quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Das coisas que ninguém fala sobre a gravidez

Sei que hoje é 31 de dezembro e que a data pede aqueles papos de fim de ano e tal. Acontece que passei a noite com a sola do pé coçando e ardendo e vou voltar àquele papo sobre as coisas que ninguém fala a respeito da gravidez.

Enjoo, inchaço, falta de ar, dor nas costas. Disso todo mundo já ouviu falar. Mas a dor no púbis, o fenômeno do incrível Hulk e o prurido gestacional foram grandes surpresas pra mim. A dor no púbis aparece quando o bebê começa a descer, pressionando sua almofadinha e dando maior amplitude ao seu lindo andar de pernas abertas à la pata choca.

Sobre as veias saltadas, olha o que eu achei:

"Aranhas vasculares surgem entre o segundo e o quinto mês de gestação, sendo mais freqüentes em mulheres caucasóides (até 67% de acometimento).6 São mais encontradas nas áreas de drenagem da veia cava superior, como face, pescoço e membros superiores, e seu tamanho tende a aumentar ao longo dos meses. Altos níveis de estrógenos parecem responder por sua origem."
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0365-05962005000200009&script=sci_arttext

Tá explicado, né?

Agora, a última: alergia.

Começou há quase duas semanas. Primeiro foi nas mãos. Apareceram umas bolhinhas na base dos dedos que coçavam muito. Achei que tinha sido picada de algum inseto. Depois que elas atingiram todos os dedos da mão e se espalharam pros pés, vi que era uma espécie de alergia. Primeiro pensei que fosse algo que eu tinha comido. Mas depois de uns três dias de estabilidade nas reações, e eu sem comer nada diferente, descartei essa hipótese. Pensei então que fosse a Ranitidina, porque minha nova cartela era de um laboratório diferente. Suspendi a medicação e fiquei lidando com minhas dores gástricas só com magnésia. E nada de a bendita coceira passar.

E aí comecei a entrar em pânico: "Meu Deus, e se eu tiver desenvolvido alergia a algum alimento? Soja? Lactose (aaaaaaaaaargh!!)? Glúten?" Então tive a brilhante ideia de ver se esse fenômeno tinha alguma coisa a ver com a gestação. E adivinhem só? Tem sim.

Vejam o que encontrei:

"A grávida pode apresentar urticária?

Sim. Existe uma urticária que é um prurido da gestação. Normalmente surge no final da gravidez, com placas vermelhas, que coçam muito. Pode aparecer também uma urticária colinérgica. Ou dermografismo, que também melhora com loratadina."

http://oglobo.globo.com/saude/maternidade/mat/2006/11/24/286776884.asp

Procurando em vários sites especializados, descobri que existem várias doenças dermatológicas que podem surgir ou se intensificar durante a gravidez por causa dos hormônios. A boa notícia é que elas não ameaçam a saúde do bebê e passam logo após o parto. Ô, glória! Só mais umas duas semanas de coçadinhas...

E um feliz ano novo sem alergias!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Retrospectiva

Ontem caminhava com o marido pelas redondezas do meu apartamento. O fim do trajeto de ida dava na rua de um restaurante de massas.

- Amor, lembra quando viemos aqui ano passado, logo antes das férias? Viemos comemorar não sei o quê, acho que o meu fim de curso. E veio um cara vendendo mel. Eu agradeci e disse que iríamos viajar. Ele disse: "leve de presente!". Eu respondi: "não, a gente vai pra Argentina. Não conhecemos ninguém lá."

E continuei contando a história. Naquela mesma semana, fomos ao Outback celebrar a diplomação da minha irmã. No dia 30 de novembro, embarcamos pra Buenos Aires. Foram umas férias boas, compridas e esperadas. 2008 tinha sido um ano muito difícil pra mim. Muito stress e pouca esperança.

Passamos a viagem sem anticoncepcional. Um mês para tentar, disse a médica. Porque aparentemente havia uns cistos no ovário que precisavam ser tratados, e o tratamento começaria depois das férias.

No avião, eu ia rabiscando umas palavras sem sentido num pedaço de papel. Algo sobre voltar com alguma coisa no ventre. O Rafael lia e se emocionava.

Na época, eu tinha quase nenhuma informação sobre concepção. Então enchi a cara de vinho, cerveja, batata frita, macarrão e pizza. Não fiz tabelinha; fiz rafting. Bebi e comi pacas, curti a viagem e engordei 3kg.

De volta da Argentina, ficamos dois dias em Brasília antes de embarcarmos outra vez para passarmos o recesso de natal em Fortaleza. Dias 22 e 23 de dezembro estivemos em Paracuru, praia deliciosa ali perto. E naqueles dias senti umas colicazinhas e fui à farmácia comprar um Tylenol. Algumas horas depois, desce o sangue, com uma semana de atraso. Eu e o marido um pouco chateados, não tanto por não ter sido daquela vez – era a primeira vez que tínhamos relação sem proteção e não fizemos nada pra facilitar –, mas porque a médica prometia três meses de anticoncepcional antes de começarmos as tentativas pra valer.

Janeiro de 2009. Volta ao trabalho e anticoncepcional de uso contínuo. Dieta radical, cortei totalmente o álcool e os carboidratos simples. Com o fim das férias, todos os sentimentos ruins que me assombraram em 2008 foram voltando. As crises profissionais e acadêmicas. A falta de perspectiva para o futuro. E eu detestando outra vez o ano novo, porque não havia nada de novo. Dia 15/02 completei 27 anos, exausta e quase triste.

Março. Ecografia e exames de sangue. Tudo perfeito. Ovários limpos, hormônios normais. Tomei apenas duas pastilhas da 3a e última cartela de anticoncepcional e a médica me autorizou a parar. Voltei feliz, feliz do consultório.

E dá-lhe a pesquisar sobre concepção. Dieta mega saudável, os quilos a mais indo embora. Até o marido entrou no esquema.

Abril de 2009. Primeira menstruação depois de interromper a pílula. Chamei uns amigos lá pra casa e quebrei o jejum de álcool com uma tacinha de Malbec.

Feriado de 1o de maio. Marido e eu fomos a Pirenópolis. De acordo com meus cálculos, um dia depois da ovulação. Ficamos num hotel no meio do mato, e lá havia algumas crianças. Brinquei com duas menininhas capoeiristas de lutar boxe. Recusei cerveja artesanal. Andando nas trilhas pra cachoeira, passamos por uma porteira estreita e o guia explicou: "chamam essa daqui de pega grávida". Gostei da brincadeira, e me imaginei grávida.

Dia das mães. Olhando aqui no calendário, vejo que caiu dia 10/05. Na igreja, distribuíram vasos de flores para as mães, e eu doida pra fazer um teste de farmácia. Mas era cedo. Fomos comemorar a data num restaurante escolhido pela minha mãe. Instalaram um pula-pula inflável e as crianças faziam a festa. Na saída, distribuíram rosas e minha irmã pegou uma pra mim. "Toma, você é uma grávida em potencial."

Dia 14/05, quinta-feira. Aniversário do meu irmão e data provável da descida do sangue, se meu ciclo fosse de 30 dias. Eu achei que era, mas não tinha tanta certeza. Vontade de fazer um teste, ligar pra ele e dizer: "Tenho um presente pra você. Um sobrinho!". Não fiz o teste porque era caro, porque tinha medo de dar negativo e porque o marido preferia esperar.

Sexta-feira. Fomos caminhar no parque. Eu olhando uma ou outra mulher barriguda, tentando adivinhar a idade delas. "Essa é mais velha que eu, tenho certeza". E namorando os zilhões de carrinhos de bebê, e as crianças no parquinho. Na volta, já escuro, quis passar na farmácia. "Mas não está muito cedo?", perguntou o marido. "Compro agora e faço no fim de semana." Escolhi o teste mais caro, o da canetinha. E disse: "Espero que este seja o último teste que eu compre. Quer dizer: o último antes de ter o primeiro filho, né?".

Lembrei agora que desde a quarta-feira daquela semana eu vinha acordando cada dia mais cedo. Primeiro às 6h, depois às 5h30, depois às 5h. E não conseguia voltar a dormir. Decidi então fazer o teste no sábado de manhã pra acabar logo com aquilo. Passei mal de madrugada e mandei embora todo aquele xixi que deveria ficar não sei quantas horas retido.

Marido acorda no sábado de manhã e me vê dormindo. Ele pensa: "deu negativo e ela não quis me acordar". Foi ao banheiro e procurou o teste na gaveta. Lá estava ele, intacto. Quando acordei, expliquei o que havia acontecido. Nada de menstruação e nada de teste. Ia ficar pro dia seguinte.

Liguei pros meus pais e convidei pra um almoço no domingo. Fiz lasanha. "Mas amor, pra que tudo isso? E se der negativo?". "Se der negativo, fazemos um almoço em família. Nada de mais."

Domingo, dia 17 de maio. Passo a madrugada acordando. A bexiga cheia, e eu segurando. Não sei se foi às 5h, às 6h, mas lá fui eu. Nervosa, com o intestino solto, queria fazer não apenas xixi. E o medo de aquela confusão estragar o teste. E a bexiga tão cheia que o xixi não saía. "Calma, Lia. Você tem controle do seu períneo. Você consegue fazer uma coisa, depois a outra." Fiz meu xixi. E ela apareceu. A segunda listra rosa.

