segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A casa vazia

A gente passa meses tentando achar um tempinho pra si mesma, sem medo de interrupções. Agora, que finalmente tenho, não sei o que fazer.

Emília está lá na creche e eu fico de férias até amanhã.

Muito estranha a casa sem ela. Muito estranho estar aqui no computador sem a babá eletrônica ligada e os ouvidos alerta. E eu aqui, com todo o tempo do mundo pra mim, contando os minutos pra ir buscá-la.

domingo, 8 de agosto de 2010

Minha família

"Concluo que devo ter sido muito infeliz até ser mãe", escreveu a Nina. E me identifiquei quase completamente, se não fosse uma diferença entre nós: a Nina primeiro se completou como mãe, depois como esposa. E comigo foi ao contrário. Primeiro veio ele.

É forte dizer que éramos infelizes. Mas isso é verdade no sentido de que vamos crescendo, nos desvinculando dos nossos pais, e isso gera um vazio dentro de nós. Um vazio que, pra mim, só foi preenchido quando o encontrei. Foi minha primeira grande alegria de adulto. A segunda foi ela. Nossa menina. Minha e dele.

E eu, que era apaixonada por este homem, me apaixonei de novo por esse pai.







































(Bem que tentei economizar nas fotos, mas não deu.)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O quarto dia

Pensem numa pessoa feliz: sou eu. O quarto dia de adaptação de Emília na creche foi maravilhoso. Já chegou curtindo a aulinha de música e passou a manhã exibindo os dentinhos e o sorriso em forma de D. Chorou só na hora de tirar a roupa pro banho, porque estava com sono. Depois, dormiu super fácil no colo da tia.

A estratégia de dar o leite se ela não comesse bem a fruta funcionou demais. Ela, que mal tomava 5ml de água ou suco no copinho, só faltou arrancar o bico com a força da sucção, segundo relatou a tia. E se ela não tomou mais que uns 50ml do meu leitinho, foi o suficiente pra me dispensar até as 13h30, minha gente!!! No almoço, bateu quase meia pratada de feijão com abóbora.

Mas quando me chamaram pra buscá-la, óbvio que se jogou no meu colo e se agarrou nas minhas tetas feito peixe limpa-vidros. Uma filha que vai com todas as tias da creche, sorri como se estivesse em casa, come cada vez melhor, está apta a beber no copo e ainda ama meus peitos: muito mais do que eu pedi a Deus.

E voltei pra casa nesta sexta-feira com a sensação de missão cumprida.



"Me arruma aí uma vaca mecânica e eu fico aqui o dia inteiro. Pode ir trabalhar tranquila, viu, mamãe?"

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A mamadeira e mais um dia na creche

Algumas pessoas têm perguntado, desde que comecei a falar da introdução de alimentos, se a Emília não toma mamadeira. Andei respondendo nos blogs, mas como muita gente se interessou pelo assunto resolvi falar sobre isso aqui.

Enquanto ficou no aleitamento exclusivo, até 5 meses e meio, Emília não tomou mamadeira nem copinho. Só peito. Só depois de 2 semanas de introdução de alimentos, já com seis meses, é que fui tentar pela primeira vez o copinho de aprendizagem (com aquele bico achatado e molinho. O líquido só sai se o bebê sugar). Comecei oferecendo água, depois suco. Ela adorou a brincadeira: ficava mordendo o bico e nada de sugar. Percebi que de vez em quando ela dava uma sugadinha e vi que ela estava bebendo, mesmo que pouquinho. E oferecia sem compromisso, deixando ela brincar com o copinho.

Mas o tempo foi passando e nada de ela beber de verdade. Supus que era porque de tanto mamar ela não precisava de líquidos. Só por desencargo, tentei um bico de mamadeira tradicional e foi a mesma coisa: morde, morde, morde.

E assim a coisa foi até hoje. Daí minha preocupação com a questão peito-comidinhas-líquidos-creche. Porque se ela tomasse líquido no copinho, leite ordenhado eu tenho o suficiente. Resolveria a questão de ela comer pouco; eu poderia ficar mandando meu leite pra escolinha até ela engrenar nos sólidos.

