
Li o
Manifesto pelas Mães, elaborado pelo Grupo Cria, e vim dar minha contribuição para a valorização da maternidade. Ninguém me pediu pra divulgar nada, e é de coração que escrevo aqui o que um movimento como este significa pra mim.
Não sou uma pessoa exatamente engajada. Muito antes pelo contrário. Ainda antes de virar mãe, eliminei das minhas leituras jornais e revistas, parei de ver filmes violentos e me refugiei no meu mundinho de romances e desenhos animados. Isso porque tudo foi ficando muito pesado, muito duro, e ao mesmo tempo eu fui ficando mais frágil e decidi que era melhor assim. Uma alienação inofensiva. Afinal, se você não vai fazer nada a respeito das notícias ruins, melhor será ignorá-las.
Até que nasceu este blog, enquanto Emília crescia dentro de mim e eu mesma me metamorfoseava nesta outra coisa: esta coisa mãe. E fui vendo muita gente se manifestando pelo bem de nossas crianças. Por uma maneira mais humana e saudável de gerar e parir um filho, pelo direito de as crianças serem crianças, sem se transformarem precocemente em máquinas de consumo ou em mini-adultos, pela possibilidade de nossos bebês receberem o melhor dos alimentos - o leite materno -, e seguirem sua jornada alimentar sem terem seu paladar viciado involuntariamente por maus hábitos que nós, adultos, trazemos pra dentro de casa. E fui me apaixonando por tudo isso.
Digo que me encontrei na maternidade. Descobri que nasci pra isso. Brinco dizendo que, por mim, ficava engravidando e parindo até a menopausa (é, talvez eu tenha nascido na época errada). E daí o que seria um engajamento, uma militância, virou naturalmente um diário de reflexões e desabafos. E hoje reflito sobre o papel das mães na sociedade.
A causa das mães não é uma causa particular. Não é própria, não é só das mães ou só dos filhos. É uma causa da família, que, por mais que muita gente tenha tentado diminuir, ainda é a base da sociedade. Li em algum lugar que reivindicamos um mundo melhor pros nossos filhos, mas muitas vezes esquecemos de legar filhos melhores pro nosso mundo.
Valorizar a maternidade não é uma atitude simplesmente feminista, que beneficia só as mulheres que deram à luz ou adotaram crianças. É valorizar os pais, os filhos, e este mundão que amanhã vai ser habitado por essas crianças de hoje - que na família vão encontrar a primeira base para se tornarem bons cidadãos. A criança amada, bem cuidada, que tem no lar sua segurança, tem muito mais chances de se tornar um adulto equilibrado. É menos violência, menos corrupção, menos violações aos direitos humanos. Enfim, pra mim, o único caminho pra fora do subdesenvolvimento.
E como valorizar as mães? Como bem diz a imagem aí em cima, certamente não é com uma rosa no dia das mães. A prorrogação da licença maternidade por mais 60 dias (projeto empresa cidadã, que, infelizmente, ainda não é adotado por todo o mercado), por exemplo, é uma medida.
Mas jogo algumas ideias um pouco mais ousadas, caso algum parlamentar caia aqui por acaso.
- direito à redução de jornada de trabalho de 40h para 20 a 35h/semanais, conforme a opção da mãe e com remuneração proporcional, após o término da licença maternidade. (Por que esse tudo ou nada? Por que ficamos muitas vezes forçadas a nos decidir entre passar o dia longe dos nossos filhos ou não trabalhar?).
- obrigatoriedade da presença de salas de ordenha em empresas que tenham um número mínimo de funcionárias em idade fértil.
Um dia a gente chega lá, se Deus quiser. Enquanto isso, a gente pede a Deus pra não enlouquecer.