E foi ali que começou meu ano.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

37 semanas - lidando com os medos

Conselho número 1: esqueça os conselhos. Não todos. Pode aceitar os meus (hehe).

Mas, falando sério. Amigas que não têm filhos, senhoras que tiveram filhos há trocentos anos ou mulheres que pariram (normal ou cesárea) sem muita informação, dessas que nem sabem o que foi feito durante o trabalho de parto: esqueçam. Só vão te assustar ou te deixar na mesma.

Como disse ontem, andei tendo uns sonhos diferentes. Minha irmã gosta de brincar de "interpretar" sonhos. É uma prática interessante: analisando bem o sonho e tentando relacioná-lo com coisas que você viveu recentemente ou expectativas para o futuro, você consegue descobrir um bocado de coisas sobre si mesma.

Ali pelo segundo trimestre da gestação, eu tinha uns sonhos maravilhosos. Sonhava com um parto sem sofrimento, rápido e delicioso. Nunca encarei isso como uma profecia, mas entendi que esses sonhos revelavam que eu estava muito tranquila para esse momento. E assim continuei, até semana passada.

Primeiro sonhei que acordava sem barriga. Não me lembrava de nada que tinha acontecido. Sorria e pensava: é como sempre. Tive um parto tão tranquilo e rápido que ele nem apareceu no meu sonho. Depois fui procurar minha filha. Quando me encontrei com ela e com meu marido, descobri que tinha passado horas apagada e que na verdade eu tinha feito uma cesariana. Eu apalpava a cicatriz na barriga e não acreditava. Nem era tanto pela cirurgia; era por não ter visto o nascimento da minha filha.

Na mesma semana, sonhei de novo que não tinha mais barriga. Mas dessa vez não foi tão fácil encontrar minha filha. Me traziam uns bebês minúsculos, vermelhos, pareciam fetos, e eu dizia: "Não, não, essa não é minha filha. Minha filha é gordinha." No fim do sonho eu finalmente encontrava minha bonequinha rechonchuda, e ficava me perguntando quanto tempo com ela eu tinha perdido.

Resolvi analisar esses sonhos para tratar a insegurança por trás deles. Descobri que meu principal medo era do hospital. Não saber como me tratariam lá e o que fariam com minha filha. Como já contei aqui, visitei as maternidades com bastante antecedência. Mas você nunca consegue saber exatamente o que vai acontecer. Quem serão os enfermeiros e o pediatra de plantão? Quando e por quanto tempo vão levar o seu bebê? Vão te tratar bem? E, pra piorar, não consegui entrar na sala de parto do hospital onde escolhi dar à luz. Isso tudo, juntado à ansiedade natural do fim da gestação - especialmente porque a gente não sabe o dia exato do parto -, me deixou um pouco perturbada. E o que a grávida faz? Chora e enche a orelha do marido!!

Mas o que me ajudou mesmo foi conversar com a minha médica. Por isso eu digo: não adianta falar com as velhas, ou com quem não é mãe, ou com quem é desinformado, e também não resolve consultar o Dr. Google. A internet, os blogs, os sites especializados, nada disso vai te deixar segura quanto ao que vai acontecer com você, no hospital que você escolheu.

Ontem tive consulta e saí de lá outra pessoa. A médica disse que é normal ter esses sentimentos e explicou que várias práticas com as quais assustam a gente não são feitas no hospital que escolhi (aliás, só um hospital privado - e chique - em Brasília parece ignorar as tendências de humanização). Não vão raspar meus pelos (ela disse inclusive que eu não preciso nem depilar se não quiser), lá não tem berçário, o pai ou algum familiar acompanha o bebê em todos os procedimentos pediátricos (o bebê jamais fica sozinho com a equipe médica) e, se tudo correr bem, o bebê pode ficar com a mãe mais de meia hora antes de ser levado pra tomar banho e fazer os exames - o suficiente para a primeira mamada. E sobre a sala de parto, ela disse ser idêntica à do outro hospital onde eu cogitei fazer o parto. Essa eu visitei. A cama é largona, com suporte pras costas, barras laterais para apoio e outra barra que fica no teto para segurar com os braços caso a mulher queira ficar de cócoras.

Nem preciso dizer que saí de lá outra pessoa, né? Claro que a ansiedade ainda existe - não tenho sangue de barata. Mas é um friozinho na barriga que dá até pra curtir...

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E mais sobre a consulta:

- Emília andou descendo a ladeira e está em processo de encaixe (a pélvis dói horrores. Leia-se: a almofadinha. Parece que você andou a cavalo ou que te deram uma bolada bem naquele lugar onde um homem se contundiria seriamente. Nunca tinha ouvido falar nessa dor. Mais uma das coisas que você só descobre quando engravida.).
- Dra. aposta que Emília fica aqui mais umas duas semanas. Ufa! Quero que ela nasça, mas umas duas semaninhas a mais vão ser boas para eu ir me preparando psicologicamente...
- Pressão 10x6, pouco inchaço, peso normal. Coraçãozinho de Emília batendo num ritmo lindo, movimentos constantes.

Nada a reclamar. Só tenho que agradecer esta bênção.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Voltando

Voltando, antes de ir de vez! Andei meio sumida, como a maioria do mundo, por conta das festas. Não, a Emília não nasceu ainda.

Ultimamente venho tendo vários sentimentos confusos. Finalmente apareceu um medinho, uma ansiedade, uns sonhos esquisitos e a sensação de que a cada vez que eu acordar à noite para fazer xixi eu posso entrar em trabalho de parto. Pelo menos essa impressão só me persegue à noite. De dia, eu ainda tenho certeza de que ela fica por aqui mais uma duas semanas.

Quando colocar as ideias no lugar, falo mais sobre isso. Hoje vou falar sobre um momento descontração.

Ontem, na igreja, passei pela salinha das crianças e vi a Aurora, 3 anos, sobrinha da Lu, quase pendurada na gradinha. Ela abocanhava a grade com gosto e perguntava pela mamãe. Cheguei perto, disse que a mãe dela estava vindo buscá-la e começamos a conversar. Ela coloca a mão na minha barriga:

- Tem um neném aqui dentro. É a Emília.
- Isso mesmo, Aurora. Ela chama Emília.

(papo vai, papo vem, "Você vai ser amiga da Emília?" "Vou." "Você gosta de bebês?" "Gosto. Minha mãe não gosta de monstro". E continua lambendo as grades como se fossem um picolé.)

- Qual o nome da Emília?
- Ué, Aurora, você já disse: Emília.
- Mas qual o nome dela? Qual o apelido?
- Ah, o apelido? Tem vários, você escolhe o mais legal. Pode ser Emi, Mila, Mia, Miloca, Mililica...

Ela dá uma risada.

- E o seu apelido, Aurora? Qual é?
- Emília!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

De recesso - dia com o marido

Esta semana estamos de recesso, eu e o marido. Uma beleza. Hoje ele me acompanhou o dia inteiro: obstetra, RPG e nutricionista. Tudo às mil maravilhas.

Doutora faz o exame de toque e me diz: "Temos tudo para um parto normal." Ai, que beleza! E diz também que Emília não pretende se adiantar. "Parece que ela chegará na data certinha." Agora passarei as festas cheia de tranquilidade...

Chego na nutricionista - uma amiga de longa data - e ela com o marido ao telefone. "Desculpe, Lia, mas ele está com meu filho no pediatra e sabe como é, né? Tem que fazer videoconferência comigo." E diz que não conhece marido como o meu, que lê livro sobre parto, criação de filhos, sabe todos os medicamentos que estou tomando e responde antes de mim em que semana estou. "Seu marido é sua doula!" Adorei a comparação. E ele é mesmo.

E mais um exercício coletivo de paternidade: eu e ele fizemos juntos um CD pra Emília. Vai se chamar "Cantando para Emília". Dizem que o bebê se lembra das músicas que a mãe escutou durante a gestação, então tratamos de deixar o CD pronto algumas semanas antes de ela chegar. Cada um escolheu metade das músicas, e ficou assim:

1. Andrae Crouch & The Disciples - My Tribute
2. Ronnie Von - Jardim da Infância
3. Adoniran Barbosa - Vila Esperança
4. Toquinho - Aquarela
5. Dalva de Oliveira - Estrela do Mar
6. Georges Brassens - Le Parapluie
7. Abba - Slipping Through my Fingers
8. Smashing Pumpkins - Lily (My One And Only)
9. Chico Buarque - O caderno
10. Waylon Jennings - She's Looking Good
11. Webb Pierce - Leaning on the everlasting arms
12. Emmylou Harrys - A love that will never grow old
13. Dolores Duran - A noite do meu bem
14. Dorival Caymmi - Acalanto
15. Nat King Cole - Smile (Chaplin)
16. Julie Andrews - Stay Awake (Mary Poppins)

Várias não são músicas infantis, mas têm a ver com nosso sentimento em relação à Emília. Então ficou mesmo um CD do coração.

E já estamos idealizando o volume 2, "Dançando com Emília". Esse vai ser mais tchu-tchu-tchu.

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E fuçando pela net para baixar as músicas, descobrimos que "O Caderno" faz parte do disco "Casa de brinquedos", do Toquinho. Eu nunca tinha ouvido falar desse disco - o que talvez não seja o caso de vocês, mães. Mas se alguém não conhece, recomendo demais.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Como ficou a mala

Tô parecendo jornal: anuncio uma manchete quente e depois não informo no que deu. Tipo quando acontece um desastre e depois de meses, quando as investigações são encerradas, ninguém mais se lembra do caso.

