quarta-feira, 29 de junho de 2011

Eco-post

O post com a reportagem sobre separação de lixo deu bastante repercussão. Muita gente se interessou pelo minhocário, então resolvi fazer um post sobre isso e outros assuntos ecológicos.

Sempre tive uma quedinha pelas questões ligadas à preservação da natureza. Quando tinha 10 anos, minha escola promoveu atividades relacionadas à Eco 92. Escrevi uma poesia sobre o tema e fui premiada com vários livrinhos sobre ecologia.

Desde sempre, tento não ser muito nociva ao meio ambiente (porque ajudar... é difícil). Economizar água e energia elétrica foi o começo. Aos poucos, fui vendo o que mais eu poderia fazer pra não estragar tanto o planeta. Começamos a separar papel e levar pra reciclar, passamos a reaproveitar e recusar as sacolas de plástico nos supermercados. E assim, de grão em grão, vamos tentando ser mais ecologicamente responsáveis.

Além desses, segue uma listinha de hábitos que fomos incorporando:

1) Fraldas de pano: quem me acompanha sabe que Emília usa fraldas de pano, quase 100% do tempo (exceções são quando eu me desorganizo com a lavagem e acabam as fraldas limpas, ou quando viajamos).

2) Separação de pilhas, lâmpadas e outros materiais tóxicos para serem descartados em local próprio.

3) Adoção de alimentos orgânicos: meu motivo inicial para buscar os orgânicos foi não consumir veneno. Não existe outra palavra pros agrotóxicos que entopem nossa mesa – muitos deles proibidos em países de 1º mundo. Comecei pelo morango, que é um dos alimentos que mais têm resíduos. Nunca tive coragem de oferecer a uma criança um morango da agricultura tradicional. Aos poucos, foram aparecendo no mercado outras opções, e eu ia experimentando, sempre de olho no bolso.
Descobri então um produtor local de orgânicos que entrega em casa, e achei os preços bem razoáveis. Comecei a pedir semanalmente folhagens, legumes, frutas, sucos, mel, geleia e ovos (de galinha feliz).
Atualmente, toda a salada crua lá de casa é orgânica, bem como a maior parte dos legumes. Frutas, ainda temos de comprar muitas no verdurão, porque os orgânicos têm pouca opção e as frutas são sazonais. Atualmente, por exemplo, meu fornecedor está oferecendo só morango, mexerica e banana.
De vez em quando, morro uns reais em iogurtes naturais e queijos frescos orgânicos (leite de vaca feliz). Revezo com os produtos tradicionais.
Hoje, fico vendo tudo o que consumo e que ainda é cheio de veneno ou hormônios: grãos, farinhas, leite... Espero que a agricultura de orgânicos se fortaleça e tenhamos cada vez mais oferta desses produtos, a preços acessíveis.
Mas voltando à ecologia, hoje compro orgânicos também por questões sociais e ambientais: para que um alimento seja certificado como orgânico, sua produção tem de atender uma série de critérios, entre eles a proibição do uso de produtos que coloquem em risco o meio ambiente e a saúde dos trabalhadores rurais. Fora que, quase sempre, esses alimentos são cultivados por pequenos produtores e cooperativas. Assim, consumir orgânicos é apoiar a agricultura familiar, e não os latifundiários. Mais informações sobre orgânicos neste hotsite feito pelo Ministério da Agricultura (Mapa): http://www.prefiraorganicos.com.br.

4) Redução do desperdício: passei a planejar a compra de alimentos, especialmente os perecíveis, pra evitar que sobrem e estraguem. Pra isso, comecei a fazer compras menores e com mais frequência, monitorar constantemente a geladeira e o freezer em busca de restos e pensar nas refeições da semana antes de ir ao verdurão ou encomendar minha cesta de orgânicos. Também tem que ficar de olho nos grãos e farinhas pra não dar caruncho.
Quando vejo que algo está para estragar, tento consumi-lo imediatamente. Se não der, arrumo outro jeito de aproveitá-lo. Por exemplo: detesto banana muito madura, especialmente se a casca já estiver fina e com pontos pretos. Nesse caso, quando são só uma ou duas bananas, eu asso no forno. Quando são muitas (o consumo de banana é sempre imprevisível com um bebê em casa), parto em pedaços e congelo pra fazer sorvete de banana (receita no blog da Neda). Um espetáculo de sobremesa!
Outra opção é doar pra alguém os alimentos que não vamos consumir. Por exemplo, uma vez pedi ao meu fornecedor, por engano, batata demais. Dei metade pra minha mãe. Outra vez comprei uma farinha de trigo pra fazer não sei o quê e sobrou um monte. Não pretendo usá-la, vai de doação pra mamãe também – que, aliás, foi quem me ensinou a ter pavor ao desperdício.
Outra dica é comprar só meio maço de folhas (rúcula, espinafre, agrião). Meu fornecedor de orgânicos tem essa opção.
Finalmente, estou adaptando a culinária lá de casa pra usar talos, folhas e cascas. Ontem fiz uma farofa de folha de rabanete que ficou uma delícia.
E se não tem jeito e um pão mofa... vai pras minhocas.
Reduzindo o desperdício, a gente também economiza dinheiro. E, com o troco, dá pra substituir por orgânicos os alimentos envenenados!

