terça-feira, 25 de agosto de 2009

Pediatras

Dizem por aí que é bom escolher o pediatra antes de o bebê nascer. Como sou daquelas mães nerds que querem fazer tudo certinho, segui as recomendações e marquei consulta com um pediatra recomendado pelas comunidades do Orkut (não tenho Orkut, mas uma amiga pesquisou pra mim) e pela minha obstetra. E atendia meu plano, o que era perfeito.

Quando fui marcar a consulta, ficaram me pedindo o nome da criança. Expliquei que eu era gestante e que o bebê ainda não tinha nome. Marquei no meu nome mesmo e lá fui eu.

Chegando lá, a moça me perguntou de novo o nome da criança. Expliquei mais uma vez que a criança não existia enquanto cidadão, não tinha sexo, nem nome, nem RG. Que eu estava indo lá pra conhecer o pediatra.

- Nossa, não sei então como faz. Tem que ser no nome da criança. Vou falar com o médico que ele deve saber.

Ela voltou e disse:

- O plano de saúde não vai pagar, então vai ter que ser particular mesmo. Você pode pagar preço de convênio.
- E quanto é?
- R$100,00.
- Moça, isso não é preço de convênio.
- Mas aqui a consulta custa R$180,00.
- Tudo bem, mas não venha me dizer que isso é preço de convênio.
- Mas é que o plano de saúde não paga se não for no nome da criança.
- Eu compreendo, mas vocês podiam ter me avisado isso quando eu marquei a consulta. Eu disse qual era meu plano e disse que era gestante. Não estou trazendo nenhuma informação nova.
- Deve ter sido outra recepcionista... Mas e então?
- Não vou decidir isso agora.
- Depois você marca de novo, sempre tem vaga...

Resolvi finalmente que não vou pagar consulta pra conhecer pediatra. Se for pra gastar, vou logo num médico que minha família conhece há anos e que não atende convênio. Então, com esse plano B na manga, vou lá no Dr. Credenciado assim que o bebê nascer, devidamente coberta pelo plano de saúde. Se não gostar, mudo pro Dr. Amigo-da-Família-não-Credenciado. Fui achar minha obstetra já com 2 meses de grávida. Então o pediatra também pode esperar, e que se dane a antecedência!

Mas claro, como não poderia deixar de ser, meu espírito nerd me atacou na saída do consultório, e propus ao marido:

- Amor, já que estamos aqui no Setor Hospitalar, vamos conhecer as maternidades?

E lá fomos nós... amanhã eu conto.

+++

Ah! Hoje completo 19 semanas de gestação! Parabéns pro bebê!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Que bonitinho!

Sábado de manhã, eu e Rafael (ele pela primeira vez) no salão pra cortar os cabelos. Lugar super descolado, cheio de gente fashion. A cabeleireira dele era uma mulher super machona, roupa de menino, cabelos curtésimos, boné, alargador na orelha, tatuagens. Contou da vida, que morava com uma mulher que tinha um filho de 4 anos. Então o Rafael comentou:

- Nós também vamos ter um filho, minha mulher está grávida.

E ela:

- Que bonitinho!

++++++

Desculpem pela demora em aprovar os comentários esse fim de semana. Além de estar com meu computador de casa pifado, fui presenteada com mais um torcicolo. Dor, dor e mais dor. Às vezes tenho a sensação que não vai ter RPG e Pilates que curem os efeitos dessa hérnia... :(

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Sonhos

Ser outra coisa.

Às vezes olho pra minha vida e me pergunto como vim parar onde estou. Algumas coisas são muito melhores do que imaginei: tenho um marido fantástico, estou perto da minha família, estou me mudando pra um apartamento lindo. E tenho um emprego muito melhor do que pretendia ter com a minha idade.

Mas algo parece não estar certo.

Em primeiro lugar, o que estou fazendo? Não estou traduzindo, não estou revisando textos (pelo menos não a maior parte do tempo). Escrevo, é verdade, mas documentos padronizados. E passei os últimos três anos e meio conciliando uma jornada louca, 40h semanais de trabalho e uma graduação diurna, pra lá e pra cá. Tornei-me tradutora há seis meses e hoje só sinto saudades. Não do caos que era minha vida, mas daquilo que eu amava, que era traduzir. Quis emendar um mestrado, mas precisava parar. E agora, mais que nunca, não posso voltar àquela rotina ensandecida. Entre continuar os estudos e seguir trabalhando, fiz a segunda opção (pelo menos temporariamente).