Pois volto ao assunto mala da maternidade. Depois de tantos comentários legais que recebi, venho dizer como ficou a minha.

A lista do hospital era até bem razoável, e tentei obedecê-la na medida do possível. Mesmo assim, ficou meio rebelde, por questões práticas. Vamos ao que eles pediram e ao que eu estou levando.

Para a mamãe:
- 3 calcinhas e 3 sutiãs para amamentação – Ok
- 1 cinta – Ok
- 3 camisolas – estou levando duas.
- 2 chinelos (um pra banho, um pro quarto) – estou levando só um par de havaianas novinhas.
- Prendedor de cabelo – troquei por dois tic-tacs pra prender a franja. Cortei bebelo ontem, minha gente!
- Itens de higiene pessoal, incluindo absorvente noturno – Ok
- Roupa confortável para sair da maternidade – Ok. Escolhi cuidadosamente um vestido que disfarça a barriga. Mesmo com a cinta e um bebê nos braços, quero que as pessoas saibam que estou saindo da maternidade, e não entrando nela.

Eles não pedem absorventes pra seios, então suponho que forneçam. Por via das dúvidas, estou levando um par que veio de brinde na minha bomba de leite.

Agora, para o bebê:
- 3 mudas de roupas completas com cueiro– Ok mais ou menos. Achei ótimo pedirem só três. Estou levando duas trocas semi-completas (calça, body de manga comprida, casaco e meias – eliminei a touca e as luvas) e uma incompleta (sem casaco). Essa incompleta é porque o terceiro casaco não combinou, e prefiro enrolar minha filha numa fralda pra ela não passar frio que deixá-la cafona. Antes pobre que brega. Mas meu espírito de praticidade deu espaço a um quê de futilidade que todas nós temos e eu fiz uma quarta muda de roupa, pra ela sair da maternidade! É fresquinha, pra ela sair na rua no calor de janeiro: um macaquinho balonê marrom com bolinhas rosas, curtinho, com um body por baixo. Gentem, é a coisa mais fofa do mundo, vinda diretamente de NY. Não sei se vai precisar, mas estou levando. Ah, e em vez dos cueiros, que não tenho, estou levando três mantas e uma toalha fralda. Não tem muita lógica, mas deve servir.
- Pente e escova – Ok, e mais um enfeitinho de cabelo que eu acho que não machuca (se incomodar eu tiro), porque parece que a mocinha virá cabeluda.
- 1 manta – como disse, estou levando 3 pra substituir os cueiros.
- 2 fraldas de ombro e 2 de boca – ok.

De opcionais, eles colocam concha pros seios (resolvi esperar pra ver se vou precisar, porque é caro), enfeite de porta, lembrancinhas, máquina fotográfica e filmadora. Desses, a única coisa que vou levar com certeza é a máquina.

Também não pedem fraldas descartáveis, então suponho que forneçam.

Agora vou fazer a mochila do papai (viu, amor, marido nem sempre é relegado!) e tratar de comprar baterias novas pra máquina fotográfica.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Carta para Emília - emoções do último mês

Minha filha querida,

Hoje escrevo pra você um texto de gente grande. Talvez entendendo sua mãe, você entenda alguma coisa sobre você mesma.

Minha personalidade tem duas marcas opostas: sou sonhadora e pé no chão, tudo ao mesmo tempo. Tenho raízes e asas. Sou leve e pesada. Isso muitas vezes gera uma briga dentro de mim, um lado querendo ficar, o outro querendo ir. Normalmente quem ganha é o lado responsável, porque ele é mais forte e menos flexível. Mas o lado romântico sempre dá um jeito de sobreviver, transborda pelos meus dedos quando escrevo, pelos meus olhos quando choro. E, no fim, quando pouquíssima coisa importar, acho que ele é quem ganhará a briga.

Meu lado sério prevalece a maior parte do meu dia. É quando trabalho. Esse lado foi o que me permitiu ser sempre boa aluna, agradar meus pais e conseguir um bom emprego. Esse lado pra mim é o que garante a minha sobrevivência. Mas não é a minha vida.

Minha vida acontece no fim da tarde, à noite, nos fins de semana, feriados e férias. Eu poderia curtir o trabalho e viver o tempo todo? Poderia, se não fosse obrigatório. Se eu não tivesse de ficar longe de casa, longe de quem eu amo. Mas certas coisas na vida têm de ser feitas, quer você queira, quer não. Assim eu aprendi. Assim me diz meu lado responsável.

Talvez eu ainda não tenha aprendido a arte de conciliar esses meus dois lados harmonicamente. Não levo trabalho pra casa, não levo problemas de casa pro trabalho.

Quando eu era criança, meus pais diziam que fizéssemos logo o dever de casa para “ficarmos livres”. Depois poderíamos brincar sossegados, sem nos preocuparmos com nenhuma pendência. E sempre vi minha obrigações dessa forma: fazer logo para me ver livre, e depois poder curtir a vida. Compartimentei meus dias em deveres e lazer. Claro, quando se é adulto, os deveres ocupam muito mais tempo.

Não detesto minhas tarefas. Gosto de cozinhar, acho que curto até separar roupas pra lavar. Sento no chão ou me acocoro e fico jogando as roupas de um cesto pro outro. Meu trabalho também anda bastante tranquilo. Muita gente boa e um ambiente agradável. Mas basta a expressão “eu tenho que...” antes de qualquer ação pra baixar aquela garota séria, determinada a encerrar a tarefa da melhor forma possível e no menor espaço de tempo.

Tem sido no mínimo interessante observar essa disputa interna durante meu último mês de gestação. Estados que tiram parte da nossa sanidade – cansaço, um pouco de álcool, hormônios – são o cenário ideal pra que meu lado sonhador derrube de nocaute o outro. O chato. O estável. O equilibrado.

Fiz minhas listas e me descabelei com as coisas que não dependiam de mim. Depois que tudo acabou, respirei aliviada. Primeiro a obrigação, depois...

Por que eu tinha de estar com tudo pronto agora? Porque o desespero ficava batendo na minha cabeça, o diabinho da organização, da insegurança, do medo. E meu bichinho da paz, que me faz descansar em braços muito mais fortes que os meus, que me diz que tudo vai dar certo e que não dá mesmo para controlar tudo, estava lá, massacrado. E agora os dois discutem entre sim: “Eu não disse? Eu tinha razão.”

Eu tinha razão de me organizar. Mas não tinha razão para me preocupar. Mas como faz isso, não se preocupar? Não aprendi ainda.

Meu sonho? Que você fosse diferente de mim. Que fosse mais leve. Que tivesse a fé que em mim é tão falha. Mas talvez você não seja, e talvez roa suas unhas como eu. Mas isso não importa, Emília. Todo mundo traz dentro de si um temperamento, às vezes mais dócil, às vezes mais difícil. Mas sempre existe algo que temos de fazer para que nosso temperamento não machuque os outros nem a nós mesmos.

Fazem oito meses que te carrego no meu ventre. Você pesa. A responsabilidade pesa. Não tenho medo de não saber cuidar de você. Não, de você não tenho medo nenhum. Mas fico querendo ser perfeita, riscar das minhas listas todas as minhas obrigações pra depois viver no paraíso com você. É meu lado romântico falando. Porque não consigo ver meu papel de mãe como uma obrigação. Foi uma escolha. Não sei se estou conseguindo explicar. Talvez seja mais ou menos isto: que arranquei os cabelos pra me livrar do mundo chato antes de você nascer, pra que depois eu pudesse me dedicar só a esse trabalho divino. Amar você.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Personal parto organizer

Algumas pessoas comentaram sobre minha organização para o parto e o pós-parto. Apesar de não ter deixado tudo pronto com a antecedência de que gostaria (muitas coisas estão fora do nosso controle), acho que, no geral, tenho conseguido manter uma ordem que, espero, me renderá um pós-parto mais tranquilo. Minha ideia é ter o máximo de tempo para conhecer minha filha, sem ter de ficar me preocupando com cozinhar, comprar não sei o quê que ficou faltando, administrar faxineira ou explicar pro marido ou pros familiares como fazer algo que antes era eu que fazia.

Claro que tudo o que fiz tem a ver com minha personalidade. Sou muito aperreada, como se diz no Ceará, e entro em surto facilmente quando percebo que algo deu errado. Então, pro meu próprio bem, me preparei. Era a única forma de eu me sentir menos ansiosa e poder me concentrar apenas no parto e na minha filha.

As coisas que compartilhei e que ainda compartilharei aqui são a minha forma de agir. Mas quero deixar claro que não acho de forma alguma que alguém um pouco mais bagunçada que eu não possa ser uma mãe incrível. Não acho que a mala da maternidade tem de estar pronta um mês antes, nem o enxoval. Não acho que o carrinho tem de ser adquirido três meses antes, nem que você tem de ter comida no seu congelador. Acho que um bebê precisa de muito poucos bens e de muito do nosso tempo. Então você pode se virar do seu jeito – dar banho no chuveiro, colocar o bebê pra dormir na cama ou no carrinho enquanto não tem berço, pedir sua comida pelo telefone – e ser perfeitamente feliz dessa forma.

