quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sono

Quem foi que disse que os bebês vão dormindo cada vez melhor à noite?

Emília recém-nascida dormia a noite toda. De 21h às 6h. Eu tinha de tirá-la do berço pra amamentar após 6h de jejum (hoje não faria isso), porque disseram no hospital que tinhaque. Pois bem.

Ali pelos 3 meses e meio, ela começou a acordar de madrugada. Até duas vezes eu achava normal. Mas de quando em quando as acordadas chegavam a 4, 5 vezes, até que fui perdendo a conta. Às vezes dava uma melhorada, e ela passava uma semana acordando só uma ou duas vezes. Depois voltava tudo ao levanta-levanta.

Consulta Dr. Pediatra especialista em sono, é dente?, é fome?, é pesadelo?, introduz alimentos pra ver se adianta. Melhora, piora, dorme, não dorme.

Toda consulta ele pergunta se ela está dormindo bem. Ela deve estar, porque acorda toda sorridente. Nós, por outro lado...

Ultimamente ainda teve as doenças, mais dentes e a ansiedade de separação, e pela primeira vez sucumbimos à cama compartilhada. Tudo isso aí que eu falei nos últimos posts.

E venho eu aqui buscar uma solução? Não, de jeito nenhum. Acho que a única solução é esperar, porque todas as possíveis causas pro dorme-acorda de Emília são meio que irremediáveis:

1 – Rotina:

Tem rotina mais rotineira que a da creche? E se a gente tem deixado as coisas rolarem meio que naturalmente, à noite é sempre aquela mesma coisa, banho, massagem (quando ela quer), peito. E desde que ela nasceu, deixamos a casa na penumbra no fim do dia e só fazemos brincadeiras suaves, nada muito estimulante. Logo, suponho que a culpa não é da rotina, ou da falta dela.

Quanto aos horários, só coloco Emília pra dormir se ela está com sono. Inútil estabelecer um horário pra começar o ritual do sono pra depois de mamar ela passar 2h rindo da minha cara. Deveras desgastante.

Desde que ela entrou na creche, costuma ficar irritadíssima de sono lá pelas 19h. Nós até acostumamos a dormir assim cedão com ela. Daí essa semana ela me apronta de ficar acesa até 21h30. Quando é assim, a gente não insiste em fazê-la dormir (embalar, cantar), porque é protesto na certa. Ficamos brincando deitados no escurinho até ela pedir a mamada fatal. No outro dia ela acorda invariavelmente às 6h30 (exceto fins de semana, quando ela chegou a esticar até 8h. É possível que essa criaturinha já saiba quando é sábado?!?!).

2 – Dentes:

É, podem ser os dentes. Mas aí é esperar nascerem os sisos, né? Porque vem um atrás do outro, sem tréguas... (A Beta sugeriu o Nene Dent, estou cogitando...)

3 – Ansiedade de separação:

Idem, é esperar passar.

4 – Fome:

Se os pratões de feijão que ela bate na creche mais as 5 mamadas que ela toma de manhã e à tarde não forem suficientes pra alimentá-la, só me resta passar a madrugada com ela grudada no peito. Nada a fazer, apenas esperar.

Então estou eu aqui, esperando.

Vira e mexe alguém que diz que eu fiquei mais bonita depois que virei mãe. Gentes, isso aqui é maquiagem, ó, pra esconder as olheiras.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ensinando

Então é mesmo a crise dos 8 meses. Meninas, obrigada demais pelos comentários. Apesar de que meu feeling já me dizia que era temporário, que tinha a ver o algum salto de desenvolvimento, ouvir as experiências de vocês deixou tudo muito mais claro e me deu a certeza de que estou no caminho certo. Dar muito amor, carinho, atenção e banhos (dica da Kah).

E de fato o salto que Emília vem dando não é apenas motor – aprender a engatinhar –, mas também cognitivo. Não me lembro quando, acho que ali pelos 3 ou 4 meses, ela começou a reparar em tudo e querer pegar tudo. Eu até brincava de cantar a música da Amélia: “tudo que você vê, você quer...”. Agora, parece que outra janela visual se abriu.