Como eu contei ontem, ela parece que sabe beber do copo igual adulto. Hoje tentei de novo o copo sem a tampa e ela deu umas boas goladas. Só que isso só funciona pra oferecer água, primeiro porque faz a maior bagunça, depois porque se ela tomasse leite desse jeito eu ia ter que ordenhar o triplo do que ela precisa.

E fazendo assim a ligação com o terceiro dia de adaptação na creche, decidi com a educadora que amanhã ela vai tentar oferecer meu leite no copinho depois do lanche. Só deus sabe se ela vai beber. Se não, olha o leite derramado!

Aconteceu exatamente o que eu temia. Com a fome apertando, ela foi ficando sensível. Daí, na hora do banho, começou a berrar ao tirar a roupa. Parou de chorar na água e voltou a se esgoelar quando a tia foi pôr a roupa (detalhe: eu estava beeeem longe da salinha, lá na recepção, mas conseguia ouvir o choro e identificar claramente que era comigo).

Já era a hora do almoço dos pequenos quando me chamaram pra oferecer a refeição (eles pedem pro responsável fazer isso só da primeira vez, pra educadora ver como é feito em casa). Emília até segurou bem a onda e abriu a boca pra umas duas colheradas de papinha, mas começou a chorar muito (olha que dó: ela abrindo a boca, aceitando a papinha e chorando. Como se dissesse: "eu tô com fome, por isso tô comendo - e olha que a papinha tá boa, viu? -, mas eu queria mesmo era o peito".) Aí eu disse pra tia: "Se fosse em casa, eu daria o mamá e ofereceria a papinha depois". Ela prontamente concordou.

Superficialmente, parece que hoje não deu certo. Mas não aconteceu nada de diferente dos outros dias, apenas Emília ficou mais tempo e provou pro mundo que ainda precisa mamar bastante. Ontem foi tudo lindo, mas a gente saiu de lá mais cedo e ela foi direto pro peito. Ou seja.

Então amanhã a educadora tenta o copinho com o leite, e se não der certo eu estarei lá. Enquanto isso, vou fazendo minha parte em casa, tentando oferecer o máximo de líquidos no copinho (já fiz um suco delicioso pro lanchinho de daqui a pouco), e torcendo pra ela beber cada vez mais. E estou otimista, viu? As comidinhas tiveram um avanço considerável: agora ela abre a boca, pede mais, e mesmo comendo pouquinho, já tá fazendo um cocô bem mais firme. Nem lavo mais a fralda direto na pia; antes eu jogo o excesso na privada, senão o ralo fica cheio de pedaços.

Por hoje é só, pessoal. Amanhã tem mais.

Ah: e sobre a máxima de que a adaptação é mais nossa que deles. Gentes, achei não. Pra mim tem sido bem fácil. Pra minha Florzinha é que a coisa apertou.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Segundo dia na creche

Estou só a bagaça. É acordar cedo, amamentar, ordenhar, (tentar) tomar café, arrumar malinha de Emília e rumar pra creche. Pior que esta semana se acumularam todos os médicos do mundo: GO na segunda, pediatra ontem e dermalogia hoje pra reavaliar a herpes. E me fizeram esperar mais de uma hora no consultório com Emília no colo. Só não fui embora porque minha mãe não deixou, disse que eu tinha que fazer a reavaliação pra não ficar com cicatriz. E eis-me aqui moída, triturada, e pronta pro terceiro dia de adaptação na creche.

Hoje correu tudo muito bem. Cheguei, dei o lanche na salinha e deixei princesa com a tia. Enquanto isso, fui conversar com a nutricionista sobre o fato de que Emília ainda come muito pouquinho e está com dificuldades pra tomar líquidos no copinho. Ah, e claro: e sobre as restrições alimentares, já que nossa família é vegetariana. Depois da conversa mal tive tempo de abrir meu livro e me chamaram pra dar banho em Emília. O segundo dia é assim: a mãe dá o lanche e o banho pra educadora ver como é feito em casa. Quando abri a porta da salinha, vi Emília toda boazinha sentada no tatame, brincando com a tia e os coleguinhas. Meu sorriso quase rasgou minha orelha.

A educadora disse que Emília se comportou muito bem, que ficou no parquinho interagindo com as outras crianças - todas maiores, que ficavam fazendo carinho nela. Muito bom ouvir isso.

