domingo, 28 de fevereiro de 2010

Yellow Submarine

Dia desses estávamos procurando não sei o quê e acidentalmente achamos nossa lanterna. Guardamos num lugar acessível. No dia seguinte, faltou luz aqui em casa. Coisas da providência.

E outro dia desses eu estava pensando: "De todas as artes escatológicas, a Emília nunca fez cocô no banho." E imaginei como seria se isso acontecesse. Seria necessário tirá-la imediatamente da água suja. E depois? Não daria tempo de encher o balde de novo antes de ela morrer de frio. Também seria fora de cogitação enrolá-la na toalha nesse estado. A melhor opção então seria enfiar a arteira no chuveiro imediatamente. Imaginei tudo, passo a passo.

E, no dia seguinte, adivinhem? Madame no balde, feliz e contente, quando vejo a água cristalina ganhando aos poucos uma coloração amarelada. Em poucos segundos, apareceram as partículas em suspensão. Nem pensei suas vezes: pra fora do balde, pra debaixo do chuveiro. Tudo rápido e rasteiro, sem tempo de Emília dar nem uma tremidinha. Coisas da providência.

E o melhor: eu estava praticamente sem roupa, só de lingerie, então não foi um problema eu me molhar. Aliás, fica a sugestão: banhem seus rebentos com o mínimo de roupa possível, e mantenham uma toalha (de adulto) por perto.

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E vejam como a maternidade muda a gente. Na hora em que constatei o ocorrido, disse pra minha filha: "Emília!! Você fez cocô no balde! Que legal!"

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Segunda visita ao pediatra

Ontem a marquesa foi à sua segunda consulta com o doutor pediatra. Tudo perfeito. Com 43 dias, ela mediu 56cm e pesou 4,655k.

O problema do olho remelento era de fato o canal lacrimal entupido. Valeu, meninas que comentaram sobre o assunto! Ele me ensinou a massagenzinha (dica: esfregar a pontinha do dedo antes pra esquentar um pouco) e recomendou lavar com soro fisiológico.

Mas o mais notável no "passeio" de ontem foi que a Emília era o bebê mais velho da sala de espera! Estava cheio de recém-nascidos, 9, 10 dias, a carinha amassada... E lembrei a primeira vez que viemos ao médico, ela capotadinha o tempo todo. Agora ela já chegou reclamando do calor. O pai teve de levá-la pro lado de fora, sentir o ventão de pré-chuva. E ela riu, ficou em pézinha no colo do papai, jogou a cabeça pra frente, querendo dar testada, falou (gãaaaaa! aua!! hná!). Uma delícia.

Nossa mocinha não é mais uma recém-nascida... e eu estou adorando!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Lady risadinha

Tô gostando desse negócio de sorrir:



Também sei fazer este sorriso torto:



E este aqui, mais abertinho:



Ok, só mais um:



Obrigada pela audiência!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CocoZÃO

Depois do assunto sério de ontem, vamos tratar de outro tema igualmente grave para nós, mães. Ele, sempre ele: o cocô.

Neste post, que falava sobre minhas expectativas para a maternidade, escrevi o seguinte:

O cocô vai feder pacas, vai estar em todos os lugares, em todas as horas, vai criar vida, subir pelas paredes, soterrar minha casa como um lamaçal.

Ó, a mais pura verdade. Tá, a parte do feder pacas foi meio exagero. Fede normal, suportável (mas, sinceramente, sou mais o meu. Deve ser porque não como carne). Agora, o resto é real.

De vez em quando, não tem mesmo fralda que resolva. A produção é tanta que escorre. Às vezes foi problema de colocação, aquelas trocas noturnas, você mais pra lá que pra cá, deixa uma brecha e, de manhã, voilà! Vazou. Outras vezes é no meio da troca, você desprevenido, vem aquele pum junto e: cocô projétil. A Emília já batizou minha cinta, a blusa do Rafael, a parede, a cortina, o chão. Tudo sob controle, tudo na mais perfeita. Faz parte. Mas quarta-feira ela se superou.

Feliz e contente, lá vai a família dar uma volta no parque. Na volta, uma paradinha para uma água de coco. Eu fico sentada esperando, observando a meiga criaturinha no carrinho, enquanto o marido vai fazer a compra.

De repente, aquele barulho familiar: prrrrffflllll. Ok. Nada grave. Já estamos indo embora e moramos perto. Mas observo as partes baixas da madame e vejo a gosminha amarela escorrendo. Céus. Ok, vazou um pouco. Mas a gosma vai se espalhando, até criar uma poça sob a bundinha. Jé-zuis. Deve ser só de um lado. Vou ver o outro. A perna tooooda melecada. Ela literalmente está sentada sobre uma poça de cocô.

Faço caretas pro marido. Cara de desespero. Ele não entende nada. Faço um sinal com a mão, rápido, rápido! Ele vem e constata o desastre. Água de coco goela abaixo, corre, corre! Seguro firme as mãozinhas da marquesa, que a esta altura já sacou tudo e começou a chorar, pra evitar que ela meta a mão nos excrementos e, em seguida, na boca.