Fico extremamente agoniada com as listas dos sites e revistas sobre gravidez. Semana tal: “Visite as maternidades.” Semana tal: “É hora de escolher o pediatra”. Semana tal: “Sua mala já está pronta? Seu bebê pode chegar a qualquer momento.” De acordo com esses cronogramas, eu sou a gestante mais sem noção do mundo, porque faltando um mês pra minha filha nascer a mala não estava pronta, o berço ainda não estava montado e as roupas ainda estavam sendo lavadas. Mas gente, o que é isso de “seu filho pode chegar a qualquer momento?”. Se a pessoa tem uma idade avançada, está grávida de gêmeos, tem pressão alta, diabetes ou algum outro fator de risco, vá lá. Ou então se está tendo sinais de parto prematuro. Mas, em condições normais, quais as chances de você entrar em trabalho de parto com 34 semanas? E, se você entrar, seu bebê provavelmente vai ter de passar uns dias internado e alguém pode providenciar o que ficou faltando enquanto isso.

Mas eu sofro de um grave problema: culpa. Mesmo achando tudo isso, fico preocupada por não estar seguindo todas as orientações dos guias maternos. Então, para não entrar em parafuso, adotei o meu próprio cronograma. E isso eu recomendo para todas as mães: é a melhor forma de deixar tudo pronto a tempo sem se desesperar, sem se sentir culpada e sem esquecer nada.

Fiz uma planilha de Excel com o título “Coisas para deixar prontas antes do parto”. A tabela tem quatro campos: tarefa, prioridade, data de conclusão e responsável. À medida que eu vou me lembrando de algo que precisa ser feito, insiro no campo “tarefa”. Aí eu classifico as prioridades. “Checar como anda a restauração do berço”, por exemplo, ganhou a tarja “indispensável”. Já “preparar lista de contatos para anunciar o nascimento” ficou com a prioridade “alta”, já que a Emília pode nascer sem isso. As prioridades “média” e “baixa” vão para as coisas que eu gostaria de fazer, se houver tempo. Em seguida, escrevo até quando a tarefa tem de estar pronta. Tento colocar uma data com uma antecedência razoável em relação ao dia provável do parto, mas que seja viável pra nós. Não adiantava nada eu querer tem o berço dois meses antes quando nessa data nós estávamos em processo de mudança e término da reforma do apartamento. O último passo é designar um responsável pela tarefa, leia-se: eu ou meu marido.

À medida que as tarefas vão sendo realizadas, marco com uma cor diferente. Minhas três legendas são: “em andamento”, “concluída” ou “prazo vencendo”.

Quando olho pra minha lista, fico mais animada. Vejo que quase tudo está encaminhado e dentro dos prazos que eu estipulei. Quando ouço os outros – “deixe tudo pronto logo, viu?”, “estou com seis meses e o quartinho já está montado”, “você tem que lavar logo as roupas, fazer um estoque de fraldas, algodão e cotonete” – ou quando espero estar acompanhando as recomendações para cada semana de gestação, fico doida. Aí parece que nada vai dar certo.

Então, pra quem tem inveja da minha organização, fica a dica: não tente ser alguém que você não é. Confie nos seus instintos e jogue fora qualquer comentário que esteja te irritando. E se realmente você achou legal a história da planilha, vá em frente: grávida tem o cérebro lerdo, como vocês já sabem.

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E quem é que já tem berço e mala??? Emília, levante a mão!!!

Ontem cumpri minha missão de pré-mãe e agora é só ficar de papo pro ar! A mala está fechada, as roupinhas e os brinquedos estão todos lavados e guardados e o berço já tem até roupa de cama (que eu vou ter de cobrir pra não pegar poeira. Que lástima, tão bonitinhos os lençois que minha sogra mandou fazer...).

Agora posso me dedicar a tarefas menos urgentes ou dispensáveis, como costurar eu mesma o enfeite de porta (vai ficar show igual à boneca da Tia Nastácia, coisa fina) e montar o álbum do meu casamento! Pois é, três anos de casados e não temos álbum.

É incrível como basta você sossegar e dizer: “filha, pode vir”, que passa aquela sensação de que você vai entrar em trabalho de parto a qualquer momento. Até minhas contrações diminuíram, e agora acho que chegaremos tranquilamente a 39 semanas.

Hohoho, boas festas dentro da barriga!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sobre anemia, gestação e vegetarianismo

Entre as mil coisas que queria falar, resolvi começar por um boletim “Emi-Lia”. Mamãe está bem, bebê está bem.

Durante todo o pré-natal, a Emília não apresentou nada de anormal. Muito pelo contrário, sempre recebeu elogios tanto da minha obstetra quanto da médica que faz minhas ecografias. Mesmo assim, sempre fiz questão de garantir que eu não estava fazendo nada que viesse a prejudicar minha filha.

Como a maioria dos meus leitores já sabe, tenho uma dieta restritiva. Basicamente, não como carne. Como, muito esporadicamente (nem é todo mês), um salmãozinho grelhado. Isso significa duas coisas:

1) Minha ingestão de vitamina B12, presente exclusivamente no reino animal, é bem menor que a média da população. Assim como o ácido fólico (vitamina B9), ela é importante para a manutenção do sistema nervoso. Sua carência também pode gerar anemia, porque ela participa na formação da hemoglobina. No meu caso, a B12 vem só dos laticínios e dos ovos.

2) Minha ingestão do ferro heme é praticamente nula. Esse é o ferro presente na carne que, segundo os médicos, é mais biodisponível e mais facilmente absorvido pelo organismo.

Então, eu teria tudo para ser anêmica, especialmente durante a gestação. Certo? Mais ou menos.

Seu quadro nutricional depende de toda a sua dieta. Você pode comer picanha, riquíssima em ferro, mas não ingerir vegetais verde escuros e leguminosas. É por isso que o percentual de vegetarianos e de onívoros anêmicos é exatamente o mesmo.

Gostaria de falar para aquelas pessoas que 1) namoram a ideia de não comer carne mas têm medo de deficiências nutricionais ou 2) têm filhos que rejeitam carne, especialmente a vermelha, e ficam preocupados com seu desenvolvimento.

Confesso que tinha medo, sim, de deixar faltar alguma coisa pra minha filha. Toda mãe tem. Assim, comuniquei meus hábitos alimentares à minha obstetra e tratei de buscar acompanhamento nutricional. A médica logo descartou a necessidade de incluir carne na alimentação e simplesmente manteve o acompanhamento pelos hemogramas. Me passou um polivitamínico que toda gestante toma, e mais nada de especial. A nutricionista também não alterou minha dieta, mas bolou um plano pra prevenir a anemia – comum em gestantes. Montou um cardápio que separasse refeições ricas em cálcio de refeições ricas em ferro, me orientou a sempre consumir alimentos ricos em vitamina C junto com o ferro e passou um suco de couve com limão para ser tomado diariamente.

Mesmo com todos esses cuidados, meu hemograma apontou um número de hemácias um pouco abaixo do limite. E agora? Fígado nela?

Por cautela, a obstetra me encaminhou pra um hematologista para investigar. Como a hemoglobina estava normal, ela não se desesperou e disse que verificaríamos com calma se realmente haveria a necessidade de alguma suplementação. Minhas reservas de vitamina B12 também estavam um pouco abaixo do normal (o que era esperado, depois de 10 anos sem comer carne).

Primeira visita ao hemato. Ele já diz: “Duvido que você esteja anêmica. Sua hemoglobina está ótima. Aliás, pra alguém na sua idade gestacional, seus exames estão excelentes. Por precaução, você vai tomar duas doses de vitamina B12 injetável e vamos verificar sua ferritina.” A ferritina é a reserva de ferro. Ela e a hemoglobina são os melhores indicativos de anemia. Ele também explicou que é normal que no hemograma de gestantes as hemácias pareçam um pouco baixas, porque o sangue se “liquefaz”. Com a retenção de líquidos, ele fica mais dissolvido, e a concentração de hemácias por volume cai. É uma falsa anemia.

Pois bem. Tomei as injeções e mais nada. Nenhum suplemento de ferro. Continuei com o suco de couve e fiz os exames.

Hoje voltei ao hemato e ele disse: “Não há absolutamente nada a ser feito. Todos os seus índices estão excelentes. Se você quiser, pode voltar daqui a uns seis meses só para vermos se houve alguma queda nas suas reservas de B12; então podemos fazer reposições periódicas.”

Nem preciso dizer que fiquei feliz da vida, né? Então, pessoal, dá pra ser vegetariano e perfeitamente saudável, inclusive durante a gestação. No meu caso, precisei de suplementação de B12 por causa da gestação. Mas que gestante não faz suplementação de ácido fólico?

E acrescento que meu marido, vegetariano há 15 anos, aproveitou a deixa pra ir ao hemato também. O ácido fólico dele é absurdamente alto, o que corrobora a informação que li por aí de que gestantes vegetarianas que seguem uma dieta balanceada não precisariam de suplementação de ácido fólico. A B12 dele está normal. E ele não come ovo. Anemia também passou longe do exame dele, mas homem é covardia, né?

