quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Engravidando

Eu tinha um professor no ensino médio (nem faz tanto tempo assim, mas a gente ainda chamava de 2º grau) que dizia que algumas coisas ou eram, ou não eram. Que não podiam ser mais ou menos. E este era o exemplo clássico:

- Ninguém pode estar mais ou menos grávida. Ou está, ou não está.

Eu achava graça, pensava: “é mesmo”. Pois não acho mais que seja assim.

Mesmo que, cientificamente, a mulher esteja grávida a partir do momento da concepção, nosso corpo – física e emocionalmente – vai engravidando aos poucos.

Quando vejo uma mulher com uma barriga enorme, penso: “Aquela lá está super grávida.” Ou gravidona. Ou, quando parece que vai dar a luz a qualquer momento, MEGA grávida. Até a Cath comentou no post de ontem: “...quanto mais grávida você estiver...”

E tem as gravidinhas, que ainda podem arriscar uns minutinhos deitadas de bruços ou dormirem tranquilamente de barriga pra cima. Essa sou eu. E já me sinto super credenciada a dar dicas de obstetras e compartilhar tudo o que aprendi sobre amamentação na SMAM com minhas amigas que acabaram de descobrir a gravidez. Cinco, sete semanas. Pouco grávidas.

Mas, claro, estou cada vez mais grávida. A barriga vai aparecendo, o sono vai aumentando, começo a sentir os movimentos do bebê. Esses dias chorei porque estava me achando gorda.

- O que está acontecendo com você? – meu amor me pergunta.
- Acho que estou ficando grávida...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Terrorismo

Detesto gente que fica criando pânico.

“Acabou o álcool gel em Brasília.”
“Confirmaram mais um caso de gripe suína aqui.”
“Você quer ter três filhos? A gente conversa depois do primeiro.”
“Não quer dar chupeta? Espera só ver a primeira choradeira.”

Ai que saco! Por que tem gente que adora te alertar (agourar) sobre tudo o que pode (vai) dar errado?

Desculpem aí o desabafo. Juro que nos outros 90% do tempo estou uma grávida zen que acha que as pessoas não falam as coisas por mal.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sobre armas e outras coisas mais (ou: Histórias do meu irmão)

A Adriana, amiga da Roberta, dia desses fez um post no blog dela sobre perigos domésticos. No caso, ela falava sobre crianças que pegaram facas afiadas numa lava-louças aberta. Na hora, lembrei do meu irmão e resolvi escrever este texto sobre ele.

Desde pequeno, meu irmão se interessava por engenhocas. Gostava de mexer nas ferramentas do meu pai e nos aparelhos eletrônicos. Meus pais compraram um kit de ferramentas de plástico e ele logo descobriu como era interessante bater com o martelo na cabeça de um recém-nascido (no caso, moi). Ainda pequenininho, desmontou o rádio de um conhecido do meu pai e, obviamente, não conseguiu montá-lo de volta. Depois que viemos pra Brasília, ele, com já mais de 6 anos, abriu nossas bonecas que falavam, extraiu cirurgicamente o motorzinho e colocou num carrinho de lego pra fazê-lo correr (percebam que seu interesse não era o carrinho, mas o motor).

Não lembro quantos anos ele tinha quando ganhou a primeira faca (dessas tipo adaga, curvas) e sua primeira espingarda de pressão. Meus pais eram loucos? Vejam a situação e avaliem.

Já muito novo ele começou a pedir armas, e não podia ser muito de brinquedo; tinha que pelo menos atirar bolinhas com uma força considerável. A resposta sempre foi não. Então um dia a professora da escolinha disse que ele estava fazendo revólveres com bolachas cream cracker. Foi então que eles cederam.

E meu irmão nem precisava de armas prontas. Se não as tivesse, ele mesmo fabricava alguma coisa perigosa a partir de materiais inusitados. Uma vez ganhou umas cápsulas de bala vazias de um tio avô. Então ele raspou as cabeças de vários palitos de fósforo e socou nas cápsulas junto com outras coisas que eu desconheço (limalha de ferro, enxofre, sei lá, coisas que eu nem sei onde ele arrumava). Daí ele explodia as cápsulas e ficavam umas marcas lindas no teto da cozinha.

