas eu faço minha parte de mãe chata e reclamo mesmo, quem sabe muda alguma coisa...
força aí.
beijos

Melissa disse...

Lia,
Entendo totalmente. A Alice ainda nao tem nem um ano e ainda nao freqüenta a escolinha e eu sofro a maior pressão social dos dois lados da família (minha e do marido) que mordente pena, porque eu nao dou absolutamente nada de acucar pra ela. Apesar de explicar mil vezes eles
Nao conseguem ou fingem nao entender.
Ate o dia que a sogra deu acucar refinado pra Alice quando eu nao estava olhando. Estávamos num restaurante e ela deu direto daqueles saches. Da pra acreditar? Quem veio dedurar foi o priminho de 4 anos. Quase enfartei ali na mesa. No mínimo é falta de bom senso, Dei um super gelo, reexpliquei nossas convicções.
Agora, me explica como vou ter coragem de deixar a Alice sozinha com ela?

Beta, a mãe disse...

Olha Lia, com a Bia eu consegui mantê-la longe do açucar por um bom tempo e quando não deu, pra minha surpresa, ela não curte nem um pouco, come pouco ou nada. Gosta mesmo é do salgadinho da comida. Que come mal, isso é dela. Desde a introdução das papinhas, ela nunca curtiu purês ou sopas. Só os sólidos, e era dar uma coisinha mais natural pra ela pra cospir e fazer escândalo. Mais escandaloso mesmo foi o médico que fui hoje recomendando dar docinhos de mamão, abóbora e afins pro Leo com seus 9 meses. Nem preciso dizer que não volto né? Beijos e boa sorte na sua empreitada.

Micheli disse...

É difícil mesmo, Lia. As pessoas não entendem quem escolhe dar alimentos saudáveis, porque a maioria não está nem aí.
Nem toda escola que oferece alimentação inclusa tem nutricionista ou alimentos diferentes a oferecer. Sendo assim, acredito que trocá-la não será o melhor, a menos que você realmente encontrasse uma escola melhor ainda nesse quesito. E pode ser que as outras educadoras também tenham dificuldade em lidar com as diferenças.
Nas festas de aniversário na escola da minha filha liberam tudo, até refrigerantes! Doce a Clara não aceita praticamente nenhum até hoje, então não me preocupo tanto, mas sei que ela vai comer o salgado. Mas ano passado reclamei e segui mandando o suco dela nos dias de festas e deixei bem claro que refrigerante não podia. Reclamei até na direção que não deveria poder nem em festas, já que nos demais dias não pode. Ficaram me olhando com cara de tacho... Aceitaram que a Clara não podia, mas com certeza me acharam uma ET. É revoltante mesmo.
Gosto muito da escola, mas para ser o mundo perfeito como eu gostaria eu poderia trocá-la de escola mil vezes e não encontraria o ideal da minha mente...
Beijos.

Quésia Tamara disse...

Lia, sou sua amiga e posso falar. Uma chatice estas suas restrições alimentares. Você prefere que ela coma o nariz dos coleguinhas do que uma comidinha gordurosa?? rsrsr... Se vc deixar a Emília um dia comigo para eu cuidar vou encher ela de pão de queijo e coca cola rsrsrsr...

Ana Paula - Journal de Béatrice disse...

Lia querida...
Dificil né?
Tb sou chata com alimentação e a Bê esta numa fase bem seletiva, mesmo com opções saudaveis. Fase que passa, eu sei.
Ela (hj com 22 meses) nunca experimentou refri, miojo, salsichas, frituras, balas-doces, bolachas recheadas (ou eu faço ou compro a que tem cerais). Ja fiz bolos, mas não uso açucar refinado (não tenho coragem de dar isso para ela e, consequentemente, nossos habitos em relação ao açucar mudaram). Chocolate ela ja experimentou e adora, mas isso não faz parte do dia-a-dia dela.
Eu acho a questão alimentar prioridade e deve ser respeitado. Entretanto, acho, tem que haver um pouco de flexibilidade. Acho dificil poupar 100% a Emilia, princialmente nesses episodios de pão de queijo ou eventualmente, os bolos feitos na creche. Nao estou falando para deixar pra la e liberar geral, mas ela tera vontade de comer o que outros comem. Ai Lia que dificil hein... Imagino a sua aflição...
Estou torcendo para a melhor solução desse impasse.
: ) Beijos
Ana e Béatrice

Fabi disse...

