sexta-feira, 31 de julho de 2009
Pequenos acidentes
Deitei-o no sofá, com um saco plástico devidamente posicionado ao seu lado para evitar acidentes, e dá-lhe gelo no galo! Inventei que tinha que ser 20min porque os médicos sempre mandam fazer compressas de 20min quando tenho torcicolo. Analogias de leigos.
Resolvi também limpar com água oxigenada um arranhão que ele ganhou na queda, não sem gritos de protesto: "Não aguento mais dor!"
Antes de ir pra cama, procurei alguma pomadinha que pudesse ajudar a nocautear o galo (eu pensando nele chegando no trabalho hoje com aquele farol vermelho na testa... mico total). Gelol acabou e ele é alérgico a Calminex. Peguei uma pomada anti-inflamatória que o médico receitou no meu último torcicolo e fui ler a bula: "contusões, traumas..." Voilà. Passei a pomada com cuidado (o galo estava mole no meio... medo!) e, hoje de manhã, ele já estava bem melhor, apresentável até. "Obrigado, amor, por me cuidar..."
Aí eu imaginei quando forem os bebês, e eu adiar meu sono para botar gelo na pancada, limpar o machucadinho, ler todas as bulas procurando alguma coisa que ajude a melhorar. E tranquilizar a pobre vítima, claro, porque o desespero só aumenta a dor. E a gente vê que até nesses momentos mais chatinhos o amor é uma delícia!
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Só tenho um pouco de receio de exagerar nessas analogias marido/filho. Ontem de manhã, no telefone com o Rafael, eu disse: "Vá logo trabalhar, e não esqueça seu sanduíche." Jesuis!!
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Minha irmã acabou de me falar que eu sou louca, que não tinha que ter passado pomada nenhuma e que tinha que ter levado o Rafael no hospital. Disse que isso é lesão com derrame e que podia ter acontecido algo grave. Que bom que Deus protege os tolos!
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Mais dele
- Mas, amor, a blogosfera anda meio parada ultimamente, o pessoal está de férias... se eu escrever demais ninguém vai conseguir acompanhar.
- Mas eu sou dependente!
Ele começa a acessar o blog assim que chega do trabalho e fica entrando até aparecer um post novo.
Ele também é fã da minha barriga:
- Adoro barrigona!
E não reclama quando as formas – as de outras partes do corpo – começam a arredondar. Aqueles pneus nas laterais das costas, o quadril que já começa a pegar na camisola soltinha, a bunda que eu juro que conseguiu aumentar. Tudo lindo.
Não posso reclamar. É bom se sentir bonita e é bom ter o reconhecimento dos outros. Ninguém é totalmente seguro de si, por mais que pareça. Mas mesmo que ninguém me dê bola, que eu odeie tudo o que eu faça, que eu entre em crise sempre que meu corpo mostra mais uma mudança, ele está sempre lá, me achando linda.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Rapidinha
eu - É tão estranho comprar roupas sem saber como o corpo vai estar daqui a uma semana, um mês, seis meses...
Lídia - Bem-vinda à minha adolescência.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Desencana!
Este também é para as treinantes.
“Quando desencanei, engravidei.” Já li muito isso por aí e não duvido que, em casos específicos, seja mesmo verdade. Mas não creio que haja uma relação milagrosa entre o estado tô-nem-aí e uma concepção bem sucedida. Da mesma forma, não acredito que a vontade de engravidar seja uma espécie de anticoncepcional natural.
Fico me perguntando exatamente em que consiste esse desencanar. Tudo bem, dá pra tentar colocar a cabeça em outras coisas, não calcular os períodos férteis, não dar a mínima pro muco, namorar quando der vontade. Mas não dá pra se desligar totalmente do fato de que você é uma pré-grávida, não sem ser irresponsável.
Como esquecer que você está tentando engravidar se todos os dias você toma aquela pastilhinha de ácido fólico? Ok, vamos fingir que aquilo é um anticoncepcional de uso contínuo (muita abstração pra minha cabeça, mas tem gente que consegue). Mas essa não é a única mudança na vida de quem está tentando engravidar.
Eu lutava boxe. Sempre me matriculei em pacotes trimestrais, pra ficar mais barato. Aí, na hora de renovar a matrícula, a dúvida: durante quanto tempo ainda estarei apta para um exercício de alto impacto? Logo que parei a pílula, decidi esperar acabar o trimestre já pago antes de mudar de atividade. Não renovei a matrícula e troquei o boxe pelas caminhadas. Tudo em função de uma futura gravidez.