A sorte é que, pela primeira vez, encaixamos o bebê conforto no carrinho pra deixá-la virada pra nós. Já pensou ter de transferir aquela coisa pingante do carrinho pro bebê conforto dentro do carro?? A gente não sabe se ri ou se chora. Rafael ultrapassa o limite de velocidade da pista, e eu pensando como vou fazer pra tirar florzinha do carro sem gotejar o líquido amarelo. Vai com bebê conforto e tudo. Deixamos o carrinho no porta-malas, pega depois.

Lá vamos nós dois, esbaforidos, comofas, comofas? "Sujou embaixo da capa do bebê conforto?" "Sujou, sujou até o cinto de segurança!". Aimeudeus. Estaciona o bebê conforto na porta do banheiro. "Vou entrar no chuveiro com ela!"

E lá fui eu me despindo, mergulhei no chuveiro com lady florzinha no colo de roupa, fralda e tudo. Fui tirando a roupa dela debaixo d'água e a água saía toda tingida de amarelo. Depois de devidamente lavada a mocinha, o Rafael veio recebê-la fora do box, toalha limpa à mão. Eu fiquei lá pra terminar meu banho. Lavei meu cabelo com shampoo Johnsons baby, sem condicionador. Uma belezura. Depois o pente nem passava no arame que ficou.

Saio do banho, o banheiro imundo, body de florzinhas jogado num canto do boxe, o bebê conforto na porta todo cagado, os tênis e as meias meus e do Rafael jogados no corredor. Eu correndo para dar de mamar à princesinha diarrenta, nem me enxuguei direito. Aí aparece o Rafael com a criturinha toda vestida de rosa, o cabelo penteado pra cima igual um pica-pau. "Pronto, amor, ela tá pronta!" Aaaaai coisinha linda! E lá fui eu pelada procurar a primeira poltrona pra alimentar madame la marquise.

E aí ficou lá o Rafael limpando a arte (não sabia nem por onde começar, tadinho. Como cabe tanto cocô numa pessoinha tão pequena?), eu pelada, com o cabelo parecendo um bom-bril, e Emília linda, cheirosa e penteada mamando o leitão gostoso.

E, sabe o quê? Ela nunca esteve tão adorável!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O outro lado

Há umas duas semanas apareceu na blogosfera materna uma discussão a respeito do que se chama de parto humanizado. Quem inaugurou o tema foi a Paloma, com este post. Depois a Roberta lançou mais lenha na fogueira, a Paloma deu sequência ao assunto, mais uma vez a Rô, e finalmente a Paloma.

Em suma, elas levantaram o problema da impossibilidade de a maioria esmagadora da população brasileira optar por um parto normal, com um mínimo de intervenções (enfim, um parto saudável, conforme preconiza a OMS), devido aos altos valores que são cobrados pelos médicos ditos humanizados. E que, portanto, não seria justo criticar muitas mulheres que são submetidas a cirurgias porque tiveram de fazer seu pré-natal com um médico que atendia pelo seu plano de saúde.

Depois a Patrícia entrou na roda e defendeu que a maternidade é muito mais que o parto.

Demorei, mas aqui estou eu pra polemizar ainda mais! E trago o relato de uma médica honesta e competente, defensora do parto humanizado, acerca do problema que está em discussão: o preço do parto normal.

Apenas reproduzo o que ela me escreveu quando lhe mostrei os posts da Paloma e da Roberta.

Infelizmente, chego à conclusão de que tanto médicos honestos quanto mulheres que desejam o parto normal estão em uma situação difícil neste país. A solução? Partos realizados por enfermeiras, com a presença do médico apenas no caso de complicações (como acontece em alguns países da Europa)? Plantonistas capacitados a fazerem parto normal, de modo que os médicos não fiquem à mercê da imprevisibilidade dos horários e da duração de um trabalho de parto?

Não sei. Sei que é um problema estrutural na saúde brasileira e que ainda estamos muito distantes de uma realidade na qual todas as mulheres terão o direito de optar pela forma de dar à luz. Hoje, se pode optar por uma cesariana. Mas, infelizmente, nem todas podem optar pelo parto normal.

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“Não sei quanto os médicos mencionados nos textos que você me mandou cobram, mas não tem como assistir a partos pelo pagamento efetuados pelos planos de saúde. Vou te contar minha experiência própria.

Quando comecei a atender consultório foram surgindo as pacientes.
Isso há 3 anos. E eu comecei a assistir partos de cócoras, humanizados, coisa e tal. O que eu acreditava. Então o consultório começou a encher. E eu atendendo tudo pelo convênio. Que paga 330 reais pelo parto, menos impostos, taxa de cooperativa, ISS, etc, etc., ficava com 250 no final.
Bem, Lia, meus colegas de consultório também FAZEM partos por convênio. Mas eles FAZEM. Marcam todos para a sexta de manhã (5 cesáreas), começam as 7 e às 10 já estão acabando, com todas as fotos tiradas, todos os familiares do lado de fora felizes. Então pegam o carro, vão para o Sítio e me pedem para dar alta nas operadinhas no sábado, já que eu vou estar aqui mesmo, assistindo parto no fim de semana.

POR QUE VOCÊ ACHA QUE 80% DOS PARTOS EM CONVÊNIO SÃO CESÁREAS??