É verdade que quem adota a dieta vegetariana tem de tomar alguns cuidados; mas o mesmo vale pra quem tem uma dieta onívora. Se me preocupo com vitamina B12 e ferro, muita gente tem de cuidar do colesterol e da glicose. Não defendo que o vegetarianismo seja a melhor opção pra todos. Preciso apenas dizer que é uma opção saudável e responsável para qualquer pessoa – mesmo gestantes e crianças. E se alguém quiser tentar, vá atrás de informações e faça um acompanhamento como eu. É seguro.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Mil coisas

Estou meio verborrágica nesse fim de gravidez. Tenho tanta coisa pra falar que nem sei por onde começar. Depois da homenagem da Pat, a Denise também deixou as dicas dela pra mim, que obviamente terei de reproduzir aqui. Obrigada, meninas, e a todas aquelas que comentaram e deixaram seus preciosos conselhos. Como se não bastasse, a Pat ainda publicou uma série de observações de sua amiga Sil sobre a amamentação. Incrível, amei mesmo - mesmo tendo acompanhado o especial Semana da Amamentação no blog do Astronauta.

E o que mais? Minha mãe arrumou um marceneiro pra fazer as partes do berço que o restaurador tinha perdido, e agora temos um berço completo e montado! Vimos a Emília hoje e ela tem 45cm e 2,6kg, com toda saúde. Minha anemia nada mais era que uma falsa anemia, meu ferro está nas alturas. Todo o enxoval da Emília já está lavado, só falta a diarista passar o que falta amanhã pra eu fechar a mala da maternidade. E ando chorosa demais, choro todo dia, de soluçar. É coisa demais, cada uma daria um post.

Enquanto eu vou tentando raciocinar e organizar o pensamento, lá vão as contribuições da Denise. O post original está aqui:

* quando a Emíla dormir durma também, aproveite sempre que puder para descansar muito;
* deixei a Elisa no meu quarto até os 2 meses (ela nasceu no inverno Gaúcho), depois direto para quartinho dela, embora isso significasse muitas idas e vindas durante a noite;
* cada dia é diferente, mas rotina é fundamental;
* aconchego, aconchego, aconchego...ela vai precisar do teu cheiro;
* não precisa acordar a Emília se ela não se mexer é pq está dormindo mesmo viu;
* se o leite demorar um pouco não se desepere, ele vem;
* não tenha roupas demais, ela vai crescer rápido e muitas não serão nem usadas;
* sentimentos confusos fazem parte, tristeza tbm;
* se possível tenha alguém por perto, sempre;
* chore sempre que tiver vontade;
* além do pediatra não ter sempre a razão, ele não é o único. Se precisar, mude de pediatra (eu mudei);
* é o maior amor do mundo!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Para Patrícia

Este post é para agradecer a Pat pelo lindo presente que ela me deu ontem. Com todo o carinho do mundo, escreveu um post pra mim com dicas preciosas sobre a vida de uma recém-mãe. Tenho de reproduzir o texto aqui pra garantir que ele não se perderá. Obrigada, Pat! Você é um amor. (Ah, e pra quem não conhece a Patrícia, passem lá no blog dela e conheçam a linda Mariana).

A Lia está chegando na reta final da gravidez. Período de ansiedade, acho que das maiores que há na vida. Eu, pelo menos, ansiava pelo desconhecido. Como seria ser mãe? Minhas dúvidas não eram filosóficas. Eram práticas. Eu saberia trocar fraldas? Conseguiria amamentar? Saberia cuidar de alguém 24 horas por dia? Eu seria boa mãe, no sentido prático da coisa? Porque instinto maternal eu nunca tive muito não... Nem nunca fui muito fã de crianças, assim no genérico. Gostava (e gosto) de crianças específicas. Das minhas sobrinhas e dos meus afilhados e de uns sobrinhos emprestados (e agora uns virtuais) e é só. Daí a dúvida. No final da gravidez encasquetei que não queria mais que Mariana nascesse. Que ficasse na minha barriga, que lá eu sabia o que fazer. Mas, claro, ela nasceu e me considero uma boa mãe. De novo, não no sentido filosófico, mas no sentido prático mesmo. Me saí melhor do que esperava no setor da puericultura. Soube trocar fraldas com facilidade. Amamentei sem problemas. Soube dar banho de primeira, sem ajuda nem nada. E me virei bem de uma maneira geral. Penei em alguns momentos, mas hoje tudo está muito mais fácil. Um ano e quatro meses de experiência devem valer alguma coisa.E assim, na qualidade de amiga virtual, quero presentear a Lia com o pouco que aprendi nesse que foi o período mais intenso, mais cansativo e ao mesmo tempo mais prazeroso de toda a minha vida:

1. É fato que você vai dormir pouco. Mas a gente se acostuma a dormir menos. Juro. Antes da Mariana nascer eu dormia 10, 12, horas seguidas. E hoje, mesmo dormindo a metade disso, fico inteira no outro dia. O corpo se acostuma.
2. Nenhum bebê é igual dois dias seguidos. Sábio conselho da minha mãe. Hoje não dorme, amanhã dorme. Hoje está de mau humor, amanhã tudo volta ao normal. Hoje come à beça, amanhã não come nada. E por aí vai. Então não vale à pena se desesperar por pouco.
3. Nas horas de desespero (muito choro, muita cólica, muito cansaço) mentalize o mantra: vai passar. Porque passa, viu?
4. Faça back up das fotos. Perdemos TODAS as fotos da Mariana do nascimento até os seis meses, incluindo maternidade e batizado. É. Deu pau no computador e não tínhamos back up. Conseguimos recuperar algumas com minha mãe e meu irmão, mas quase tudo se foi. Cuidado!
5. Talvez o primeiro mês seja fácil para você. Mas se não for – e para mim não foi - garanto que assim que se passarem os primeiros trinta dias, tudo parece que se ajeita. Não sei o que acontece, mas com um mês tudo melhora.
6. Ouvidos de mercador para os palpites. Basta você ser mãe para todo mundo saber mais do que você. Não esquente, não sofra com isso, finja que aceitou e siga sua vida. Desconsidere até mesmo esses meus palpitinhos, se não te servirem de nada!
7. O pediatra não é Deus. Não é porque ele disse que você tem que seguir 100%. Eu escuto e filtro. Faço o que bem entendo muitas vezes e tem dado muito certo.
8. Siga a sua intuição. Acima de tudo e de todos. Costuma dar mais certo que qualquer outra coisa.
9. E last but not least, prepare-se: O maior amor do mundo te espera, bem aí na sua barriga!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A saga do berço

Nos idos de 1980, na cidade de Belo Horizonte, um casal esperava um menino. Para recebê-lo, desenharam e mandaram fazer uma mobília toda especial. Sucupira foi a madeira escolhida, muito popular na época. Das mãos do marceneiro saíram uma cômoda, uma prateleira e um lindo berço, todos enfeitados com corações vazados e com as bordas arredondadas, também inspiradas no desenho de um coração.

No berço dormiu aquele menino, e depois dele seus dois irmãos. Como o casal não teria mais filhos, passou a mobília para os sobrinhos. Ainda nos anos 80, o berço foi usado por mais dois meninos.

Mais de 15 anos se passaram desde a confecção dos móveis, quando nasceu mais um sobrinho, desta vez na cidade de Três Corações. E mais um menino teve seus sonhos embalados naquele berço.

Não tendo nascido mais nenhum bebê na família, os móveis foram guardados num galpão e ali ficaram por muitos anos.

Quase trinta anos depois, o segundo filho daquele casal esperaria também o seu bebê. O primeiro neto da família. Logo seus pais se lembraram do berço e lhe perguntaram se queria resgatá-lo. O filho, acompanhado da esposa, foi até o galpão de Três Corações visitar a mobília.

O jovem casal morava em Brasília, e para lá os móveis tiveram de ser levados. Duas semanas depois, eles chegariam ao seu novo lar. Mas, depois de tantos anos, precisavam de uma restauração. E para a restauração tudo foi enviado.

Enquanto isso, uma criança crescia no ventre daquela nova mãe. Uma menina. A primeira menina a dormir no berço onde haviam dormido seis meninos. O tempo passava, a menina crescia cada dia mais. E o berço permanecia na restauração.

Um dia, tudo chegou. A menina já estava enorme, mas prometia ficar na barriga por pelo menos mais um mês. Mas o pai, para a sua desilusão, viu que faltavam algumas peças. O berço não poderia ser montado.

Mais uma vez, o restaurador foi procurado. Disse que estava com as peças, mas ainda precisaria de uns dias para concluir o trabalho. Mamãe roeu as unhas. Papai ficou nervoso. A menina nada percebeu e continuou crescendo.

As outras coisas foram chegando – os lençois, as toalhas, as roupinhas. Mamãe foi arrumando o quarto com carinho. Lavou tudo, organizou as coisas nas gavetas. E, num canto do quarto, as peças que haviam chegado esperavam as outras para virarem berço.

Então descobriram que o restaurador havia perdido uma peça importante. Mamãe quis chorar, mas lembrou que aquela menina já tinha tudo o que ela precisava. E, sonhando com ela, tentou esquecer todos os problemas. Então inventou que aquele berço era mágico, e que por isso ele tinha mesmo de ser a última coisa a ficar pronta. Imaginou que aquelas madeiras recostadas à parede ganhariam vida assim que suas irmãs chegassem. Que, uma vez encaixadas, soltariam um monte de estrelinhas douradas. O berço seria animado, como o boneco Pinocchio. Falaria, cantaria, se moveria. Durante o dia, ninguém perceberia nada. Mas, à noite, quando todos estivessem dormindo, o berço vivo faria as suas artes e encheria de fantasias os sonhos daquela menininha.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Prevenindo a episiotomia

Taí um assunto polêmico. A OMS e os defensores do parto humanizado dizem que a episiotomia, ou corte no períneo, é indicado apenas em situações muito específicas. Segundo essa corrente, as lacerações que ocorrem naturalmente são menos nocivas e cicatrizam mais rápido que o corte do bisturi. E ainda argumentam que o corte artificial pode ser causa de um rasgo ainda maior.