É como antes ela tivesse um campo de visão de 90º, e agora ela enxerga em 180º. Coisas que ela nunca tinha observado agora chamam a atenção, como o vapor d’água que sai do umidificador, as tomadas, o ventilador. E aqui começa o assunto deste post: Emília começou a ficar perigosa, para si e para os outros.

Chegamos a um momento em que temos de começar a ensiná-la. Antes, Emília era um bebezinho inofensivo, que tínhamos de proteger das crianças maiores. Agora ela representa um perigo enorme, porque tem força, mobilidade e acuidade visual pra fazer estragos, mas ainda não tem noção do que machuca e acha que tudo é brincadeira.

Na última reunião de pais na creche dela, surgiu o assunto mordidas. A psicóloga contou de uma criança que vinha mordendo sistematicamente os coleguinhas, e conversando com os pais descobriu que em casa eles brincavam de morder. Então a criança considerava aquilo super legal, e não entendia por que os coleguinhas e as educadoras não achavam a mesma coisa. Aquilo nos deixou em alerta e exigiu que mudássemos nossa postura pra evitar que Emília se tornasse uma mordedora, uma puxadora de cabelos ou uma “batedora”.

Olha que legal. Emília pega um brinquedinho e bate na nossa cara, repetidas vezes, com o maior sorriso e um olhar serelepe. Gente, é super engraçadinho, não dói, é lindo. Mas imagine se o brinquedo for grande, pesado, duro, e ela resolver fazer isso no rosto de um coleguinha? Então eu tenho de me segurar pra não rir, reforçando positivamente essa atitude. Mesma coisa quando ela puxa nosso cabelo (brincadeira que o Rafael incentivou muito no começo, colocando a cabeleira à disposição e declamando aiaiaiaiaiai! na maior alegria), quando aperta nosso nariz ou quando nos morde.

Daí vem uma técnica que o Rafael aprendeu naquela mesma reunião de pais e mestres. Sempre que possível, em vez de dizer “não pode” – o que torna o fruto proibido ainda mais interessante – , oferecer uma outra alternativa à criança. Por exemplo: quando ela bate no meu rosto com o mordedor, eu pego o bracinho dela e começo a fazer o mesmo movimento no braço do carrinho. “Bate aqui, meu amor.” Ela continua toda sorridente, golpeando o carrinho. Em vez de puxar o cabelo, “puxa esse paninho aqui, minha linda”. Em vez de morder nosso braço, “morde aqui essa almofada, Florzinha.”

Acho que a chave é não reforçar positivamente atitudes que possam se tornar problemáticas lá fora, por mais fofinhas que elas pareçam em casa. Minha moça cresceu...

+++

E por falar em mordidas, no último fim de semana identifiquei uma marca de dentes no braço de Emília. Conferi a forma e constatei: a mordida foi dela mesma. Pense na dor do meu coração...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Agarradinha

Emília está numa naquelas fases da chamada “ansiedade de separação”. A e a Ana escreveram sobre isso recentemente, associando esses momentos de grude a picos no desenvolvimento do bebê.

Ela está aprendendo a engatinhar, então essa pode ser uma boa razão. Também tem os dentes, que não param de sair. Ela tem 8 meses, 3 pares de dentes e mais um a caminho. Somem-se a isso a conjuntivite que ela teve há duas semanas e a febre que a manteve em casa na última sexta-feira.

O resultado é que ela anda bem dengosinha, chorosa e só quer ficar comigo. Se estivermos só nós duas em casa, ela até brinca no tapetinho feliz da vida, comigo ao lado. Mas se aparecer outra pessoa – até o pai –, ela começa a exigir colo (o meu, né?). Como se quisesse a maior privacidade possível nesse momento a duas.