Nós somos menos de 1% dos obstetras do Brasil. Somos motivo de piada. Quando fico 15 horas com uma paciente em TP, pago alguém para ir no plantão para mim, falto meu emprego público (levo retaliações...), desmarco as pacientes do consultório.... e ainda tenho que enfrentar os OLHARES ACUSADORES dos médicos e enfermeiras do hospital onde estou com a paciente. Todos ficam torcendo e fazendo TUDO para o parto dar errado. E quando vira cesárea vem aquele sorrizinho no canto do rosto...

Bem, voltando à minha história, eu surtei. Fiquei louca correndo de um lado para o outro, deixando pacientes no Posto de Saúde sentadas esperando e saía correndo pra assistir parto, ligando pra mil pessoas no meio de um plantão no SUS para elas irem ficar no plantão pra mim para eu ir assistir parto... Assisti parto com enxaqueca, vomitando, com diarréia.... Tudo porque se eu não fosse, as pacientes seriam operadas ou teriam um parto normal "anormal"... E aí eu sofria demais...

Eu surtei, fui parar no psiquiatra, estressada, fazer terapia. Após muitos meses de terapia consegui entender que meu trabalho tem valor. E que não há problema em receber para trabalhar. Sim, porque assistir partos não é diversão, é trabalho. (Eu achava que era diversão...)

Eu queria viajar em julho, mas não vou poder, porque tenho UMA paciente que estará a termo. Meu marido não fica muito feliz com isso, sabia? Ele não gosta quando eu saio da cama de madrugada, quando eu desmarco compromissos, quando falto jantares ou saio do meio de aniversários. Meu celular fica ligado no culto, no cinema, enquanto tomo banho, enquanto faço sexo.
Toca toda hora.
Por que um cirurgião plástico pode cobrar e um obstetra não?

O que se cobra não é a HUMANIZAÇÂO, mas a disponibilidade para assistência de 37 a 41 semanas. QUEM REALMENTE ASSISTE PARTOS não tem vida normal.

No mês passado saí do meio do aniversário de 1 ano porque uma paciente da mãe do aniversariante estava em TP. E queria parto normal. De cócoras. Não podia ser assistida pelo plantonista. Então, sem comer NENHUM brigadeiro saí da festa e corri pro hospital, de bermudinha e salto alto, para ficar com ela até altas horas da noite, quando a festa acabou e sua médica foi assistir seu parto de cócoras. 12 horas de TP, indução por bolsa rota sem TP.

Enquanto o parto não for valorizado, a taxa de cesareanas não vai cair no Brasil.
Atualmente estou certa de que é abusivo e vergonhoso o que os planos de saúde fazem.
E já aprendi: se seu médico não falou em cobrança, vai operar.
Por que se ele sair de um plantão no meio do domingo para ir assistir seu parto, vai ter que pagar no mínimo 800 reais para o colega que vai ficar no lugar dele...
E quanto vale sair da própria vida para assistir partos? E quem tem filhos? E quanto eu tiver bebês e tiver que deixá-los com NAN por ter que ficar mais de 12 horas fora de casa?”

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O tempo e outros assuntos

Hoje faço 28 anos, mas quem se importa? Essa pequenininha me faz esquecer de mim...

E esta manhã ela veio me parabenizar com um montão de sorrisos. Delícia.

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Passa rápido. É o que todas dizem. E eu sempre pensei: é claro que passa rápido. Em um mês acontece tanta coisa, e um mês é tão pouco... por exemplo: falta um mês pras férias. Pouco. Falta um ano pra eu me aposentar (esse é o momento dos meus sonhos): pouquíssimo.

Não é um "passa rápido" do tipo: o fim de semana passa rápido, dois dias de trabalho nunca passam. É que um mês é muito pouco tempo mesmo, e sempre passa rápido. A não ser...

... a não ser que você esteja no último mês de gravidez. E aí eu descobri por que a primeira infância passa tão rápido: porque a gestação (pelo menos a nossa) demora horrores. Você acompanha um blog de grávida, aí se passam eras e a criatura apenas evoluiu de pata choca pra elefante. Já depois que o filhotinho se materializa fora da barriga, passam 5 minutos e lá vem ele te pedir a chave do carro.

Nove meses de gestação e tudo o que acontece é o crescimento da pança e suas consequências no nosso bem estar. Nove meses de vida e a criança foi pra creche, come de colherinha, começa a andar.

Passa rápido? É claro que passa rápido.

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E um momento mãe X mulher:

Ele: Amor, você está com a pele ressecada.

Mais tarde, no mesmo dia:

Eu: Amor, vou tomar banho. Você fica com a Emília?
Ele: Tá bom, mais vai rápido. Não vai ficar passando aqueles seus trem lá, hidratante e tals...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Um mês

Hoje é aniversário da Emília! Um mês, ê! E eu fui ao shopping comprar um presente de aniversário da minha mãe pra mim (completo 28 aninhos segunda-feira) e nem tive tempo de escrever aqueles posts fofos do tipo:

- ela já puxa o próprio cabelo (não sem se esgoelar de chorar durante o processo);
- puxa a própria orelha (idem);
- sua brincadeira preferida é lamber a fralda que forra o carrinho;
- ela continua vesga;
- continua careca na frente e com um cabelo de pica-pau no alto da cabeça...
- ...E coisa e tal.

