segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Mais uma semana

Hoje de manhã fiz ecografia - espero que seja a última. Tudo ótimo com dona Emília, com um único diagnóstico decepcionante: ela ainda deve ficar aqui mais uma semana. Aparentemente o "dorsinho", como diz a médica, tem de virar pro lado esquerdo antes de ela nascer. E ela está de costas pra direita (o que eu já sabia). E eu jurando que até o fim desta semana ela vinha... Hoje no fim da tarde tenho consulta e vou confirmar se é isso mesmo.

No mais, a moçoila está com 49cm e 3,260kg. Ou seja: se ficar mais de uma semana começa a ficar gorducha!

Paciência, meu povo!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Enquanto espero

Sábado. Rafael foi levar o carro à oficina. Acordei com o despertador e ele só foi levantar meia hora depois. Fiz ginástica e alongamento, esquentei água pro chá, coloquei o pão no grill e fiz ovos mexidos. Ele se sentou à mesa para comer comigo; eu, meu sofisticado café da manhã; ele, iogurte com granola kellogg's.

Estaria sozinha em casa se minha irmã não estivesse dormindo no quarto ao lado. Estou na sala, sentada no sofá, com o computador apoiado sobre uma bandeja daquelas com pernas, projetada para refeições na cama. Vejo pela varanda o topo dos prédios baixos de Brasília e o céu bem claro. Bate sol na rede de teto que fica na varanda, onde eu talvez estivesse lendo se não fizesse tanto calor.

Minha barriga encosta na bandeja. Em alguns dias não estarei mais grávida. Tentei passar a semana vivendo normalmente, a fim de evitar a ansiedade da espera. Ontem recebi um casal de amigos, com uma filha de cinco meses. Em alguns dias, minha filha estará fora do ventre como a pequena Luiza.

O dia está tranquilo. Ouço os pássaros. Acordei com as costas doendo e com vontade de passar o dia descansando. Pego um livro que já conheço e que escolhi ontem para passar o tempo nesses últimos dias. “Mutações”, de Liv Ullmann, atriz norueguesa que foi casada com o cineasta sueco Ingmar Bergman. O livro é leve, bem traduzido, gostoso de ler. Ela fala sobre ser mulher, com todas as suas implicações: carreira, maternidade, amor, sonhos. Ela me inspira e me distrai.

Como é bom ler os textos dos outros! A vida, assim escrita, ganha outra importância. Sobe da categoria do ordinário ao extraordinário, simplesmente por estar registrada em palavras. E tento fazer isso com este momento. É sábado, faz sol, e estou sentada no sofá da sala, olhando pra varanda, com o computador apoiado no colo sobre uma bandeja com pernas. É janeiro, minhas costas doem, minha cintura tem mais de um metro de circunferência, e minha irmã dorme no quarto ao lado.

De vez em quando um passarinho passa voando em frente à varanda. Tenho medo de que algum se choque contra o blindex. Já aconteceu antes, o Rafael presenciou a cena. Depois da pancada, o bichinho caiu no chão, deu um último pio e expirou.

Ouço o ruído da chave na porta. Rafael chega e diz que o carro deve ficar pronto ainda esta manhã.

E ainda esta manhã deve chegar o sofá cama que compramos semana passada para receber meus sogros. Eles vêm conhecer a primeira neta.

Fico pensando que estou vivendo um daqueles momentos mais cruciais da existência humana. Aqueles que é necessário registrar. Aqueles que o universo gravará em pedra e ficarão disponíveis para contemplação por toda a eternidade, porque são preciosos demais para se perderem no tempo.

Hoje há uma criança dentro de mim, uma pessoa completa. Ela ouve, se move, percebe mudanças de luz e saberá respirar assim que estiver ao ar livre. Ela não é muito diferente do que será quando ouvirmos seu choro pela primeira vez. Dizem que este é o momento em que ela virá ao mundo. Pra mim, ela já veio ao mundo há muito tempo. Desde que vi seus dedinhos pela primeira vez na ecografia – ela tinha apenas umas dez semanas de vida –, tive a certeza de que ali já havia uma alma, um serzinho humano. “Se o mundo acabasse hoje”, pensei, “ela ia viver no céu como nós.”

O Rafael senta no sofá ao lado com o livro da Encantadora de Bebês. Ele começa a comentar o livro comigo. Não estou mais sozinha. Não ouço mais o silêncio. Fecho o computador e decido parar de registrar a vida para ir vivê-la.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Respondendo aos comentários

Uma das melhores coisas de postar é receber de volta os comentários. É legal ver a impressão que os outros tiveram do seu texto.