5) Redução do consumo. De tudo. Menos água, menos luz, menos roupas, menos brinquedos, menos tranqueiras. É necessária uma grande mudança de mentalidade pra nos tornarmos menos consumistas.
Quando estivermos cansadas das nossas roupas, vale dar uma vasculhada no fundo do armário, procurar lenços, acessórios, coisas que não usamos há muito tempo e que podem dar uma renovada no visual. Se realmente não der pra aproveitar nada, se nosso estilo não combina mais com o armário velho, passemos as coisas pra frente – doando ou vendendo pra um brechó. Na hora de comprar uma roupa, também procuro ter certeza de que vai ter um bom uso, e não me deixar levar por uma liquidação. Quantas vezes aquela roupa novinha fica meses na gaveta?
Pras crianças, brechós infantis são o must!

6) E, finalmente, o minhocário.

Sim, dá pra ter tranquilamente um minhocário em apartamento. O meu é o grande, que comporta lixo de até 4 adultos. Comprei nesta loja, que também tem uma versão pequena, para até 2 adultos. Outros fabricantes trabalham com tamanhos intermediários, e buscando no Google também dá pra encontrar instruções para construir você mesmo seu minhocário (são basicamente caixas de plástico com furos).

Não é barato nem rende dinheiro, então não é algo que você adquire pra economizar. Mas, como eu disse na reportagem, é um hobby. Assim como eu amo cultivar plantas. E também é educativo pras crianças.

A Tathy perguntou o que eu faço com tanto adubo. Na verdade, meu adubo ainda não está pronto. Demora em torno de 50 dias pras minhocas transformarem em substrato toda a matéria da caixa do meio e começar a se formar o chorume. Como tenho duas plantas em vasos grandes, além de muitas outras em vasos menores, penso que talvez elas consigam consumir todo o adubo. Diferentemente do adubo químico (que nutre a planta e empobrece a terra), o adubo das minhocas não mata a planta por excesso. Posso usar à vontade (apesar de que uma amiga recomendou, para plantas de vasos, que eu misturasse o chorume com água).

Se eu vir que o adubo sobrou, vai pra doação! As plantas da minha mãe serão as primeiras beneficiadas.

Tem que ter alguns cuidados com o minhocário: revolver o substrato 2x por semana pra arejar e despedaçar o lixo antes de colocar lá dentro, pra facilitar o trabalho das minhocas. Fora isso, não tem segredo. Ele pode ficar dias sem ser abastecido (coisa de um mês, se não me engano), bastando que antes de sair de viagem você encha bem a caixa de lixo.

As minhocas comem qualquer matéria orgânica vegetal, mesmo com bolor, papel (inclusive sujo, como guardanapos usados), folhas secas. De origem animal, elas consomem ossos e cascas de ovos. Não é recomendado jogar carne e laticínios por causa da gordura. Alimentos cítricos devem ser evitados, pois alteram o PH do substrato. Mas você pode colocar cinzas (carvão ou papel queimado) pra reequilibrar o PH.

Pode parecer que faço muito, mas ainda há um longo caminho a seguir. Temos dois carros, dirijo sozinha para o trabalho, tomo banhos longos e quentes (eu tô grávida, vai). Meus projetos mais imediatos são trocar os guardanapos de papel por guardanapos de pano (e usar o mesmo durante uma semana, antes de lavar), reduzir ainda mais as sacolas de plástico e vender meu carro (projeto licença-eternidade 2012). Pouco a pouco a gente chega lá.

É isso. Acabou-se o eco(chato?)-post.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Onde ela aprendeu isso?

Ontem, voltando da creche, dei o convite da festa de um coleguinha pra Emília brincar. Ele estava ilustrado com os personagens do Toy Story.

Emília apontava pro boneco e eu dizia:

- É o boneco!

Ela insistia, eu repetia:

- Boneco.

Ela continuava apontando, já quase irritada, quando resolvi:

- É o Woody!

Ela balançou a cabeça sorrindo, como que dizendo: "Finalmente, mamãe, você acertou."

E isso porque ela ainda não vê TV...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Emília na televisão





A reportagem foi exibida na última quinta-feira, 23 de junho, na TV NBR. Como não temos o canal, fomos assistir pela internet. Acessamos o site uns 10 minutos antes do horário do programa, pra conferir se estava tudo ok com a conexão, e colocamos Emilinha sentada na cadeira pra se ver no monitor.

