quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Prevenindo a episiotomia

Taí um assunto polêmico. A OMS e os defensores do parto humanizado dizem que a episiotomia, ou corte no períneo, é indicado apenas em situações muito específicas. Segundo essa corrente, as lacerações que ocorrem naturalmente são menos nocivas e cicatrizam mais rápido que o corte do bisturi. E ainda argumentam que o corte artificial pode ser causa de um rasgo ainda maior.

Já alguns médicos e algumas mulheres garantem que o corte feito pelo médico, certinho, por ser mais fácil de costurar, é menos traumático. “Menina, corta que é melhor!! Senão depois você vai ver o rasgão, todo torto...”

Minha médica mesmo prefere a episio, mas garantiu que a decisão será tomada em conjunto. (Parece que o mentor da decisão vai ser o marido. A médica disse: “Seu marido fica lá comigo olhando e vê tudo o que está acontecendo. Assim ele pode ajudar a decidir o que é melhor. HAHAHAH Coitado!).

E o que a Lia acha? Como nunca pari, vou com a OMS.

Mas a própria OMS e os artigos científicos reconhecem que o risco de laceração em primíparas (mulheres que vão parir pela primeira vez) é enorme. Então, o que fazer pra evitar que, com bisturi ou sem bisturi, eu fique sentando na almofadinha de hemorróidas por algumas semanas?

Pesquisa que pesquisa, o negócio é desenvolver um períneo power. Como? Malhando! E aí vêm os famosos exercícios de Kegel (de contração e descontração do músculo) e a massagem no períneo.

Comecei os exercícios de Kegel ainda antes de engravidar, já me preparando com antecedência. Na época eu nem sabia muito sobre a episiotomia, mas sabia que esse treinamento facilitava o trabalho de parto e prevenia incontinência urinária no futuro. É bem fácil e dá pra fazer em qualquer lugar, ninguém percebe.

Durante a gestação, acrescentei exercícios que trabalham todo o assoalho pélvico (no pilates) e a parte interna da coxa. Digitei no Google “exercícios gestantes” “exercises pregnancy”, “exercices grossesse”, “ejercicios embarazo”, fiz uma seleção, imprimi tudo e venho praticando em casa.

Já a massagem no períneo, comecei semana passada, porque diz que só pode a partir da 34ª. Ela serve para aumentar a elasticidade e a capacidade de relaxamento do músculo, dando a ele uma maior resistência ao rompimento na hora em que a cabeça do bebê despontar. Devidamente autorizada pela médica, fiz a mesma pesquisa no Google e escolhi a série que me pareceu mais confortável (essa massagem no períneo é bem padrão; você pode procurar o passo a passo em vários idiomas e a variação será mínima). Testei, achei fácil, rápida e bem tranquila. Recomendo a participação do marido por dois motivos: 1) ele já vai visualizando o momento em que tudo aquilo se alargar, e isso pode diminuir o choque na hora do parto; 2) com o barrigão, fica um pouco difícil curvar o tronco pra frente pra alcançar confortavelmente as partes a serem massageadas.

Malhado e alongado, o períneo tem mais chances de sair ileso do trabalho de parto. Pelo menos é o que dizem as pesquisas. E o que mais? Ah, a posição do expulsivo.

Como todas já devem saber, a posição supino (deitada com a barriga pra cima) é a pior possível para o nascimento do bebê. Pois ela também é a que causa mais traumas no períneo, porque gera uma pressão indesejável na área. Segundo minhas pesquisas, a posição de lado é a melhor pra evitar lacerações. Mas a de cócoras também é boa, e eu tô que tô gostando de brincar de indiazinha o dia inteiro. Essa posição se tornou extremamente confortável pra mim agora no fim da gestação e provavelmente será a escolhida pro momento de expulsar a Emília.

Mesmo com tudo isso, pode ser que rasgue. Mas provavelmente rasgará menos que se eu não tivesse feito nada. E eu vou saber que fiz tudo o que podia ser feito pra ter um pós-parto mais tranquilo possível.