Também faz dois dias que ela dorme na nossa cama. Anteontem, ela simplesmente não pegava no sono se a colocássemos no berço. Tentamos 4 vezes e, depois de muito choro, sucumbimos ao cansaço e a deixamos dormir conosco. Ontem ela dormiu fácil, no berço, mas lá pelas 23h acordou e não havia nada que a fizesse adormecer de novo. Dei o peito umas 10 vezes, andei com ela pela casa durante quase uma hora, e ela só chorava, com uma expressão horrível de dor no rosto, se contorcendo toda como se fosse um recém-nascido com cólicas, e com uma tosse seca que não parava. Deitei com ela na minha cama porque eu não agüentava mais ficar em pé, mas não imaginei que fosse adiantar alguma coisa. Aos poucos, ela foi se acalmando, adormeceu e lá ficou.

Deixá-la na creche também não tem sido fácil. Ela se agarra na gente (normalmente é o pai quem a deixa, hoje fui eu porque ela tinha natação) e chora muito. O Rafael até comentou: “Infelizmente a gente não pode ligar pro chefe e dizer: ‘hoje não vou trabalhar porque minha filha está chorando’”.

O que me dói mais é justamente não poder estar com ela quando ela está precisando. Pelo bem que conheço minha filha, sei que ela é independente, dócil e sociável, e que não preciso fazer nada pra forçá-la a ir com outras pessoas. Mas agora ela me quer, precisa da minha presença para lhe dar segurança, seja pra aprender a engatinhar, seja pra superar alguma dor física que ela esteja sentindo e a gente não vê.

Já deu pra perceber pelo que escrevo aqui que sou absolutamente contra técnicas para ensinar o desapego à criança. Acredito, ao contrário, que a independência vem da segurança que nós, pais, passamos a ela. E nesse momento tão especial da minha filhota, quero estar com ela todo o tempo que puder, e lamber bem muito essa minha cria.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Como (não) irritar seu bebê

Quando saio com Emília da creche, sou um cabideiro ambulante. Minha bolsa, bebê-conforto, bolsa de Emília e Emília. Os procedimentos para entrar no carro não são simples. Primeiro, arremesso as bolsas no banco do passageiro. Depois, encaixo o bebê-conforto na base com Emília no colo. Por último, Emília vai pro seu assento e lá vamos nós!

Ontem tive uma brilhante idéia: pra ficar com as mãos livres pra instalar o bebê-conforto no carro, coloquei Emília em pé no banco de trás, com os bracinhos apoiados sobre a tampa do porta-malas. Ah, como ela ficou feliz!, curtindo o pára-brisas traseiro na sua posição preferida: em pé. E eu me achando a pessoa mais esperta do mundo.

Mas eis que, a cadeirinha instalada, Emília tem de sair do seu cantinho divertido e sentar, amarradinha, no bebê-conforto. Ah, mas a moça ficou braba. Depois de muito tentar distrai-la, tive de dar a partida no carro com ela berrando mesmo, senão era passar mais de meia hora esperando que ela se cansasse da brincadeira de batucar na tampa do porta-malas.

Alguém qualificaria isso como birra. Eu não. Emília tem apenas 8 meses e começa a demonstrar aborrecimento com situações que a contrariam. Normal. Mas não existe nisso maldade nem desejo de manipulação, posso perceber isso claramente pelo tanto que conheço e observo minha filha. É apenas um bebê crescendo.

E como lidar com isso? Repreender a criança, deixá-la chorando, porque o choro é bobo e ela tem de aprender a suportar frustrações? Ceder, mesmo que isso implique perigo ou um grande transtorno pra nós (na situação acima, deixá-la brincar em pé no banco do carro significaria atrasar a volta pra casa, pegar trânsito e me deixar com fome)? A primeira opção me parece inaceitável pra um bebê tão pequeno, que ainda não tem maturidade neurológica pra compreender as normas da civilização. A segunda é igualmente complicada, porque não dá pra expor a criança a certos riscos e nem parar tudo pra atender um desejo seu.

Então comecei a adotar alguns procedimentos que, se não eliminam, diminuem muito a possibilidade daquele chorinho irritado:

- Jamais entregar a Emília algo de que eu vá precisar depois. Por exemplo: oferecer a colher pra ela brincar enquanto preparo a refeição. Quando for dar a comida, vou precisar da colher, e pode ser que ela não esteja muito disposta a desistir da brincadeira.