E também não tive tempo de escrever como é difícil comprar blusa no pós-parto. Tem de dar pra abrir na frente, não pode aparecer sutiã, não pode apertar no busto, não pode apertar na barriga e last, but not least, não pode ser baranga! Defícel. Saí do shopping com duas camisas. Nada mal, já que durante a gravidez aprendi como é possível viver bem com seis peças de roupa. E você faz os cálculos, vê que uma calça paga uma consulta no pediatra, e enfim... a vida muda.

Parabéns filhinha linda do coração de mami!

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Ah! E meu resguardo acabou! Ê! Dra. Obstetra liberou geral. E a alegria da mamãe aqui: "Oba, posso fazer abdominais!". E o marido só balançando a cabeça...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Enquanto não chega o dia do pediatra...

Me digam o que vocês acham:

- Por que o olho direito da minha filha lacrimeja e dá mais remela que o esquerdo?

- Posso limpar o ouvido dela com cotonete?

- Quando o cabelo dela vai voltar a crescer, ó, céus?! Ninguém merece essa careca!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Amamentando - livre demanda, problemas e soluções II

O primeiro passo para fazê-la ficar mais tempo sem mamar foi aumentar o tempo no peito.

Depois que ela entrou nesse esquema de hora em hora, começou a mamar coisa de 5 minutos por vez. Fiquei preocupada porque assim ela nunca chegava no leite gordo. Até achei que era sede, por causa do calor. Mas isso precisava mudar.

Problema 1: ela dorme no peito.

Solução: MAMA NENÉM, QUE A CUCA VEM PEGAR!! Esfrega o dedo na bochecha, aperta a palma da mão. À medida que o sono vai ficando mais difícil de driblar, puxa o braço, aperta a perna, enfim, quase uma violência contra menores. Quando a coisa está mais grave, tiro a roupa, troco a fralda, coisas assim. Assim, consegui até triplicar o tempo de algumas mamadas.

Problema 2: quando ela mama mais tempo, golfa demais.

Solução: Pausas. Dona Marquesa de Rabicó é meio estabanada. Ela abocanha o peito que mais parece um bezerro. Aí se engasga, tosse, cospe, fica vermelha, joga a cabeça pra trás. Uma judiação só. Às vezes eu insistia em continuar, até porque ela queria mais. Aí depois ela golfava mais ainda, chorava durante e depois da mamada. Outras vezes eu ficava com medo de botar mais leite em um recipiente que parecia estar cheio. Só que ela não se enche com 5 minutos de sucção. Ela apenas mama rápido demais às vezes, e não dá tempo de o leite descer. Passei então a interromper as mamadas depois desses ataques, segurando-a na vertical como se tivéssemos terminado. Depois de alguns minutinhos e um belo arroto, coloco-a de volta no peito e ela continua. Faço isso quantas vezes forem necessárias, até eu ter certeza de que ela terminou. Esse procedimento exige um pouco de paciência, porque para ela mamar 20 minutos, por exemplo, gastamos meia hora. É mais complicado também quando estou em público, porque tenho de ficar tirando e colocando ela no peito, e de madrugada, quando estou naquela condição semi-zumbi.

Adotando essas duas medidas – acordá-la quando dorme e fazer pausas quando ela mama rápido demais –, consegui aumentar o tempo de cada mamada de 5 pra 15-20 minutos. Mas ela continuava chorando depois de uma hora. Pensei em duas hipóteses: hábito ou cansaço.

Então, com muita paciência, eu e Rafael tentávamos acalmá-la nesses momentos. Como ela é um bebê muito fácil, depois de uns 5 minutos de colo e conversa, ela acabava pegando no sono. E aí ela passou a dormir um pouco entre as mamadas e conseguimos chegar às tão sonhadas 2 horas.

Três dias depois, ela começa o dia às vezes mamando em intervalos de 3h, que vai reduzindo aos poucos ao longo do dia até chegar a 2h, 1h30 no fim da tarde. Como eu disse, ela está bem mais alegre, sem aqueles episódios de irritação sem causa aparente. Imagino que estamos no caminho certo. Mas, como alguém já disse, quando você acha que entendeu tudo, tudo muda. E assim seguimos nós, com muita paciência e amor. Essa mocinha merece.

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E quanto ao tempo pra mim: meninas, a Emília é uma santa. Se eu não tivesse tempo pra mim, de onde surgiriam esses meus posts gigantes?? Mesmo na livre demanda, mamãe aqui está super descansada...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Amamentando: livre demanda, problemas e soluções - Parte I

Graças a Deus não tive grandes problemas na amamentação da Emília. Como disse aqui, a pegada dela foi boa desde o começo. Não tive rachaduras nem empedramento. Claro, durante a apojadura, os seios ficaram cheios e doloridos. A solução foi deixar ela mamar o máximo possível e tirar o excesso de leite com a ordenha manual antes e depois das mamadas.