E aqui encerro meus depoimentos sobre os preparativos para o parto. Espero que em janeiro eu tenha boas notícias pra trazer pra vocês. E não precisa sair tudo do jeitinho que planejei; basta que eu sinta que fui respeitada, que todos os procedimentos foram feitos com a preocupação de buscar o melhor pra Emília e pra mim e que minha filha nasceu com saúde!

+++

Aproveito para dizer que minha sogra veio este fim de semana e minha irmã chegou ontem de NY, o que significa que O ENXOVAL ESTÁ PRATICAMENTE PRONTO!! ÊEEEE! Claro que ainda falta lavar muita coisa e ainda não temos o berço, ó saga... depois eu conto os detalhes pra vocês.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Aliviando a dor sem analgesia

Gostaria de agradecer os comentários de ontem. Agora espero que todas estejam torcendo por mim! Adoro quando estou acompanhando um blog de grávida que quer parto normal e depois ela anuncia que foi assim mesmo! Uma alegria sem fim! Cesárea, só se cairmos nos 15% dos casos em que a OMS realmente recomenda a cirurgia. E agora vamos mais além, penar um pouquinho com as dores do parto!

Muita gente (se não todo mundo) me pergunta por que quero dispensar a anestesia na hora do parto. Apesar de defender a posição da OMS de que quanto menos drogas, melhor, entendo que a anestesia pode ajudar muita gente a ter um parto normal sem traumas. Pra início de conversa, as pessoas sentem dor de maneiras muito diferentes. Algumas têm mais tolerância, outras, menos. Um estímulo que, para mim, pode ser perfeitamente suportável, para outra pessoa pode levar a um sofrimento intenso. Além disso, cada trabalho de parto caminha de uma maneira. Alguns podem ser muito mais longos e difíceis, enquanto outros passam relativamente rápido.

Não defendo parto sem dor, mas sem sofrimento. Não sei se adianta muito você saber que foi guerreira, deu conta, pariu na raça, quando no fundo você tem memórias horríveis daquele momento e, no subconsciente, pode até atribuir à criança a culpa pelo seu sofrimento. Por outro lado, acredito que algumas mulheres podem viver uma excelente experiência em um parto sem anestésicos químicos. E acredito nessa possibilidade para mim.

Li muito sobre o assunto, e decidi que é isso que eu quero. Quero que o parto caminhe orquestrado pelos meus próprios hormônios, mesmo que doa pacas. E conhecendo meu corpo, minha mente e minha história, acho que tenho forças pra isso.

Sempre tive uma tolerância muito boa para dor. Honestamente, não lembro a última vez que senti uma dor muito forte. Certamente houve, mas não lembro. Tenho memórias remotas dos meus três anos, quando triturei meu indicador em um brinquedo no parquinho (até hoje tenho a cicatriz). Minha mãe conta que eu chorava e dizia:

- Eu queria ser um ladrão!
- Mas, Liazinha, ladrão também sente dor.
- Então eu queria ser um cachorro!
- Mas, Liazinha, cachorro também sente dor.

E eu fiquei lá, chorando, sem poder ser uma pedra ou qualquer coisa insensível. E sobrevivi.

Outra cicatriz que tenho na mão é um corte que hoje tem pouco mais de 3cm e que ganhei caindo no chão do clube. Aparei a queda com as mãos e a esquerda foi pousar bem em cima de um caco de garrafa. Foi muito sangue, isso eu lembro. E me lembro também do grito que soltei no hospital (quando criança eu gritava muito, e alto) quando o médico injetou a anestesia local para costurar o corte.

Uma coisa que aprendi com essas experiências foi o poder da distração no alívio da dor. Grande parte dessa sensação física é causada pela tensão, pelo medo, pelo susto. Você olha pra sua mão, vê aquele tanto de sangue e se desespera mesmo. Mas um gesto de conforto, alguém que te passe segurança ou até um outro assunto que te demande atenção ajudam a aliviar, ou até mesmo a anestesiar a dor.