- Evitar ao máximo deixar objetos perigosos ou frágeis ao alcance dela. Ela pode querer pegar, eu não vou deixar e alguém vai ficar brava.

- Manter longe dos olhos dela brinquedos que exijam minha supervisão, a menos que eu esteja 100% disponível pra brincar ela. Sabe aquele tapete de atividades com arcos? Pois Emília adooora ficar em pé segurando nos arcos. E não tem como deixá-la sozinha ali, é tombo na certa. Mas ela não pode ver o tapete no chão que começa a se jogar em direção a ele. Se eu não posso ficar lá por um bom tempo à disposição, não atendo seu desejo e, mais uma vez, tenho um bebê irritado nos braços. Melhor manter o tapete guardado no armário e só tirar quando eu tiver bastante tempo pra ela.

- Não colocar Emília pra brincar de uma forma que exija supervisão (como no caso do tapete) se eu não pretender ficar com ela até ela cansar. Pior do que quando ela vê o troço e eu não a deixo brincar é encerrar a brincadeira na melhor parte. Bebê MEGA irritado.

- Se for impossível evitar, e por distração ou por necessidade ela acabar pegando algo que tem de ser devolvido, a máxima é distraí-la o quanto antes com outra coisa. Ou dar outro brinquedo, ou levá-la pra janela, fazer barulhinhos com a boca, vale tudo pra acalmá-la antes de que a reclamação vire um choro desconsolado.

Com essas pequenas medidas, temos mantido Emília bem feliz a maior parte do tempo. Claro que às vezes a gente faz besteira e o conflito fica irremediável, como no caso do carro. Mas ninguém vai morrer por causa desses pequenos episódios.

As crianças têm de aprender a receber não, a lidar com decepções, a não ter sempre o que querem? Claro que sim. Mas a vida já tem frustrações suficientes, e a gente não precisa inventar mais, né?

Ficam então essas dicas pra uma casa em paz....

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Conjuntivite

Eis-me aqui, depois de longa temporada ausente.

Emília pegou conjuntivite. Nada de mais, ficou com os olhinhos bem remelentos, mas nada que fosse extremamente incômodo. Os sintomas desapareceram em três dias com colírio e soro fisiológico (no nariz e nos olhos), mas ela teve de ficar uma semana de quarentena. Sem poder ir à creche, eu e o marido nos revezamos nos cuidados com ela (com o auxílio da minha mãe) e eu vinha trabalhar só meio período.

Agora imaginem fazer em 3 ou 4h o trabalho de um dia inteiro, ainda mais com minha parceira de férias. Foi punk. Eu chegava, trabalhava trabalhava trabalhava até o braço cair e ia correndo cuidar da minha princesa.

Agora que voltei a ter horário de almoço, vim aqui dar as caras pra ninguém achar que morrei (ai!).

Foi cansativo, mas foi muito gostoso passar mais tempo com minha filhota. Um dia eu chego lá. Me aguardem...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dois pontos de vista

Você chega em casa exausta de um dia de trabalho e seu filho cheio de dentes quer mamar. Você dá o peito e ele se pendura. Mama, mama, mama, os dentes vão roçando dolorosamente suas auréolas. Seu pescoço dói, seu braço dói, suas costas doem, mas seu filho não para de mamar. Você tenta de vez em quando tirar a boca dele do seio, quando ele diminui o ritmo de sucção, mas ele percebe a manobra e começa a sugar com mais vigor. Você desiste, com medo de levar uma dentada, e volta a tentar mais tarde. Seu filho parece que vai mamar pra sempre, e você está cansada.

+++

Chego em casa exausta de um dia de trabalho e minha Emília com quatro lindos dentinhos quer mamar. Dou o peito e ela se pendura. Mama, mama, mama, os dentes vão roçando delicadamente minhas auréolas. Relaxo o pescoço, enquanto olho pra ela. Apóio sua cabeça sobre um braço, enquanto com o outro acaricio suas coxas gordas. Afrouxo a musculatura das costas, enquanto aproveito pra treinar a respiração abdominal profunda. De vez em quando ela diminui o ritmo de sucção, e cogito tirá-la do seio. Em vez disso, prefiro deixar que ela faça suas pausas, enquanto aproveito pra fazer a minha. Naturalmente, ela volta a sugar depois de alguns segundos. Minha filha parece que vai mamar pra sempre, e eu estou extasiada.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O sonho que brotou

Esse fim de semana recebi um presente de um amigo. O presente não foi pra mim, foi pra Emília, mas a louca ensadecida apaixonada por livros infantis sou eu mesma, a mãe.