Mas aí eu percebi que fiz uma injustiça com meu pobre marido. No post de anteontem, quando falei que ele tinha dificuldades pra acordar à noite (e de manhã também, diga-se de passagem), acho que algumas pessoas pensaram: "Xiii, tá lascada!"

Então gostaria de esclarecer que meu marido é o marido mais lindo, maravilhoso, adorável, carinhoso, companheiro e ajudador que existe. Ele está completamente fora de qualquer estereótipo de machão sexista, como eu já descrevi aqui e aqui. Ele mesmo me disse: "Ah, amor, eu acho que vou acordar, sim, acho que o nascimento da minha filha pode mudar meu organismo, sei lá..." Eu brinquei: "A ocitocina, né? Vai te ajudar a ficar mais alerta."

É verdade que ele tem o sono pesado. Mas também é verdade que ele faz das tripas coração para jamais me sobrecarregar, e foi assim durante toda a gestação. Atualmente, ele virou meu motorista, e por conta disso perde 1h30 a mais no trânsito todos os dias porque eu trabalho longe pacas e ele vem sempre me pegar pra gente ir almoçar juntos. E devo acrescentar que ele passou a acordar às 6h15, no escuro, pra poder me levar no meu horário, que é cedão. Antes de virar meu motorista, ele já tinha começado a acordar mais cedo só pra tomar café da manhã comigo e garantir que eu não saísse de casa sem comer (antes eu deixava pra tomar café só no trabalho).

Assim como ele é um marido exemplar (lava a louça, tira o lixo, recebe a diarista, vai ao supermercado sozinho), tenho certeza de que ele será um pai maravilhoso, e que não apenas vai me "ajudar". Ele vai dividir comigo as responsabilidades de forma que não fique pesado pra ninguém. E também tenho certeza de que a Emília vai gostar muito mais da shantala dele que da minha (não sou uma massagista muito paciente, e ele gasta mais de meia hora comigo todas as noites só me fazendo massagens...).

Enfim, mega sena da virada é trocado... valioso mesmo é um homem desses!

+++

E quanto à iminência da chegada da Emília, adorei o comentário da Pat e quero respondê-lo aqui:

Agora devem estar chovendo previsões do tipo "amanhã muda a lua, vai nascer", "sua barriga baixou mais, vai nascer", "seu nariz desinchou, vai nascer". Acertei?

Hahahaha! Até que o povo não está palpitando muito não. Tem gente que diz (homens pricipalmente):

- Nossa, tá chegando, hem? Faltam quantos meses?
(ô dó... já pensou eu mais alguns MESES com esta barriga??)

Já as mulheres preferem a fórmula:

- Esse neném vai nascer agora?!?! Ah, é a maior felicidade, você vai ver, boa hora...

Quanto à mudança de lua, eu mesma estou palpitando sobre a data do parto com base nisso. É que a Emília desceu duas vezes em dias de mudança de lua: 24 e 31/12. Daí resolvi perguntar pra minha gineco se era mito ou verdade. Ela disse:

- Nascem bebês todos os dias... mas quando muda a lua, parece que nasce mais. A lua influencia nas águas, né?

Hoje muda a lua, mas realmente não acho que a Emília nasce hoje. Já sexta que vem, quando muda outra vez, seria um palpite com grandes chances...

E quanto à barriga baixa: de novo, ponto pra mim! Sempre sou a primeira a perceber quando ela desce um pouco. Depois disso é que o povo comenta. E depois vou na gineco e ela confirma o encaixe.

E, finalmente: meu nariz não desinchou porque não inchou! Com toda sua batatância natural, ele não precisou aumentar pra dar conta da falta de ar. Então essa parte ficou na mesma...

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Agora que fui perceber que a lua mudou foi ontem! E eu disse ontem: "Amor, acho que ela desceu mais!". Segunda-feira, se Mila não nascer antes, terei consulta pra confirmar. Mas depois de tantas coincidências, meu voto é que ela vem dia 15/01, sexta-feira, só pra avacalhar a licença-parternidade do Rafael e permitir um grande fluxo de visitantes no hospital...
Uhhhh noite de lua nova...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A próxima?

Nasceu ontem a Mariana, filha da Lu. No dia 30 de dezembro tinha nascido o Gustavo, bebê da Fabi, e no dia 22 a Bia, filhinha da Marina.

Percebi então que de repente sou a grávida mais grávida da blogosfera materna - pelo menos no meu círculo de conhecidas.

Jesuis!! Será que és a próxima, Emília?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Será que ele vai acordar?

