terça-feira, 31 de maio de 2011

Sinais de fumaça

Notícias rápidas que não posso deixar passar.

Dois

No meio de tantas novas palavrinhas que surgem a cada dia, a mais notável recentemente é “dêsh” (dois). Sei que parece mais três ou dez, mas é dois mesmo. Emília pega dois objetos da mesma natureza – dois copos, duas garrafas d’água, dois ímãs de geladeira –, um em cada mão, e exibe orgulhosa:

- Dêsh!

Não sei onde ela aprendeu isso, se foi por observação ou se foi na creche. Mas achei fantástico ela demonstrar tão cedo a noção de plural.

Colostro

Poucos dias depois de uma ansiedadezinha pelo leite que parecia estar acabando, eis que surge o divino colostro! Foi uma sensação de alívio e muita alegria quando eu espremi minhas mamas e em vez das gotinhas mixurucas de leite, escorreram devagar fios de um líquido transparente. Sorri.

Emília parece estar gostando ainda mais dessa novidade (será por memória?). Agora ela pede “mamá” (antes ela me beliscava no colo), e pede “maish”. Ela é uma privilegiada por poder mamar novamente esse alimento tão nutritivo, e por pelo menos uns três meses!

Ah, e ainda não entrei, tecnicamente, no último trimestre. O bichinho veio cedo, para a alegria de todos e felicidade geral da mamação.

Crianças primeiro

De tudo que li a respeito de puericultura, sempre me senti mais inclinada a aceitar as ideias que valorizavam a criança enquanto indivíduo, o respeito aos seus sentimentos e – por que não? – às suas vontades. Disciplina extrema e autoritarismo nunca foram a minha praia, apesar de eu ter fama de brava.

Mas eis que algumas coisinhas a gente só aprende mesmo com a prática.

Sou uma pessoa meio sistemática, gosto de fazer logo as obrigações pra depois poder relaxar. Com isso, costumava deixar Emília brincando sozinha enquanto eu me ocupava de meus afazeres. Quando eu terminava, ficava só com ela.

Com a idade, a capacidade que a criança tem de esperar vai mudando. Um recém-nascido é impaciente para se alimentar, mas pode ficar bastante tempo entretido olhando pra parede. Emília, com 1 ano e 4 meses, consegue esperar que eu termine de esquentar a sopa, mas pode se aborrecer se eu pedir 5 minutos antes de ler um livrinho com ela.

Então mudei. Quando chegávamos da creche, a primeira coisa que eu fazia era tirar as roupas e fraldas sujas da bolsa dela e dar uma esfregada. Depois, tentava trocar de roupa, tomar um suco, tudo antes de me ocupar de Emília. Em vez disso, agora eu chego em casa e vou direto pro quarto dela pra lermos um, dois ou três livrinhos. Isso me toma no máximo uns dez minutos. Depois, satisfeita com o denguinho, ela fica brincando sozinha um tempo absurdo, e eu posso fazer tudo com muito mais calma.

Ontem ela ficou mais de meia hora no banheiro tirando as gazes da embalagem, passando no rosto e guardando de volta (vejam como minha filha é higiênica e organizada).

Quando possível, crianças primeiro. É muito mais provável que os momentos seguintes sejam de tranquilidade.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Silêncio

Sabe aqueles momentos da gravidez em que a gente só quer mesmo ficar quietinha? A inspiração some, bate uma vontade de não fazer nada, ou de fazer jardinagem, desenhar, enfim, qualquer coisa que desconecte a gente da realidade racional.

Pois estou num desses momentos, e é natural que as postagens fiquem mais escassas. Deixa eu ir ali curtir essa fase zen e assim que passar eu volto!

+++

E não se preocupem, está tudo ótimo comigo e com o bebê.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Mamaço



Aos sete meses, mamando na creche. Em apoio ao mamaço coletivo no Itaú Cultural.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Comer tinta guache faz mal?

Levante a mão quem leva a sério aquele selo nos brinquedos que traz os números 0-3, uma carinha triste e uma plaquinha de proibido? Marido fala:

- Amor, aqui diz que não é apropriado pra idade da Emília.
- Não, nada a ver. É só que não pode ficar sem supervisão.

Pois eis que a caixinha de tinta guache traz o mesmo selo: inadequado para crianças menores de 3 anos. Rá, rá, até parece. Ela faz atividades de artes na creche desde os 11 meses, e há algum tempo ela começou a produzir verdadeiras obras de arte em casa. O importante é a mamãe ficar ao lado, de olho, né?

Mas quem viu aquele vídeo já podia imaginar aonde a coisa ia chegar. Primeiro ela experimenta colocar o pincel no potinho e depois na tela. Em seguida, partimos para a auto-pintura, algo assim, ancestral. Tudo muito importante para o desenvolvimento sensorial da criança. O próximo passo? Pintar com as mãos, claro!

Segunda-feira trouxe Emília da creche e resolvi fazer alguma coisa super legal pra variar. Por que não mais uma sessão pintura? Pinta a caixa de cereal, pinta o chão, “aí não, meu amor”, mergulha a bunda do pincel no potinho. “Do outro lado é melhor, meu amor”. Cansou, chato. E resolve meter os dedos na tinta. Ai que gracinha, lambuza a mão de tinta e espalha no papelão. Uma artista. A mãe, toda orgulhosa.