Também fabricava facões com tubos de alumínio. Também não me perguntem onde ele arrumava esses tubos. Pegava um martelo (dessa vez de verdade, não de plástico), batia, batia, até o tubo ficar achatado. Daí ele amolava um dos lados, e voilà! Quando íamos pra um lugar onde tinha mato, ele fica sacudindo essa “espada” de um lado pro outro, cortando as plantas. Confesso que eu achava super legal.

E tinham também aquelas telas com buraquinhos. Ele cortava as extremidades dos buracos e fazia estrela ninja, soco inglês, enfim, qualquer coisa extremamente cortante.

Meus pais então desistiram e compraram uma espingarda de chumbinho (que foi roubada, e eles compraram outra no lugar!), uma coleção de facas e mais outras excentricidades tecnológicas: binóculo que permitia ver as crateras da lua, microscópio, tubo de raio laser.

Apesar do arsenal bélico, meu irmão sempre foi um menino muito bonzinho. O problema é que ele nasceu com uma inclinação natural para esse tipo de “brinquedo”, e essa mesma curiosidade levou-o a ser um brilhante aluno, principalmente na área de exatas, e estudar no ITA anos depois.

Até virar adulto, ele explodiu mais um monte de coisas e incendiou outras tantas. Quando tudo parecia mais calmo, minha irmã foi visitá-lo em Porto Alegre e conta que o viu brincando com uma canetinha que projetava um laser verde. Por causa da potência, o brinquedinho trazia a inscrição: DANGER! Eu digo que vou mandar fazer pra ele uma camiseta com esses dizeres ou algo do tipo CAUTION ou BIOHAZARD.

E escolhi essa criatura pra ser padrinho do meu bebê... Tenho juízo?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Mexeu comigo

Era segunda-feira, fim da tarde. Deitei na maca para começar o RPG. De repente, senti um calombo se formando no meu baixo ventre. Estranhei, apalpei, e tive certeza de que aquilo era meu útero. Pensei: “o bebê deve ter mudado de posição”.

Reparem que usei mentalmente as palavras “mudou de posição”, e não “mexeu”. Lembrei-me das barrigonas de 7 meses ou mais e das mães me dizendo: “aqui está a cabeça, aqui está o bumbum. Agora o braço foi pra lá”. Isso pra mim era mexer. Fiquei então com aquela pulga atrás da orelha, sem me emocionar devidamente.

Desde que completei 16 semanas, fico constantemente com a mão na barriga para ver se percebo alguma coisa, porque li que é a partir daí que a mãe pode começar a sentir os movimentos do bebê. Descobri que isso não funciona, porque você sente algo dentro de você antes de perceber qualquer coisa com as mãos.

Depois desse episódio, comecei a apalpar minha barriga para tentar identificar as alterações. Coloco as pontas dos dedos sob o umbigo e sinto uma curva bem definida, rígida. Como se eu tivesse engolido uma bola de futebol. Suponho que seja o útero, que subiu horrores.

Ontem, deitada para dormir, de barriga pra cima, senti de novo uma massa se movendo lá embaixo. Depressa coloquei a mão e notei que o lado direito estava bem mais protuberante, como se houvesse uma bolinha (essa de tênis) quicando lá dentro.

- Amor! Sente isso aqui! Acho que o bebê está mexendo!

Ele coloca a mão, tem dúvida. Sente o enorme caroço, mas não percebe qualquer movimento.

- Parece que está mais alto do lado direito mesmo. Mas não sei.

Tira a mão. Coloco a minha. Antes que eu pudesse me dar conta, o calombo se foi.

- Agora olha, amor! Sumiu. Deve ter se mexido de novo.

Dessa vez ele concorda. Definitivamente, algo mudou. O ventre está plano agora.
Sorrimos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Todos os nomes (ou nenhum deles)

Desde que a gente se descobre grávida, e principalmente depois que já dá pra saber o sexo, as pessoas gostam de perguntar que nome o bebê vai ter. O sexo do meu só vai sair na morfológica, lá no 5º mês, já que eu não quis fazer uma ecografia só pra isso. E quando me perguntam as opções de nome, sempre fico numa saia justa. Faço mistério, digo que não sei, que é segredo.