Acho que foi nesse episódio em que rasguei o dedo que tive de ligar pra minha mãe no trabalho. Não sei por que raios algum adulto não fez isso por mim, o fato é que era eu ao telefone. Minha mãe conta que atendeu um colega dela que conhecia minha fama de decoradora de propagandas. Na época, fazia sucesso o anúncio de um remédio que servia pra tudo, um tal Castanhodo, Castanhoto, sei lá. Eu sabia o texto todo de cor: “Se o cumpádi, pádi, tá doente, com hemorróidas... etc, etc... Castanhodo! Vida nova em sua vida!” (eu dizia: “vida nova em suavidade!”). Não sei se fiz uma voz muito calma quando pedi pra falar com minha mãe, mas o cara deve ter achado que não era nada sério, porque me disse: “Só passo pra sua mãe se você repetir toda a propaganda do Castanhodo!”. E assim eu fiz. E só depois minha mãe e o amigo joselito dela ficaram sabendo da gravidade de situação.

O fato é que, na minha cabecinha de três anos, eu precisava repetir o anúncio do Castanhodo pra falar com minha mãe, e eu precisava falar com minha mãe pra curar meu machucado. Então fiz o que tinha de ser feito, mesmo com o dedo latejando.

Sei que as dores das contrações devem ser infinitamente mais fortes que a de um corte profundo. Mas também não tenho mais três anos. O fato é que creio que sou capaz de suportá-las, e quero passar por essa experiência, sentir como é, pra poder dizer depois: realmente eu preciso de anestesia. Ou não.

Gastei um tempão falando de mim, da força que eu acho que tenho. Mas sei que não vou conseguir passar por isso sozinha. Como eu disse, a sensação de segurança é fundamental para que a dor não domine a situação. E meu braço forte é meu marido. Conversei muito com ele sobre as minhas opções e agora ele está completamente envolvido. Mostrei alguns vídeos (do Lamaze, que são muito mais limpinhos que os do Discovery Home&Health) pra na hora ele não se assustar com a minha cara franzida e meus gemidos, e não ficar mais desesperado que eu. Treinei com ele as posições possíveis durante o trabalho de parto e as massagens que ele pode me fazer pra aliviar o desconforto. Pedi a ele que responda por mim tudo o que me perguntarem, de modo que eu não me distraia do meu serviço. A médica já sabe, mas é sempre bom ter mais alguém pra te defender: se me oferecerem anestesia, ele está orientado a dizer que eu pedirei se precisar. Especialmente se fizerem isso no meio de uma contração. Também pedi a ele pra não me deixar pedir a injeção no meio da contração, porque dizem que a gente fica meio insana e implora até por uma cesárea. Pedi pra ele tentar conversar comigo, me dar força e me ajudar a esperar pelo menos até o fim da contração pra ter certeza de que é isso mesmo que eu quero.

Enfim, é assim que estou buscando lidar com as dores do parto: me informando o máximo possível sobre o que ocorre durante o trabalho de parto, especialmente sobre o que causam as dores, quanto tempo elas costumam durar e como nosso corpo reage para lidar com elas; conhecendo meu próprio corpo e minha personalidade, e me preparando psicologicamente pra este momento; e envolvendo meu marido em todo o processo. Sozinha não dá. E vamo que vamo!!

Amanhã conversamos sobre a episiotomia.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Facilitando o parto normal

Depois do papo sobre as fraldas, que rendeu muitos comentários (cocô é sempre um assunto que dá ibope), dou início à série de três postagens sobre minha preparação para o parto. Hoje falo sobre meu objetivo número um: fugir de uma cirurgia.

Passo um: pesquisar os reais motivos que justificam uma cesariana. Passo dois: procurar um médico que não seja cesarista. Passo três: preparar o corpo.

Vou pular o passo um porque pretendo falar mais das minhas experiências que de coisas que vocês podem achar por aí. Vou direto ao passo dois.

A médica que estava me acompanhando antes de engravidar foi eliminada um mês antes do resultado positivo. Isso porque (já devo ter contado aqui antes em algum lugar, mas não lembro onde), depois de um mês sem a pílula, ela disse: “Se você não engravidar nos próximos dois meses, vou lhe passar um indutor de ovulação.” Com essa pressa pra me engravidar, imaginei que ela também não teria muita paciência na hora de me desengravidar.

Próxima médica.