Ela também ganhou um bom peso até o 10º dia, quando fomos ao pediatra, e continua só no peito até hoje. Agora a produção de leite já está estável e estamos encontramos nosso ritmo. Mas é claro que tive algumas dúvidas e dificuldades no caminho e ainda tenho até hoje. Por isso vou compartilhar meus problemas e as maneiras que encontrei para solucioná-los. Tudo sem nenhuma base científica, apenas com base no faro materno.

A livre demanda

Já tinha lido sobre o assunto e pretendia manter a Emília neste esquema: mama sempre que quiser, o quanto quiser. Cada bebê tem um ritmo de sucção, cada mãe tem um fluxo de leite, portanto ninguém melhor que o bebê para saber quando se alimentar. No hospital, os pediatras também recomendaram a livre demanda e assim ficamos.

O problema da livre demanda é: como ter certeza de que o bebê quer mamar? Claro, ele chora. Mas todas sabemos que os bebês choram por diversas outras razões (apesar de a maioria das vezes ser fome mesmo). Aí entra a nossa sensibilidade pra tentar identificar os sinais e começar a diferenciar os sons e expressões que o bebê faz para saber qual a sua necessidade. Mas nem sempre é óbvio.

Eu tinha essa dúvida antes de a Emília nascer, e acabei achando um pouco mais fácil do que imaginava. Mas outra dúvida surgiu: como saber se o bebê terminou de mamar? Ele larga o peito. Ok. Mas às vezes ele larga e depois quer pegar de novo.

Ele dorme. É bem normal o neném capotar no meio da mamada por causa da ocitocina, mas isso não significa que ele se alimentou bem.

Outro problema da livre demanda é que os períodos em que o bebê pede pra mamar muitas vezes são influenciados pelas atividades que fazemos com ele. Se ele não dorme entre as mamadas, provavelmente esse intervalo será menor. Se confundimos outro choro com fome e oferecemos o seio, provavelmente ele acabará mamando com mais frequência e por menos tempo.

No começo, foi muito fácil manter a livre demanda. A Emília mamava uns 15 minutos em intervalos de 2 a 3h, revezando sono e vigília entre as mamadas. Ela estava bem feliz, chorava pouco e dormia muito bem à noite. Então ela não apenas mamava, mas também dormia em livre demanda.

Ocorre que a moçoila foi crescendo (como um dia faz diferença nessa fase!) e resolveu que ia passar o dia acordada. Até aí tudo bem, porque ela continuou dormindo bem à noite. Mas o que a gente faz quando está acordado? Come! E passou a querer mamar quase que de hora em hora. Novamente, não reclamei. Estou à disposição. Inclusive incentivei esse comportamento depois da crise do refluxo, já que mamando em menores quantidades o estômago dela ficava menos sobrecarregado. Mas a bonequinha, que continuou anjinha, foi ficando um pouco mais irritada. Começava a chorar logo que queria mamar, sem dar os sinais de fome antes, e passou a ficar bem sensível também no fim da tarde. Um dia, ela acordou à noite pela primeira vez sem ser por fome. Não quis o peito. Segurei-a no colo e ela soltou dois arrotões e dois puns. Depois voltou a dormir. Aí decidi que precisava mudar esta rotina. Minha menina estava ficando cansada e com gases.

Amanheci o dia seguinte determinada a fazê-la dormir pelo menos um pouco entre a maioria das mamadas, passando os intervalos de 1h pra 2h. Uh, que ambição! O resultado? A mudança de rotina foi um sucesso desde o primeiro dia. Florzinha está feliz, feliz, e acredito que mais bem alimentada. Amanhã conto como fiz as mudanças, as pedras no caminho e as soluções que meu instinto me apontou. Até!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Bela Emília

Imagino que toda mãe de menina já se pegou chamando sua filha de "minha florzinha". Pois muitos anos depois de escolher o nome da minha menina, descubro que Emília também é nome de flor.

Pequenininha, de um azul clarinho, singela, flor de rua. Bela Emília. Adorei.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ele é mais, eu sou menos – sobre a incompatibilidade sanguínea

Sou O-. Ele, A+. Nunca dei bola pra isso, até engravidar. Tinha aprendido na escola sobre a eristoblastose fetal, ou doença hemolítica do recém-nascido. “Mas não se preocupe”, me diziam. “Só dá problema no segundo filho”. Legal. Só que eu queria e continuo querendo três.

No início da gestação comecei a pesquisar sobre o assunto. Não achei nada que me deixasse completamente tranquila. Apenas com o acompanhamento pré-natal e o tempo comecei a sossegar. O começo da gravidez é assim mesmo, cheio de inseguranças: será que não é um falso positivo?, será que o saco embrionário está mesmo lá?, será que o bebê está saudável? Pra mim, essas inseguranças diminuíram muito a partir do segundo trimestre, e relaxei também quanto à incompatibilidade dos fatores RH meu e do meu marido.

E qual o problema da incompatibilidade sanguínea?

Quando a mãe tem RH negativo e o pai tem RH positivo, o bebê pode herdar o fator sanguíneo do pai. No nascimento – seja de parto normal ou cesáreo –, o sangue do bebê pode entrar em contato com o sangue da mãe. O organismo da mãe então interpreta a presença do fator positivo como um estranho e desenvolve anticorpos para combatê-lo. Numa gestação seguinte, caso o próximo bebê também tenha RH positivo, esses anticorpos o atacarão ainda no útero. Normalmente não há problemas com o primeiro filho porque o sangue não atravessa a placenta. Mas os anticorpos, que a mãe desenvolveu no primeiro parto, atravessam.