E tem o álcool. Impossível esquecer que você pode estar grávida quando te oferecem uma taça de vinho, ou um choppinho. “Não, obrigada, não estou bebendo.” Alguns perguntam por quê, e você inventa qualquer história do tipo “estou fazendo desintoxicação alimentar” ou “estou tomando antibiótico”.
Outra coisa além do álcool são todas as porcarias que se deve começar a evitar logo que se suspende o anticoncepcional. Frituras, gorduras saturadas, corantes, conservantes... E o cuidado redobrado pra garantir todos os nutrientes necessários para um possível embrião.
Por isso digo que é impossível não estar nem aí. E também não acredito que quem “desencanou” estivesse completamente zen, sem nem pensar na gravidez. Tenho ainda outra teoria: normalmente, a concepção demora mesmo alguns meses para acontecer. No início, é natural que estejamos mais empolgadas com o projeto, pesquisando muito pra aprender sobre tudo aquilo que é tão novo pra nós (pelo menos quando se trata do primeiro filho). Depois, você se cansa de tanta informação e outras agendas vão aparecendo na nossa vida. Isso tem grandes chances de coincidir com o 5º, 6º, 9º mês de tentativas, quando a probabilidade acumulada de gravidez atinge valores mais altos. Assim, creio que essa associação entre estado zen e concepção possa ser, em muitos casos, mera coincidência.
Comigo foi assim: no primeiro mês, a expectativa era maior. Depois, passei a pensar nisso cada vez menos. Mas nunca esqueci que estava tentando engravidar, e não passei um dia sem pedir a Deus que se lembrasse de nós. Calculava direitinho os períodos pré e pós-ovulatório (quando é possível estar grávida sem saber) e, se liberasse uma tacinha de vinho, era só na primeira semana do ciclo. Fui adaptando minha vida para quando chegasse a tão esperada notícia, e não sei se cheguei a desencanar totalmente.
E aqui estou eu, grávida, depois do 2º mês de tentativas “sérias”. Então, se alguém te disser que você não engravidou ainda porque não desencanou, não se sinta culpada. Desencane!
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Eu tive um sonho...
O problema eram os pelos. Muitos pelos, na cabeça, nas mãos, nos pés. A cabeça dele era toda coberta por uma camada grossa de pelos muito crespos, e grisalhos! Mas o pior eram os pelos nas costas das mãos. E eu pensando: se ele já é assim recém-nascido, imagine quando for adulto (me perdoe, Tony Ramos!). Mas não era só isso. Um dos pés era comprido demais e voltado pra baixo, e não pra frente. E não dobrava. Aquele bebê estranho já tentava me dizer algo sobre o pé; e eu só lembro que respondi algo do tipo: “A gente vai no médico consertar”.
Foi muito esquisito. Senti uma rejeição terrível por aquela criança e, com ela, a inevitável culpa. Esperei que fosse um sonho, e realmente era. Mais um dos muitos pesadelos relacionados à maternidade que já tive (já sonhei que tinha animais e me esquecia de alimentá-los ou que deixava meu bebê em cima da árvore).
De manhã, ele me diz: “Amor, você estava rangendo os dentes”. Normal, tenho bruxismo. E, já no carro, a caminho pro trabalho, me lembrei do sonho.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
ZzzzzZZZzzZZ
Mas como o assunto é sono, e como eu ainda não tenho um bebê fora de mim pra relatar qualquer história que seja, vamos ficar com o sono das grávidas.
Não quero falar muito de mim porque ainda não tenho nada muito interessante pra contar. Sempre fui muito sonolenta, como toda a minha família. Sábado e domingo à tarde são sagrados: soneca de 1h no mínimo, de preferência 2h. No início da gravidez, ficou um pouco pior. Bocejava a tarde toda no trabalho e às vezes caía na cama assim que voltava pra casa. Agora me sinto mais disposta. Mas sei que as coisas vão piorar, por isso vamos ao que interessa: soluções criativas para dormir fora de casa.
1) No banheiro
A irmã da Lu me contou que cochilava no banheiro do trabalho. Abaixava o tampo do vaso, sentava, encostava a cabeça na divisória e dava uma piscadinha de 5 minutos. Boa ideia, mas não pra mim, que não consigo dormir menos de meia hora e só pego no sono se estiver deitada.
2) Embaixo da mesa
Uma colega de trabalho, na primeira gestação, esperava a sala esvaziar e se metia debaixo da mesa para tirar aquele cochilo. Disse que ninguém nunca desconfiou, até ela confessar o crime já com o bebê nascido. Prós: é relativamente confortável, porque você fica deitada e é escurinho. Mas deitar no chão é meio nojento, mesmo que você forre com alguma coisa. Risco total de alergias.