- Você faz parto normal?
- A opção é da paciente, mas dependendo do que acontecer ao longo do pré-natal ou até durante o trabalho de parto, a opção fica sendo do médico.
- E quais os motivos para a realização de uma cesárea?
- Bebê pélvico [ok], pressão alta [mais ou menos], bebê GIG (grande para a idade gestacional) [péeeeeem], cordão enrolado no pescoço [péeeeem!]...

Errou 2,5 de quatro. Reprovada.

Aí desisti de continuar tentando achar médico credenciado (já estava no 3º mês de gestação) e fui numa médica indicada por uma amiga. Ela não é roots, parto natural e tal, mas pesquisei bastante e soube que ela é conhecida por ser pouco intervencionista e respeitar as pacientes. Estou com ela até hoje e estou tranqüila.

Agora, passo três! É contigo, mulher!

Antes mesmo de engravidar eu vinha buscando levar a vida mais salubre possível para que eu e minha filha estivéssemos com todo o vigor pra maratona de um parto normal.

Como já disse aqui, ajustei minha dieta e permaneci ativa durante toda a gestação (apenas tive de trocar o boxe por exercícios mais apropriados... ai, ai). E se eu já me alimentava bastante bem, radicalizei na eliminação dos industrializados. E aí eu confesso: meu maior sacrifício foi parar de comer miojo. Vocês não estão entendendo: eu AMO miojo, cozido ou cru, principalmente aquele espaguete que vem no saco maior. E com Sazon. Mas eu sei que é o lixo do lixo (segundo minha nutricionista, você faz muito melhor se comer pipoca), então este ano eu simplesmente não comi miojo.

Outro sacrifício pra mim foi eliminar o queijo do almoço. Isso porque minha nutricionista elegeu o almoço como a refeição dedicada à maior ingestão de ferro do dia. Pra quem não sabe, cálcio e ferro, quando ingeridos juntos, formam um complexo não solúvel e têm sua absorção altamente prejudicada. É mole? E tenho feito isso pra prevenir anemia, já que tenho essa tendência.

Claro que não sou o ícone da disciplina. De vez em quando rola um pão de queijo, um bolinho, chocolate, sorvete, pizza e até umas friturinhas. Faz parte. Mas sem a filosofia do libera geral.

Quanto aos exercícios, eles são uma necessidade pra mim. Atualmente, só o pilates e o RPG têm me dado alívio para as dores nas costas e só as caminhadas têm amenizado o desconforto nas pernas.

Algumas pessoas perdem as estribeiras na gravidez, e eu entendo: já é complicado lidar com as oscilações hormonais, a mudança do corpo, o desconhecido. E além de tudo a gente ainda tem de se controlar... Mas eu digo que vale a pena demais. Se com 10k a mais e uma boa estrutura muscular já é difícil se mover, os pés incham, as pernas, as costas e a bunda doem, imagino com 15, 20k a mais. Então eu digo que valeram cada doce que eu recusei, cada miojo que eu não comi e cada quilo que eu levantei.

Minha condição física não apenas tem me ajudado a ter uma gestação mais tranquila, mas creio que me contribuirá demais a caminhar para um parto normal. A pressão, a glicose, o colesterol e até a hemoglobina estão ótimos. E minhas coxas estão bem mais fortes do que estavam quando engravidei (de membros inferiores, o boxe trabalha mais a panturrilha, e eu não fazia musculação). Posso passar meia hora de cócoras, com a planta do pé inteira no chão. Consigo me acocorar e levantar sem apoio, várias e várias vezes seguidas (aliás, esse é um exercício que tenho feito). Pesquisei na internet uns exercícios para gestantes e faço quando não tenho pilates. Alguns ajudam no posicionamento do bebê e outros fortalecem os músculos que serão demandados na hora do parto.