O ataque dos anticorpos ao feto destrói suas hemácias e pode causar desde icterícia até uma anemia severa, que pode levar à morte do embrião. Em alguns casos, pode-se fazer uma transfusão sanguínea com o bebê ainda no útero, procedimento que também traz riscos. Em outras situações, o parto é feito antes que a gestação chegue a termo.

Prevenindo problemas

Em algumas situações excepcionais, o sangue da mãe pode entrar em contato com o sangue do bebê ainda no útero. Ela criará anticorpos que já começarão a atacar o primeiro filho. Nesses casos, é feita a transfusão ou o parto prematuro. Mas, via de regra, isso não acontece e é bem fácil prevenir problemas com os filhos seguintes.

O primeiro passo é fazer um exame pra detectar a presença desses anticorpos no sangue da mãe. Mesmo sendo a primeira gestação, ela pode já ter entrado em contato antes com um sangue de fator positivo, em uma transfusão, por exemplo. Além disso, existem esses casos raros que mencionei acima em que há contato sanguíneo dentro do útero. Esse exame se chama Coombs direto e é pedido a todas as gestantes RH negativo quando o pai é RH positivo.

Estando tudo bem, a mulher toma uma vacina (na verdade, é um soro) chamada Rhogan em torno da 29ª semana de gestação. Ela vai prevenir a criação dos anticorpos quando o sangue da mãe e do bebê se encontrarem.

Depois do parto, é feito o exame de tipagem sanguínea do bebê. Caso ele herde o sangue da mãe, nada mais precisa ser feito. Caso a criança tenha fator RH positivo, a mãe recebe mais uma dose da Rhogan. Há um prazo para essa segunda dose, 72h após o parto, se não me engano.
Com esses cuidados, a chance de ocorrerem problemas com as gestações seguintes é bastante pequena – menos de 1%, de acordo com minhas pesquisas.

Meu caso

Meu Coombs deu negativo, como esperado. Tomei a Rhogan na 29ª semana (não dói, viu pessoal?). Depois disso a médica não pede mais o Coombs, porque o resultado pode dar alterado devido à vacina.

No dia seguinte ao parto, deram o resultado da tipagem sanguínea da Emília: A+. Tomei então a segunda dose da Rhogan.

Ela não teve anemia e nem mesmo uma leve icterícia. Ficou branquinha o tempo todo.
Na próxima gestação, farei novamente os mesmo procedimentos: exame de sangue e vacinas.

E o resto é mito...

- Casais com incompatibilidade sanguínea só podem ter um filho – como eu disse, com a prevenção é muito improvável que haja problemas nas gestações seguintes.

- Se a mulher for RH positivo e o marido, negativo, também pode haver problemas – a doença hemolítica do recém-nascido só pode ocorrer se a mãe tiver fator negativo e o bebê tiver fator positivo.

- Só bebês com fator RH diferente da mãe desenvolvem icterícia – a incompatibilidade ABO também pode causar icterícia. É bastante comum, inclusive.

- Quando o casal tem incompatibilidade sanguínea, os filhos seguintes nascem mongoloides! – nem preciso comentar, mas foi algo que ouvi durante a gestação...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sobre o parto normal (e respondendo aos comentários...)

Depois da minha experiência de parto, posso fazer algumas considerações. A primeira é que o parto normal é uma conquista e um privilégio. Uma conquista porque depende da sua força de vontade e da sua preparação. Um privilégio porque depende também de vários outros fatores que estão fora do nosso controle.

A OMS recomenda em torno de 10% de partos cirúrgicos. Ou seja: em aproximadamente 10% dos casos, a cesariana de fato é indicada para o bem da mãe e/ou do bebê. E isso pode acontecer conosco mesmo que tenhamos tomado todos os cuidados para facilitar um parto vaginal. Além disso, dos 90% de partos que deveriam ser normais, alguns deles precisam de alguma intervenção para acontecer. A OMS lista as situações em que são indicadas indução do parto, ruptura da bolsa, episiotomia, analgesia e outros procedimentos. Nada disso deve ser feito como rotina, sabemos disso. Mas isso não significa que essas intervenções não possam e devam ser usadas em situações específicas.

Dizem que parto normal não é para todo mundo. Eu concordo, mas não porque ache que algumas mulheres sejam menos corajosas ou fortes do que outras. Não acho que quem faz cesariana por opção ou porque o médico disse que é a melhor alternativa seja fraca. Acho que o parto normal não é pra todo mundo porque às vezes simplesmente não dá. E o parto natural, sem intervenções, esse sim é um privilégio ainda maior.

Nunca achei que meu parto fosse ser super rápido. Mas também não imaginava que ia ser tão difícil. Com minha experiência, aprendi que é um presente conseguir o parto com o qual sonhamos. Porque não é fácil pra todo mundo.