Lia, querida, super me identifiquei.

Hoje mesmo fui numa reunião na creche da minha filha para discutir o cardápio do lanche composto 100% por pães,bolos e biscoitos,polpas de fruta adoçadas e Nescau. Ela tem 2 anos,está indo para a escola agora e tem o hábito de lanchar frutas variadas e aceita super bem.Além dela começar a comer porcaria provável passar a não aceitar mais as frutas em casa. O que ouvi da nutricionista é que as crianças nesta fase não aceitam mais fruta pois não têm o hábito em casa.Ou seja a escola vai tirar um hábito saudável da minha filha, porque a maioria dos pais não estão nem aí para isto. Pedi que fosse oferecido a ela o lanche do berçario de fruta e eles vieram com este mesmo papo da creche da Emilia,que a diferença pode fazê-la se sentir discriminada..blá blá blá...que iriam avaliar a possibilidade. O F@# é vc ser obrigada a se inserir num esquema merda para não comprometer a inserção social. Façam-me o favor eles que fizessem palestras educativas para os pais destas pobres crianças. E não nós termos que nos adaptar a esta triste realidade nutricional. Fabiana

Anne disse...

Poxa vida...
fiquei ensaiando comentar.
fiz matricula do joaquim hoje na escolinha.
só fiz a matrícula pq foi garantidp que elas vão respeitar todas as minhas restriçóes.
mas com um tanto de experiência com escolas, sei que para os professores é mesmo melhor que o tratamento seja unificado... não sei quando eles vão começar a me pressionar, mas sei que vão.
não consigo te ajudar com uma dica, mas me questiono, crianças que tem intolerância à lactose mordem do mesmo jeito... e aí? dá-se biscoito de nata para elas pararem de morder?
criança que come de tudo também morde... e nessas, colocar a culpa no que?
essa é minha maior preocupação com a escolinha... estou chateada junto com você, mas acho que (assim avant gard do jeito que vc é) não precisa se intimidar com essa pressão. as mordidas são muito comuns nessa fase. bastava que alguém estivesse mais "de olho" nela.
e passam...
:(
bjo

Le Greco disse...

Lia, sou psicologa e mae da uma menina de 1 ano e 08 meses e sigo sue blog ha muito tempo!!! Nao sei se conseguirei te ajudar pq nos é que temos que saber o que é melhor para nossos filhos! Como psicologa que ja trabalhou em escola com crianças pequenas o que posso te dizer é que é muito dificil preserva-los de comer o que os outros comem... ja vi muita criança pegando o lanche do colega pq nao podia comer aquilo em casa!!! E as vezes é dificil mesmo para a escola controlar... Acho que isso pode influenciar o comportamento da Emilia, mas tb acho complicado condicionar algumas atitudes dela apenas a isso!!! Como mae, sinceramente, concordo com a Patricia. Temos que fazer a nosso parte, oferecendo um alimentaçao o mais saudavel possivel, mas em algumas situaçoes nao vejo problema flexibilizarmos!!! Em ocasioes especiais comer algo que nao esta acostumado, nao penso ser prejudicial e isso tira a coisa do lugar de proibido (que acaba sendo muito atraente). Acho que desde cedo conscientizar a criança do que pode e nao pode e o pq disso é mais importante do que so proibir. Minha filha ja experimentou algumas coisas que nao pensava em dar tao cedo, mas seus habitos alimentares nao mudaram pq essas coisas nao fazem parte da nossa rotina. Ela almoça super bem e segundo a professora é a criança que come fruta com a melhor boca da sala!!! Nao sei se te ajudei, mas sou a favor da flexibilizaçao responsavel, se podemos falar assim... rs

Ana disse...