Não posso falar mal do Rafael aqui – nem em lugar nenhum, né, amor? –, portanto não vou dizer que ele é chato pra escolher nomes de crianças. Ele é apenas, digamos, criterioso. Talvez um pouco criterioso demais.

Um pouco antes de casarmos, o Rafael se mudou de vez para Brasília e viemos pela estrada (720km desde BH) discutindo possíveis nomes para os três filhos que queremos ter. Era assim: eu ia listando os nomes e ele ia dizendo “Não. Não. Não. Hmmm talvez, não gosto muito. Não. Pode ser, mas acho que não. Não.” Esse era muito comum, aquele era o nome do coleguinha que batia nele na 1ª série, aquele outro rimava com não sei o quê. Como foram muitas horas de viagem, finalmente conseguimos chegar a um consenso sobre dois nomes de menina e um de menino. Então estava tudo certo, a menos que Deus nos presenteasse com três filhos do mesmo sexo ou com um menino a mais. Pelo menos o primeiro já estava garantido.

Os nomes das meninas até agora são uma tranqüilidade. Tem muita opção legal, e o nome da primeira até hoje é indiscutível, nós dois adoramos. Acontece que eu nunca consegui me acostumar com o nome de menino que ele escolheu (curiosos, né? Pois a gente combinou que era segredo). Segundo ele, que NÓS escolhemos. Isso porque fui eu que sugeri e ele disse: “Opa, esse é legal”. Só que eu falei tantos nomes, de Briolanjo a Ariobaldo, que não considero isso exatamente uma sugestão. Mas foi o único nome do qual ele gostou.

Eu sugeri outros nomes, entre eles os incríveis básicos e clássicos como Antônio, Manuel, Francisco, e ele não gostou de nada. “Você só escolhe nome de cearense, amor!”. Eeeeeu?? Que calúnia!! Só porque sou cearense? Depois reparei que eu de fato tinha tios com cada um nos nomes que eu sugeri. Ora bolas, foi inconsciente. Em todo caso, são nomes que eu adoro.

Enfim. Fiz mais algumas sugestões de nomes de menino, que ele acatou meio contrariado e só aceitou como nome do segundo filho – o primeiro tem de ser o que ele escolheu. Tudo segredo, claro! Mas não posso encher muito o saco porque, afinal, ele é quem vai ao cartório registrar a cria...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Por que quero ter muitos filhos (ou: Meu primeiro fotopost)

Se mamãe só quisesse um filho, não teria eu.



Se papai só quisesse dois, não teria a Lídia.



Se mamãe e papai só quisessem três, não teriam a Bel.



Mas quiseram quatro e, graças a Deus, nunca faltou farinha nem feijão pra esse tanto de bocas!



E a família continua crescendo...



Da esquerda para a direita: Bel, eu, Rafael, papai, mamãe, Daniel, Clara (cunhadinha preferida) e Lídia.

Não sei se animo quatro, mas três, pelo menos...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Semana do aleitamento

Hoje não vou escrever muito, porque quero passar o dia lendo as experiências de amamentação das outras mães blogueiras (principalmente aqui).

Também já estou me preparando para essa que deve ser a experiência mais importante do início da maternidade. Por orientação da minha médica, desde o segundo mês já estou esfoliando (ou esfolando) os mamilos com bucha vegetal. No começo achei que estava fazendo errado, porque não estava sentindo muita coisa. É meio estranho a sensação de esfregar algo no bico dos seios, mas fora esse estranhamento, não doeu, não arranhou, não percebi nada. Daí que resolvi ser mais violenta, como costumo ser com outras coisas (gosto de me coçar com escova de cabelo, por exemplo). Aí sangrou, e tive a certeza de que estava no caminho certo! Rá!

Foi sem querer, minha intenção não era ferir. E foi bem pouquinho mesmo, foi mais um "ops!" que um "AI!". Tudo 100%, hoje recomeço o esfolamento...

E dessa vez eu quero palpites, porque minha próxima consulta é só daqui a três semanas: pra fortalecer meus mamilos a delicadeza resolve, ou um quê de vigor é realmente necessário? Um pouquinho de sangue faz parte do processo? Agradeço os comentários.

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