sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O fantástico mundo de Lia, o incrível Hulk e outras histórias

Foi só desabafar que melhorei. Já quero caminhar hoje, espero que não chova. E segui o conselho da Paloma: “Aproveite e peça ajuda meeeesmo. Sem medo de parecer folgada ou preguiçosa.”

Ontem me enfiei na frente da fila pra esquentar marmita no refeitório, na maior cara de pau. Fui abrindo o microondas e um cara perguntou: “É a sua vez?” Eu respondi, educadamente: “Normalmente as pessoas me deixam passar.” Uma mulher que estava do lado virou pra ele e falou: “Ela está grávida [seu Joselito sem noção, não viu o tamanho da barriga?]”.

Tudo certo, sem mais filas no refeitório.

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Como ia dizendo, melhorei. Claro, agora sei que me canso mais fácil, tenho de dormir mais, malhar menos e furar filas. Mas minha disposição voltou e retorno à minha fantasia: O fantástico mundo de Lia.

No fantástico mundo de Lia, a gravidez é uma maravilha. Todos os sintomas ruins são leves e perfeitamente suportáveis: meu pé não aumenta um número inteiro, só meio; não consigo correr (ainda bem, detesto correr), mas andar 6km é perfeitamente aceitável; não existem estrias (só as que já estavam lá); não existe celulite (só a que já estava lá); prisão de ventre? Hem?; azia? Ok, eu já era ulcerosa mesmo; varizes? Também já tinha, dor nas pernas não é grande novidade.

E aí tem ela se mexendo toda hora, uma delícia. E meu chefe me manda embora no meio de uma reunião que se estendeu demais. Pondo na balança, acho que o lado bom ganha.

E no fantástico mundo da gravidez de Lia, toda vez que eu tiver uma mudança incômoda no meu corpo, vou me acostumar com ela rapidamente e viver feliz para sempre.

Mas a fantasia não acaba por aí.

No meu fantástico mundinho, meu parto não vai doer!! HAHAHAHA

E minha filha vai chorar pouco. Não é uma maravilha?

Oi? Viajei? Não me importo... meu mundinho está tão legal!

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Todo mundo sabe que na gravidez a barriga cresce, o pé cresce, o nariz embatata, o cabelo brilha e tal. Mas ninguém me contou sobre o fenômeno Incrível Hulk.

Sabe quando o Hulk fica fortão e explode a camisa? Você vê aquelas veias verdes saltadas pra fora.

Pois então. Você sai do banho e vê seu colo parecendo um mapa hidrográfico. Alguns vasos nos seios estão até protuberantes, dá pra sentir com os dedos. A lateral da barriga é a mesma coisa, cheia de vasos verdes.

Faltam só os músculos, porque as nossas camisas também arrebentam se a gente tentar usar. Mas isso todo mundo já sabia.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Engravidei

Agora é sério. Acabou a brincadeira. Acabou aquele papo de “estou ótima, caminho 12km, ai que disposição, nada a reclamar, só a azia, hem, 2k?, não, me passa o pesinho de 3, me passa a furadeira, pode deixar que eu faço, não pode carregar peso? Peso é saco de batata, me dá isso aqui...”

Eu me rendo. Pra quem achava que todo aquele sofrimento de carregar uma criança na barriga era frescura, TOMA! Virei uma grávida do tipo “ai que sono, não aguento mais, ai minha perna, ai meus pés, ai minha bunda, não aguento mais ficar sentada, não suporto mais ficar em pé, ai que preguiça de sair pra caminhar (tá chovendo mesmo, né?), pernas abertas, pés de pato, respiração ofegante, refeições parceladas, estômago emplastrado, ai que mal humor, ai que alegria, ai que tristeza e, o tão esperado: por favor, me ajuda?”