Eu não ofereci açucar ao Lucas até os 2 anos. Após isso ele mesmo não quer.
Mas tem uma diferença. O meu só foi com 4 anos para escola.
Se tivesse que colocar antes tenho certeza que passaria por esse estress, essa angustia que vc tá passando.
Não sou chata, não quero obrigar, dar lições a ninguém sobre como alimentar seus filhos.
Na festinha dele na sexta por exemplo eu levei tudo que a maioria das crianças gostam e que a escola só libera nas sextas:
Chocolates, doces, cachorro-quente, coca-cola, etc. Mas levei também suco, biscoitos de água e sal, de maizena e frutas pq meu filho não come nada disso. Nem o bolo ele come. As tias ficam espantadas. O povo acha estranho.
Mas eu não tô nem aí, nem ele. Rs
Mas isso pq já tem paladar formado.
Vai ser dificil, vai ser duro mas se mantenha firme nas suas metas do que é melhor para ela.
Converse com a escola novamente. Se existe um problema eles tem que procurar um meio de achar uma solução. E se a Emilia fosse celíaca? Eles deixariam ela comer bolo? A escola tem obrigação de saber lidar com a diversidade de maneira igual.
Beijos!

Tchella disse...

Olá minha querida inspiraçao! Como voce está, adoro quando voce surge assim cheia de post compridos e me faz pensar (e concordar). querida inspiraçao passei para dizer que te amo. bjo me liga :)

Tchella disse...

a proposito, como foi a festa de um aninho da emilia? qro ideias, oq vc serviu de comida??

Luíza Diener disse...

olhando pelo lado poliana, podia ser mto pior. podiam dar balinhas e chocolates à emília. ahahahaha!

e sem ter lido esse post, fiz com vc o tal comentario na festa.

Marina disse...

putz! fiz um comentário giga que acho q não foi...
ai, resumindo: compartilho e solidarizo!
bj e saudade!

cadeteresa disse...

Lia,

sempre penso nisso: em quando nossos filhos forem pra casa uns dos outros sem os pais e tivermos que ensiná-los a lidar com o diferença dentro de casa, sem ser cada-pai-olha-o-seu-filho.

Acho que a escola da Emília pode muito bem adotar receitas que a incluam, por exemplo, bolos com açúcar mascavo, e pouco; ou o tal do pão de queijo mais natureba.

Mas também sou a favor de certa flexibilização em ocasiões especiais, naquilo em que você não for radicalmente contra.

Eu e minhas irmãs fomos educadas assim e é o que eu de certa forma já estou fazendo com a Teresa (que já toma água e come frutas quando poderia estar só no peito - é que eu realmente preciso que ela saia do peito de vez em quando!!!!). Mas por enquanto meu dilema é totalmente saudável!!! bjs solidários

Desconectada disse...

Lia,
Vida difícil a das desbravadoras e daquelas que remam contra a maré. O posso dizer é que este é apenas o início da convivência escolar. Tenho sempre a sensação de estar remando contra a maré. Bata o pé e coloque para a creche que ao contrário de ceder para os outros pais, porque não ceder para o seu lado, que é a opção mais saudável? Por que o açúcar tem de vencer sempre? Força, querida!
beijos,
Patricia
www.comerparacrescer.com

Carolina Darcie disse...

Lia,

Eu tenho uma filha com severas restrições alimentares, e é por culpa de uma condição de alergia alimentar mesmo. LUTO contra as festas na escola, mesmo porque ela não tem dois anos, e acho descabido, um absurdo, pessoas levarem bolos e doces feitos SABE LÁ ONDE pra minha filha comer.

Mesmo se ela não tivesse alergia alguma, eu ia achar tenebroso.

Por que diabos é tão importante fazer festinhas de aniversário nas escolas? O cardápio deve sim ser respeitado.

Nossa situação até foi matéria de jornal, aqui:

http://www.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=465671

Adorei seu blog.

Bjos

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