Cheguei assim, na lata:

- Renato, quando você vai me dar um livro seu, hem?

E o pobre do Renato:
(...)

- Ah, sim, claro, não sabia que você curtia livros infantis, claro que sim, vou te dar um livro meu...

E tinha opção, Renato?

Daí chegou às minhas mãos, com uma dedicatória ilustrada, este livro:



Renato Moriconi é ilustrador, e O Sonho que Brotou é o primeiro livro escrito e ilustrado por ele. Olha a descrição que o Renato faz desse trabalho:

"Desenhar seus sonhos é o que essa menina gosta de fazer. E eu também.

Criei essa história pensando em minha sobrinha, Marcelly, que me fez lembrar como é bom observar e registrar os sonhos e a imaginação.

O livro é aberto na vertical, e todos os desenhos dos sonhos da menina foram feitos em traço vermelho com a mão direita. Os desenhos do “mundo real” foram feitos em traço preto com a mão esquerda – sou canhoto. Os sonhos estão sempre na parte superior do livro, mas não há uma hierarquia do que é mais importante – sonho ou realidade. Creio que o importante é não esquecer de nenhum dos dois."

Olha o resultado:



Nem precisa dizer que amei, né, Renato? Te pago depois com um tour pela biblioteca de Emília.
E pra vocês, mamães, fica a dica:
O Sonho Que Brotou
Autor: Renato Moriconi (texto e ilustrações)
Editora: DCL
Preço: R$37,90 na Cultura.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A primeira mordida

Tentei tirar a foto pra colocar aqui mas Emília não parava de se mexer, querer pegar a câmera, e com a pouca luminosidade do fim da tarde ficou tudo borrado e não deu pra ver. Desde ontem, Emília exibe marcas de dois pares de dentes nas bochechas - obviamente, não os dela, e muito menos os meus.

Diz a tia que achou que a coleguinha fosse dar um beijo e, quando viu, já era tarde demais. "Mas Emília não chorou", garantiu ela, morrendo de vergonha.

Pode deixar, coleguinha. Te pego na saída. NHAC!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Carta para Emília - deixando pai e mãe

A culpa. Este é um sentimento que toda mãe tem. A sua mãe, meu amor, parece um pouco mais tranquila que a maioria, mas mesmo assim às vezes também se culpa.

Quando a gente vira mãe, muita gente diz muita coisa sobre o jeito certo de criar nossos filhos. Tem gente que diz que é melhor a mãe não trabalhar pra cuidar das crianças. E tem gente que diz que é melhor a mãe trabalhar pra depois que os filhos crescerem ela não ficar se sentindo inútil, e que a escolinha faz bem pras crianças. E tem um monte de outras coisas que as pessoas dizem às mães, e às vezes a gente fica tão confusa com tanta informação que nem lembra mais em que a gente acredita. E é nessas horas que a mamãe sente culpa.

Quando a gente vira mãe, fica tendo uma pessoinha toda dependente da gente. As coisas que a gente faz ou deixa de fazer podem influenciar sua felicidade, sua saúde e suas emoções no futuro. É muita responsabilidade, né? Já pensou se eu descobrisse que você se tornou ansiosa, ou nervosa, ou desanimada por causa de alguma coisa que eu fiz ou deixei de fazer?

É verdade que nem tudo depende dos pais. Você já nasceu com uma personalidade própria – aliás, muito adorável. E outras coisas também vão ajudar você a construir seu futuro. Mas eu acredito muito que o carinho e a educação que eu te der vão ser as coisas mais importantes pra você virar uma adulta legal.