Acredito que aquela enfermeira que me ajudou foi um anjo mandado por Deus para salvar o meu parto. No mais profundo do meu coração, eu queria muito que minha filha nascesse sem uma intervenção cirúrgica. Nem eu mesma sabia que queria isso tanto assim. Meu marido me disse: “Eu tentei te preparar para a possibilidade de ter de fazer uma cesárea. Mas pelo visto eu não consegui.” E por quê? Se você parar pra pensar, não é tão importante assim a forma como nossos filhos vêm ao mundo. Mas esse desejo pelo parto normal não é algo que se explica racionalmente.

Dou graças a Deus por ter conseguido o parto vaginal, mesmo com todas as intervenções que tiveram de ser feitas. Sei que podia ter sido muito diferente, e sei que pra muita gente é. Muitas mulheres que sonham com o parto normal são submetidas a uma cesariana. Algumas por uma filosofia infeliz que ainda rege grande parte do corpo médico em nosso país. Mas outras porque tinha de ser mesmo. Entendo e defendo a luta pelo “empoderamento” da mulher no pré-natal e no parto. Mas acredito que não temos todo esse poder, mesmo se quisermos. Como eu disse: o parto normal é uma conquista, mas também é um privilégio. É um milagre. E pela graça, pude fazer parte desse milagre.

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E sobre alguns dos comentários:

- Ana, é duro admitir, mas existe uma vantagem no fato de reinarem as cesáreas nos hospitais brasileiros: a estrutura para parto normal fica disponível exclusivamente pra você. A enfermeira que me ajudou não deveria trabalhar na terça à tarde. Quando soube que havia alguém tentando parto normal no hospital, resolveu ficar. Bola, cadeira, enfermeira, sala de parto: tudo só pra mim. Uma beleza. Aliás, adorei o hospital. Tirando algumas enfermeiras, auxiliares de enfermagem e pediatras que já chegam apertando seu peito pra ver seu colostro, achei muito bom o parto hospitalar. Comidinha gostosa (e veio tudo vegetariano pra mim), remedinhos nos horários certos, ajuda pra amamentar, serviço de quarto... uma tranquilidade pra uma recém-parida.

- Nina, o rompimento da bolsa é feito em alguns casos pra acelerar um trabalho de parto que está andando muito devagar e pra verificar as condições do líquido amniótico. Não tinha conversado sobre isso previamente com minha médica. Na próxima gestação, que pretendo acompanhar com ela, vou perguntar mais sobre o assunto.

- Jussara, a manobra de empurrar a barriga pra ajudar o bebê a sair, no meu caso, foi feita apenas no finzinho do parto e porque a Emília estava presa no canal. Já fazia uma meia hora que a cabeça dela estava visível e todos acreditavam que faltavam poucas contrações. Inclusive eu estava de cócoras, no chão, no momento em que a médica achava que ela sairia. Mas estava demorando tanto, e eu já estava quase perdendo a consciência, que chamaram alguém pra dar o empurrão. Eu não senti dor nenhuma, nem na hora e nem depois.

Quanto à eristoblastose fetal, vou fazer um post só pra falar sobre isso, ok?

- Cíntia, quanto à dor do parto. Acho sim que eu teria agüentado até o fim sem anestesia. Dizem que você esquece completamente da dor depois, né? No dia seguinte eu me lembrava muito bem, mas agora confesso que esqueci mesmo. Olhando pra trás, eu diria que a pior coisa do meu parto foi achar que minha filha não ia nascer nunca; a sensação de que todo o meu esforço era em vão e de que o TP não estava evoluindo. A dor durante o TP ativo é suportável e ajuda você a reconhecer o pico da contração, que é quando tem de fazer força. No final dói mais mesmo (na última meia hora de parto a anestesia já quase não fazia efeito). Mas, sei lá, é tanta informação... a dor é só mais uma coisa pra prestar atenção. Enfim: no próximo vou tentar sem anestesia de novo!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Relato de parto - Parte III

Segue a terceira e última parte do meu relato de parto. Amanhã vou fazer umas considerações finais e responder a alguns comentários.

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E lá estávamos nós na sala de parto. Chama o anestesista. Ele quase não consegue aplicar a injeção, de tão curto que é o intervalo entre as contrações. Um senhor simpático. Perguntou pelo nome da criança e disse: “Conhece a música da Emília? É bem antiga, vocês não devem conhecer.” Aí começamos a cantarolar juntos : “Quero uma mulher que saiba lavar e cozinhar/ e que de manhã cedo me acorde na hora de trabalhar/ só existe uma, e sem ela eu não vivo em paz. Emília, Emília, Emília, não posso mais.” E a médica: “Que horror!”

E aí as pernas começam a formigar e a dor vai embora. “Tá dando certo?”, eu perguntava pra médica. “Já deu certo. Agora ela desce!”

Então percebi que as contrações estavam diminuindo. A equipe estranhou. “Você só não está sentindo a dor”, disse alguma enfermeira. “Mas as contrações não continuam?”. Continuavam, mas bem mais fracas e com menos frequência. Eu tinha certeza, e insisti que alguma coisa deveria ser feita. Parece que isso não era pra acontecer. Mas, enfim, tanta coisa no meu parto não era pra acontecer... então manda a ocitocina! Dizem que a ocitocina causa uma dor insuportável. Eu não senti nada disso porque estava anestesiada. Nem tchuns. Simplesmente as contrações retornaram ao ritmo de antes e eu pude voltar a empurrar.