Amanhã Emília fica lá a manhã inteira, e minha única preocupação é quanto à alimentação dela. Eu estarei lá e posso dar o peito em caso de emergência, mas seria muito bom se eu não precisasse ser chamada. Ainda não sei se deixo o leite pra tia dar ou se fico só de fora vendo se ela aguenta com o lanche e o almoço. Meu receio é que quem vai dar o almoço sou eu, e temo que me vendo ela só queira mamar. Se eu deixar o leite, por outro lado, não sei se ela vai tomar no copinho. Se não tomar, joga-se fora. Aí é chorar o leite derramado literalmente. Só quem ordenha sabe do que eu estou falando.

Enfim, amanhã veremos. Mas estamos indo bem.

+++

Depois de comer maçã no dente, agora Emília bebe água em taça de vidro. Coisas da minha mãe. A gente não pode dar as costas que está ela lá, no colo da avó, sorvendo a água da taça igual bezerro bebe em riacho. E, obviamente, toda molhada. "É bom que refresca", diz minha mãe. Ok. Da próxima vez vou escolher uma bela taça de cristal para vinho Bordeaux.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Schoolbag in hand, she leaves home in the early morning...

E começou a escolinha. E como estamos? Muito felizes. Bem mais do que eu imaginaria.

Ok. O pior ainda não chegou. Hoje ela ficou lá só uma horinha, comigo, e só volto a trabalhar 4a da semana que vem - o que me dá mais flexibilidade pra socorrê-la (socorrer-me?) em caso de necessidade. Amanhã são 2h e eu já fico afastada. Quinta ela fica meio período e, se tudo correr bem, sexta-feira ela já passa o dia inteiro na creche. Se não, temos mais dois diazinhos da semana que vem com mamãe disponível pra acompanhar a adaptação.

Ela sorriu bastante no colo da educadora, depois ficou brincando sentadinha no tatame enquanto nós conversávamos sobre os hábitos dela. Depois chegaram os outros alunos da salinha (o mais novo tem 1 ano, o que faz da Emília a caçula), todos muito civilizados. A tia disse que eles protegem os mais novos, e quando um bebezinho chora, vêm os mais velhos trazendo brinquedos pra consolá-lo.

Depois conversei com a pediatra da creche e voltei pra casa. Amanhã converso com a nutricionista.

Mas o que me deixou ainda mais feliz foi a consulta com o pediatra da Emília agora à tarde. Falei com ele sobre minha preocupação com a alimentação dela (conversei sobre isso também com a educadora e com a pediatra da creche), porque ela ainda come muito pouquinho e bebe uma quantidade ínfima de líquido no copinho. Também não aceitou meu leite na mamadeira. Daí ele disse que caso haja algum problema na adaptação, ele me dá um atestado pra eu estar mais presente pelo menos nas 2 primeiras semanas. Combinamos que será bom que eu vá à creche na hora do almoço pra dar o peito e ficar um pouquinho com ela, de modo que tudo fique mais suave. Caso contrário, seriam quase 10h de separação. Brabo, né?

Adorei a postura dele, super compreensivo. Ele disse que esse sentimento é normal, que não tem motivo pra gente forçar uma separação brusca e que tudo vai se ajeitar no nosso ritmo.

Estão estou assim, mais leve, vivendo mesmo esse momento difícil com uma alegria muito grande. A bonequinha está crescendo. E esta semana ela está dando um passão rumo à independência.

E deixo um trecho de uma das músicas que tem no CD que eu e o Rafael fizemos pra ela antes de ela nascer, e que eu ouvia chorando com aquele barrigão de nono mês. Porque o nascimento é a primeira grande separação.

Schoolbag in hand, she leaves home in the early morning
Waving goodbye with an absent-minded smile
I watch her go with a surge of that well-known sadness
And I have to sit down for a while
The feeling that Im losing her forever
And without really entering her world
Im glad whenever I can share her laughter
That funny little girl

Slipping through my fingers all the time
I try to capture every minute
The feeling in it
Slipping through my fingers all the time
Do I really see whats in her mind
Each time I think Im close to knowing
She keeps on growing
Slipping through my fingers all the time

Chegou o dia

Tô indo levar Emília na creche pro primeiro dia de adaptação. Agora aguenta, coração...

Depois volto com notícias.

Seguidores

 
Blog Design by Template-Mama.