E ultimamente a mamãe tem sentido um pouco de culpa por passar o dia todo longe de você e depois ficar cansada demais pra te dar toda a atenção que você merece. Se a mamãe não trabalhasse, provavelmente se sentiria culpada também, com medo de não estar assumindo uma responsabilidade de adulto. Porque hoje em dia todos os adultos têm que trabalhar, homens e mulheres, especialmente se tiverem filhos, pra poder comprar as coisas pra casa.

Mas crescer, meu amor, é se desligar do que os outros dizem e fazer o que achamos melhor. E sabe por quê? Porque quando a gente cresce, a gente fica responsável pelo que nós fazemos.

Quando você é criança, se você estragar uma coisa do vizinho é seu pai quem paga. Mas quando você é grande, não tem mais o papai pra consertar os seus erros. Então, já que é a gente que vai ter que resolver os problemas, é melhor fazer mesmo do nosso jeito, né? Porque se alguém me mandar dar uma mamadeira pra você e depois você não quiser mais mamar no meu peito, eu não vou poder colocar a culpa nesse alguém. Você é minha responsabilidade, e se eu fizer alguma coisa de errada na sua criação, mesmo se for pra seguir os conselhos de alguém mais experiente, a culpa é minha, e só minha.

A Bíblia, que é um livro em que mamãe acredita, diz que quando a gente se casa a gente tem que deixar pai e mãe. Isso significa que a gente agora vai fazer nossas próprias escolhas, vai ser responsável pelo que faz. A gente vai continuar amando nossos pais, e respeitando, mas eles não vão mais poder decidir nada por nós. Onde vamos trabalhar, se vamos trabalhar, o que vamos comprar com nosso dinheiro e nem como vamos criar nossos filhos.

A mamãe já se casou há algum tempo, mas só depois que você nasceu fui entender de verdade essa ordem. E eu quero muito ter a liberdade pra seguir meu coração e criar você do jeito que eu sinto que é o melhor. Só o seu pai pode participar disso, e ele é um cara muito legal que te ama um monte, e quer que nossa família seja muito feliz. Junto com ele, eu decidi que o dinheiro não é nem de longe a coisa mais importante pra nós. E que responsabilidade não precisa ser passar o dia longe de casa pra ganhar mais dinheiro. Responsabilidade é cuidar com toda dedicação das coisas que são mais preciosas pra nós.

Gostei muito de decidir passar mais tempo com você e com os irmãos que você vai ter, mesmo que eu ainda não possa fazer isso agora. Mas não vai demorar muito, meu amor. E o meu coração vai estar em paz, porque foi uma decisão que eu tomei com seu pai, e nós estamos conseguindo deixar nossos pais e nossas mães para trás.

Um dia vai ser sua vez de nos deixar também. E eu quero que você tenha a maior paz do mundo pra tomar suas próprias decisões, porque a nossa tarefa vai estar cumprida.

Com todo amor,

Mamãe.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O desfralde descartável

Ela ainda não tem oito meses e eu não sou louca (nem tenho criadagem pra limpar merda e mijo na casa inteira) igual a Gigi pra lhe tirar as fraldas. Mas como agora ela faz cocô de minhoquinha – eca, eca, eca! –, mais consistente, estamos saindo com Emília de fraldas de pano.

Desde que Emília completou um mês e as coxinhas de catupiry começaram a preencher o buraco pras pernas nas fraldas de pano, o que acabou com os vazamentos, em casa ela sempre usa as fraldas ecológicas. A menos que todas as de pano estavam lavando, as descartáveis ficavam só pra noite e pras saídas.

Até um mês atrás eu evitava sair com Emília de fraldas de pano porque o cocô dela era muito mole, grudava todo no tecido e tinha de pelo menos passar uma água pra não ficar aquele cheirinho na bagagem. Como na rua nem sempre a gente tem uma pia disponível, sempre saíamos com as Pampers.

Mas agora, comendo quatro porções de alimentos sólidos por dia, igualmente sólidos ficaram os excrementos de Emília. Aí é só virar a fralda da privada e, voilà, só resta uma mini-manchinha marrom. Ponho no saquinho de roupa suja e coloco de molho assim que chego em casa. Assim tem funcionado também na creche, e ela agora usa as fraldas descartáveis só pra dormir.