No geral, sei que saio com vantagem em relação a muitas gestantes porque minha saúde é boa, sou relativamente jovem e tenho o paladar fácil pra comidas saudáveis. Também me considero bem fortinha. Mas como todo mundo (menos a bailarina), também tenho minhas perebas, contra as quais tive de lutar durante todo esse período: tenho varizes (já fiz aplicações duas vezes) e sempre senti muitas dores nas pernas, especialmente nas TPMs; tenho gastrite crônica (tive úlcera aos 17 anos) e raramente passo sem sérios desconfortos estomacais; tenho duas hérnias na coluna cervical, o que me rende umas 5 ou 6 crises de torcicolo por ano (já pensou parir de colar cervical, que charme?).

Mas, como eu disse: estou fazendo minha parte. O importante é confiar que qualquer coisa que saia dos planos vai ser porque teve de ser, e não porque eu escolhi mal minha médica ou porque não me preparei adequadamente.

Amanhã falo sobre como estou me preparando pra sentir as dores do parto...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fraldas de pano para uma bonequinha de pano

Já que não comecei ontem, e em razão dos comentários aqui e aqui sobre as fraldas de pano, vou adiar pra próxima semana o início das postagens sobre minha preparação pro parto.

Muita gente ficou curiosa, se perguntando se dá pra começar a maternidade com mais este trabalho: lavar fraldas.

É claro que não posso dizer que é possível, porque minha filha ainda não nasceu. Mas sei que não é impossível.

Tudo começou há uns dois anos, quando assisti a um programa que mostrava o impacto ambiental das fraldas descartáveis. Nos EUA, elas são um dos principais problemas do lixo urbano. Não sou ecochata e não gosto de pregar pras pessoas que devem fazer isso ou aquilo. Também não me gabo de nada que eu faço: levar sacola pro supermercado pra não gastar saco de plástico, reaproveitar a água, ir a pé ao máximo de lugares possíveis. Isso pra mim não é nada porque não me dá trabalho nenhum, e sei que continuo sendo nociva porque gasto mais tempo no banho do que o necessário e dirijo sozinha pro trabalho todos os dias. Mas no caso das fraldas, pensei: “isso eu posso fazer”.

Minha ideia inicial era revezar fraldas descartáveis com aquelas fraldas antigas do tempo da mamãe. Claro que economia de grana também contava a favor. Eu não sabia da existência das modernas fraldas de tecido, mas mesmo assim estava disposta a, de vez em quando, fazer uns origamis com as Cremer e fechar com alfinete com cabeça de Mickey e fita verde (lembram?). Me considero uma dona de casa experiente (Óooooo), morando fora de casa desde os 18 anos. E imaginei que não seria muito complicado passar uma água no pano sujo, jogar no balde e, quando juntasse o suficiente, meter tudo na máquina.

Ainda antes de engravidar, li no blog da Lu um post sobre as fraldas de pano modernas. Elas já vêm montadinhas, com velcro ou botões, pra facilitar a troca. Nada mais de origami. E como têm elástico nas perninhas, não vazam igual às antigas. Adorei a ideia e resolvi usar as tais fraldas a maior parte do tempo, deixando as descartáveis só para ocasiões em que a troca tem de ser feita na rua.

Não vou explicar aqui como elas funcionam, vantagens, desvantagens, preços, blábláblá. Tudo isso é facílimo de procurar no Google, digitem lá fraldas de pano para mais informações.

Minhas principais razões para ter feito essa opção são, nesta ordem: 1) economia de lixo; 2) economia de grana; 3) prevenção de assaduras; 4) desfralde antecipado; e 5) curiosidade e teimosia.

Agora vamos aos aspectos práticos.

Problema 1: minha cocofobia, como bem lembrou a Pat.
Solução: descartável ou não, a fralda vai ficar suja de cocô e eu vou ter de olhar pra ele. E a bunda da Emília também, e eu vou ter de limpar. E tudo isso vai exalar um lindo aroma. Um detalhe: mesmo usando fraldas descartáveis, o correto é despejar no sanitário o excesso de cocô antes de jogá-las no lixo. Isso porque as fezes liberam metano, altamente nocivo pra camada de ozônio. Então, minha filha, se o cocô é inevitável, vamos logo enfiar a cara na merda de uma vez!!