Em segundo lugar, o meu tempo. 40 horas. Não sei quem inventou isso. Sei que em São Paulo as pessoas trabalham 12h por dia, e que na Revolução Industrial a jornada chegava a 16h. Mas não creio que isso torne humanas as 8h diárias – note-se: com a obrigatoriedade de tirar pelo menos uma hora de almoço, o que me coloca 9h fora de órbita. Você passa todo o seu sol vivendo a vida dos outros, trabalhando pra sociedade, e tem de contratar outras pessoas pra viverem a sua vida – pra limpar sua casa, fazer sua comida, cuidar dos seus filhos. Fiz tudo durante muito tempo, mas há quase um ano não passo mais minhas roupas e não limpo mais a casa. Super legal? Sinceramente? Preferia ter um dia a menos de trabalho pra cuidar da minha casa.

Desde que resolvi fazer outra graduação e mudar definitivamente de carreira, mesmo trabalhando tempo integral, ensaio tomar novos rumos. Mas me falta a coragem. Foi até fácil colocar as contas na ponta do lápis e superar a redução de quase metade do nosso orçamento. Não tenho medo de viver com simplicidade, teremos o suficiente para levar uma vida digna. Mas me apavora largar um cargo público, cada vez mais difícil de conseguir. Penso nas férias, licença maternidade de 6 meses e, sobretudo, na aposentadoria.

Eu podia ficar horas falando sobre isso. Às vezes acho que estou vivendo com base em valores que não são os meus: segurança e estabilidade. Faço planos, tento estabelecer prazos para tomar uma atitude. Reflito, reflito. E sonho.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

*?(&)#@{*}!

Não sou de falar palavrão. No máximo, solto um m**** muito raramente, mas quase sempre pra zoar meu marido ou minha irmã. Adoro ver a reação deles. O Rafael é assim: “O que você disse? Não escutei direito. Repete.” A Lídia, que conversa muito comigo pelo Gtalk, diz: “Este chat não tem lugar para esse tipo de linguajar.” Mas é inevitável xingar um pouquinho de vez em quando com os clássicos “droga!” e “saco!”.

Daí que o Rafael reclamou que eu ando usando demais esse vocabulário chulo. “Já pensou quando o bebê vier, você falando assim?”.

E é verdade, as crianças aprendem e repetem. E se fosse só repetir ainda seria menos mal, você dá uma bronca e sai cheio de moral. O pior é quando eles soltam uma justificativa que te deixa com a cara no chão. Dia desses minha mãe repreendeu uma criança de três anos porque falou “droga!”. A resposta do menino:

- Ué, foi minha vó que me ensinou.

Novamente minha mãe – que detesta palavras desagradáveis –, argumentando com uma menina uns anos mais velha que “droga” era palavrão.

- Mas tia, a droga que eu falei é de remédio, não de palavrão.

Rá!

Ok, é bem mais legal dizer coisas agradáveis e inspirar as crianças a não serem pessoas reclamonas e explosivas. Mas o que você diz quando vai virar o omelete e voa ovo cru no chão e no fogão que você acabou de limpar?

- Oh, céus, que lástima. Lálálá, não faz mal, limpamos outra vez.

Um “saco!” nessas horas é excelente para extravasar... e em cinco minutos está tudo limpo novamente e você cantarolando igual a Poliana. Lindo, não é mesmo?

****

P.S.: Meninas, valeu demais pelos comentários no último post. Vocês salvaram a minha vida.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Enquete: carrinhos

Ok, ainda faltam 5 meses pro meu bebê nascer, mas acho que está na hora de aprender sobre carrinhos. Não gosto de deixar nada pra última hora – já escolhi a creche, já marquei consulta com pediatra, já estou craque em amamentação (pelo menos teoricamente... hehehe).

Decidi que é hora de escolher o carrinho por dois motivos: primeiro, minha irmã talvez vá pros EUA em novembro e, se tudo der certo, vai comprar o carrinho lá. Segundo, porque a Nina me mandou um cupom de desconto no site Saci Pererê e pensei que quanto antes eu resolver que carrinho eu quero, mais provavelmente conseguirei aproveitar as promoções que aparecem (caso minha irmã não viaje).

Já li algumas dicas sobre isso no blog da Roberta, mas ainda não foi o suficiente pra eu me resolver. Me digam aí se meus desejos são muito irreais:

- Não pode ser nada trambolhento e pesado, difícil de transportar. Tenho um Clio hatch e não pretendo trocar de carro tão cedo, se é que vocês me entendem.
- Gostaria de usar o mesmo carrinho durante todas as idades do bebê, e não ter de comprar um modelo diferente quando ele ficar maiorzinho (aliás, até que idade precisa de carrinho, hem?).
- Preferencialmente deve ser resistente o suficiente para durar para toda a prole (quero três – filhos, não carrinhos –, lembram?).
- Se não sacolejar demais também vai ser excelente.
- Fashion? Sim, é um “plus a mais”. Não é indispensável.