Vai pra cama, vai pro chão, vai pra cadeira, de quatro, de cócoras. E o tempo foi passando. “Só mais um pouquinho, só mais essa! Comprido, comprido, comprido!”. Afe, Jesus. E nada dessa menina sair. “Estou vendo a cabeça!”, anuncia a médica. “Você quer ganhar ela como? De cócoras? No chão ou na cama?” “Do jeito que sair mais rápido!!”. E fomos pro chão. Mas depois de uns 20 minutos de últimas contrações, me botaram de volta na cama pra não forçar as pernas.

Alguém da equipe disse que eu tinha de empurrar não sei como, e a médica respondeu: “Não, ela está empurrando direitinho. Tem alguma coisa prendendo o bebê. Parece que é um ossinho que ela tem no quadril. Mas agora já era. Cesariana agora ia ser cesariana de português, porque a cabeça já está no canal.” Ah, como gostei de ouvir isso, mesmo já quase sem forças! Sei lá, preferia Emília entalada no canal à possibilidade de uma cirurgia.

E aí a médica começou a fazer altas manobras lá embaixo, e senti a Emília girando pra esquerda. Vi as costas dela passando pelo meu umbigo. Enquanto isso, o Rafael está lá embaixo, vendo a cabeça da Emília, o corte, a movimentação das mãos da médica. E eu empurrando. Aí vi que as enfermeiras estavam tentando empurrar minha barriga pra baixo. Minha vontade? Ajudar a empurrar também! Precisavam de alguém mais forte, e chamaram um homem. Outra coisa que dizem que é um horror: esses homens que empurram sua barriga. Pois eu achei ótimo. Tudo o que me ajudasse a fazer ela descer era super bem vindo. E não senti nenhuma dor. Falando em dor, nessa altura do campeonato minha analgesia em pequena dose já tinha ido pro espaço. Eu só não sentia mesmo o corte lá embaixo. Mas as dores das contrações estavam de volta. Eu recitava o pai nosso, virava a cabeça de um lado pro outro, e teve uma hora em que quase perdi a consciência. Abri os olhos e vi toda aquela gente em volta de mim. Demorei alguns segundos até perceber onde estava. Aí avisei: “Pessoal, estou apagando!” Aí me deram um negocinho de oxigênio pra pôr no nariz e me explicaram que agora estava acabando mesmo. Será? Tirei minhas últimas forças não sei de onde, comprido, comprido, comprido, e não sei depois de quantas contrações mais, senti a cabeça dela saindo. Dei uma bizoiada e vi a médica cortando o cordão com o corpinho dela ainda lá dentro. E onde estava o cordão? Isso mesmo, enroladinho no pescoço. Em seguida fiz uma forcinha de nada e senti o resto do corpo saindo. Já tinham posto o paninho no meu peito pra eu recebê-la, mas antes que eu me desse conta, vi ela sendo levada.

Não ouvi choro nenhum. E eu dizia: chora, minha filha, chora! Mandaram o Rafael acompanhá-la, e eu fiquei lá, sendo costurada. Um tempinho depois ouvi um choro e perguntei se era ela. Disseram que era.

Não sei quanto tempo passou até eu receber aquele pacotinho todo embrulhado nas mantas do hospital. Inchadinha, com a cabeça cônica. Fazia um barulhinho chiado com o nariz. “Tá ouvindo este barulhinho?”, perguntou a pediatra. “Ela aspirou um pouco de mecônio, que entrou nos pulmões. Nós já fizemos a drenagem, mas ela vai ter de ficar um tempo na UTI, em observação. Provavelmente amanhã ela poderá subir pro quarto.” Beijei minha filha, me despedi dela. Foi tudo muito rápido. Depois é que soube que quem me entregou a Emília foi o Rafael, e que ele me chamou várias vezes até eu olhar pra ele. Não me lembro. Pra mim, tinha sido uma enfermeira.

E foi assim o meu parto. Passei mais alguns minutos na sala de recuperação, subi pro quarto com a certeza de que minha filha ficaria bem e feliz que ela tinha nascido. Olhei a pulseirinha que me puseram no braço. Horário de nascimento: 20h32.

No dia seguinte, às 11h, fui à UTI amamentá-la. Às 14h fui outra vez, e depois disso mandaram a Emília pro quarto. Recebi alta no terceiro dia, quinta-feira, e ficamos no hospital até o dia seguinte, quando ela foi liberada. Quiseram mantê-la mais um dia em observação por conta do fator sanguíneo (ela herdou o sangue do pai, A+. Sou O-). Queriam ver se não dava icterícia. Não deu. Saiu de lá branquinha, branquinha.

No dia do parto e um pouco mais tarde, pensei no próximo filho. Tive medo de ele não virar pra esquerda. Tive medo de meu canal ficar rígido outra vez. Tive medo do mecônio. E alguns dias depois eu já tinha decidido: no próximo, vamos de normal outra vez. E vamos tentar de novo fugir das intervenções. Um dia eu chego lá!

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