Meu marido tem o sono pesado. Isso pode lhe render noites maravilhosas de sono, evitando que ele acorde toda vez que eu me levanto, ou noites terríveis, porque ele não acorda mesmo se estiver desconfortável. Se eu estiver com a bexiga cheia, levanto pra esvaziar. Se estiver com frio, levanto pra pegar uma coberta. Se estiver com calor, levanto pra abrir a janela ou ligar o ventilador. Depois deito e volto a dormir melhor.

Ele não. Amanhece todo encolhido, espirrando, mas não consegue despertar pra resolver o problema do frio.

Na noite de segunda pra terça me dei conta que essa característica vai deixar o pós-parto no mínimo interessante. Tínhamos caminhado 4km com algumas subidas (o parque Olhos d'Água deve ser um dos únicos lugares em Brasília com ladeiras) sem alongar. Pra completar, fiquei um pouco de cócoras antes de dormir.

No meio da madrugada, aquela cãimbra.

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIIIIIII!!", gritei, semi-dormida.

De manhã, pergunto pra ele:

- Amor, você ouviu meu gritão à noite?
- Grito? Que grito?

Tô vendo que vou ter de ligar a babá eletrônica no amplificador pra garantir que eu não serei a única a acordar pra socorrer minha filha...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

38 semanas

Ontem, consulta semanal. Emília está encaixada, minha gente! Será que foi no domingo, bem quando eu tive aquela colicona nas costas que eu relatei ontem?

Enfim, ela continua descendo a ladeira, o colo do útero já afinou bastante e se prepara para dilatar. O palpite da médica: uma semana a dez dias. E de novo a declaração: "tudo indica que teremos parto normal." Então, pessoal, se Deus quiser, semana que vem teremos novidades!

+++

E pra quem quiser ver as fotos da mocinha, criei um álbum no Picasa. Já tem fotos lá da minha gravidez. Quem se interessar, me mande o e-mail que eu mando o convite pra liberar o acesso.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Quero tudo

Ela incomoda pacas, mas me apeguei a ela. Ontem senti umas pontadas na lombar e no intestino, tipo cólica menstrual, por causa dela. Tive de deitar de lado e amarrar uma bolsa de água quente nas costas, pra depois completar o trato com uma massagem do marido.

Por causa dela, levantar é um sufoco. É como virar de um lado pro outro segurando um saco de batatas de dez quilos. E pra pôr os pés no chão preciso jogar uma perna, depois a outra, fazendo uma curva como se estivesse saltando um obstáculo.

Ela me força a manter distância das bancadas, pedir licença toda vez que preciso me deslocar entre várias pessoas e usar sempre as mesmas roupas, porque quase nada me cabe.

Ela é um saco, mas está sendo um custo me despedir. Ela, a barriga.

Tenho a sensação de que ela desceu mais no dia 31, e ontem alguma coisa a mais deve ter acontecido pra me causar aquela dor aguda nas costas. Ela já não está tão bonita, empinadinha. Parece mais a pança do Seu Boneco, substituindo o chopp por uma bola de basquete.

Quando ando, ela sacode de um lado pro outro, num movimento amplo. E sentar de pernas fechadas é impossível, porque ela está muito mais baixa que minhas coxas.

***

Quando não tinha barriga, invejava aquelas gravidonas salientes. E quando fiquei saliente, passei a invejar as mães com seus bebês e crianças. Não grávida, queria estar grávida. Grávida, queria ser mãe. E agora que estou prestes a ser mãe, quero ser grávida outra vez.

***

Nas últimas semanas, apareceram várias grávidas aqui pela blogosfera. E eu, achando tudo lindo e morrendo de inveja. Como se eu não estivesse grávida. Assim como desejei tanto ser a mãe que todas eram, contar as histórias do seu bebê, compartilhar como foi o parto e falar sobre amamentação. Agora desejo congelar este momento: esta barriga enorme e caída, o quarto dela montado, a mala da maternidade no chão, o bebê conforto vazio no carro. Eu, deitada de lado, com uma bolsa de água quente amarrada nas costas. Um movimento intenso no meu ventre, a sensação de que minha bexiga está sendo pisoteada.

Uma semana. Duas, talvez. Três, no máximo. E ela não estará mais dentro de mim. Ela, a Emília.

Fico pensando como será a primeira vez que eu colocar a mão sobre meu umbigo. Fico pensando como será sentir a pele flácida e o ventre vazio.

No fundo, sei que nada disso importará, porque ela estará nos meus braços. E sei que isto será muito melhor que a sentir aqui dentro.

Mas quero tudo. E custa me despedir da barriga.

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