3) No carro
Essa ideia é da mesma colega que dormia embaixo da mesa. Ela está na segunda gravidez, quase 8 meses, e foi flagrada por uma outra colega dormindo no estacionamento do trabalho, na hora do almoço. Achei genial: você pode deitar todo o banco da frente e dormir de ladinho ou, pras cotoquinhas como eu, se encolher confortavelmente no banco de trás.
Seria perfeito se ela não estivesse estacionada no sol. Apesar do inverno, está fazendo 30º em Brasília durante o dia, com o agravante da seca. Claro, ela deixou a porta aberta. Mas, claro, não é o suficiente para evitar um calorão. Preocupada com a possibilidade de ela passar mal, ofereci a chave do meu carro, que fica na garagem coberta. Ela gentilmente recusou, dizendo que estava tudo ótimo lá no sol. Ok.
Óbvio que contesto a sanidade da minha amiga. Mas, óbvio, vou aproveitar a ideia do carro pra quando o sono pegar mais pesado... e fresquinha, na sombra da garagem!
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Quando as roupas se tornam um problema
Eu sempre achei lindo barriga de grávida e queria que a minha aparecesse o quanto antes. Até achava engraçado essas grávidas que se orgulham de ter mantido a silhueta por meses. Mas basta acontecer com a gente, e tudo muda!
A gente quer adiar a barriga porque entre o tanquinho e a linda pança redonda existe um longo caminho não tão sexy. Acho que ainda não estou naquela fase em que as pessoas ficam na dúvida: “Será que ela está grávida? Será que eu pergunto?”. Como eu disse uns posts atrás, minha barriga ainda não desperta dúvidas: só parece chopp mesmo!
Mas não foi de barriga que vim falar aqui – apesar de a barriga ser a causadora de toda a crise: foi das roupas. Já no segundo mês, alguns jeans começaram a incomodar. Ninguém via barriga nenhuma (só o marido, que me conhece como ninguém!) e atribuíam minhas reclamações a uma das 5930 mil neuras que eu tenho. Mesmo assim, já aposentei umas 4 calças logo de cara.
No começo foi até legal. As limitações atiçam nossa criatividade. Desenterrei umas saias de cós baixo, uns vestidos, uns sapatos baixinhos, e apareci com umas combinações nunca antes experimentadas. Mas chega uma hora (principalmente quando a depilação expira e você está morrendo de preguiça de fazer outra) em que você quer usar calça mesmo. Ou pelo menos um short, uma bermuda, só pra poder sentar, digamos, mais à vontade. E lá fui eu fazer o balanço do guarda-roupa.
Domingo, na igreja, tentei uma bermuda que costumava ser confortável. Depois de poucos minutos sentada, deslizei discretamente os dedos por debaixo da blusa, desabotoei o cós e desci o zíper até a metade. Mais uma peça que entra de férias por tempo indeterminado (indeterminado porque depois tem o pós-parto, né?).
Ontem resolvi ser mais esperta. Peguei uma pantalona que estava encostada há um tempão por causa de uma manchinha no joelho. Vesti, conforto total. Pelo menos na frente do espelho. Problema: não dava pra usar com salto baixo. Ok, ainda posso subir no salto por uns meses. Escolhi uma sandália que eu vinha evitando por recomendações ortopédicas, pensando que não faria mal um diazinho da semana nas alturas. Pois o fracasso foi maior que no domingo. Além de ficar super incomodada com a sandália, que tinha um salto muito fino e não era firme no pé, a calça não compensou o desconforto. Larguinha nas pernas, pegou na barriga do mesmo jeito. O pior é que nem sempre dá pra notar como a roupa vai ficar desconfortável na hora de experimentar. Só depois de um tempo sentada é que a gente vê que aquela não dá mais.
Ainda não provei todas as minhas calças depois que a barriga começou a aparecer, mas a minha sensação é que vão sobrar só duas: uma blue jeans clássica da Levis, cós baixinho, que fica um pouco folgada (ou ficava, vamos ver), e uma de lavagem escura com stretch. A primeira, só pra eventos informais; pra trabalhar, nem pensar. A segunda é pau pra toda obra: skinny, dá com sapatilhas e rasteirinhas numa boa. E essa sim é conforto total. Problema: ela é só uma, e já está praticamente andando sozinha de tanto eu usar!
Mas por que você não compra roupas novas???? Sim, claro, vou comprar. Tenho de comprar. Mas sou pão dura e estava querendo adiar ao máximo esse momento... ó, céus!
Mas essa semana não dá. E hoje voltei pro vestido.