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sábado, 10 de setembro de 2011

Nascimento da Margarida


Por Rafael

Leitor esporádico da blogosfera materna que sou, sei como a mulherada fica ouriçada quando alguma blogueira está a termo. Dou então uma passadinha rápida aqui só para dar a notícia de que nasceu hoje Margarida (sim, a/o segundinha/o é menininha como Emília), às 6h, em casa, num parto naturalíssimo maravilhoso, cheio de amor, acompanhado por parteira e doula. Emilinha acordou naturalmente poucos minutos depois do nascimento e recebeu a irmãzinha com um sorrisão lindo. Tudo bem que a Paloma já deu o furo de reportagem, mas vai agora a notícia "oficial". Depois a Lia passa aqui pra dar mais detalhes. Deixa eu ir ali dar uma deitadinha que o cansaço da madrugada intensa bateu.

domingo, 14 de agosto de 2011

Sobre barrigas e pintos

Vocês sabiam que:

- se uma grávida comer demais no fim da gestação, o estômago, inchado com tanta comida, pode pressionar o útero a ponto de provocar um parto prematuro?

- se a gestante dormir com os pés virados para o poente o bebê tem mais chance de ficar pélvico?

- se a línea negra não aparecer até o 7º mês de gestação é porque o bebê vai nascer com pouco cabelo?

- se a grávida tiver desejos de comer comidas frias e quentes ao mesmo tempo (tipo petit gateau com sorvete) é porque a cabeça do bebê é grande?

- se a grávida tiver desejos de comer comidas salgadas e doces ao mesmo tempo (tipo carnes com molhos de fruta) é porque o pé do bebê é grande?

- Se você não enjoar no 1º trimestre, é porque seu bebê vai nascer na lua cheia.

Se vocês não sabiam de nada disso, é porque acabei de inventar. As asneiras podem até ser mais criativas, mas não são mais absurdas do que clássicos como: “Sua barriga está pontuda: é menino!”.

Tipo, o pinto do menino pressiona o umbigo pra frente, é? Haja pinto, hem?

Não sei o sexo do meu bebê e ficarei radiante com pintinho ou sem pintinho. Agora, se o público externo prefere que eu tenha um menino (“pra fazer um casalzinho”), fiquem na torcida. Mas, pelamordedeus, não me venham com esse papo de barriga pontuda, ok?

Modéstia à parte, meus filhos me fazem lindas barrigas. Com o formato moldado pela posição do bebê, e não por uma genitália.

+++

P.S.: Pra notícia não ficar velha: o papai da Emília saiu na Revista do Correio Braziliense. Matéria com alguns erros, como não poderia deixar de ser, mas com uma linda foto do “casal grávido”. Leiam aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Eu sabia

Mas ninguém vai acreditar. Toda vez que alguém perguntava: “Você tem algum palpite sobre o sexo do bebê?”, eu negava. Sou assim, gosto de fazer mistério... uhhhh

Ontem a Bel me perguntou:

- Irmãzinha, aquele texto que você escreveu pra Emília antes do exame; você escreveu outro pra se fosse menino, né?
- Não.
- Ah, não? Então parece que você inventou, fez umas adaptações.

Pra provar que eu senti desde o princípio que era menina, tenho apenas alguns e-mails trocados com o marido, umas conversas no gtalk com a Lídia (minha outra irmã) e a fatura do cartão de crédito com a conta de uns dez livros do Sítio do Picapau Amarelo (todos os da Editora Brasiliense que consegui encontrar).

Essa introdução é só porque tenho uma frase e mais uma carta para a Emília que escrevi há tempos atrás. Podem contestar as datas e pensar que eu inventei tudo. Daí pelo menos vão me achar uma grande fingidora poética... Se eu mereço a credibilidade ou o prêmio Jabuti, julguem vocês!

7 de maio de 2009

Pensamento louco que passou pela minha cabeça agora: estou grávida, e é uma menina.


* Descobri a gravidez no dia 17/05.


9 de julho de 2009

Emília.

Desde antes de os exames me dizerem que eu estava grávida, eu sabia que você estava aí. E sabia que era você. Não apenas um bebê. Não uma menina qualquer. Você.

Depois, a mamãe comprou um testezinho de farmácia e apareceram duas listrinhas cor de rosa. Foi o primeiro aviso que você estava dentro de mim, fazendo aparecerem uns hormônios estranhos no meu corpo pela primeira vez. Depois a mamãe teve de tirar sangue, pra confirmar todos aqueles hormônios que o teste do xixi percebeu. Não dói não, filha, você sente só uma picadinha de nada e, logo logo, eles levam uns tubinhos com o sangue pra fazerem o exame. Depois você come um pão de queijo com chocolate quente. Uma delícia.

Depois dessas coisas, Emília, a gente fica feliz, sabe que está esperando um bebê, mas parece tudo um sonho, sabe? Porque a gente não conseguia te ver, você não fazia nem uma barriguinha em mim, e tudo parecia como antes. É verdade, os peitos da mamãe já tinha começado a crescer um pouco, pra depois se encherem do leitinho que você ia tomar. Mas todo o resto estava igual.