De vez em quando, ela ameaça colocar os dedos na boca. “Nãaaao”. E continua seu trabalho na tela. Um, dois, três “nãos”, e tudo sob controle. Até que num daqueles momentos em que nosso reflexo falha e a agilidade dos nossos filhos parece atingir a velocidade da luz, lá está ela toda sorridente, com os dedos lambuzados de tinta dentro da boca.

Ela vai cuspir, claro, isso tem um gosto horrível. Vai chorar, largar a tinta e nós vamos tranquilamente para o banheiro lavar a bagunça. Esse pensamento atravessa minha cabeça por uma fração de segundo, antes que eu perceba o sorriso malandro no canto da boca e a intenção em seguir com a brincadeira. Acho que foram umas três dedadas de tinta que ela mandou pra dentro, meio potinho talvez. E eu, abestalhada, vendo aquele sorriso cheio de dentes azuis e com vontade de rir.

Perdoem eu. Tava muito engraçado, fiquei sem reação pelo tempo suficiente de ela transformar o que seria apenas uma degustação numa pequena refeição. E lá fomos nós pro chuveiro...

Até agora, nada de cocô azul nem manchas estranhas pela pele. Acho que ela vai sobreviver. Mas, por via das dúvidas: com bebês de um ano ou um pouco mais, prefiram deixar as atividades de artes para quando o papai também estiver em casa.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Manifesto pela amamentação

Manifesto pelo direito das mães de não serem separadas de seus filhos logo após o seu nascimento e de permanecerem com eles o tempo todo pelo menos durante a primeira hora após o parto. Um recém-nascido não deve ser afastado de sua mãe, a não ser em períodos muito breves, em caso de extrema necessidade, e não deve ser deixado em berçários.

Manifesto pelo repúdio à alimentação artificial em maternidades, sem indicação clínica, quando a criança está apta a mamar e a mãe, disponível para amamentar. Água glicosada ou qualquer outro recurso que prejudique o reflexo de sucção do bebê são inaceitáveis.

Manifesto pelo direito das mães com dificuldades para amamentar de receberem apoio e orientação adequados por parte dos profissionais de saúde e da família. Mães com dificuldades de amamentação precisam de encorajamento e solidariedade.

Manifesto pelo direito das mães de amamentarem em livre demanda, sem serem desencorajadas por profissionais de saúde ou parentes sob o argumento de que os bebês têm de ter hora para mamar. Os bebês têm direito ao seio sempre que necessitarem, de dia ou de noite.

Manifesto pelo direito das lactantes de não serem pressionadas por parentes, profissionais de saúde, amigos ou conhecidos a oferecerem mamadeiras e chupetas. As mães são as principais responsáveis pelos cuidados com os seus filhos e devem ter o direito de alimentá-los de forma natural e instintiva.

Manifesto pela urgência de os pediatras serem profissionais e éticos ao interpretarem as curvas de crescimento, sem indicar alimentação complementar precoce a um bebê saudável simplesmente porque ele não se encaixa no padrão médio. Cabe aos médicos avaliarem se alterações nos padrões de engorda ou de crescimento são patológicos ou fisiológicos.

Manifesto pelo direito de uma mãe de manter o aleitamento exclusivo durante os seis primeiros meses de vida de seu bebê, sem ser assediada por parentes, profissionais de saúde, amigos ou conhecidos para que ofereça outros alimentos sem necessidade.

Manifesto pelo direito das mães que trabalham fora de casa de terem em seu ambiente de trabalho um local adequado, com higiene e condições de armazenamento do leite, para fazer a ordenha, seja para alívio das mamas, para a estocagem de leite a ser oferecido a seu filho na sua ausência ou para doação aos bancos de leite. As empresas devem oferecer condições para que suas funcionárias mantenham o aleitamento após seu retorno ao trabalho, seja flexibilizando seus horários, mantendo creches em seus recintos, instalando salas de ordenha ou permitindo que a criança seja trazida à mãe para receber o seio.

Manifesto pelo direito de toda mulher que trabalha fora de casa a gozar de uma licença maternidade de seis meses. Seu retorno ao trabalho também deveria ser facilitado, com possibilidade de redução de jornada com o recebimento proporcional do pagamento ou flexibilização de horários.

Manifesto pelo direito dos bebês de serem amamentados enquanto necessitarem, mesmo que esse tempo supere o período considerado aceitável pela nossa sociedade.

Manifesto pelo direito de as mães amamentarem seus filhos em público, quando necessário, sem serem condenadas por pudores hipócritas.

Manifesto pelo direito de as mães amamentarem durante a gestação, ou amamentarem mais de uma criança simultaneamente, sem serem ameaçadas com dados inverídicos acerca de efeitos nocivos para a criança que mama ou para o feto.

Manifesto pelo direito de as mães amamentarem livremente, e de os bebês mamarem livremente, sem serem alvo de preconceito ou ignorância.

Lia Miranda.

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