Já alguns médicos e algumas mulheres garantem que o corte feito pelo médico, certinho, por ser mais fácil de costurar, é menos traumático. “Menina, corta que é melhor!! Senão depois você vai ver o rasgão, todo torto...”

Minha médica mesmo prefere a episio, mas garantiu que a decisão será tomada em conjunto. (Parece que o mentor da decisão vai ser o marido. A médica disse: “Seu marido fica lá comigo olhando e vê tudo o que está acontecendo. Assim ele pode ajudar a decidir o que é melhor. HAHAHAH Coitado!).

E o que a Lia acha? Como nunca pari, vou com a OMS.

Mas a própria OMS e os artigos científicos reconhecem que o risco de laceração em primíparas (mulheres que vão parir pela primeira vez) é enorme. Então, o que fazer pra evitar que, com bisturi ou sem bisturi, eu fique sentando na almofadinha de hemorróidas por algumas semanas?

Pesquisa que pesquisa, o negócio é desenvolver um períneo power. Como? Malhando! E aí vêm os famosos exercícios de Kegel (de contração e descontração do músculo) e a massagem no períneo.

Comecei os exercícios de Kegel ainda antes de engravidar, já me preparando com antecedência. Na época eu nem sabia muito sobre a episiotomia, mas sabia que esse treinamento facilitava o trabalho de parto e prevenia incontinência urinária no futuro. É bem fácil e dá pra fazer em qualquer lugar, ninguém percebe.

Durante a gestação, acrescentei exercícios que trabalham todo o assoalho pélvico (no pilates) e a parte interna da coxa. Digitei no Google “exercícios gestantes” “exercises pregnancy”, “exercices grossesse”, “ejercicios embarazo”, fiz uma seleção, imprimi tudo e venho praticando em casa.

Já a massagem no períneo, comecei semana passada, porque diz que só pode a partir da 34ª. Ela serve para aumentar a elasticidade e a capacidade de relaxamento do músculo, dando a ele uma maior resistência ao rompimento na hora em que a cabeça do bebê despontar. Devidamente autorizada pela médica, fiz a mesma pesquisa no Google e escolhi a série que me pareceu mais confortável (essa massagem no períneo é bem padrão; você pode procurar o passo a passo em vários idiomas e a variação será mínima). Testei, achei fácil, rápida e bem tranquila. Recomendo a participação do marido por dois motivos: 1) ele já vai visualizando o momento em que tudo aquilo se alargar, e isso pode diminuir o choque na hora do parto; 2) com o barrigão, fica um pouco difícil curvar o tronco pra frente pra alcançar confortavelmente as partes a serem massageadas.

Malhado e alongado, o períneo tem mais chances de sair ileso do trabalho de parto. Pelo menos é o que dizem as pesquisas. E o que mais? Ah, a posição do expulsivo.

Como todas já devem saber, a posição supino (deitada com a barriga pra cima) é a pior possível para o nascimento do bebê. Pois ela também é a que causa mais traumas no períneo, porque gera uma pressão indesejável na área. Segundo minhas pesquisas, a posição de lado é a melhor pra evitar lacerações. Mas a de cócoras também é boa, e eu tô que tô gostando de brincar de indiazinha o dia inteiro. Essa posição se tornou extremamente confortável pra mim agora no fim da gestação e provavelmente será a escolhida pro momento de expulsar a Emília.

Mesmo com tudo isso, pode ser que rasgue. Mas provavelmente rasgará menos que se eu não tivesse feito nada. E eu vou saber que fiz tudo o que podia ser feito pra ter um pós-parto mais tranquilo possível.

E aqui encerro meus depoimentos sobre os preparativos para o parto. Espero que em janeiro eu tenha boas notícias pra trazer pra vocês. E não precisa sair tudo do jeitinho que planejei; basta que eu sinta que fui respeitada, que todos os procedimentos foram feitos com a preocupação de buscar o melhor pra Emília e pra mim e que minha filha nasceu com saúde!

+++

Aproveito para dizer que minha sogra veio este fim de semana e minha irmã chegou ontem de NY, o que significa que O ENXOVAL ESTÁ PRATICAMENTE PRONTO!! ÊEEEE! Claro que ainda falta lavar muita coisa e ainda não temos o berço, ó saga... depois eu conto os detalhes pra vocês.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Aliviando a dor sem analgesia

Gostaria de agradecer os comentários de ontem. Agora espero que todas estejam torcendo por mim! Adoro quando estou acompanhando um blog de grávida que quer parto normal e depois ela anuncia que foi assim mesmo! Uma alegria sem fim! Cesárea, só se cairmos nos 15% dos casos em que a OMS realmente recomenda a cirurgia. E agora vamos mais além, penar um pouquinho com as dores do parto!

Muita gente (se não todo mundo) me pergunta por que quero dispensar a anestesia na hora do parto. Apesar de defender a posição da OMS de que quanto menos drogas, melhor, entendo que a anestesia pode ajudar muita gente a ter um parto normal sem traumas. Pra início de conversa, as pessoas sentem dor de maneiras muito diferentes. Algumas têm mais tolerância, outras, menos. Um estímulo que, para mim, pode ser perfeitamente suportável, para outra pessoa pode levar a um sofrimento intenso. Além disso, cada trabalho de parto caminha de uma maneira. Alguns podem ser muito mais longos e difíceis, enquanto outros passam relativamente rápido.

Não defendo parto sem dor, mas sem sofrimento. Não sei se adianta muito você saber que foi guerreira, deu conta, pariu na raça, quando no fundo você tem memórias horríveis daquele momento e, no subconsciente, pode até atribuir à criança a culpa pelo seu sofrimento. Por outro lado, acredito que algumas mulheres podem viver uma excelente experiência em um parto sem anestésicos químicos. E acredito nessa possibilidade para mim.

Li muito sobre o assunto, e decidi que é isso que eu quero. Quero que o parto caminhe orquestrado pelos meus próprios hormônios, mesmo que doa pacas. E conhecendo meu corpo, minha mente e minha história, acho que tenho forças pra isso.

Sempre tive uma tolerância muito boa para dor. Honestamente, não lembro a última vez que senti uma dor muito forte. Certamente houve, mas não lembro. Tenho memórias remotas dos meus três anos, quando triturei meu indicador em um brinquedo no parquinho (até hoje tenho a cicatriz). Minha mãe conta que eu chorava e dizia:

- Eu queria ser um ladrão!
- Mas, Liazinha, ladrão também sente dor.
- Então eu queria ser um cachorro!
- Mas, Liazinha, cachorro também sente dor.

E eu fiquei lá, chorando, sem poder ser uma pedra ou qualquer coisa insensível. E sobrevivi.

Outra cicatriz que tenho na mão é um corte que hoje tem pouco mais de 3cm e que ganhei caindo no chão do clube. Aparei a queda com as mãos e a esquerda foi pousar bem em cima de um caco de garrafa. Foi muito sangue, isso eu lembro. E me lembro também do grito que soltei no hospital (quando criança eu gritava muito, e alto) quando o médico injetou a anestesia local para costurar o corte.

Uma coisa que aprendi com essas experiências foi o poder da distração no alívio da dor. Grande parte dessa sensação física é causada pela tensão, pelo medo, pelo susto. Você olha pra sua mão, vê aquele tanto de sangue e se desespera mesmo. Mas um gesto de conforto, alguém que te passe segurança ou até um outro assunto que te demande atenção ajudam a aliviar, ou até mesmo a anestesiar a dor.

Acho que foi nesse episódio em que rasguei o dedo que tive de ligar pra minha mãe no trabalho. Não sei por que raios algum adulto não fez isso por mim, o fato é que era eu ao telefone. Minha mãe conta que atendeu um colega dela que conhecia minha fama de decoradora de propagandas. Na época, fazia sucesso o anúncio de um remédio que servia pra tudo, um tal Castanhodo, Castanhoto, sei lá. Eu sabia o texto todo de cor: “Se o cumpádi, pádi, tá doente, com hemorróidas... etc, etc... Castanhodo! Vida nova em sua vida!” (eu dizia: “vida nova em suavidade!”). Não sei se fiz uma voz muito calma quando pedi pra falar com minha mãe, mas o cara deve ter achado que não era nada sério, porque me disse: “Só passo pra sua mãe se você repetir toda a propaganda do Castanhodo!”. E assim eu fiz. E só depois minha mãe e o amigo joselito dela ficaram sabendo da gravidade de situação.

O fato é que, na minha cabecinha de três anos, eu precisava repetir o anúncio do Castanhodo pra falar com minha mãe, e eu precisava falar com minha mãe pra curar meu machucado. Então fiz o que tinha de ser feito, mesmo com o dedo latejando.

Sei que as dores das contrações devem ser infinitamente mais fortes que a de um corte profundo. Mas também não tenho mais três anos. O fato é que creio que sou capaz de suportá-las, e quero passar por essa experiência, sentir como é, pra poder dizer depois: realmente eu preciso de anestesia. Ou não.