Tem uns bebês que fazem as mães ficarem um pouco enjoadas. Elas passam mal, às vezes até vomitam, sabia? Mas os bebês não fazem isso de propósito; é algo que acontece. Pois você, Milinha, não me fez enjoar nadinha. Eu estava sempre com energia – menos quando eu pegava uma gripezinha, e aí eu ficava com medo de que você também estivesse gripada.

Aí, Mila, a gente foi te ver pela primeira vez. Você tinha um pouco mais de um mês e era pequenininha, pequenininha. Ainda não tinha bracinhos nem perninhas, só o corpinho e uma cabeçona que a gente nem conseguia perceber direito. Ainda não dava pra ver que era você. Mas uma coisa foi legal: a gente ouviu seu coraçãozinho. Ele batia muito rápido, igual o de um beija-flor. Você sabia que o coração do beija-flor é o mais rápido do mundo? Pois é. Seu coração era rápido igual o dele, e eu e o papai começamos a chamar você de beija-florzinho.

Mas eu resolvi te escrever porque hoje nós fomos ver você de novo. Você já está com mais de dois meses e já está grandona, do tamanho de uma laranja! Você abriu e fechou as mãozinhas, foi tão lindo. A médica queria que você mudasse de posição pra ela tirar umas medidas suas, e você não se mexia. Aí eu pedi: “vamos, bebê, se mexa porque a mamãe precisa fazer xixi.” E não é que você obedeceu direitinho?

E aí, meu amor, aconteceu a coisa mais linda. Você ficou de ladinho, a médica colocou a câmera no seu rostinho e eu te reconheci. Vi um narizinho arrebitado e comecei a gritar pro seu pai: “Amor, é a Emília, é a Emília!” Foi nosso primeiro encontro, lá dentro da minha barriga, e eu já comecei a te amar.

A médica disse que, pelo que ela tinha visto, achava que era uma menina. Mas só ia dar pra ter certeza no próximo exame. Mas, que boba, né, Miloca? A gente já sabia. E não era uma simples menina; era você.

* Aqui o relato que eu postei no dia desse ultra.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Vida de adulto

Outra vez me deu vontade de escrever pra você, minha menina. Ainda não me disseram que você é uma menina. Amanhã vão me dizer. Vamos ver você pela terceira vez, com uma maquininha que vão passar na minha barriga. Vou ver todos os seus órgãos, seu coração, seus pulmões. Vou ver de novo suas mãozinhas se abrindo e se fechando, suas perninhas se sacudindo. Você se mexe bastante.

Li por aí que você já reconhece a minha voz, e que por isso eu deveria conversar com você e cantar pra você. Parece que você também sente quando eu faço carinho na barriga. Confesso que ainda acho um pouco estranho conversar com você aí dentro, sem poder te ver, e sem você entender nada do que eu falo. Mas eu falo bastante com os outros, e imagino que você goste de ouvir minha voz nessas horas.

Penso em muitas coisas que queria te dizer, mas espero os momentos em que essas coisas saiam naturalmente. Não quero conversar com você só porque as revistas dizem que isso faz bem pra sua saúde. Não consigo inventar um papo bobo assim do nada. Mas hoje eu não tenho um papo bobo. Tenho muitas coisas no meu coração que quero dividir primeiro com você. Porque um dia você vai sentir todas essas coisas e vai gostar de saber que sua mãe também passou por isso, e que todos esses sentimentos fazem parte da vida.

Quando a gente é pequeno, nossos pais cuidam de nós. Não precisamos nos preocupar com o alimento, com as roupas, com a casa. Se aparece um problema – o carro quebra, a lâmpada queima ou a escola fica mais cara –, eles resolvem tudo pra nós. Sei que também não é fácil ser criança. A gente tem medo de muitas coisas que depois a gente descobre que não são de nada. Quando eu era pequena, por exemplo, tinha medo de uma vaca de plástico que era também uma sanfona e que fazia “muuuu”. Também tinha medo de que a lua caísse em cima da Terra. Depois quando a gente cresce a gente vê que nada disso pode fazer mal nenhum, mas quando a gente é criança tudo parece muito mais assustador. E isso é muito ruim, eu me lembro bem.

Mas os adultos também têm medo. Porque eles têm tantas coisas pra resolver, e tantas coisas acontecem diferente do que eles planejam, que eles ficam cansados. Hoje em dia as pessoas usam a palavra “estressado”. É quando a gente tem que fazer várias coisas ao mesmo tempo e fica cheio de preocupações. Semana passada, por exemplo, seu pai e eu íamos nos mudar pro apartamento novo. A gente pediu pros homens da reforma fazerem ele todo colorido, alegre, pra você e seus irmãos brincarem muito. Só que não deu certo, porque não terminaram o chão da casa. Quer dizer, o chão está lá, mas não está bonito, sabe? Aí vamos ter de arrumar alguém pra deixar ele bonito antes de trazer todas as nossas coisas. Porque senão as coisas ficam em cima do chão feio e depois não dá mais pra consertar o chão.