Ah, eu sei que é bom ir na loja, experimentar e tal. Mas é bom já ir com uma ideia, né?

Então opinem aí... será que existe algo ao mesmo tempo confortável, resistente, estável, leve e compacto?

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Quem tem medo do porco mau?

Mamãe 1x0 gripe.

Minha mãe escreveu este relato sobre a convalescência da minha irmã semana passada:

Depois de 5 dias de isolamento, hoje a Isabel volta a circular com saúde.
Quarta passada ela acordou passando super mal: febril, moleza, dor de cabeça, tontura, ânsia de vômito. Na possibilidade de ser gripe suína, não mediquei para não mascarar os sintomas. Às 14h a febre já estava 38,7, e a prostração total.

Liguei para um médico amigo da família e recebi a seguinte orientação: Só a leve ao hospital se ela estiver com dificuldade respiratória e medique como sendo uma gripe forte. Os hospitais públicos estão lotados. Mesmo indo a um hospital particular, o acesso ao Tamiflu tem que ser autorizado pelas autoridades sanitárias.
Então iniciei um tratamento intensivo: antigripal, antitérmico, descongestionante nasal, vitamina C, homeopatia para gripe, amigdalite e tosse – de hora em hora e muito líquido. Oferecia um pouquinho de comida de 3 em 3 horas. No 3º dia entrei com antiinflamatório. A mantive em isolamento. Separei, inclusive, a louça e o banheiro para não contaminar os outros.
Hoje a Bel está de alta total. Já fizemos até uma caminhada matinal.
Minha irmã sugeriu fazer exame para pesquisar o vírus e eu preferi não enfrentar aglomerações de doentes. Se foi gripe suína não sei. Mas esta foi a primeira vez que ela foi nocauteada ao entrar no ringue.
Com esta, até perdi o medo desta pandemia. Se alguém aparecer gripado, apelo logo no início para evitar maiores complicações e aconselho a todos a fazerem o mesmo. Hospital só em caso de dificuldade respiratória, pois os óbitos são geralmente causados por pneumonia. Só pra prevenir, estamos todos tomando 1g de vitamna C por dia, por tempo indeterminado.
O Governo não pode mandar a população se automedicar, mas nesta situação, para mim, este é o melhor caminho.

Assinado, Doutora Luzia CRM 007

Eu perguntei: "Mãe, posso publicar seu relato?" Ela respondeu: "Não, podem cassar meu CRM que eu passei 30 anos para conquistar..."

OBS.: Minha mãe é economista, funcionária pública aposentada e, nas horas vagas: arquiteta, costureira, pintora, desenhista, professora, cozinheira, enfermeira, médica e comediante.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Surtada

Ontem, como sempre, fui fazer minha marmita para levar pro trabalho no dia seguinte. Resolvi também transformar em sopa a abóbora que estava na geladeira e fazer minha limonada suíça com couve de todos os dias.

Pimentão no forno, tofu na frigideira, arroz na panela, lava brócolis, corta brócolis, cozinha brócolis no vapor, corta abóbora, joga abóbora na panela. Joga brócolis na água fria pra parar o cozimento, secou a água do arroz, vira o pimentão, vira o tofu, toca o telefone. Minhas irmãs estão trazendo o carro pra meu marido dar uma olhada antes de mandar pra revisão. “Ok, ele ainda não chegou, mas podem vir”. Chega marido. Também quer limonada. Chegam as irmãs. Tudo no fogo. Corta cogumelos. Abóbora ficou pronta, separa a casca, bate no liquidificador. Corta alho, refoga alho, volta o creme de abóbora, quase não cabe na panela.

- Lia, Lia, deixa eu falar com o neném!! Tenho que gritar na sua boca, né, porque o neném só ouve a voz da mãe.

Rasga couve, põe no liquidificador. Liquidificador entala, tem couve demais. Insisto, empurro. Funciona. Coloco os limões, o liquidificador reclama.

- Tem que botar mais água, Lia! Coloca mais água! Deixa eu falar com o neném!

Coloco mais água, continua entalado. Tem coisa demais no liquidificador, o suco só tem gosto de couve. Nada de bater os limões.

- Irmã, o apartamento está lindo! Amanhã tem que ir pagar o marceneiro. O sinteco chega segunda. A gente tem que sair pra comprar os puxadores, viu?

- Lia, Lia, deixa eu falar com o neném? Oláaaaa!!! Pffffuuu!! Diga oi pra tia Lídia!

- AHHHHHHHHHHHHHHHHH!! SAIAM DAQUI QUE EU NÃO ESTOU CONSEGUINDO FAZER A PORCARIA DO SUCO!!

- Amor, você fica tão linda surtada.

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