Gastei um tempão falando de mim, da força que eu acho que tenho. Mas sei que não vou conseguir passar por isso sozinha. Como eu disse, a sensação de segurança é fundamental para que a dor não domine a situação. E meu braço forte é meu marido. Conversei muito com ele sobre as minhas opções e agora ele está completamente envolvido. Mostrei alguns vídeos (do Lamaze, que são muito mais limpinhos que os do Discovery Home&Health) pra na hora ele não se assustar com a minha cara franzida e meus gemidos, e não ficar mais desesperado que eu. Treinei com ele as posições possíveis durante o trabalho de parto e as massagens que ele pode me fazer pra aliviar o desconforto. Pedi a ele que responda por mim tudo o que me perguntarem, de modo que eu não me distraia do meu serviço. A médica já sabe, mas é sempre bom ter mais alguém pra te defender: se me oferecerem anestesia, ele está orientado a dizer que eu pedirei se precisar. Especialmente se fizerem isso no meio de uma contração. Também pedi a ele pra não me deixar pedir a injeção no meio da contração, porque dizem que a gente fica meio insana e implora até por uma cesárea. Pedi pra ele tentar conversar comigo, me dar força e me ajudar a esperar pelo menos até o fim da contração pra ter certeza de que é isso mesmo que eu quero.

Enfim, é assim que estou buscando lidar com as dores do parto: me informando o máximo possível sobre o que ocorre durante o trabalho de parto, especialmente sobre o que causam as dores, quanto tempo elas costumam durar e como nosso corpo reage para lidar com elas; conhecendo meu próprio corpo e minha personalidade, e me preparando psicologicamente pra este momento; e envolvendo meu marido em todo o processo. Sozinha não dá. E vamo que vamo!!

Amanhã conversamos sobre a episiotomia.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Facilitando o parto normal

Depois do papo sobre as fraldas, que rendeu muitos comentários (cocô é sempre um assunto que dá ibope), dou início à série de três postagens sobre minha preparação para o parto. Hoje falo sobre meu objetivo número um: fugir de uma cirurgia.

Passo um: pesquisar os reais motivos que justificam uma cesariana. Passo dois: procurar um médico que não seja cesarista. Passo três: preparar o corpo.

Vou pular o passo um porque pretendo falar mais das minhas experiências que de coisas que vocês podem achar por aí. Vou direto ao passo dois.

A médica que estava me acompanhando antes de engravidar foi eliminada um mês antes do resultado positivo. Isso porque (já devo ter contado aqui antes em algum lugar, mas não lembro onde), depois de um mês sem a pílula, ela disse: “Se você não engravidar nos próximos dois meses, vou lhe passar um indutor de ovulação.” Com essa pressa pra me engravidar, imaginei que ela também não teria muita paciência na hora de me desengravidar.

Próxima médica.

- Você faz parto normal?
- A opção é da paciente, mas dependendo do que acontecer ao longo do pré-natal ou até durante o trabalho de parto, a opção fica sendo do médico.
- E quais os motivos para a realização de uma cesárea?
- Bebê pélvico [ok], pressão alta [mais ou menos], bebê GIG (grande para a idade gestacional) [péeeeeem], cordão enrolado no pescoço [péeeeem!]...

Errou 2,5 de quatro. Reprovada.

Aí desisti de continuar tentando achar médico credenciado (já estava no 3º mês de gestação) e fui numa médica indicada por uma amiga. Ela não é roots, parto natural e tal, mas pesquisei bastante e soube que ela é conhecida por ser pouco intervencionista e respeitar as pacientes. Estou com ela até hoje e estou tranqüila.

Agora, passo três! É contigo, mulher!

Antes mesmo de engravidar eu vinha buscando levar a vida mais salubre possível para que eu e minha filha estivéssemos com todo o vigor pra maratona de um parto normal.

Como já disse aqui, ajustei minha dieta e permaneci ativa durante toda a gestação (apenas tive de trocar o boxe por exercícios mais apropriados... ai, ai). E se eu já me alimentava bastante bem, radicalizei na eliminação dos industrializados. E aí eu confesso: meu maior sacrifício foi parar de comer miojo. Vocês não estão entendendo: eu AMO miojo, cozido ou cru, principalmente aquele espaguete que vem no saco maior. E com Sazon. Mas eu sei que é o lixo do lixo (segundo minha nutricionista, você faz muito melhor se comer pipoca), então este ano eu simplesmente não comi miojo.

Outro sacrifício pra mim foi eliminar o queijo do almoço. Isso porque minha nutricionista elegeu o almoço como a refeição dedicada à maior ingestão de ferro do dia. Pra quem não sabe, cálcio e ferro, quando ingeridos juntos, formam um complexo não solúvel e têm sua absorção altamente prejudicada. É mole? E tenho feito isso pra prevenir anemia, já que tenho essa tendência.

Claro que não sou o ícone da disciplina. De vez em quando rola um pão de queijo, um bolinho, chocolate, sorvete, pizza e até umas friturinhas. Faz parte. Mas sem a filosofia do libera geral.

Quanto aos exercícios, eles são uma necessidade pra mim. Atualmente, só o pilates e o RPG têm me dado alívio para as dores nas costas e só as caminhadas têm amenizado o desconforto nas pernas.

Algumas pessoas perdem as estribeiras na gravidez, e eu entendo: já é complicado lidar com as oscilações hormonais, a mudança do corpo, o desconhecido. E além de tudo a gente ainda tem de se controlar... Mas eu digo que vale a pena demais. Se com 10k a mais e uma boa estrutura muscular já é difícil se mover, os pés incham, as pernas, as costas e a bunda doem, imagino com 15, 20k a mais. Então eu digo que valeram cada doce que eu recusei, cada miojo que eu não comi e cada quilo que eu levantei.

Minha condição física não apenas tem me ajudado a ter uma gestação mais tranquila, mas creio que me contribuirá demais a caminhar para um parto normal. A pressão, a glicose, o colesterol e até a hemoglobina estão ótimos. E minhas coxas estão bem mais fortes do que estavam quando engravidei (de membros inferiores, o boxe trabalha mais a panturrilha, e eu não fazia musculação). Posso passar meia hora de cócoras, com a planta do pé inteira no chão. Consigo me acocorar e levantar sem apoio, várias e várias vezes seguidas (aliás, esse é um exercício que tenho feito). Pesquisei na internet uns exercícios para gestantes e faço quando não tenho pilates. Alguns ajudam no posicionamento do bebê e outros fortalecem os músculos que serão demandados na hora do parto.

No geral, sei que saio com vantagem em relação a muitas gestantes porque minha saúde é boa, sou relativamente jovem e tenho o paladar fácil pra comidas saudáveis. Também me considero bem fortinha. Mas como todo mundo (menos a bailarina), também tenho minhas perebas, contra as quais tive de lutar durante todo esse período: tenho varizes (já fiz aplicações duas vezes) e sempre senti muitas dores nas pernas, especialmente nas TPMs; tenho gastrite crônica (tive úlcera aos 17 anos) e raramente passo sem sérios desconfortos estomacais; tenho duas hérnias na coluna cervical, o que me rende umas 5 ou 6 crises de torcicolo por ano (já pensou parir de colar cervical, que charme?).

Mas, como eu disse: estou fazendo minha parte. O importante é confiar que qualquer coisa que saia dos planos vai ser porque teve de ser, e não porque eu escolhi mal minha médica ou porque não me preparei adequadamente.

Amanhã falo sobre como estou me preparando pra sentir as dores do parto...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fraldas de pano para uma bonequinha de pano

Já que não comecei ontem, e em razão dos comentários aqui e aqui sobre as fraldas de pano, vou adiar pra próxima semana o início das postagens sobre minha preparação pro parto.

Muita gente ficou curiosa, se perguntando se dá pra começar a maternidade com mais este trabalho: lavar fraldas.

É claro que não posso dizer que é possível, porque minha filha ainda não nasceu. Mas sei que não é impossível.

Tudo começou há uns dois anos, quando assisti a um programa que mostrava o impacto ambiental das fraldas descartáveis. Nos EUA, elas são um dos principais problemas do lixo urbano. Não sou ecochata e não gosto de pregar pras pessoas que devem fazer isso ou aquilo. Também não me gabo de nada que eu faço: levar sacola pro supermercado pra não gastar saco de plástico, reaproveitar a água, ir a pé ao máximo de lugares possíveis. Isso pra mim não é nada porque não me dá trabalho nenhum, e sei que continuo sendo nociva porque gasto mais tempo no banho do que o necessário e dirijo sozinha pro trabalho todos os dias. Mas no caso das fraldas, pensei: “isso eu posso fazer”.

Minha ideia inicial era revezar fraldas descartáveis com aquelas fraldas antigas do tempo da mamãe. Claro que economia de grana também contava a favor. Eu não sabia da existência das modernas fraldas de tecido, mas mesmo assim estava disposta a, de vez em quando, fazer uns origamis com as Cremer e fechar com alfinete com cabeça de Mickey e fita verde (lembram?). Me considero uma dona de casa experiente (Óooooo), morando fora de casa desde os 18 anos. E imaginei que não seria muito complicado passar uma água no pano sujo, jogar no balde e, quando juntasse o suficiente, meter tudo na máquina.

Ainda antes de engravidar, li no blog da Lu um post sobre as fraldas de pano modernas. Elas já vêm montadinhas, com velcro ou botões, pra facilitar a troca. Nada mais de origami. E como têm elástico nas perninhas, não vazam igual às antigas. Adorei a ideia e resolvi usar as tais fraldas a maior parte do tempo, deixando as descartáveis só para ocasiões em que a troca tem de ser feita na rua.