Aí, Emília, a mamãe ficou muito triste sem saber se o chão ia voltar a ficar bonito e sem saber quando a gente ia poder mudar pra casa nova. Esse negócio de reformar uma casa é muito complicado, sabia? Olha só por exemplo as portas: pra conseguir abrir as portas, tem que ter uma maçaneta. E pra lavar as mãos? Tem que ter pia e torneira. Tem que ter também armários pra guardar as coisas e cortinas pra poder dormir no escurinho. É muita coisa, não é? Pois tudo isso a gente tem de comprar ou mandar fazer. E tudo custa dinheiro, e a gente tem que trabalhar bastante pra conseguir comprar as coisinhas do jeito que a gente quer. E às vezes as coisas não ficam como a gente queria. E a gente fica triste.

Estou te contando essa história porque um dia você vai passar por essas coisas e vai se sentir assim também. Pode ser que um brinquedo que você adora caia no chão e se quebre. Ou um dia você vai começar a dirigir e alguém vai bater no seu carro e ele vai ficar amassado, e você vai ficar triste. Ou pode ser que você conheça um menino que você adore, e vocês comecem a namorar, e um dia ele te diga que não quer mais ficar com você. Todas essas coisas fazem a gente chorar.

Mas sabe, Mila? Às vezes eu fico pensando se todas essas coisas não são como aquela minha vaca de plástico, que só faz um barulho assustador mas que não morde ninguém. Ou como a lua lá no céu, que você não entende como pode ficar lá pendurada mas que os cientistas garantiram que não cai aqui na Terra de jeito nenhum. Quando a gente é criança, aquilo dá o maior medo do mundo, e o medo é real. Mas um dia a gente vê que aquilo não pode nos fazer nenhum mal de verdade.

Hoje que sou adulta, e estou com você na minha barriga, fico com muito medo quando as coisas dão errado. Penso que o chão vai ficar feio pra sempre, ou que a gente nunca vai conseguir ir pra casa nova. Mas alguém mais adulto e mais sábio que eu vai dizer que nada disso é sério, e que tudo vai passar. Era só uma vaca de plástico quando eu era pequenininha, e agora é só um chão. A gente tem um lugar pra morar, e tem comida pra comer. Eu e seu pai nos amamos, e você cresce a cada dia. Amanhã vamos ver como você está perfeitinha, e vamos poder dizer pra todo mundo que era mesmo você dentro de mim, e que seu nome vai ser Emília.

Então, meu amor, quando as coisas não acontecem como a gente planejou, é normal mesmo ficar triste e chorar, e sentir medo. E você às vezes vai achar que aquilo é o fim do mundo. Mas não é. Olhe para as pessoas que te amam e você vai ver que nada disso era realmente importante. Era só uma vaca de plástico. E a lua não vai cair na terra.

(Escrevi esse texto ontem. Hoje fiz o ultra. É a Emília mesmo)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mãe de quê?

- Você tem cara de mãe de menino.

Dei uma risada. Tem isso, é? O sexo aparece na cara da mãe?

Era uma colega de trabalho que eu não via há alguns meses. Topando com ela no corredor (ela tem uma filha de 2 anos e algo), contei a novidade. E aí ela disse que eu tinha cara de mãe de menino. Antes de responder, ainda tive tempo de pensar: “Meu Deus, coitada da minha sogra.” Então rebati:

- Pode ser, mas eu quero ter três. Acho que vem dos dois, né?

E ela não foi a única. Notícia recém espalhada, recebo um lindo presente da minha tia Bernadete: um body amarelinho com um sapatinho e uma luva combinando. Coisa fofa. Pensei: unissex, muito bem. Então olhei bem os detalhes e mudei de ideia. Estampadas, a imagem de um mocinho de gravata e de um bebezinho com cabelos espetados no alto da cabeça. Olhei, re-olhei, e cheguei à conclusão:

- Tia, você me deu uma roupa de menino.
- Mas é amarelo! Era pra ser unissex.

Depois ela confessou:

- Achei que era unissex, mas no fundo eu acho que você vai ter um menino. O Evilásio (filho dela) vai ter uma menina, mas você vai ter um menino.

Minha sogra também se conformou: “Vai ser homem, tenho certeza!”. Ela sempre quis ter uma menina – a Paula –, mas vieram três menininhos fofos. Durante os últimos anos, só falava da neta dela. Comprou até uma meinha de florzinha, isso antes de eu casar com o Rafael! E agora que a vinda do primeiro neto se confirmou, ela preferiu se desiludir desde já, para evitar decepções.

Pessoalmente, quero ter dos dois. Deve ser uma experiência muito diferente criar meninos e meninas. As coisas de meninas costumam ser mais bonitinhas (aqueles bonequinhos de monstro são um horror!). Por outro lado, quando eles crescem, acho o máximo uma mãe com os filhões do lado. Como minha sogra.

Por enquanto, só posso achar graça dos palpites. Afinal, ainda falta muito tempo pra sabermos mãe de quê eu serei de fato...

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