Não que eu achasse que esse dia não fosse chegar. Mas é que eu previa isso lá pra semana 38, 39. Pois ontem percebi que o último trimestre não vai ser tão sossegado assim como eu pensei. Cheguei to trabalho só a bagaça. Tudo bem, trabalhei muito, mas o mesmo número de horas de sempre, e com direito a soneca de mais de meia hora no intervalo do almoço. E o Rafael indo pra lá e pra cá resolvendo coisas do ap novo, recebe o homem do telefone, e o homem do ladrilho, e o homem que vai restaurar o berço, e hoje a Bel vai lá receber o marceneiro... e eu aqui, trabalho, pilates, trabalho, injeção Rhogan na bunda, trabalho, exames, trabalho, trabalho e mais consultas.

E ando tão chorosa... quase todo dia à noite, “UÉEEEEENNNN! Amor, quero ir pra casa, amor, nosso ap nunca vai ficar pronto, amor, você não tá cansado fazendo tudo sozinho?, eu queria pode ajudar, mas eu não posso, eu não consigo, eu tô tão cansada...”

É. Agora é desacelerar, e cantar, igual na abertura do Smallville:

SOMEBODY SAAAAAVE ME!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A boneca

Uma tia super fina, que mora em Fortaleza, resolveu dar uma boneca pra Emília.

- Escolhe uma boneca bem bonita, viu? – disse à outra tia, que mora por aqui mesmo e tem uma lojinha que vende brinquedos.

Sábado fui à loja buscar uns creminhos e soube que seria presenteada com a boneca. Minha tia já alerta:

- Não sei se vai ser do seu gosto, mas eu escolhi a mais bonita que achei.

E coloca no balcão um bebezão gigante, com traços no mínimo realistas. Olhei, olhei.

- Tia, essa boneca parece um bebê de verdade. Meio assustador, né? E ela é meio grande também, né... vai demorar um pouco até a Emília conseguir brincar com ela.
- Pois é, minha filha, gosto é gosto. Sua outra tia (são várias, galera, família cearense) bem que disse que ela era “abominável”.
- Hm... é, talvez eu não tenha gostado muito.
- Pois escolha outra boneca então. Se escolher dessas (me mostrou umas bonequinhas de pano com a cara de borracha), leve duas, que são bem mais baratas.

Olhei, olhei, e nada me atraía. Até que o Rafael apontou:

- Essa cabeçuda é legal.

Toda de pano, com uma cabeça super desproporcional, o cabelo castanho-escuro todo picotado em cima e duas maria-chiquinhas caidinhas atrás da cabeça. Vestido xadrez azul.

- Amei essa boneca!

Levei a boneca pro balcão.

- Escolhi, tia. Eu quero essa.
- Eu não acredito que você vai querer essa bonequinha. Olha, tem essa, e essa. Muito mais bonitas.
- Não, eu quero essa.
- Pois leve mais essa. Essa que você escolheu é muito baratinha.
- Não, não, quero só essa mesmo.

Suspirou, disse que minha tia de Fortaleza ia reclamar. Pra não ficar muito aquém da cota, completei o presente com um brinquedinho de morder da Fisher-Price. E saí feliz e contente já brincando com a boneca.

Chegando em casa, pendurei-a no armador da rede do quarto da Emília. Uma graça. Agora só falta batizar a cabeçudinha...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Curso para gestantes

Liguei no Santa Lúcia, onde decidi que vou fazer o parto, para me informar sobre cursos para gestantes. Este mês a turma é semana que vem, de 3a a 5a a manhã inteira.

- Mas só tem nesse horário? Não tem fim de semana ou à noite?
- Não...
- Então impossível pra quem trabalha, né?
- É...

Aí fiquei querendo ser funcionária do judiciário, expediente de 13h às 19h. Mas que espécie de horário de curso é esse? Mesmo que a mulher não trabalhe, quase impossível que o marido possa acompanhar. E curso de gestante sem marido pra mim não rola.

Estou confusa no que vou fazer. O Santa Luzia tem esse curso no fim de semana, mas será que vale a pena fazer o curso numa maternidade onde não vou ter meu bebê?

Eu queria fazer o curso menos por causa do que eles vão tentar me ensinar do que pra conhecer a equipe da maternidade - enfermeiros, pediatras etc. Sei lá, imagino que deve ter muita coisa inútil, tipo banho do bebê (tem um monte de vídeos na internet ensinando isso).