Problema 2: lavagem.
Solução: Fraldas, Dona Máquina de Lavar, Dona Máquina, fraldas. Muito prazer.
O procedimento é o seguinte: joga cocozão na privada (como eu faria com as descartáveis), passa uma aguinha básica e joga a fralda no balde com sabão. Um balde pro xixi (já comprei e marquei um X com caneta definitiva) e outro pro totô (esse ganhou um C).
Roupas, mesmo as mais sujas, podem ficar de molho por até uma semana, desde que você oxigene a água diariamente (é só dá uma misturada). Recomenda-se também colocar uma colher de bicarbonato de sódio no balde pra evitar mau cheiro. Então com as fraldas é a mesma coisa.
Claro que elas não vão ficar de molho uma semana, porque não sou rica milionária pra comprar 50 fraldas de pano. Imagino que em um dia já encha o balde de xixi e, em dois ou três, o de ploplô. Aí encheu, joga na dona máquina, aperta dois botãzinhos e, voilà! Estender essas fraldinhas é a maior façura do mundo.
E se não secaaaar??? A dona máquina seca pá nóis!!
Mas isso não é mais antiecológico que o lixo da descartável? Né não, vai por mim, pesquisem lá que tô com preguiça de explicar e vocês devem estar ainda com mais preguiça de ler.

Para as coisas que as pessoas dizem que não dá pra fazer, minha cabecinha funciona da seguinte forma: se alguém já fez, é porque dá. Tipo, parto sem anestesia, quatro filhos, criança sem chupeta. Quem não viveu essas experiências diz que não rola, mas quem viveu diz que rola. Então, se rolou pra alguém pode rolar pra mim também, né não? Foi assim que fiz uma segunda graduação ao mesmo tempo em que trabalhava 40 horas semanais. Uma amiga minha fazia e eu resolvi que eu também podia. E fiz.

Depois que a Emília nascer, é claro, retornarei ao assunto, aí já com know how de expert. E que venha o cocô!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Se eu pudesse...

Nos meus passeios pela rede, descobri (ou pelo menos foi isso que entendi) que, na França, a licença maternidade começa agora. Quer dizer, na 34ª semana de gestação. Eu pro marido: “Bora se mudar?”

Se eu pudesse, passaria esse último mês deitada ou andando. Jamais sentada horas em frente ao computador. Também não dirigiria. Se eu pudesse, dormiria 12, 14 horas todos os dias. E passaria as horas de tédio lendo ou cantando pra Emília.

Se eu pudesse, daria uma choradinha todos os dias de manhã, só pra limpar a alma e começar o dia bem. Mas de manhã, bem na hora de chorar, estou em público.

+++

(Os posts sobre minha preparação pro parto estão prontos. Mas, hoje, é só isso que tenho a dizer.)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Rumo ao parto

Se estou um pouco atrasada com a parafernália para bebês, meu planejamento em áreas tão ou mais importantes tem sido criterioso. Como comentei aqui, já estou deixando tudo nos eixos pra garantir uma boa nutrição no período pós-parto. Também está pronta uma pastinha com todos os formulários relativos à minha licença-maternidade, devidamente preenchidos, assinados e acompanhados de um passo a passo para quem for solicitá-la no meu trabalho (tem os nomes e os telefones de todos os funcionários responsáveis por isso no setor de recursos humanos e contatos de colegas de trabalho que podem resolver alguma emergência). Montei até um roteiro de como será o preenchimento da minha folha de ponto durante a licença para deixar com a moça que cuida disso aqui no meu setor (acreditem, a folha de ponto aqui no meu trabalho é complexa. Qualquer errinho, o RH devolve).

Já pesquisei também os documentos necessários pro registro da Emília e mandei tudo pro marido, junto com o endereço do cartório pra onde ele tem de ir (fiz questão de verificar se esse cartório fazia registro civil). Pra engrossar a lista nerd, já separei todos os produtos pra lavagem de roupas dela numa cestinha e imprimi as orientações de lavagem, inclusive das fraldas. Isso tudo, pra quê? PRA NINGUÉM ME PERTURBAR ENQUANTO EU ESTIVER SENDO VACA LEITEIRA!! Tipo: “Onde está isso? Como faz aquilo?”. Daí eu espalhar manuais de instrução feitos por mim mesma por todas as partes, e divulgá-los a pessoas chave.

