Um dia antes do "mesversário", Emília nos presenteou com dois marcos de desenvolvimento. Primeiro, segurou firme seu primeiro objeto, um brinquedinho simples de plástico. Até então, só tinha agarrado panos e o nosso dedo. Ela ainda não pega o objeto sozinha; eu pus na mão dela. Mas antes ela nem segurava.
Outra gracinha que ela fez foi ficar com a cabeça erguida um tempão quando a colocamos de bruços. Ela já levantava a cabeça e virava pros lados, mas nunca tinha conseguido segurar a posição por tanto tempo.
Aliás, o negócio dela agora é ficar com a cabeça levantada. Quando está no colo, não apoia mais a bochecha no nosso ombro. Fica com o pescocinho esticado, espiando este mundão. Com isso, o golfo passou a cair no chão, no nosso braço e, não sei por que, no bolso da bermuda. Ela adora golfar no meu bolso, parece até que mira. Nessa posição, ela me lembra um suricato, um bicho que parece que foi feito pra ficar de quatro mas gosta mesmo é de ficar em pé!
Dois meses, três vacinas. Primeiro, a gotinha. Ela fez uma cara nunca dantes vista, leia-se: "eca, eca, eca, que trem horrível!". Diz o Rafael que ela até chorou um pouquinho; não me lembro. Depois, tomou gelzinho de rotavírus. Esse parece que não era ruim. Muito bonitinho ela lambendo o negócio e engolindo aos pouquinhos. Mais uma expressão nova.
Depois, a marvada. A tetra. Quatro bactérias. Parece que não doeu muito (pelo menos não tanto quanto a vacina da hepatite), mas a enfermeira avisou: essa vacina costuma dar reação, então se já quiserem passar na farmácia e comprar um paracetamol...
Resolvi esperar. Vai que não dava reação, né? Eu que não queria medicar meu bebezinho à toa. Chegamos em casa, Emília super feliz e sorridente. Mas eu já devia desconfiar que algo estava errado, porque passaram três horas desde a última mamada e ela nada de reclamar. Resolvi dar o peito, ela mamou e dormiu (dormiu, viu, pessoal? Percebam a segunda coisa errada).
Depois de uma meia hora, ela acordou chorando diferente. Dei colo, ela pegou no sono de novo (erradíssimo!). Dormiu mais outra meia hora, e pensei: "ok, ela vai chorar e dormir, chorar e dormir. Só vou dar o remédio se ela tiver febre. Por enquanto, vou administrando com o colo." Mas depois dessa soneca, o berreiro ficou inconsolável (já era meio dia, e ela tinha sido vacinada de manhã cedo). Ofereci o peito - já fazia duas horas desde a última mamada, intervalo padrão dela -, e ela necas de querer. Liguei pro marido e pedi pra ele passar na farmácia.
Por volta das 13h, demos o paracetamol e o efeito parece que foi imediato (terceiro novo sabor do dia e da vida de Emília: remedinho de cereja - eca!). Ela melhorou demais, até riu. E ficou calminha a tarde toda, sem dar trabalho. Mais uma coisa errada. Sem dar trabalho, entenda-se: sem querer mamar, sem fazer xixi (o que não entra, não sai), mole, mole, só deitada, abrindo e fechando os olhos, dormindo a maior parte do tempo. Emília virou uma boneca de pano.
E eu fiz esforço pra ela mamar, menos por causa da fome (ela tem reserva de gordura) que por medo de desidratação. E mamou, ainda que em intervalos de até quase 4h. No fim do dia, ela deu um mamadão de quase meia hora pra tirar o atraso, e mamãe aqui ficou felizona: apetite é igual a vontade de viver.
Mas aí o efeito do remédio foi passando e ela foi piorando. Marido já em casa, notamos que ela estava quentinha. Desembalamos o termômetro e confirmamos a febre: 38o. Mas fazer o quê? Ela já estava medicada; tiramos a temperatura só pra acompanhar a melhora.
Achamos que a noite ia ser difícil, mas não foi. À uma da manhã, o Rafael foi lá dar o remédio. Ela chorou, mas voltou a dormir logo em seguida. Quase 4h ela acordou com fome (ótimo sinal!), mamou bem, sugando forte, e voltou a dormir. Hoje de manhã ela ainda chorou um bocadinho, um choro que parece pneu derrapando (quantas novidades! novos sabores, novas caras, novos choros!), mas a temperatura começou a baixar. O apetite ainda não está voraz como antes, mas está voltando. E ela também está mais firminha, com a cabecinha erguida por sobre o nosso ombro, explorando o mundo!

Bem-vinda de volta, minha suricatinha!