Na minha cabecinha desinformada, importante mesmo só o módulo amamentação, que dá pra fazer no Espaço Acalanto (só que por um precinho muito mais salgado).

Ai, ai... sei não... acho que vou esperar minha próxima consulta e perguntar pra obstetra se precisa mesmo desse negócio.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

27 semanas

Tenho fome. Normalmente um café da manhã reforçado e lanchinhos matinais seguram bem minha onda até 13h, 13h30 – que é quando o refeitório do meu trabalho fica menos lotado e dá pra almoçar em paz. Mas hoje o estômago está reclamando mais que o normal. Paciência, tome mais uma bananinha seca!

27 semanas e dois dias. É agora que começa a dar fome, é? Hoje de manhã subi na balança e ela marcou dois quilos a menos. Deve ter algo de errado, porque ontem me pesei na obstetra e o ganho de peso estava certinho. Mas parece que desde que voltei de férias estacionei mesmo, para bem ou para mal.

Terminei o segundo trimestre em grande estilo, com umas férias compridas e relaxantes. E entrei no sétimo mês voltando ao trabalho, de apartamento novo e com mil coisas a resolver. Foi inevitável que a gastrite voltasse e eu entrasse numa canseira sem tamanho. Vão ter de refazer o serviço de impermeabilização dos banheiros lá de casa. Depois de muita luta, conseguimos achar quem entendesse de ladrilho hidráulico em Brasília. Um alívio enorme e um telefonema: “Mãe, eu e o Rafael vamos passar uma semana aí, ok? Banheiros interditados.”

Ontem, consulta. Exame de sangue ok, com exceção de uma leve anemia. A obstetra prefere não passar nada por agora, porque os níveis de hemoglobina estão seguros, e me encaminha para um hematologista para investigar as causas. Pode ser falta de ferro (o que me obrigaria a chupar prego, porque estou almoçando feijão com vitamina C e tomando suco de couve com limão todos os dias) ou de vitamina B12 pela ausência da famigerada carne. Mas nada grave, bebê está seguro, consulta com hemato só daqui a um mês porque médico credenciado é assim mesmo. Por via das dúvidas, ontem jantei sopa de feijão com brócolis e limão. Dois ovos ontem e mais dois hoje.

A partir de agora, consultas quinzenais na obstetra. Mais as consultas quinzenais na nutricionista, pilates duas vezes e RPG uma vez por semana, a agenda está cheia. Ecografia com doppler-não-sei-o-quê semana que vem e o aviso à chefe: “a partir de agora talvez eu tenha de me ausentar do trabalho de vez em quando”.

Sugestão: se possível, evitem entrar no último trimestre de gestação se mudando, reformado apartamento, trabalhando 8h por dia e tratando de uma hérnia, tudo ao mesmo tempo. Mas como para mim não foi possível, agradeço a Deus pelo apartamento lindo e enorme, pela filha linda e saudável, pelo trabalho e porque até agora nada de falta de ar, dor nas pernas, dor na coluna. No fim das contas, está tudo bem. Ou tudo ótimo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Babá eletrônica

Sucesso total a enquete de ontem! E a lista de compras está enorme, coitada da minha irmã!

Agora, vamos à votação: quem acha que vale a pena comprar uma babá eletrônica com câmera? A sugestão da Paula me pareceu excelente, até eu ver os preços.

Vejam só:
Babá eletrônica com câmera (Day and Night Handheld Color Video Monitor by Summer® Infant): U$ 160 (essa foi a mais barata que eu achei)
Babá eletrônica sem câmera (Secure Sounds™ 2.4 GHz Digital Monitor by Summer Infant): U$50. (e ainda tem umas mais simples por U$40)

Quem acha um saco levantar por causa de um barulhinho e chegar lá no quarto e o bebê está ótimo levanta a mão! Quem acha que esse sacrifício não vale 100 dólares levante a outra mão! E quem acha que babá eletrônica é inútil venha ser minha babá!

Agradecimentos

Pessoal, a Milene agradece a todas que estão ajudando a divulgar o blog que ela criou pra achar a irmã. Dêem uma olhada: http://procurandoluciana.blogspot.com/.

Se esquecemos de alguém, avisem!

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