Quando ela começar a acordar com a fralda um pouco menos cheia – porque, atualmente, a quantidade noturna de xixi só falta fazer a fralda explodir –, aboliremos completamente as descartáveis.

Apesar de muitos especialistas criticarem essa coisa de várias transições (tipo cama compartilhada – berço no quarto do casal – berço no próprio quarto; fralda – penico – adaptador – vaso, etc.), acho que vai ser legal (e bem legal $$$) tirar completamente as fraldas descartáveis antes do desfralde propriamente dito. Até porque ela já está mais que acostumada a usar fraldas de pano e sentir o molhadinho quando faz xixi, o que, dizem, contribui pra um desfralde mais cedo.

Finalmente, cocô fedido de comida sólida tem suas vantagens.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Não pode e tem-que

Minha irmã (aquela mesma engraçadinha que fez meu relato de parto), quando era criança um dia protestou: “Ai que saco! Tudo aqui nesta casa é não pode e tenque!!”. Hoje eu acho graça de ela não saber onde acabava uma palavra e começava a outra. Mas que ela tem razão, isso tem: não pode e tem-que são um saco.

Digo isso especialmente em relação à maternidade – que começa antes mesmo de a criança dar as caras. Grávida não pode andar descalça. Grávida tem que tomar vitamina. Se você quiser ter um parto natural, aí a palpitaria fica ainda maior. Tem que cortar o períneo. Tem que tomar anestesia (você não vai agüentar). Não pode esperar mais de 40 semanas.

Aí você desengravida e as coisas só pioram, porque os palpites são diametralmente opostos uns aos outros.

Não pode pegar a criança no colo toda hora. Tem que pegar a criança no colo toda hora. Não pode dar chupeta. Tem que dar chupeta. Não pode deixar dormir na sua cama. Tem que colocar pra dormir na sua cama. Ai meu sacoooo.

E se fosse só culpa dos outros, que já palpitam o suficiente... mas a culpa é nossa também, né?, que inventamos de LER sobre gravidez e criação de filhos. Que insistimos em levar a criança ao pediatra todo mês e ficamos com um nervosinho quando os números vão se formando na balança. “Tá tudo bem, doutor? Então, estou preocupada porque minha filha só quer ficar em pé, parece que morre de preguiça de se arrastar. Será que ela vai engatinhar? Meu marido não engatinhou.” Que perguntamos pras amigas que têm filhos da mesma idade: “Quanto seu filho pesa? Ele já anda? Com quantos meses falou?”. E que compramos livros – ai, os livros! – que dizem coisas totalmente diferentes uns dos outros.

Eu tenho a encantadora-de-bebês-cara-de-seriema, que diz pra não colocar o bebê na sua cama a menos que você pretenda dormir com ele até ele não querer mais, digamos, até a adolescência. E tenho o Dr. Carlos Gonzalez hippongo que diz que nossos ancestrais não usavam berço nem carrinho de bebê... Das duas, uma: ou jogo um dos livros fora (ainda bem que o do Dr. Gonzalez é cópia eletrônica e o da Tracy Hogg custou tipo 15 roiais na promoção), ou faço zóing, zóing, zóing e tento abstrair o que não me interessa.

Gente, mentira, eu AMO o Dr. Carlos Gonzalez (peito, peito, peito!). E continuo achando que a dona Seriema tem algumas dicas legais (porque seria tão bom se toda vez que a gente pegasse o bebê no colo ele parasse de chorar, eu seria uma super adepta do colo full time. Mas infelizmente não é assim).

Conclusão? Eu continuo lendo e continuo xingando as pessoas que escrevem, é super legal! Mesmo que eu acabe não usando nada daquilo, é bom pra refletir sobre a forma como crio minha filha, sempre sem deixar calar aquele que é o mais sábio de todos: o instinto materno. Ele é que nos faz ouvir nossas crias e compreender do que elas precisam.

Porque eu posso tudo e não tenho-que nada, porque eu sou a mãe!

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