E eis que entendi por que os pais colocam seus bebês pra assistir a televisão. Ela pirou com as vinhetas das propagandas, parecia que estava vendo Galinha Pintadinha ou Backyardigans. E isso porque ela estava vendo um canal de TV pública, desses que passam discurso parlamentar e tal. Imagina o que não faria um Pokémon... (eu sei que Pokémon é das antigas, mas por causa do negócio das convulsões e tal. Emília chegou quase lá).

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Gracinhas

E a fase das gracinhas se instalou com força. Nunca achei Emília tão divertida.

Licença I – no carro

Estávamos voltando de carro da casa de uma amiga e acontecia uma manifestação religiosa na rua. Gente pra todo lado, trânsito parado. Eis que Emília, lá da sua cadeirinha, ordena:

- Sens! Sens!

Licença II – meninos não entram

Estava com Emília no quarto, fazendo umas brincadeiras leves na penumbra antes de dormir. O vulto do pai aparece na porta. Ela parece não gostar da visita e protesta:

- Sens! Sens!

Pergunto:

- Emilinha, você quer que papai saia?

Ela faz que sim com a cabeça.

Licença III – privacidade

Emília se encolhe num canto entre a porta e a parede e chego perto pra lhe dar um beijo. Ela não gosta da aproximação:

- Sens! Sens!

Ok, deixo que ela fique lá no seu cantinho. Segundos depois, ela sai do auto-castigo com a fralda cheia de cocô.

Me limpa que eu te limpo

Emília gosta de pegar guardanapos, lenços de papel e pedaços de papel higiênico e limpar seu nariz e sua boca, como nós fazemos com ela.

E ela também anda numa fase bem grudinho comigo, então normalmente só consigo ir ao banheiro na companhia dela. Dou um pedaço de papel higiênico para ela brincar, evitando que ela destrua o rolo todo.

Eis que ela resolve que limpar nariz e boca é para iniciantes e leva o papel entre as pernas, como se estivesse enxugando as intimidades. Eu me abro de rir e, como se não fosse suficiente, ela vem com a mãozinha em riste pra limpar a mamãe também.

Dê?

Rafael chega pra Emília, de joelhos e com os braços abertos:

- Cadê o abraço do papai?

Ela deita no chão de barriga pra baixo, como se estivesse procurando alguma coisa debaixo do armário:

- Dê? Dê?

terça-feira, 21 de junho de 2011

Tia

Eis que virei tia! Ontem à noite nasceu meu sobrinho Davi, filho do meu irmão e da minha queridíssima cunhadinha.

Tia, hem? Ficando velha...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Só os pais entendem os filhos

Tem aquelas palavrinhas perfeitas que ela fala: não, mão, pão, mamão (percebam que ela gosta dos “ãos”), papai, mamãe, mamá, peixe, pé (quase, ela fala algo como “pê”). Mas grande parte do vocabulário de uma criança de 1 ano e 5 meses ainda é ininteligível para os leigos.

Me digam o que significa “papá”. Quem pensou em papar (comer) errou. Quem pensou papai, errou também. Acertou quem disse tampar. Mas só quem vê Emília com o copinho na mão, apontando pra tampa e exigindo papá poderia saber disso.

E tem aquelas palavras cuja pronúncia é quase idêntica, mas que significam coisas diferentes:

- Tsêtsê = sentar
- Tsatsê = Caqui
- Tetê = Tetê, a Teresinha amiga dela.

Perceberam a sutileza?

E “ptão”, o que seria? Cavalo, óbvio. Porque se o cachorro faz auau e é auau, o cavalo faz pocotópocotópocotó = ptoptopto = ptão, porque Emília ama “ão”.

É impressionante como entramos tão facilmente nesse universo comunicativo dos nossos filhos pequenos e conseguimos nos compreender tão bem, com as devidas limitações. Eles arrumam maneiras incríveis de se expressar.

Como Emília diz “o papai vai dirigir o carro”? Ela aponta pro banco do motorista, diz “papai”, e solta um “pffffffff” (é, gente, o carro faz pfffffff). Volto com ela da creche e escuto um “môoooooo”. Quando olho pela janela do carro, vejo a foto de um boi na fachada do açougue. Depois ela começa a abanar a mão e falar: “tents, tents!”. Olho pro lado e vejo a fumaça levantada pelo churrasquinho de rua. “É, meu amor, é quente!”.

Como é deliciosa essa fase de aquisição da linguagem!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Sexta-feira fui lá na Pat!

Pela primeira vez tive a honra de ser convidada pra escrever num blog de uma amiga virtual, a queridíssima Patrícia Boudakian, mãe da Alice.

O tema foi amamentação durante a gravidez (num ato falho, quase escrevo "gravidez durante a amamentação". Hoho, não deixa de ser também).

Passem !

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