Não vou explicar aqui como elas funcionam, vantagens, desvantagens, preços, blábláblá. Tudo isso é facílimo de procurar no Google, digitem lá fraldas de pano para mais informações.

Minhas principais razões para ter feito essa opção são, nesta ordem: 1) economia de lixo; 2) economia de grana; 3) prevenção de assaduras; 4) desfralde antecipado; e 5) curiosidade e teimosia.

Agora vamos aos aspectos práticos.

Problema 1: minha cocofobia, como bem lembrou a Pat.
Solução: descartável ou não, a fralda vai ficar suja de cocô e eu vou ter de olhar pra ele. E a bunda da Emília também, e eu vou ter de limpar. E tudo isso vai exalar um lindo aroma. Um detalhe: mesmo usando fraldas descartáveis, o correto é despejar no sanitário o excesso de cocô antes de jogá-las no lixo. Isso porque as fezes liberam metano, altamente nocivo pra camada de ozônio. Então, minha filha, se o cocô é inevitável, vamos logo enfiar a cara na merda de uma vez!!

Problema 2: lavagem.
Solução: Fraldas, Dona Máquina de Lavar, Dona Máquina, fraldas. Muito prazer.
O procedimento é o seguinte: joga cocozão na privada (como eu faria com as descartáveis), passa uma aguinha básica e joga a fralda no balde com sabão. Um balde pro xixi (já comprei e marquei um X com caneta definitiva) e outro pro totô (esse ganhou um C).
Roupas, mesmo as mais sujas, podem ficar de molho por até uma semana, desde que você oxigene a água diariamente (é só dá uma misturada). Recomenda-se também colocar uma colher de bicarbonato de sódio no balde pra evitar mau cheiro. Então com as fraldas é a mesma coisa.
Claro que elas não vão ficar de molho uma semana, porque não sou rica milionária pra comprar 50 fraldas de pano. Imagino que em um dia já encha o balde de xixi e, em dois ou três, o de ploplô. Aí encheu, joga na dona máquina, aperta dois botãzinhos e, voilà! Estender essas fraldinhas é a maior façura do mundo.
E se não secaaaar??? A dona máquina seca pá nóis!!
Mas isso não é mais antiecológico que o lixo da descartável? Né não, vai por mim, pesquisem lá que tô com preguiça de explicar e vocês devem estar ainda com mais preguiça de ler.

Para as coisas que as pessoas dizem que não dá pra fazer, minha cabecinha funciona da seguinte forma: se alguém já fez, é porque dá. Tipo, parto sem anestesia, quatro filhos, criança sem chupeta. Quem não viveu essas experiências diz que não rola, mas quem viveu diz que rola. Então, se rolou pra alguém pode rolar pra mim também, né não? Foi assim que fiz uma segunda graduação ao mesmo tempo em que trabalhava 40 horas semanais. Uma amiga minha fazia e eu resolvi que eu também podia. E fiz.

Depois que a Emília nascer, é claro, retornarei ao assunto, aí já com know how de expert. E que venha o cocô!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Se eu pudesse...

Nos meus passeios pela rede, descobri (ou pelo menos foi isso que entendi) que, na França, a licença maternidade começa agora. Quer dizer, na 34ª semana de gestação. Eu pro marido: “Bora se mudar?”

Se eu pudesse, passaria esse último mês deitada ou andando. Jamais sentada horas em frente ao computador. Também não dirigiria. Se eu pudesse, dormiria 12, 14 horas todos os dias. E passaria as horas de tédio lendo ou cantando pra Emília.

Se eu pudesse, daria uma choradinha todos os dias de manhã, só pra limpar a alma e começar o dia bem. Mas de manhã, bem na hora de chorar, estou em público.

+++

(Os posts sobre minha preparação pro parto estão prontos. Mas, hoje, é só isso que tenho a dizer.)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Rumo ao parto

Se estou um pouco atrasada com a parafernália para bebês, meu planejamento em áreas tão ou mais importantes tem sido criterioso. Como comentei aqui, já estou deixando tudo nos eixos pra garantir uma boa nutrição no período pós-parto. Também está pronta uma pastinha com todos os formulários relativos à minha licença-maternidade, devidamente preenchidos, assinados e acompanhados de um passo a passo para quem for solicitá-la no meu trabalho (tem os nomes e os telefones de todos os funcionários responsáveis por isso no setor de recursos humanos e contatos de colegas de trabalho que podem resolver alguma emergência). Montei até um roteiro de como será o preenchimento da minha folha de ponto durante a licença para deixar com a moça que cuida disso aqui no meu setor (acreditem, a folha de ponto aqui no meu trabalho é complexa. Qualquer errinho, o RH devolve).

Já pesquisei também os documentos necessários pro registro da Emília e mandei tudo pro marido, junto com o endereço do cartório pra onde ele tem de ir (fiz questão de verificar se esse cartório fazia registro civil). Pra engrossar a lista nerd, já separei todos os produtos pra lavagem de roupas dela numa cestinha e imprimi as orientações de lavagem, inclusive das fraldas. Isso tudo, pra quê? PRA NINGUÉM ME PERTURBAR ENQUANTO EU ESTIVER SENDO VACA LEITEIRA!! Tipo: “Onde está isso? Como faz aquilo?”. Daí eu espalhar manuais de instrução feitos por mim mesma por todas as partes, e divulgá-los a pessoas chave.

Mas de todos os preparativos, os mais gostosos e talvez mais cruciais sejam aqueles para o parto. Apesar das fraldas de pano orgânicas, não sou roots nem hippie: sou nerd, simplesmente. Faço tudo o que mandam a OMS e o Ministério da Saúde. Portanto, quero parto normal com o mínimo de intervenções possíveis. Significa: sem anestesia e sem episiotomia.

Mas para que tudo corra bem, não basta escolher um médico que respeite suas opções. Ajuda muito se a gente fizer um esforcinho pra evitar que certas intervenções venham a ser efetivamente necessárias. Claro, não dá pra ter controle sobre tudo. Mas a minha parte eu quero fazer.

Como tenho muito a falar sobre minhas expectativas pro parto e sobre o que ando fazendo para que elas se tornem realidade, vou falar de um assunto por dia: 1) facilitando o parto normal; 2) aliviando a dor sem analgesia e 3) prevenindo a episiotomia.

Aguardem.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

É um besouro? É um elefante? Não! É a super grávida!


Sintoma 1: burrice aguda.

Comprei o forro do meu carrinho na última feira da gestante e testei se servia assim que cheguei em casa. Tudo ok. Com essa onda de lavação de roupas, lavei o dito cujo, peguei a tesoura e fui cortar os buraquinhos. Pra quem não sabe, as capas de carrinho e de bebê conforto vêm com umas cavas, como se fossem de botão, para passar os cintos de segurança. Só que as cavas vêm fechadas, só com o acabamento, pra você cortar as que correspondem ao seu modelo de cinto.

Pois bem. Lá fui eu conferir os buracos que precisavam ser abertos. Céus! Nada batia. As cavas não tinham nada a ver com as saídas dos cintos. “Xiiii....”, pensei. “Comprei o trem errado”. Com toda a calma do mundo, pensei na solução mais óbvia: “vou pedir pra mamãe costurar as cavas certas, assim não tenho de comprar outro forro”. Lá vem mamãe me visitar e aproveito para mostrar o forro. Explico o que aconteceu. Ela examina o carrinho, examina o forro:

- Minha filha, acho que está de cabeça pra baixo.
- Não, mãe, não é possível. A parte mais larga é embaixo.
- Não, olha só. Aqui em cima nem está encaixando – e vira o troço. – Agora sim.

E não é que o negócio deu certinho, com os furos no lugar? Tico? Teco? Tem alguém aí?

Sintoma 2: elefantíase

Ou pernas e pés inchados, como queiram. O quadro se agrava em fins de dias muito quentes. E domingo à noite, eu desfilando as pernas gordinhas num vestido curto regatão super fresquinho. Apóio os pés na cadeira e comento com o marido:

- Amor, to parecendo um elefante.
- Tá mesmo. Tão linda, minha elefantinha!

Próximo tópico! (Esse foi dose.)

Sintoma 3: mudança de categoria preferencial

Antes eu era gestante. Agora sou uma pessoa com dificuldades de locomoção.

Estou eu sentada no sofá, depois de receber um tratamento de pedicure do marido (sem a pintura das unhas, óbvio. Só aquela raspada básica na sola e uma massagem daquela nos pés). Reclinada pra trás, duas almofadas no cóccix, uma atrás da cabeça. Ele termina e eu tento me levantar. Sabe quando o besouro vira com as patas pra cima e fica se sacudido, sem conseguir se mexer? Visualizem.

- Amoooor, não consigo me levantar!!

Consigo cair meio de lado no sofá. E compreendo como deve se sentir um recém- nascido, sem conseguir sair do lugar.

Fico pensando se essas limitações não servem pra fazer a gente se sentir um pouco na pele dos bebês, cheios de dependências. E dá pra entender melhor porque eles choram, porque é isso que dá vontade de fazer nessas situações.

Deve ser por isso. Só pode ser por isso. Alguém me empresta um andador?

(E não dá pra acreditar que ainda consigo caminhar e fazer pilates. Mistério).

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