Mas de todos os preparativos, os mais gostosos e talvez mais cruciais sejam aqueles para o parto. Apesar das fraldas de pano orgânicas, não sou roots nem hippie: sou nerd, simplesmente. Faço tudo o que mandam a OMS e o Ministério da Saúde. Portanto, quero parto normal com o mínimo de intervenções possíveis. Significa: sem anestesia e sem episiotomia.

Mas para que tudo corra bem, não basta escolher um médico que respeite suas opções. Ajuda muito se a gente fizer um esforcinho pra evitar que certas intervenções venham a ser efetivamente necessárias. Claro, não dá pra ter controle sobre tudo. Mas a minha parte eu quero fazer.

Como tenho muito a falar sobre minhas expectativas pro parto e sobre o que ando fazendo para que elas se tornem realidade, vou falar de um assunto por dia: 1) facilitando o parto normal; 2) aliviando a dor sem analgesia e 3) prevenindo a episiotomia.

Aguardem.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

É um besouro? É um elefante? Não! É a super grávida!


Sintoma 1: burrice aguda.

Comprei o forro do meu carrinho na última feira da gestante e testei se servia assim que cheguei em casa. Tudo ok. Com essa onda de lavação de roupas, lavei o dito cujo, peguei a tesoura e fui cortar os buraquinhos. Pra quem não sabe, as capas de carrinho e de bebê conforto vêm com umas cavas, como se fossem de botão, para passar os cintos de segurança. Só que as cavas vêm fechadas, só com o acabamento, pra você cortar as que correspondem ao seu modelo de cinto.

Pois bem. Lá fui eu conferir os buracos que precisavam ser abertos. Céus! Nada batia. As cavas não tinham nada a ver com as saídas dos cintos. “Xiiii....”, pensei. “Comprei o trem errado”. Com toda a calma do mundo, pensei na solução mais óbvia: “vou pedir pra mamãe costurar as cavas certas, assim não tenho de comprar outro forro”. Lá vem mamãe me visitar e aproveito para mostrar o forro. Explico o que aconteceu. Ela examina o carrinho, examina o forro:

- Minha filha, acho que está de cabeça pra baixo.
- Não, mãe, não é possível. A parte mais larga é embaixo.
- Não, olha só. Aqui em cima nem está encaixando – e vira o troço. – Agora sim.

E não é que o negócio deu certinho, com os furos no lugar? Tico? Teco? Tem alguém aí?

Sintoma 2: elefantíase

Ou pernas e pés inchados, como queiram. O quadro se agrava em fins de dias muito quentes. E domingo à noite, eu desfilando as pernas gordinhas num vestido curto regatão super fresquinho. Apóio os pés na cadeira e comento com o marido:

- Amor, to parecendo um elefante.
- Tá mesmo. Tão linda, minha elefantinha!

Próximo tópico! (Esse foi dose.)

Sintoma 3: mudança de categoria preferencial

Antes eu era gestante. Agora sou uma pessoa com dificuldades de locomoção.

Estou eu sentada no sofá, depois de receber um tratamento de pedicure do marido (sem a pintura das unhas, óbvio. Só aquela raspada básica na sola e uma massagem daquela nos pés). Reclinada pra trás, duas almofadas no cóccix, uma atrás da cabeça. Ele termina e eu tento me levantar. Sabe quando o besouro vira com as patas pra cima e fica se sacudido, sem conseguir se mexer? Visualizem.

- Amoooor, não consigo me levantar!!

Consigo cair meio de lado no sofá. E compreendo como deve se sentir um recém- nascido, sem conseguir sair do lugar.

Fico pensando se essas limitações não servem pra fazer a gente se sentir um pouco na pele dos bebês, cheios de dependências. E dá pra entender melhor porque eles choram, porque é isso que dá vontade de fazer nessas situações.

Deve ser por isso. Só pode ser por isso. Alguém me empresta um andador?

(E não dá pra acreditar que ainda consigo caminhar e fazer pilates. Mistério).

Seguidores

 
Blog Design by Template-Mama.